{"id":16973,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/jovens-universitarios-catolicos-por-uma-sociedade-mais-solidaria-e-participada\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"jovens-universitarios-catolicos-por-uma-sociedade-mais-solidaria-e-participada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jovens-universitarios-catolicos-por-uma-sociedade-mais-solidaria-e-participada\/","title":{"rendered":"Jovens universit\u00e1rios cat\u00f3licos por uma sociedade mais solid\u00e1ria e participada"},"content":{"rendered":"<p>Leiria \u00e9 a cidade anfitri\u00e3 das pr\u00f3ximas Jornadas dos Universit\u00e1rios Cat\u00f3licos, com in\u00edcio marcado para esta sexta-feira, dia 17, e a decorrer at\u00e9 Domingo na Escola Superior de Tecnologia e Gest\u00e3o. Organizadas pelo Movimento Cat\u00f3lico de Estudantes (MCE), e este ano em parceria com o Servi\u00e7o Nacional de Pastoral do Ensino Superior, as IX JUC\u2019s, subordinadas ao tema \u00abRedescobrir a cidadania, contributos para a mudan\u00e7a\u00bb. Francisco Jos\u00e9 Marques Aguiar, 21 anos, residente na G\u00e2ndara dos Olivais, estudante no 2\u00ba ano do curso de Marketing na Escola Superior de Tecnologia e Gest\u00e3o de Leiria, \u00e9 actual Coordenador no MCE na diocese de Leiria-F\u00e1tima. O seman\u00e1rio \u201cO Mensageiro\u201d foi ao seu encontro para perceber como podem os jovens universit\u00e1rios cat\u00f3licos contribuir para uma sociedade mais solid\u00e1ria e participada.  <i>O Mensageiro &#8211; O que \u00e9 o MCE? Francisco Jos\u00e9 Marques Aguiar &#8211;<\/i> O MCE surgiu h\u00e1 25 anos, e \u00e9 um movimento de ac\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica que tenta unir a Igreja e a sociedade. Os tra\u00e7os fundamentais passam pela sua metodologia de trabalho. Baseamo-nos no m\u00e9todo de revis\u00e3o de vida \u2013 ver, julgar e agir \u2013 e todo o trabalho \u00e9 desenvolvido atrav\u00e9s dessa metodologia. Come\u00e7a essencialmente por pessoas que desenvolvem um trabalho numa equipa, uma equipa base de reflex\u00e3o de vida, que re\u00fane semanalmente procurando incidir nos conflitos que surgem no dia-a-dia com as outras pessoas. Os militantes re\u00fanem-se para falar de temas actuais e pertinentes para eles, quer seja no sector do ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio, quer seja no sector do ensino universit\u00e1rio. Num ou noutro sector a metodologia a aplicar \u00e9 a mesma, sempre \u00e0 luz do Evangelho.  <i> OM &#8211; Como est\u00e1 estruturado? FJMA &#8211;<\/i> O MCE est\u00e1 estruturado em v\u00e1rias plataformas \u2013 diocesana, nacional, europeia, e internacional \u2013 encontrando-se tamb\u00e9m filiado numa organiza\u00e7\u00e3o europeia, a JECI-MIEC, e numa internacional, a IYCS-JECI. A diocesana \u00e9 constitu\u00edda por um executivo diocesano que trabalha para promover momentos, encontros e actividades, para as equipas base e de inicia\u00e7\u00e3o que se v\u00e3o formando nas escolas. Tentamos que essas equi-pas sejam formadas por pessoas que, integrando a mesma escola, possam fazer uma equipa, e a partir da\u00ed realizar um trabalho. O movimento encontra-se dividido em dois sectores: o SEBS (Sector dos Ensinos B\u00e1sico e Secund\u00e1rio) e o SES (Sector do Ensino Superior), uma vez que se trata de duas realidades muitos distintas. Claro que podem tamb\u00e9m trabalhar em conjunto, e t\u00eam momentos em que isso acontece.  <i>OM &#8211; Como funciona? Como desenvolvem a pedagogia que seguem? FJMA &#8211;<\/i> O movimento procura nas escolas pessoas que possam estar interessadas em participar. Tem actividades durante alguns fins-de-semana do ano, contudo \u00e9 essencialmente reflexivo. Tenta reunir todas as semanas durante uma hora ou hora e meia, em equipas de 7 a 8 elementos, com pessoas da mesma faixa et\u00e1ria, que possam confrontar entre si os seus problemas, ambi\u00e7\u00f5es e aspira\u00e7\u00f5es, para que depois de ver e julgar possam agir naquilo que s\u00e3o esses problemas e dificuldades, tentando encontrar uma solu\u00e7\u00e3o em grupo ou individualmente. Claro que temos tamb\u00e9m projectos comuns que surgem n\u00e3o s\u00f3 para o movimento em si, como at\u00e9 mesmo para actuar na pr\u00f3pria escola onde est\u00e3o inseridos ou na sociedade. Temos ainda outro tipo de encontros onde se pretende que as pessoas possam interagir com outras realidades, onde pessoas de escolas diferentes possam partilhar ideias e perceber que h\u00e1 problemas comuns. Para al\u00e9m dos encontros de inicia\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o, em que pretendemos que haja entrada de novos mi-litantes, e dos encontros diocesanos de sector, o ano de actividades culmina com um acampamento, onde se pretende que os militantes possam ter uma reflex\u00e3o mais alargada e mais tempo de conv\u00edvio.  <i> OM &#8211; Quem e como se pode aderir a este movimento? FJMA &#8211;<\/i> O movimento, apesar de ser cat\u00f3lico, \u00e9 aberto a todas as pessoas. No entanto n\u00e3o deixamos de afirmar que somos cat\u00f3licos e que somos praticantes. E isso \u00e9 f\u00e1cil de perceber atrav\u00e9s da nossa metodologia. Como \u00e9 que algu\u00e9m pode aderir? N\u00f3s estamos presentes em v\u00e1rias escolas. Em Leiria o Movimento est\u00e1 presente nas escolas secund\u00e1rias Afonso Lopes Vieira, na Domingos Sequeira, e na Francisco Rodrigues Lobo. A n\u00edvel superior temos equipas na ESEL e tamb\u00e9m na ESTG. N\u00e3o \u00e9 um movimento que fa\u00e7a grande divulga\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque os contactos s\u00e3o mais a n\u00edvel pessoal. \u00c9 tamb\u00e9m poss\u00edvel chegar at\u00e9 n\u00f3s na nossa sede, na Pra\u00e7a Rodrigues Lobo, onde reunimos e trabalhamos, e a\u00ed \u00e9 mais f\u00e1cil contactar-nos. O MCE n\u00e3o \u00e9 um movimento de massas nem o procura ser. Baseia-se na cria\u00e7\u00e3o de alguns momentos de qualidade, n\u00e3o procuramos tanto a quantidade. H\u00e1 pessoas que n\u00e3o se enquadram, e isso \u00e9 normal, mas de facto \u00e9 um movimento que acaba por ser diferente porque n\u00e3o \u00e9 popular. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um movimento de elites, mas ainda n\u00e3o temos capacidade para acolher muitas pessoas. Claro que, porque tamb\u00e9m nos queremos dar a conhecer \u00e0 sociedade, ao ensino, procuramos tamb\u00e9m fazer encontros abertos ao meio. \u00c9 o caso das Jornadas de Universit\u00e1rios Cat\u00f3licos em que procura-mos que o meio conhe\u00e7a aquilo que \u00e9 o movimento e o seu trabalho.  <i>OM &#8211; Qual a implementa\u00e7\u00e3o do Movimento na Diocese? FJMA &#8211;<\/i> Neste momento somos cerca de oitenta pessoas. Temos enfrentado alguns problemas, como \u00e9 a falta de um Assistente nomeado. No entanto continuamos com n\u00fameros bastante bons para n\u00f3s. Em termos de sectores, o do ensino superior tem cerca de 30 elementos, enquanto que o do ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio ronda os 50. Acabamos por ter sempre mais gente no sector do secund\u00e1rio que no superior, porque a maioria das pessoas que frequentam o secund\u00e1rio acabam por sair e por ir para outras cidades estudar. Esta \u00e9 uma das caracter\u00edsticas de Leiria. Acaba por haver uma certa descontinuidade, e \u00e1s vezes \u00e9 dif\u00edcil no ensino superior cativar as pessoas a participar neste tipo de espa\u00e7o.  <i>OM &#8211; Essa \u00e9 uma das dificuldades que enfrentam. Com que outras se debatem? FJMA &#8211;<\/i> Talvez neste momento o que nos preocupa mais ser\u00e1 a falta de um Assistente diocesano, pois de facto \u00e9 uma pessoa que estar\u00e1 sempre presente nos nossos momentos, como s\u00e3o as reuni\u00f5es do executivo. Depois h\u00e1 os problemas de sempre, como \u00e9 a quest\u00e3o da rotatividade. \u00c9 dif\u00edcil cativar os estudantes do ensino superior a entrar no movimento. No b\u00e1sico e ensino secund\u00e1rio, como h\u00e1 aquela rotina das pessoas irem \u00e0s aulas juntas, e existe uma turma mais espec\u00edfica, mais facilmente conseguimos abordar e cativar as pessoas. \u00c9 mais f\u00e1cil o processo. No ensino superior cada um tem um hor\u00e1rio diferente, h\u00e1 pessoas que passam c\u00e1 pouco tempo, que v\u00eam \u00e0s aulas e v\u00e3o embora, n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o ligadas ou interessadas. S\u00f3 com este tipo de actividades abertas ao meio \u00e9 que poderemos conseguir cativar as pessoas, mas nem sempre \u00e9 f\u00e1cil porque existem, cada vez mais, montes de outras actividades extracurriculares que as pessoas t\u00eam: um desporto, uma tuna, actividades acad\u00e9micas, trabalhos em part-time, etc.  <i> OM &#8211; H\u00e1 tamb\u00e9m um trabalho de continuidade com aqueles que v\u00eam do sector do ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio, mesmo de outras ou para outras dioceses?  FJMA &#8211;<\/i> Sim. Quando temos militantes do secund\u00e1rio que v\u00e3o estudar para fora, para Lisboa por exemplo, a nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que eles cheguem l\u00e1 e se integrem. E, por norma isso acontece. E quando h\u00e1 o sentido inverso n\u00f3s tamb\u00e9m acolhemos essas pessoas, tentamos que elas reunam connosco, e participem nos espa\u00e7os que n\u00f3s propomos. O ensino superior em Leiria tem sofrido um crescimento maior nos \u00faltimos 3 a 4 anos, e passar\u00e1 a ser cada vez mais normal vermos estudantes do ensino secund\u00e1rio de Leiria a ficar no ensino superior em Leiria. Isso para n\u00f3s \u00e9 bom, pois come\u00e7amos a ter uma certa continuidade.  Neste momento estamos a reunir com pessoas que fizeram o caminho por este processo de transi\u00e7\u00e3o do sector secund\u00e1rio para o superior. Desta forma, com uma base relativamente mais s\u00f3lida, \u00e9 mais f\u00e1cil conseguir cativar outras pessoas e crescer. \u00c9 isso que temos vindo a sentir: temos vindo a crescer no ensino superior em Leiria, gradualmente, dando passos firmes e est\u00e1veis. Queremos que as coisas levem o tempo necess\u00e1rio. Claro que n\u00e3o deixamos de tentar procurar aqueles estudantes que v\u00eam de fora, e no que respeita \u00e0 forma como chegamos a eles, temos vindo a mudar os processos, de modo que o MCE acabe por ser tamb\u00e9m um espa\u00e7o onde se possam sentir acolhidos, percebendo que a cidade tem v\u00e1rias ofertas e propostas, e o MCE \u00e9 uma delas.   <i> OM &#8211; Existe alguma liga\u00e7\u00e3o com o SDPJ, e\/ou com outros sectores da Igreja da diocese?  FJMA &#8211;<\/i> Sim, n\u00f3s procuramos manter uma rela\u00e7\u00e3o relativamente pr\u00f3xima com o Secretariado da Pastoral Juvenil. Por exemplo, iremos \u00e0 peregrina\u00e7\u00e3o diocesana a F\u00e1tima, uma actividade proposta por este secretariado, e na qual iremos procurar participar activamente, como fazemos todos os anos. Procuramos tamb\u00e9m estar atentos a outras propostas que o secretariado vai fazendo, e consoante a disponibilidade que temos vamos tentando participar. Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil porque na Diocese n\u00f3s (MCE) temos um calend\u00e1rio relativamente cheio. Procuramos ter actividades que preencham os desejos dos militantes, e \u00e1s vezes \u00e9 dif\u00edcil enquadrar mais actividades.   <i> OM &#8211; Como \u00e9 que sentem o envolvimento da Igreja junto dos jovens universit\u00e1rios? Qual poder\u00e1 ser, no futuro, o papel da Igreja no meio universit\u00e1rio de Leiria?  FJMA &#8211;<\/i> Em termos universit\u00e1rios existe tamb\u00e9m o Centro de Apoio ao Ensino Superior (CAES), que constitui uma outra proposta da Igreja. Penso que para que os jovens universit\u00e1rios sintam o apelo da Igreja, o caminho passar\u00e1 muito por este tipo de ac\u00e7\u00f5es, em termos de ac\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica. Ou seja, trata-se de as pessoas encontrarem o seu espa\u00e7o dentro da Igreja. H\u00e1 certamente muitas vis\u00f5es distorcidas daquilo que \u00e9 a Igreja. E por isso, o CAES e a celebra\u00e7\u00e3o dos jovens \u00e0s 19h30, aos Domingos, na igreja do Esp\u00edrito Santo, s\u00e3o uma proposta importante que a Igreja faz.  O caminho passa muito por a\u00ed. Contudo \u00e9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio que os jovens procurem informar-se, e n\u00e3o dar aquela opini\u00e3o b\u00e1sica e muito simplista de quem n\u00e3o sabe, e diz aquilo que ouve sem qualquer fundamento. Quando algu\u00e9m diz \u201csou cat\u00f3lico mas n\u00e3o sou praticante\u201d, isso ao fim e ao cabo n\u00e3o existe. N\u00e3o passa de uma desculpa, de uma falsa quest\u00e3o. Somos cat\u00f3licos porque assumimos esse des\u00edgnio, sentimos de facto que somos, porque acredita-mos em algo muito maior, ou ent\u00e3o n\u00e3o somos.   <i> OM &#8211; Sabemos que est\u00e3o na linha da frente da organiza\u00e7\u00e3o das Jornadas de Universit\u00e1rios Cat\u00f3licos, que v\u00e3o acontecer este fim-de-semana, em Leiria. Como est\u00e1 a decorrer a organiza\u00e7\u00e3o?  FJMA &#8211;<\/i> Esta \u00e9 uma das actividades abertas ao meio, em que procuramos dar a conhecer o Movimento ao meio estudantil. Est\u00e1 j\u00e1 tudo definido quer em termos t\u00e9cnicos, quer em termos log\u00edsticos. Espera-mos uma boa participa\u00e7\u00e3o. Desde h\u00e1 v\u00e1rios meses que esta actividade vem sendo divulgada. Inclusive na Internet com blogs e com um site espec\u00edfico (www.redescobrircidadania.org), no qual havia propostas semanais para que as pessoas fossem desenvolvendo o seu pensamento cr\u00edtico, e para que ao chegar \u00e0s jornadas possam colocar quest\u00f5es aos oradores, discutir, e aprofundar ainda mais esta quest\u00e3o.  A \u00abcidadania\u00bb \u00e9 um tema extremamente actual e muito vasto. As pessoas ainda n\u00e3o t\u00eam aquela percep\u00e7\u00e3o do que \u00e9 a cidadania. Acho que \u00e9 um tema muito interessante, e seja qual for a participa\u00e7\u00e3o, penso que aqueles que participarem est\u00e3o a dar um passo e um contributo muito positivo para no futuro perceberem que at\u00e9 nas pequenas coisas podemos mudar, podemos ser diferentes. E com isso contribuir tamb\u00e9m para o desenvolvimento do nosso pa\u00eds. Esperamos tamb\u00e9m que esta actividade possa despertar o interesse para o movimento, que traga aos estudantes do ensino superior um nome \u2013 Movimento Cat\u00f3lico de Estudantes. Esperamos que de facto as pessoas fiquem com estas tr\u00eas palavras no ouvido, e que percebam que \u00e9 uma proposta diferente, que faz sentido.   <i> OM &#8211; Quais as perspectivas futuras do movimento (a n\u00edvel diocesano)?  FJMA &#8211;<\/i> Esperamos continuar a crescer dentro dos nossos valores, e dentro do nosso tipo de trabalho. Em termos de crescimento sentimos que, neste momento, estamos ainda um pouco abaixo dos valores que gostar\u00edamos. Mas, com o trabalho que temos vindo a realizar, se conseguirmos equilibrar estes dois sectores, se conseguirmos que este sector do ensino superior cres\u00e7a em termos num\u00e9ricos e tamb\u00e9m em termos qualitativos, conseguiremos ter um sector mais forte e que acompanhe o bom trabalho que o secund\u00e1rio vai realizando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leiria \u00e9 a cidade anfitri\u00e3 das pr\u00f3ximas Jornadas dos Universit\u00e1rios Cat\u00f3licos, com in\u00edcio marcado para esta sexta-feira, dia 17, e a decorrer at\u00e9 Domingo na Escola Superior de Tecnologia e Gest\u00e3o. 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