{"id":16965,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/pela-qualidade-de-vida-pessoal-e-comunitaria\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"pela-qualidade-de-vida-pessoal-e-comunitaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pela-qualidade-de-vida-pessoal-e-comunitaria\/","title":{"rendered":"Pela qualidade de vida pessoal e comunit\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Catequese Quaresmal de D. Manuel Fel\u00edcio <!--more--> A Palavra de Deus fala-nos de transfigura\u00e7\u00e3o ou grande transforma\u00e7\u00e3o. Transfigura\u00e7\u00e3o de Cristo, no monte Tabor, no meio de Mois\u00e9s e Elias, diante dos ap\u00f3stolos Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, que tamb\u00e9m se deixaram transfigurar pelo impacto da experi\u00eancia feita; transforma\u00e7\u00e3o de um homem, o Patriarca Abra\u00e3o, pela for\u00e7a de F\u00e9, o qual fica capaz de trocar tudo o que tem pela aventura da esperan\u00e7a que Deus lhe prop\u00f5e.  Vivemos num mundo a necessitar de profundas transforma\u00e7\u00f5es para que nele haja verdadeiramente qualidade de vida pessoal e comunit\u00e1ria A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz publicou um documento, j\u00e1 neste m\u00eas de Mar\u00e7o, subordinado ao seguinte t\u00edtulo: \u201cRecuperar a alegria de viver e o nosso compromisso com o mundo\u201d, com propostas concretas, na linha do nosso compromisso de crist\u00e3os e de Igreja, para transformar a sociedade e a alegria de viver. Entre as propostas, permito-me sublinhar as seguintes, que s\u00e3o de uma actualidade gritante: 1\u00aa) Lutar contra o pessimismo e o des\u00e2nimo; 2\u00aa) superar as raz\u00f5es da exclus\u00e3o social e acabar com a pobreza; 3\u00aa) superar o consumismo irrespons\u00e1vel; 4\u00aa) praticar o acolhimento aos imigrantes; 5\u00aa) fazer esfor\u00e7o pela dignifica\u00e7\u00e3o do trabalho humano; 6\u00aa) colaborar na defesa dos bens p\u00fablicos e contribuir para eles com sentido de responsabilidade social; 7\u00aa) reabilitar a confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es da sociedade civil e em particular na actividade pol\u00edtica; 8\u00aa) nesta Quaresma, como crist\u00e3os temos de nos converter \u00e0 esperan\u00e7a e ajudar o mundo em geral a fazer a mesma convers\u00e3o. Se estamos de acordo em que o mais importante \u00e9 a vida de qualidade, ent\u00e3o pertence-nos a todos, come\u00e7ando pelas autoridades e institui\u00e7\u00f5es civis e administrativas, criar as condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para atingir esse objectivo.  Chegados aqui precisamos de encarar de frente um problema incontorn\u00e1vel dos nossos ambientes que \u00e9 a desertifica\u00e7\u00e3o. Infelizmente, o movimento demogr\u00e1fico, no nosso pa\u00eds, continua a ser para os grandes centros. Se tivermos em conta uma outra previs\u00e3o j\u00e1 feita de que, em 2020, seremos em Portugal menos 700 mil portugueses, devido aos efeitos da baixa de natalidade, sentimos a urg\u00eancia de introduzir factores novos neste processo que permitam inverter a marcha dos acontecimentos. Somos homens e mulheres de esperan\u00e7a, queremos como crist\u00e3os levar raz\u00f5es de esperan\u00e7a \u00e0 nossa sociedade e por isso acreditamos que \u00e9 poss\u00edvel evitar esta hecatombe dos nossos ambientes. J\u00e1 tivemos oportunidade de nos congratular com algumas pol\u00edticas de discrimina\u00e7\u00e3o positiva para os nossos ambientes, como est\u00e1 a ser, por exemplo, a isen\u00e7\u00e3o de portagens na A23 e A25. Esta \u00e9 uma forma de ajudar a pagar os custos da interioridade. Mas temos de continuar a percorrer este caminho, criando condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis aos empres\u00e1rios, em redu\u00e7\u00e3o de impostos, para que venham montar mais algumas empresas nos nossos meios; incentivando os casais novos origin\u00e1rios das nossas terras a fixarem-se nelas, quer porque se lhes facilita a aquisi\u00e7\u00e3o de casa pr\u00f3pria, quer porque se lhes oferecem meios financeiros para criarem o seu pr\u00f3prio emprego. Precisamos de fomentar a cultura das pequenas empresas, de base familiar, em que as pessoas, na vez de se queixarem da falta de emprego e de quererem viver do desemprego, se associem e tomem iniciativas, quanto poss\u00edvel tirando partido das muitas potencialidades de desenvolvimento existentes nos nossos meios. A pol\u00edtica geral do nosso pa\u00eds tem a grande parte da responsabilidade quanto a medidas a tomar para inverter este fluxo demogr\u00e1fico do interior para os grandes centros, mas a pol\u00edtica local, tanto aut\u00e1rquica como dos nossos representantes na Assembleia da Rep\u00fablica e no Governo, tamb\u00e9m n\u00e3o pode demitir-se.  <b>Ruralidade<\/b> N\u00e3o posso aceitar que se classifique de \u201cdestrui\u00e7\u00e3o criadora\u201d o despovoamento do Portugal rural tradicional, segundo declara\u00e7\u00e3o de um Secret\u00e1rio de Estado do actual Governo, na semana passada. Estou mais de acordo com o Professor Universit\u00e1rio investigador e docente do Instituto Superior de Ci\u00eancias do Trabalho e da Empresa, M\u00e1rio Bandeira quando diz que este despovoamento \u00e9 um crime e lamenta que mais de metade do territ\u00f3rio n\u00e3o fa\u00e7a parte dos planos deste pa\u00eds, dentro da pol\u00edtica errada seguida pelos governos nos \u00faltimos 30 anos. Precisamos tamb\u00e9m de outras condi\u00e7\u00f5es para o crescimento da qualidade da vida nos nossos aglomerados populacionais. A rela\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria \u00e9 uma necessidade das pessoas. A experi\u00eancia da partilha de bens materiais mas tamb\u00e9m culturais e espirituais \u00e9 determinante para o bem-estar social. Cada pessoa precisa de ser reconhecida, de forma continuada, nos seus valores e capacidades; e sobretudo precisa de sentir que estas suas capacidades s\u00e3o aproveitadas. Todos temos de desenvolver esfor\u00e7os e criar condi\u00e7\u00f5es para acabar com a marginalidade, seja qual for a express\u00e3o que tiver e promover a inser\u00e7\u00e3o social. Para conseguirmos objectivos de qualidade de vida comunit\u00e1ria, h\u00e1, sobretudo hoje, um problema que temos de encarar de frente e com coragem \u2013 \u00e9 o ordenamento do territ\u00f3rio e o planeamento urban\u00edstico. Precisamos que as nossas aldeias n\u00e3o percam habitantes. Mas os planos directores municipais continuam a restringir exageradamente os terrenos rurais destinados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o.  Atrevemo-nos a pedir que os planos directores municipais, que agora est\u00e3o felizmente a ser revistos, proporcionem a fixa\u00e7\u00e3o de casais novos e outros menos novos nas nossas aldeias tradicionais, contribuindo, assim, para inverter a marcha implac\u00e1vel da desertifica\u00e7\u00e3o. Lembrar estes problemas e propor alguns crit\u00e9rios de solu\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m o nosso contributo de cidad\u00e3os e de crist\u00e3os, neste tempo de renova\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria que \u00e9 a Quaresma, para a qualidade de vida dos indiv\u00edduos e da sociedade que a todos nos tem de preocupar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Catequese Quaresmal de D. 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