{"id":169198,"date":"2020-04-06T12:03:24","date_gmt":"2020-04-06T11:03:24","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=169198"},"modified":"2020-04-06T12:05:18","modified_gmt":"2020-04-06T11:05:18","slug":"saber-aprender-o-lado-positivo-de-obedecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-o-lado-positivo-de-obedecer\/","title":{"rendered":"Saber Aprender: O Lado Positivo de Obedecer"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Pedem-nos para ficar em casa. Uns ficam sozinhos come\u00e7am a falar com as paredes, as janelas, os m\u00f3veis e s\u00f3 existe problema se algum dia estes responderem, certo? Outros vivem uma grande az\u00e1fama em casa, com crian\u00e7as a trepar por tudo o que \u00e9 s\u00edtio ou a exigir este mundo e o outro.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/em-casa.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-169199\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/em-casa.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/em-casa.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/em-casa-260x260.jpg 260w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/em-casa-150x150.jpg 150w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/em-casa-480x480.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Pedem-nos para ficar em casa.<\/p>\n<p>Pedem-nos e temos de <em>obedecer<\/em>. Mas quando pensamos nesta palavra ficamos apreensivos porque nos sentimos obrigados a uma coisa que n\u00e3o \u00e9 fruto de uma escolha pessoal. Mas talvez o significado da palavra <em>obedecer<\/em> ajude a dar-nos uma nova perspectiva sobre a situa\u00e7\u00e3o em que vivemos.<\/p>\n<p><em>Obedecer<\/em> \u00e9 uma palavra com origem latina que cont\u00e9m uma outra: <em>audire<\/em>, ouvir. Assim, no seu sentido original, obedecer significa <em>escutar atentamente.<\/em> E por que raz\u00e3o \u00e9 importante neste momento da nossa hist\u00f3ria aprender a <em>obedecer<\/em>, ou seja, a escutar atentamente? Eu penso que seja pela possibilidade de descobrirmos o valor real de tantas coisas para as quais, antes, n\u00e3o havia tempo.<\/p>\n<p>Por outro lado, nas nossas cabe\u00e7as passa o pensamento do <em>PORQU\u00ca?<\/em> de tudo isto e onde est\u00e1 o amor de Deus no meio de tanto sofrimento que qualquer pandemia traz.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma resposta por uma raz\u00e3o muito simples, e que talvez se compreenda bem com uma met\u00e1fora que ouvi de um bispo americano nos \u00faltimos dias. Todos os acontecimentos, dos mais pessoais, aos mais sociais, ao mundiais s\u00e3o como ter milhares de milh\u00f5es de tabuleiros de xadrez com jogos simult\u00e2neos entre dois jogadores: Deus e o Mundo. E, ainda por cima, se pensarmos que se trata de um xadrez mais avan\u00e7ado em que o movimento de uma pe\u00e7a num dos tabuleiros afecta o jogo de todos os outros, procurar <strong>uma<\/strong> raz\u00e3o para um acontecimento como \u00e9 o caso da COVID-19 \u00e9 negligenciar que esse se enquadra num tecido de acontecimentos que perfaz o manto da narrativa hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, \u00e9 imposs\u00edvel dar <strong>uma<\/strong> raz\u00e3o para esta pandemia sem perder a vis\u00e3o do todo universal que a mente humana n\u00e3o possui a capacidade de abarcar. Quando pedimos a Deus a luz para entender a raz\u00e3o de tudo isto, estamos a pedir algo a Deus que n\u00e3o temos capacidade de acolher com a nossa intelig\u00eancia. Por\u00e9m, para santos como John Henry Newman, entender o alcance verdadeiro da nossa intelig\u00eancia n\u00e3o passa por iluminar todo o caminho de uma s\u00f3 vez, diz ele num poema lind\u00edssimo <em>\u201dO Pilar da N\u00favem\u201d<\/em><\/p>\n<blockquote><p>\u00abGuia-me, am\u00e1vel Luz, entre a escurid\u00e3o que me rodeia. Guia-me! A noite est\u00e1 escura e eu estou longe de casa. Guia-me!<\/p>\n<p>Cuida de meus passos; n\u00e3o posso ver a paisagem distante. Um passo \u00e9 o suficiente para mim.\u00bb<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o estamos longe de casa, mas parece estarmos <em>presos<\/em> dentro de casa e se centr\u00e1ssemos os passos, gestos, actos a realizar em cada dia no amor, tudo o que poder\u00edamos pedir a Deus \u00e9 a luz para dar <em>o pr\u00f3ximo passo.<\/em> Concretamente, qual o passo de amor que posso dar a seguir?<\/p>\n<p>Pode ser fazer a cama, arranjar-me (em vez de estar o dia todo de pijama), preparar uma boa refei\u00e7\u00e3o, arrumar a cozinha, escutar a hist\u00f3ria contada por uma crian\u00e7a, ou algo que algu\u00e9m tenha aprendido ou lido; pode ser fazer um telefonema a algu\u00e9m que est\u00e1 longe, ou perto, mas sozinho em casa. Se o ser humano imagina ao sonhar, acordado, tamb\u00e9m a sua imagina\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem limites.<\/p>\n<p>E quanto \u00e0s pessoas que est\u00e3o literalmente sozinhas em casa. Que passos podem dar? Recorda-me hist\u00f3ria da m\u00e9dica de origem H\u00fangara Edith Bone que esteve presa durante sete anos na Hungria ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, acusada injustamente de espionagem pelo regime comunista. Esteve sete anos numa pris\u00e3o solit\u00e1ria e quando foi libertada tinha uma s\u00e9rie de jornalistas que a aguardavam \u00e0 sa\u00edda da pris\u00e3o. Queriam ser os primeiros a ver o estado f\u00edsico e mental em que estava porque, seguramente, daria uma boa not\u00edcia de jornal. Mas ficaram desiludidos.<\/p>\n<p>Edith saiu com um aspecto f\u00edsico e mental normal. Sobretudo o mental foi o que mais impressionou os jornalistas. Como pode algu\u00e9m sobreviver ao isolamento durante tanto tempo e conservar a sua sanidade mental?<\/p>\n<p>N\u00e3o deixou de exercitar a sua agilidade mental e m\u00e3os engenhosas.<\/p>\n<p>Revia na sua cabe\u00e7a conceitos de geometria, dizia poemas que havia memorizado nas diversas l\u00ednguas que conhecia, reconstruiu os enredos de todos os livros que tinha lido, fez uma lista de todas as personagens que se lembrava das pe\u00e7as de Shakespeare e construiu, inclusiv\u00e9, letras de p\u00e3o endurecido pelo tempo e com estas compunha poesias. Conta que durante algum tempo conseguiu remover o peda\u00e7o de uma unha e, afiando-a no ch\u00e3o, escavou um pequeno buraco ao longo de semanas para deixar a luz do exterior entrar na sua escura cela.<\/p>\n<p>Com Edith Bone aprendemos que se mantivermos a nossa mente estimulada por pequenos e simples projectos, com objectivos espec\u00edficos, conseguimos manter a nossa sanidade mental em tempo de isolamento, ou distanciamento social como o nosso.<\/p>\n<p>Precisamos apenas da luz para saber o passo seguinte a dar no amor para que, com o tempo, deixemos crescer em n\u00f3s aquela capacidade para a escuta atenta que faz da obedi\u00eancia um acto de liberta\u00e7\u00e3o interior e exterior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o 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