{"id":16912,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/os-merceeiros-globais\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"os-merceeiros-globais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-merceeiros-globais\/","title":{"rendered":"Os merceeiros globais"},"content":{"rendered":"<p>Ao ouvir eminentes mestres e executantes de economia na Semana Social de Braga, fui acometido duma frase que por vezes me visita: a ci\u00eancia tem mais d\u00favidas que a f\u00e9. E se algumas vezes isso diz respeito \u00e0s origens do mundo e evolu\u00e7\u00e3o do cosmos, outras diz respeito ao homem, selec\u00e7\u00e3o \u00fanica e irrepet\u00edvel de milh\u00f5es de hip\u00f3tese expulsas do carreiro em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 vida. E quando o homem se combina, em afecto, em bando, em tribo, em comunidade social ou religiosa, mais complexa se torna &#8211; para n\u00e3o dizer imposs\u00edvel &#8211; essa ci\u00eancia r\u00edgida sobre comportamentos e previs\u00f5es. Ao procurar explica\u00e7\u00f5es claras para todas as crises e casas sem p\u00e3o, enreda-se na sua pr\u00f3pria linguagem, mistura certezas com hip\u00f3teses, futuros com futur\u00edveis. Mesmo nas barras e nos n\u00fameros. Eis um terreno minado pela surpresa constante dos mercados, pela mala \u00e0s costas com que andam as empresas \u2013 como feirantes de rua \u2013 a ver onde se engana mais, se explora melhor, se compra barato e se vende mais caro. Para um sustentado crescimento econ\u00f3mico \u2013 diz-se. Tudo isso, segundo os tecnocratas, toma nomes empolgantes, modernos, inglesados, cient\u00edficos, como se se tratasse da descoberta duma nova f\u00f3rmula m\u00e1gica que explica e resolve todos os problemas, menos os dos mais pobres, em todos os pa\u00edses do mundo. Em grandes linhas, temos a experi\u00eancia do mercado que cria leis, livremente, segundo o apetite dos compradores \u2013 inclusive de dinheiro, e esse outro que, inspirado em Marx, parecia, no papel, apaziguar algumas utopias sociais, mas que teve, como se sabe, um estrondoso desfecho de fal\u00eancia, com estilha\u00e7os que ainda andam por a\u00ed. Continuam a esbo\u00e7ar-se mini sistemas. Alguns pedindo \u00e0 economia o que ela menos gosta de dar: respeito pela pessoa, com \u00e9tica a preceder a efic\u00e1cia. O outro caminho \u00e9 o da sacraliza\u00e7\u00e3o das regras cegas do mercado, salvando a economia e levando na frente quanto e quantos tenha de levar. Com total impot\u00eancia para oferecer a cada ser humano o digno p\u00e3o de cada dia. \u00c9 volumoso e duro o recente Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja. Re\u00fane o pensar e o dizer do Evangelho com incurs\u00f5es pela economia de v\u00e1rios tempos incluindo o nosso. Marcando, com clareza, os terrenos da efic\u00e1cia e as \u00e1reas sagradas da \u00e9tica e do homem: \u201co destino universal dos bens est\u00e1 na base do direito universal ao uso dos bens\u2026 Trata-se dum direito natural, inscrito na natureza do homem\u2026 \u00c9 inerente \u00e0 pessoa, a cada pessoa, e priorit\u00e1rio a qualquer interven\u00e7\u00e3o humana..\u201d (n\u00ba172). A economia n\u00e3o pode ficar entregue a contas de merceeiros globais\u2026 sem escr\u00fapulos. <i>Ant\u00f3nio Rego<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao ouvir eminentes mestres e executantes de economia na Semana Social de Braga, fui acometido duma frase que por vezes me visita: a ci\u00eancia tem mais d\u00favidas que a f\u00e9. 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