{"id":16897,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/romaria-a-volta-da-ilha-de-s-miguel\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"romaria-a-volta-da-ilha-de-s-miguel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/romaria-a-volta-da-ilha-de-s-miguel\/","title":{"rendered":"Romaria \u00e0 volta da ilha de S. Miguel"},"content":{"rendered":"<p>As romarias quaresmais s\u00e3o &#8220;uma das mais formosas tradi\u00e7\u00f5es da Ilha de S. Miguel, porque nelas se revela a cren\u00e7a sadia, que, sendo o esteio de vigorosos antepassados, n\u00e3o deixa de perfumar a vida de modernas gera\u00e7\u00f5es, apesar da caudalosa torrente de impiedade querer avassalar todos os esp\u00edritos &#8221; &#8211; sublinha no livro &#8220;A Alma do Povo Micaelense&#8221; o Pe. Ernesto Ferreira. Dando sempre a esquerda ao mar, caminhando durante oito dias, os romeiros micaelenses fazem a volta \u00e0 ilha orando \u00e0 Virgem e a Cristo. No caminho peregrino, este grupo de homens &#8211; vulgarmente denominado &#8220;Rancho Romeiro&#8221; &#8211; invocam a miseric\u00f3rdia divina e cantam louvores \u00e0 Virgem Auxiliadora sob a direc\u00e7\u00e3o de um homem, a quem os companheiros d\u00e3o o nome de mestre, mas que a todos trata por irm\u00e3os. &#8220;Caminha, irm\u00e3o romeiro Vence mais esta vit\u00f3ria, P\u00b4ra que sejas herdeiro Do reino da eterna gl\u00f3ria&#8221; Uma das quadras cantadas pelos ranchos dos romeiros que calcorreiam as estradas de alcatr\u00e3o, os valados e as canadas de toda a ilha, em visita penitente \u00e0s igrejas e ermidas do seu trajecto. Oito dias durar\u00e1 a peregrina\u00e7\u00e3o destes homens que transportam consigo a atitude de humildade, da doa\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo, da peregrina\u00e7\u00e3o por inten\u00e7\u00e3o da sorte dos outros.  De onde vem esta tradi\u00e7\u00e3o que bule tanto com as comunidades cat\u00f3licas de S. Miguel? At\u00e9 no regulamento dos romeiros que a diocese de Angra editou h\u00e1 tr\u00eas anos refere-se que tem origem nas hecatombes naturais que devastaram Vila Franca do Campo &#8211; ao tempo a maior aglomera\u00e7\u00e3o populacional &#8211; a 22 de Outubro de 1522 e dias seguintes. Ant\u00f3nio Mendes Arouca, um dos eremitas do Vale das Furnas com o nome de Fr. Ant\u00f3nio da Assun\u00e7\u00e3o, deixou, entre outras obras, um manuscrito feito entre 1690 e 1702, intitulado &#8220;Peregrina\u00e7\u00e3o que costumam fazer os moradores da Ilha de S. Miguel visitando as Igrejas de Nossa Senhora&#8221;.  Bord\u00e3o de conto, ros\u00e1rio de l\u00e1grimas, len\u00e7o, cevadeira e xaile s\u00e3o utens\u00edlios fundamentais destes romeiros que tem como guia o mestre &#8211; um homem experimentado e conhecedor das veredas de S. Miguel &#8211; a meio do rancho o procurador das almas &#8211; durante a caminhada pede que se reze pelos defuntos. Na passagem pelas povoa\u00e7\u00f5es, os homens suspendem o trabalho para ver passar o rancho e o rapazio acompanha-o por algum tempo. Com o aproximar da noite, os chefes de fam\u00edlia v\u00e3o buscar um ou mais romeiros para lhes dar hospedagem. Chegados ao local da pernoita, cumpre-se a visita \u00e0 Igreja paroquial.  A penit\u00eancia de cada dia termina com o acto de acolhimento e a ora\u00e7\u00e3o da noite. O grupo separa-se mas leva as regras consigo: &#8220;Um romeiro nunca pede, apenas recebe de bom grado e humildemente o que lhe \u00e9 dado&#8221;. No dia seguinte, levantam-se muito cedo, re\u00fanem-se e continuam a sua romagem. &#8220;Caminham na neblina, Misturados com a canseira; A provid\u00eancia divina \u00c9 a maior companheira&#8221; Ap\u00f3s nova paragem numa ermida isolada ou na igreja do povoado, os romeiros mant\u00e9m a concentra\u00e7\u00e3o que lhes d\u00e1 o recolhimento da condi\u00e7\u00e3o de peregrino. Quais as responsabilidades do mestre? Manter a ordem do rancho, providenciar as ora\u00e7\u00f5es nas igrejas, oferecer e suplicar a Deus e \u00e0 Virgem as preces de que vem incumbido. Ele \u00e9 o primeiro que se ajoelha em cada paragem. O \u00faltimo a recolher-se para o descanso nocturno e o primeiro a erguer-se na madrugada seguinte. Ao mestre deve-se obedi\u00eancia como a um capit\u00e3o de navio. Todas estas normas foram assimiladas porque, antes do in\u00edcio da caminhada, os romeiros t\u00eam momentos de prepara\u00e7\u00e3o e retiros. Fa\u00e7a chuva ou fa\u00e7a sol, estes mica-elenses caminham&#8230; caminham&#8230; e conservam esta preciosa heran\u00e7a. Os ranchos n\u00e3o t\u00eam n\u00famero preferencial de aderentes. Tudo depende do tamanho da localidade, da ocasi\u00e3o, e, quem sabe, da f\u00e9 dos homens da povoa\u00e7\u00e3o. A paup\u00e9rrima terra de pescadores &#8211; Rabo de Peixe &#8211; costuma ser aquela com o maior &#8220;cardume&#8221; de romeiros. Porque ser\u00e1? Talvez as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e os sustos apanhados nas vagas alterosas do Atl\u00e2ntico, os apelem a esta &#8220;caminhada conversadora&#8221; com a Senhora Santa Maria dos Romeiros. &#8220;Cada romeiro \u00e9 um livro e cada romaria um romance&#8221; sentencia &#8220;um daqueles para quem a ilha n\u00e3o tem segredos, tantas vezes foi j\u00e1 percorrida&#8221; &#8211; real\u00e7a o livro &#8220;Romeiros &#8211; Peregrinos de hoje&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As romarias quaresmais s\u00e3o &#8220;uma das mais formosas tradi\u00e7\u00f5es da Ilha de S. 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