{"id":168914,"date":"2020-04-03T17:26:45","date_gmt":"2020-04-03T16:26:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=168914"},"modified":"2020-04-11T11:19:57","modified_gmt":"2020-04-11T10:19:57","slug":"o-dia-do-senhor-e-o-senhor-dos-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-dia-do-senhor-e-o-senhor-dos-dias\/","title":{"rendered":"O dia do Senhor \u00e9 o Senhor dos dias"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Pablo Lima, biblista, Diocese de Viana do Castelo<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pablo_lima_2019.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-131853 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pablo_lima_2019-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pablo_lima_2019-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pablo_lima_2019-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pablo_lima_2019-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pablo_lima_2019-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pablo_lima_2019.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>\u00c9 leg\u00edtimo sentir nostalgia, tristeza ou saudade pela impossibilidade de \u201ccelebrar a P\u00e1scoa\u201d neste ano, dadas as terr\u00edveis circunst\u00e2ncias que estamos a viver. No entanto, este \u00e9 um momento de delicada responsabilidade social e crist\u00e3 e a \u00fanica atitude moralmente correcta \u00e9 permanecer em casa e evitar o contacto social, para travar o alastramento da pandemia. J\u00e1 bastam os profissionais de sa\u00fade, de seguran\u00e7a e outros obrigados a permanecer ao servi\u00e7o, com hor\u00e1rios desumanos, para ajudar quem precisa, bem como trabalhadores cujas ocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o essenciais para evitar um colapso ainda maior de bens e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>H\u00e1 muita hipocrisia por a\u00ed, por parte de indiv\u00edduos e institui\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o deixa de provocar revolta ouvir as entrevistas e coment\u00e1rios em que se fala da \u201ceconomia\u201d como uma super-estrutura independente das \u201cpessoas\u201d, que vale por si mesma e que tem de ser salva a toda custa. A economia s\u00e3o as pessoas concretas, de carne e osso, que ver\u00e3o os seus empregos e rendimentos coarctados por esta terr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o. E isso pode trazer situa\u00e7\u00f5es diversas de fome e doen\u00e7a. Todos \u2013 mesmo todos \u2013 teremos de corrigir o nosso conceito de \u201cqualidade de vida\u201d, prescindir de certos luxos que, afinal talvez n\u00e3o trouxessem muita qualidade\u2026, de modo a garantir que as necessidades b\u00e1sicas ser\u00e3o satisfeitas e, nessa medida, reaprender outros prazeres da vida simples. \u00c9 curioso que autores laicos como Matt Haig (\u201cO mundo \u00e0 beira de um ataque de nervos\u201d), Alain de Botton (\u201cStatus Ansiedade\u201d) e Duane Elgin (\u201cSimplicidade volunt\u00e1ria\u201d), para al\u00e9m dos activistas ambientais como a Greta Thunberg (\u201cA nossa casa est\u00e1 a arder\u201d) nos alertem para a urg\u00eancia de estilos de vida sustent\u00e1veis, que estamos agora a praticar de forma for\u00e7ada. Mais curioso ainda \u00e9 que, ao ensinar-nos novos paradigmas de consumo que se op\u00f5em ao coleccionismo e a\u00e7ambarcamento de bens em ordem a uma maior frui\u00e7\u00e3o do que realmente <strong><em>j\u00e1<\/em><\/strong> temos, cunharam uma formula\u00e7\u00e3o laica de um princ\u00edpio completamente evang\u00e9lico, \u201cter menos \u00e9 ter mais\u201d. Em ingl\u00eas, para alguns, tem sempre outro charme: \u201cless is more\u201d.<\/p>\n<p>Com estas premissas, \u00e9 leg\u00edtimo, mas tamb\u00e9m in\u00fatil, lamentarmos a constri\u00e7\u00e3o de permanecer em casa durante a P\u00e1scoa. Compreendo o sofrimento dos crist\u00e3os, das comunidades e seus pastores, por n\u00e3o poder celebrar o Domingo de Ramos e o Santo Tr\u00edduo Pascal. Eu tamb\u00e9m sofro. Mas tenho d\u00favidas de que esta multiplica\u00e7\u00e3o de missas online seja a atitude correcta. Agora, at\u00e9 \u00e0 segunda-feira h\u00e1 missa nalgumas par\u00f3quias\u2026 virtuais. Com pertin\u00eancia, o bispo espanhol de Teruel y Albarrac\u00edn, Ant\u00f3nio G\u00f3mez Cantero, n\u00e3o escreveu s\u00f3 a explicar o qu\u00ea e como celebrar, mas tamb\u00e9m a sugerir mais conten\u00e7\u00e3o nas redes sociais por parte do seu presbit\u00e9rio. Obviamente h\u00e1 publica\u00e7\u00f5es e celebra\u00e7\u00f5es de qualidade muito duvidosa. Al\u00e9m disso, as novas \u201cmissas do facebook\u201d (com ou sem \u201cfiltros\u201d activos) promovem a mesma \u2013 ou pior \u2013 passividade lit\u00fargica de que nos queix\u00e1mos nas par\u00f3quias. Pessoalmente creio que faz mais sentido que uma fam\u00edlia se re\u00fana a ler a B\u00edblia, rezar as preces em conjunto e fazer um momento de sil\u00eancio e comunh\u00e3o espiritual <strong><em>com o ecr\u00e3 desligado<\/em><\/strong> do que a \u201cassistir\u201d aos enquadramentos for\u00e7ados no telem\u00f3vel. Ou, ent\u00e3o, que vejam na tv.<\/p>\n<p>Por outro lado, se calhar, n\u00e3o h\u00e1 motivos para estar \u201ct\u00e3o\u201d tristes por este ano n\u00e3o celebrarmos a P\u00e1scoa comunitariamente. Daqui podem vir reflex\u00f5es e mudan\u00e7as que todos desej\u00e1vamos fazer, mas que n\u00e3o t\u00ednhamos nem coragem nem desculpas leg\u00edtimas para as p\u00f4r em pr\u00e1tica.<\/p>\n<ol>\n<li><strong>A data da P\u00e1scoa: intransfer\u00edvel?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>N\u00e3o \u00e9 verdade. A data da P\u00e1scoa n\u00e3o tem de ser monol\u00edtica. De facto, n\u00e3o \u00e9. Lamentavelmente, os crist\u00e3os celebram a P\u00e1scoa em duas datas: o calend\u00e1rio gregoriano para a Igreja Cat\u00f3lica, igrejas protestantes e as orientais\/ortodoxas neo-calendaristas e o calend\u00e1rio juliano para as igrejas orientais e ortodoxas vetero-calendaristas. O resultado \u00e9 que todos os anos os crist\u00e3os celebram a P\u00e1scoa em dois domingos diferentes, com quinze dias de intervalo. Quantos peregrinos v\u00e3o a Jerusal\u00e9m para celebrar a Semana Santa e, ao chegar, descobrem, que a Vig\u00edlia Pascal \u00e9 de manh\u00e3 e n\u00e3o \u00e0 noite, porque ainda seguem o hor\u00e1rio pre-conciliar do <em>status quo<\/em> nos lugares santos?<\/p>\n<p>Durante os primeiros s\u00e9culos, a data da P\u00e1scoa foi motivo de grandes controv\u00e9rsias. Um grupo de crist\u00e3os orientais, chamados <em>quatordecimanos<\/em>, celebravam a P\u00e1scoa no dia catorze de Nisan, como os hebreus, quer fosse um Domingo ou um dia da Semana. Para al\u00e9m destes, outro grupo, conhecido como os <em>protopasquitas<\/em>, celebravam a P\u00e1scoa sempre no Domingo a seguir aos hebreus. Por\u00e9m, como o calend\u00e1rio judaico da \u00e9poca era bastante confuso, por vezes, estes grupos celebravam a P\u00e1scoa um m\u00eas antes dos outros crist\u00e3os e mesmo antes do equin\u00f3cio. Por isso, o Conc\u00edlio de Niceia (325 d.C.) prescreveu que a P\u00e1scoa fosse celebrada no Domingo seguinte \u00e0 primeira lua cheia da Primavera. Passando \u00e0 frente delicadas e complexas quest\u00f5es de calend\u00e1rio e contagem, importa recordar que o mesmo Conc\u00edlio de Niceia proibiu que a P\u00e1scoa crist\u00e3 coincidisse com a P\u00e1scoa hebraica. E isso obrigou a alguns reagendamentos durante alguns anos\u2026 Finalmente, foram os mesmos judeus, j\u00e1 na Idade M\u00e9dia, que (nos) resolveram o problema quando definiram que a P\u00e1scoa judaica s\u00f3 pode ser celebrada nas segundas, ter\u00e7as, quintas e s\u00e1bados. Por conseguinte, a data da P\u00e1scoa, mesmo pretendendo sermos fi\u00e9is \u00e0 c\u00edclica celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o e Morte de Jesus, n\u00e3o tem de ser for\u00e7adamente numa \u00fanica data.<\/p>\n<p>Recordemos que a autoridade apost\u00f3lica (e cient\u00edfica, na \u00e9poca) do Papa Greg\u00f3rio XIII, atrav\u00e9s da bula <em>Inter grav\u00edssimas,<\/em> decretou que, no ano 1582, depois da quinta-feira 4 de outubro, seria sexta-feira\u2026 15 de outubro! E, dessa forma, corrigiu um erro de dez dias no equin\u00f3cio da Primavera. Portugal foi um dos primeiros pa\u00edses a aderir \u00e0 Reforma gregoriana, naquele mesmo ano. Mesmo sendo certo que a mudan\u00e7a que o Papa p\u00f4s em curso n\u00e3o afectou a regularidade do Domingo, chama-nos a aten\u00e7\u00e3o de que o calend\u00e1rio \u00e9 uma <strong><em>realidade convencional<\/em><\/strong> que pretende ajustar ou ordenar uma <strong><em>realidade natural<\/em><\/strong>. Por conseguinte, \u00e9 pass\u00edvel de melhorias e altera\u00e7\u00f5es. Em jeito de provoca\u00e7\u00e3o, fica esta pergunta sem resposta: enquanto a marca\u00e7\u00e3o dos meses, semanas e dias pretende organizar os ciclos de rota\u00e7\u00e3o e transla\u00e7\u00e3o da Terra \u00e0 volta do sol, a sequ\u00eancia dos dias da semana \u00e9 apenas uma realidade cumulativa ou tradicional. Isto \u00e9, este dia em que escrevo \u00e9 quarta-feira porque ontem foi ter\u00e7a-feira e, assim, de forma ascendente, at\u00e9 \u00e0 perda da mem\u00f3ria colectiva. Pois \u00e9 nessa perda da mem\u00f3ria colectiva que fazemos um acto de f\u00e9 ao considerar que ap\u00f3s s\u00e9culos de invas\u00f5es b\u00e1rbaras e mu\u00e7ulmanas, de guerras entres povos na Europa e no Oriente\u2026, nunca se perdeu a perfeita sequ\u00eancia dos dias, desde o Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. Portanto, \u00e9 poss\u00edvel que, em termos sequenciais e rigorosamente hist\u00f3ricos, hoje n\u00e3o seja quarta-feira e daqui por quatro dias n\u00e3o seja Domingo. Mas at\u00e9 pode ser que sim.<\/p>\n<p>Tendo isto claro, este ano punha-se uma quest\u00e3o de ordem pr\u00e1tica. \u00c9 imposs\u00edvel celebrar comunitariamente a Santa Vig\u00edlia da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Seria poss\u00edvel alterar a data. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber quando seria seguro celebrar novamente a Vig\u00edlia. Portanto, na incerteza, mant\u00e9m-se a data. Foi o que Roma fez pela m\u00e3o do Cardeal Sarah. <em>Roma locuta, causa soluta<\/em>. Mas Roma tinha a legitimidade de decidir doutro jeito, ao contr\u00e1rio do que escreveu o cardeal Sarah, mas, simplesmente, n\u00e3o era oportuno reagendar a P\u00e1scoa. Por outras palavras, n\u00e3o estejamos particularmente tristes por pensar que s\u00f3 na noite de 11 de Abril \u00e9 que o Senhor ressuscitou. Al\u00e9m disso, e se as circunst\u00e2ncias o permitirem, grande parte da Vig\u00edlia Pascal pode ser celebrada na Vig\u00edlia de Pentecostes; ou mesmo por altura do Corpus Christi, etc\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Pablo Lima, biblista, Diocese de Viana do Castelo<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":131853,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[698,182,308],"class_list":["post-168914","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-covid-19","tag-diocese-de-viana-do-castelo","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/168914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=168914"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/168914\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/131853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=168914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=168914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=168914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}