{"id":167971,"date":"2020-03-30T17:25:43","date_gmt":"2020-03-30T16:25:43","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=167971"},"modified":"2020-03-31T13:29:59","modified_gmt":"2020-03-31T12:29:59","slug":"saber-aprender-o-valor-ilimitado-das-escolhas-limitadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-o-valor-ilimitado-das-escolhas-limitadas\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; O valor ilimitado das escolhas limitadas"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Ter de ficar em casa limita as nossas escolhas, e quando temos menos por onde escolher, estudos afirmam que se facilita a escolha. Ent\u00e3o, por que raz\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil quando temos t\u00e3o pouco por onde escolher? \u00c9 tudo uma quest\u00e3o de discernimento.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Escolha.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-167977 size-medium alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Escolha-312x260.jpg\" alt=\"\" width=\"312\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Escolha-312x260.jpg 312w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Escolha-1024x852.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Escolha-768x639.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Escolha-1080x899.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Escolha-980x816.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Escolha-480x400.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Escolha.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 312px) 100vw, 312px\" \/><\/a>Quando discernimos n\u00e3o nos restringimos apenas ao que <em>fazemos<\/em>, mas envolve tamb\u00e9m o que <em>somos<\/em> e <em>pensamos<\/em>. Da\u00ed a dificuldade em discernir.<\/p>\n<blockquote><p>\u00ab\u00c9 fundamental que pensemos o que sentimos e fazemos; sintamos o que pensamos e fazemos; fa\u00e7amos o que pensamos e sentimos. Temos de usar a linguagem da cabe\u00e7a, do cora\u00e7\u00e3o e das m\u00e3os.\u00bb (Papa Francisco)<\/p><\/blockquote>\n<p>Discernir \u00e9, assim, um acto que envolve a interliga\u00e7\u00e3o entre:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>a cabe\u00e7a<\/strong>: que nos d\u00e1 uma <em>percep\u00e7\u00e3o<\/em> das coisas tal como s\u00e3o;<\/li>\n<li><strong>o cora\u00e7\u00e3o<\/strong>: que envolve a <em>confian\u00e7a<\/em> que temos naquilo de que somos capazes e no caminho a seguir;<\/li>\n<li><strong>as m\u00e3os<\/strong>: que s\u00e3o express\u00e3o do nosso <em>comportamento no quotidiano<\/em> e sinal de coer\u00eancia de vida.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Na pr\u00e1tica, trabalhar a interliga\u00e7\u00e3o entre a percep\u00e7\u00e3o (cabe\u00e7a), confian\u00e7a (cora\u00e7\u00e3o) e comportamento (m\u00e3os) implica criar os h\u00e1bitos saud\u00e1veis que permitem um contributo positivo de todos estes elementos em qualquer escolha ou processo de discernimento durante este per\u00edodo desafiante.<\/p>\n<h3>Nutrir a cabe\u00e7a<\/h3>\n<p><strong>Ler agu\u00e7a a mente.<\/strong> N\u00e3o h\u00e1 melhor h\u00e1bito a criar do que o da leitura para manter a nossa mente saud\u00e1vel. Muitos resistem \u00e0 leitura pela vis\u00e3o da grossura do livro, pelo preconceito do gosto ou pelas responsabilidades que continuam a querer preencher a totalidade do nosso tempo. Mas as boas pr\u00e1ticas para criar qualquer h\u00e1bito implicam torn\u00e1-lo:<\/p>\n<ul>\n<li><em>evidente<\/em>: por exemplo, deixar o livro em cima da almofada para nos lembrarmos dele ao deitar;<\/li>\n<li><em>atractivo<\/em>: escolher um livro pequeno para come\u00e7ar;<\/li>\n<li><em>f\u00e1cil<\/em>: ler apenas por 5 minutos usando um temporizador e n\u00e3o ter receio em gastar mais uns segundos para terminar um par\u00e1grafo. Aumentar gradualmente esse tempo.<\/li>\n<li><em>e gratificante<\/em>: com o tempo, o nosso c\u00e9rebro parece compreender melhor aquilo que l\u00ea, e n\u00e3o h\u00e1 cheiro como o das p\u00e1ginas de um livro para respirarmos conhecimento ou imagina\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Mas ler n\u00e3o chega para aprimorar o agu\u00e7ar a mente.<\/p>\n<p><strong>Ser cr\u00edtico.<\/strong> Numa era em que as armas de <em>desinforma\u00e7\u00e3o<\/em> em massa proliferam atrav\u00e9s das redes sociais e dos notici\u00e1rios online, \u00e9 fundamental ser cr\u00edtico, examinando tudo a partir de diversas fontes e n\u00e3o de uma s\u00f3, ou da primeira que encontramos. <em>Use it or lose it<\/em> &#8211; se n\u00e3o usarmos a cabe\u00e7a, n\u00e3o desenvolvemos uma aut\u00eantica percep\u00e7\u00e3o das coisas. Por\u00e9m, n\u00e3o se pode confundir ser cr\u00edtico com criticar. As palavras que usamos ir\u00e3o afectar o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Sensibilizar o cora\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Quando nos referimos ao cora\u00e7\u00e3o pensamos nos sentimentos. A capacidade de gerir as emo\u00e7\u00f5es \u00e9 mais importante nesta situa\u00e7\u00e3o do que alguma vez foi na nossa hist\u00f3ria. E o modo como sentimos influi sobre a confian\u00e7a que temos nas nossas capacidades de lidar com situa\u00e7\u00f5es em que nos encontramos limitados nas nossas escolhas. Assim, o cora\u00e7\u00e3o precisa da pr\u00e1tica de algo simples e acess\u00edvel a todos.<\/p>\n<p><strong>Gratid\u00e3o.<\/strong> Os gestos mais simples que podemos ter em casa s\u00e3o uma oportunidade de praticar esta gratid\u00e3o. Quando algu\u00e9m faz as refei\u00e7\u00f5es, ou arruma uma parte da casa, ou se oferece para ir \u00e0s compras e arrisca a sua sa\u00fade, ou vai a casa de algu\u00e9m levar mantimentos ou algo que precisa (por exemplo, alguns frades e sacerdotes oferecem um ouvido para escutar), tudo \u00e9 motivo para praticarmos o quanto estamos gratos.<\/p>\n<p>Quando respiramos n\u00e3o notamos a import\u00e2ncia que isso tem. Mas aqueles que est\u00e3o a sofrer com o coronav\u00edrus SARS-CoV-2 podem ter s\u00e9rios problemas respirat\u00f3rios e o que damos por descontado \u00e9 o que faz alguns viver no limbo entre a vida e a morte. Estar gratos por respirar bem tem um valor especial nestes dias.<\/p>\n<h3>Treinar as m\u00e3os<\/h3>\n<p>H\u00e1 quem fa\u00e7a muito em casa e h\u00e1 quem fa\u00e7a pouco. H\u00e1 quem viva sozinho e tem tudo para fazer. H\u00e1 quem viva com tantas pessoas que acaba por nada conseguir fazer. Mas treinar as m\u00e3os n\u00e3o \u00e9 fazer, mas discernir o que <em>ser<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Estar atento.<\/strong> Por vezes ficamos t\u00e3o absortos em saber a \u00faltima not\u00edcia, ou ver as reac\u00e7\u00f5es \u00e0s nossas mensagens, que ficamos presos ao imenso fluxo de informa\u00e7\u00e3o do presente, perdendo uma importante capacidade humana colectiva de sobreviv\u00eancia: a <em>procura e compreens\u00e3o do contexto<\/em>.<\/p>\n<p>A economia da aten\u00e7\u00e3o que prende o olhar e o tempo de muitas pessoas ao rol de mensagens ou not\u00edcias no mural das suas redes sociais, acaba por prender a aten\u00e7\u00e3o a um contexto particular, arriscando a cegueira em rela\u00e7\u00e3o ao contexto da narrativa hist\u00f3rica onde determinados fluxos de informa\u00e7\u00e3o se inserem.<\/p>\n<p>Por outro lado, em vez de estarmos atentos ao que se passa ao nosso redor, somos retirados da realidade f\u00edsica para nos afundarmos na realidade virtualizada, e perdermos o desenrolar dos acontecimentos reais que acontecem \u00e0 nossa volta.<\/p>\n<p>A longo prazo, e propens\u00e3o para procurar compreender o contexto, importante para a sobreviv\u00eancia colectiva, e que pode orientar-nos no modo como usamos as nossas <em>m\u00e3os<\/em>, vai-se esvanecendo na atractividade da gratifica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea obtida no momento. Algo que influi sobre os nossos padr\u00f5es de discernimento e, consequentemente, o nosso comportamento.<\/p>\n<p>Uma boa pr\u00e1tica passa por cultivar actividades mais anal\u00f3gicas que envolvam as nossas m\u00e3os e alarguem a nossa aten\u00e7\u00e3o. Pode ser estender a roupa, aspirar o ch\u00e3o, fazer a cama, ou mesmo tocar um instrumento, pendurar um quadro, fazer um puzzle, isto \u00e9, actividades que nos ajudam a trabalhar a aten\u00e7\u00e3o de longo-prazo onde as gratifica\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o instant\u00e2neas, mas relacionais e crescentes com o tempo. No fim, acabamos por desenvolver tamb\u00e9m a virtude da paci\u00eancia connosco pr\u00f3prios, com os outros e com o mundo.<\/p>\n<p>Paci\u00eancia que se desenvolve com a ora\u00e7\u00e3o, como o sacerdote jesu\u00edta Joseph Tetlow SJ no seu livro <em>Sempre em Discernimento<\/em> ao dizer que aprendeu <em>\u00abo valor precioso das ora\u00e7\u00f5es e salmos memorizados, quando as horas da noite s\u00e3o longas e solit\u00e1rias: nutrem a paci\u00eancia.\u00bb<\/em><\/p>\n<p>Paci\u00eancia que nos permite gerir melhor o tempo exigido pelo discernimento daquilo que traz valor real \u00e0 nossa vida.<\/p>\n<p>Paci\u00eancia que nos leva a encontrar o valor ilimitado das poucas escolhas que temos diante de n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o 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