{"id":167956,"date":"2020-03-30T11:36:26","date_gmt":"2020-03-30T10:36:26","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=167956"},"modified":"2020-04-01T11:19:18","modified_gmt":"2020-04-01T10:19:18","slug":"historia-fado-e-oracao-uma-relacao-que-da-mundo-a-teologia-c-video","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/historia-fado-e-oracao-uma-relacao-que-da-mundo-a-teologia-c-video\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria: Fado e ora\u00e7\u00e3o, uma rela\u00e7\u00e3o que d\u00e1 mundo \u00e0 Teologia (c\/v\u00eddeo)"},"content":{"rendered":"<p><em>Tese de doutoramento de C\u00e1tia Tuna, \u00abN\u00e3o sei se canto, n\u00e3o sei se rezo \u2013 ambival\u00eancias culturais e religiosas do fado entre os anos 1926 \u2013 1945\u00bb, procurou a \u00abreligiosidade e a interpreta\u00e7\u00e3o que o fado faz de si pr\u00f3prio como ora\u00e7\u00e3o\u00bb<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_167957\" aria-describedby=\"caption-attachment-167957\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-167957\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Fado_Guitarra-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Fado_Guitarra-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Fado_Guitarra-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Fado_Guitarra-768x511.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Fado_Guitarra-1080x719.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Fado_Guitarra-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Fado_Guitarra-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Fado_Guitarra.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-167957\" class=\"wp-caption-text\">DR<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 30 mar 2020 (Ecclesia) \u2013 C\u00e1tia Tuna, investigadora em hist\u00f3ria religiosa, afirma que o cruzamento da Teologia com outras \u00e1reas de saber, como no caso do fado, confere a esta ci\u00eancia um car\u00e1cter de humildade e \u201cautoconhecimento\u201d que a tornam \u201cpertinente\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO di\u00e1logo com a Historia d\u00e1-lhe o dom de ter a realidade como plataforma primeira de conhecimento e isso \u00e9 um instrumento de grande humildade: escutar o que a realidade tem para nos dizer, nas suas sombras e luzes, de violento e inexplic\u00e1vel, e ver, no encontro, que tantas vezes \u00e9 um desencontro, e perceber o que pode e n\u00e3o dizer\u201d, afirma a autora da tese \u00abN\u00e3o sei se canto, n\u00e3o sei se rezo \u2013 ambival\u00eancias culturais e religiosas do fado entre os anos 1926-1945\u00bb.<\/p>\n<p>C\u00e1tia Tuna anuncia \u201coutros cruzamentos\u201d com outras \u00e1reas, apesar de uma \u201cinstitucionaliza\u00e7\u00e3o\u201d com a filosofia: \u201chouve outras \u00e9pocas em que ligou a Teologia ao Direito, e tornou-se muito jur\u00eddica; h\u00e1 experi\u00eancias que ligam a Teologia \u00e0 Literatura, e h\u00e1 outros cruzamentos mais desconhecidos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA Teologia ganha em auto perceber-se melhor, obriga-se a ser pertinente. E tamb\u00e9m a perceber que \u00e9 carente de outros m\u00e9todos\u201d, indica.<\/p>\n<p>Sob orienta\u00e7\u00e3o do professor Ant\u00f3nio Matos Ferreira, a tese de doutoramento, realizada no \u00e2mbito da Hist\u00f3ria, \u201ccom um objeto com uma vertente teol\u00f3gica\u201d, procurou a \u201creligiosidade e a interpreta\u00e7\u00e3o que o fado faz de si pr\u00f3prio como ora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>O fado apresentava-se como algo estritamente profano. As primeiras autoenuncia\u00e7\u00f5es do fado, como algo religioso, tinham um tom sarc\u00e1stico: ouvia-se \u00abat\u00e9 Deus gosta de fado\u00bb, colocavam-se santos a tocar\u2026\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Para se legitimar cultural e socialmente, explica a investigadora, \u201ccome\u00e7ou a dizer-se como ora\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m performativamente come\u00e7ou a elaborar-se como ora\u00e7\u00e3o, at\u00e9 da parte c\u00e9nica, a impor-se como uma m\u00fasica v\u00e1lida para aceder ao sagrado\u201d, recorda.<\/p>\n<p>C\u00e1tia Tuna assinala uma \u201cdial\u00e9tica\u201d entre \u201ctradi\u00e7\u00e3o e modernidade\u201d presente no fado mas tamb\u00e9m na Igreja.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 tanto uma tradi\u00e7\u00e3o, o que vemos \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de reciprocidade: \u00e9 algo que \u00e9 entregue, devolvido e entregue novamente. O que encontramos s\u00e3o reformula\u00e7\u00f5es, que na realidade tem uma matriz de h\u00e1 muitos anos\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio em 2013 e C\u00e1tia Tuna refere a dificuldade de \u201cdomar o tema\u201d, uma vez que, acredita, \u201cpoder-se-ia fazer v\u00e1rias teses sobre o assunto\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA primeira grande necessidade era domar o tema. Podia ser um caldeir\u00e3o de coisas ou n\u00e3o ser nada. A minha dificuldade era circunscrever o objeto\u201d, explica.<\/p>\n<p>O quadro temporal estudado, 1926-1945, compreende o per\u00edodo da institui\u00e7\u00e3o da ditadura militar em Portugal e do Estado Novo, que durou at\u00e9 1974.<\/p>\n<p>\u201cEsta \u00e9 uma \u00e9poca de muitas primeiras vezes, as primeiras casas de fado, as primeiras vedetas, porque o fado profissionalizou-se nesta altura. Antes deste per\u00edodo era uma pr\u00e1tica bo\u00e9mia, masculina e urbana, em especial lisboeta. Depois os desenvolvimentos radiof\u00f3nicos ajudaram ao seu desenvolvimento. A ind\u00fastria discogr\u00e1fica fica mais robusta\u201d, explica.<\/p>\n<p>Sobre a liga\u00e7\u00e3o desta musicalidade ao Estado Novo, C\u00e1tia Tuna \u00e9 cautelosa.<\/p>\n<p>\u201cO fado saiu de uma clandestinidade, conectada com praticas de subvers\u00e3o social e passa para um patamar completamente diferente, de moraliza\u00e7\u00e3o, certinha, acantonada a expetativas do Estado Novo. Houve um processo de ambiguidade, entre o Estado Novo e o fado, que na \u00e9poca em que eu estudei apenas come\u00e7a\u201d, indica.<\/p>\n<p>A investigadora refere ainda a presen\u00e7a de uma \u201cvis\u00e3o antideterminista de Deus, e um grande elogio da liberdade e vontade humana\u201d, no catolicismo.<\/p>\n<p>\u201cA sociedade portuguesa t\u00e3o cat\u00f3lica produziu um substrato cultural t\u00e3o determinista como \u00e9 o fado, parece que houve um escape ou grande desencontro entre uma resposta que n\u00e3o houve e uma pergunta que n\u00e3o encontrou resposta\u201d, aponta.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_37896\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/W_cne4JWt_s?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; 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