{"id":16795,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/quaresma-e-o-murmurio-da-misterio-pascal\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"quaresma-e-o-murmurio-da-misterio-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/quaresma-e-o-murmurio-da-misterio-pascal\/","title":{"rendered":"Quaresma e o murm\u00fario da Mist\u00e9rio Pascal"},"content":{"rendered":"<p>O mais importante ao longo da Quaresma, \u00e9 o murm\u00fario da Mist\u00e9rio Pascal: a passagem da morte \u00e0 vida (o baptismo) e o contraste do sofrimento e da paz, em Jesus Cristo (martelos de viol\u00eancia e palavras de conforto: Pai, perdoai-lhes, porque n\u00e3o sabem o que fazem). Da\u00ed, que o Conc\u00edlio Vaticano II tenha recomendado maior assiduidade \u00e0 Palavra de Deus e \u00e0 Ora\u00e7\u00e3o,  para que o tal murm\u00fario ganhe ambiente e disposi\u00e7\u00e3o: ambiente de cont\u00e1gio, na fam\u00edlia e na comunidade; disposi\u00e7\u00e3o interior, em vista da convers\u00e3o que h\u00e1-de manter a diferen\u00e7a entre os crit\u00e9rios da f\u00e9 e os crit\u00e9rios do mundo.  Dito por outras palavras: \u00e9 preciso que o esp\u00edrito do Evangelho perfume os ambientes da fam\u00edlia e da comunidade, de molde a apetecer o essencial e a rejeitar a mediocridade. E uma e outras coisa precisam de ser iluminadas pela Palavra e pela Ora\u00e7\u00e3o. \u00b7 Vamos contemplar duas figuras, que nos levam \u00e0 vida pr\u00e1tica. A primeira, vem narrada nos Actos dos Ap\u00f3stolos (Act. 8, 26-40); um funcion\u00e1rio et\u00edope viera adorar o Senhor, a Jerusal\u00e9m, e de volta \u00e0 sua terra, ia lendo o profeta Isa\u00edas. O Di\u00e1cono Filipe, tocado pelo Esp\u00edrito, aproximou-se e explicou-lhe o conte\u00fado daquela passagem, sobre o Servo de Yav\u00e9. E o et\u00edope, uma vez elucidado (evangelizado),  mandou parar o carro onde seguia e pediu a Filipe: \u201cEis, aqui, \u00e1gua&#8230; Que impede que eu seja baptizado?\u201d &#8230; E, depois de subir da \u00e1gua, prosseguiu viagem, levando consigo a alegria da Boa Nova e o entusiasmo de a comunicar! \u00b7 A outra figura, \u00e9 o bom ladr\u00e3o (Lc. 23, 39-43): crucificado como Jesus, foi ouvindo a Sua ora\u00e7\u00e3o e a un\u00e7\u00e3o (amor-perd\u00e3o) das Suas palavras; e deixou-se render ao essencial. Por isso, pediu: \u201cLembra-se de mim no teu Reino\u201d &#8230; E ouviu como resposta: \u201cHoje mesmo, estar\u00e1s comigo no Para\u00edso\u201d! \u00b7 Da primeira narra\u00e7\u00e3o, podemos concluir o seguinte: a Palavra de Deus ilumina as nossas faculdades e disp\u00f5e-nos a acolher a promessa do Reino. Por isso, gera alegria no cora\u00e7\u00e3o e uma confian\u00e7a que se expande at\u00e9 ao apostolado. Com efeito, ser baptizado \u00e9 dizer \u2018sim\u2019 com a vida, \u00e0 mensagem do Evangelho. E como o Evangelho \u00e9 \u2018fermento\u2019 ser baptizado e ser ap\u00f3stolo, correspondem-se.  Quando, pois, o \u2018bem\u2019 se deixa corromper (no seio da fam\u00edlia ou na cultura do tempo), \u00e9 sinal de que os baptizados deixaram de ser ap\u00f3stolos. E, ent\u00e3o, desvanece-se a perspectiva do \u2018mais\u2019 e do \u2018sempre\u2019, e s\u00f3 o que d\u00e1 lucro e \u00e9 imediato, parece que tem valor. Da\u00ed, que o conc\u00edlio insista na necessidade de contactar a Palavra de Deus, pois, a Palavra de Deus \u00e9 Deus mesmo. E, ao longo da Quaresma, essa pr\u00e1tica deve empenhar as fam\u00edlias e as comunidades, a ponto de justificar uma vida sacramental mais intensa, que d\u00ea aos ambientes uma respira\u00e7\u00e3o sadia e aberta \u00e0 transcend\u00eancia. Doutro modo, o lucro do \u2018apetece-me\u2019 ou \u2018d\u00e1 prazer\u2019, fica pela mediocridade do tempo, e provoca uma certa asfixia de tudo o que \u00e9 ideal ou leva para al\u00e9m do mesmo tempo. Tal como o et\u00edope, depois de baptizado, \u00e9 preciso respirar e transpirar: respirar o \u2018dom\u2019 de Deus, atrav\u00e9s da gra\u00e7a sacramental que se saboreia com a vida, e transpirar o \u2018testemunho\u2019 que fala da alegria que se sente e inquieta, e da confian\u00e7a que sugere cantar os salmos e dar gra\u00e7as a Deus.  Ora, o panorama que se vive, por conta do relativismo, por um lado, e do fundamentalismo, por outro,  exige saber dar espa\u00e7o \u00e0s convic\u00e7\u00f5es pessoais e aos valores que se defendem em fam\u00edlia e em comunidade (bem diferentes das ideologias e das gan\u00e2ncias).  \u00b7 Da segunda narra\u00e7\u00e3o deve colher-se uma experi\u00eancia de vida que aproveita o sofrimento e a prova\u00e7\u00e3o,  como adubo que fecunda a sementeira. Pois, se o bom ladr\u00e3o cumpriu a sua pena, e se sentia culpado, n\u00e3o adivinhava o mesmo na pessoa Jesus.  E, no entanto, ambos sofriam at\u00e9 \u00e0 morte. O modo de sofrer, por\u00e9m, era diferente: enquanto o ladr\u00e3o desesperava por ver perdidos o tempo e a vida, Jesus confiava a Deus a Sua causa e, na \u201ccausa\u201d de Jesus, cabiam todas as causas humanas, mesmo a do ladr\u00e3o arrependido (\u201cHoje mesmo estar\u00e1s comigo no Para\u00edso!\u201d) Que  certeza&#8230; que confian\u00e7a&#8230; que ressurrei\u00e7\u00e3o! Agora, imaginemos outros sofrimentos impostos: a velhice&#8230; a doen\u00e7a&#8230; a humilha\u00e7\u00e3o&#8230; E outros volunt\u00e1rios: a repara\u00e7\u00e3o&#8230; o servi\u00e7o&#8230; a consagra\u00e7\u00e3o&#8230; Tudo pode se convertido em \u2018mais valia\u2019, desde que pousados, de vontade e com o cora\u00e7\u00e3o, naquele oferecimento de Jesus, a partir da Cruz: \u201cPai, nas Tuas m\u00e3os entrego o Meu esp\u00edrito\u201d! Por isso, o \u00f3dio, a viol\u00eancia e demais excessos&#8230; julgam ter a \u00faltima palavra, mas  nem a morte a lucrou, no mart\u00edrio de Jesus. a \u00faltima palavra pertence ao amor  e Deus \u00e9 amor!.   \u00b7 \u00c9 neste \u00e2mbito que deve ter lugar o jejum quaresmal, a abstin\u00eancia e outras mortifica\u00e7\u00f5es&#8230; E bem assim, a caridade para com os doentes, os idosos e demais necessitados&#8230; Pois a sociedade hodierna bate palmas, com facilidade, \u00e0 sa\u00fade e ao triunfo, mas desvaloriza aqueles que n\u00e3o podem, n\u00e3o rendem ou n\u00e3o conseguem. E, da\u00ed, a necessidade de uma lucidez adquirida atrav\u00e9s do contacto mais frequente com a Palavra de Deus e com a Ora\u00e7\u00e3o. E isto sem complexos e com humildade. O tempo da Quaresma inspira-se no Mist\u00e9rio Pascal e, at\u00e9 l\u00e1, faz caminho de solidariedade com todos; mas joga na diferen\u00e7a, por conta da esperan\u00e7a que leva e do amor que testemunha. Ali\u00e1s, a lei da Quaresma \u00e9 esta: participamos dos sofrimentos de Cristo, para participarmos tamb\u00e9m da Sua gl\u00f3ria\u2019 (Rom. 8, 17). E se ela respira um car\u00e1cter sacramental, \u00e9 devido \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o que Cristo opera na Sua Igreja.  Ali\u00e1s, a mesma Igreja, ao longo de todo o caminho quaresmal, tem consci\u00eancia de que o pr\u00f3prio Cristo \u00e9 quem d\u00e1 efic\u00e1cia \u00e0 penit\u00eancia dos seus fi\u00e9is. Penit\u00eancia que assenta no car\u00e1cter essencialmente baptismal, uma vez que a Igreja \u00e9 comunidade pascal, porque \u00e9 baptismal.  \u00b7 Como vemos, o tempo da Quaresma n\u00e3o desperdi\u00e7a valores, antes aproveita o itiner\u00e1rio vivencial de cada pessoa, em todo o seu realismo, para dar a certeza de que Jesus assumiu esse mesmo itiner\u00e1rio como experi\u00eancia da Sua vida redentora. E, assim, a catequese, nas suas diversas formas, h\u00e1-de ajudar os fi\u00e9is a captar esta \u2018intelig\u00eancia espiritual\u2019  da Economia da Salva\u00e7\u00e3o. Por outra parte, a Igreja procura reler e reviver, em cada ano,  e ao longo do tempo da Quaresma, os grandes acontecimentos da hist\u00f3ria, no \u2018hoje\u2019 da sua Liturgia. Assim, o Mist\u00e9rio Pascal da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus ilumina todos os momentos do passado, do presente e do futuro (\u201cCristo, ontem, hoje e sempre\u201d) e atrai-nos, como v\u00e9rtice de plenitude.  \u00b7 Claro que nada disto obsta a que Jesus fosse tentado na montanha e gritasse de cora\u00e7\u00e3o suplicante no Jardim das Oliveiras: \u201cPai afasta de Mim este c\u00e1lice\u201d! Mas logo acrescentou: \u201ccontudo, n\u00e3o se fa\u00e7a o que eu quero, mas o que Tu queres\u201d. Por onde conclu\u00edmos que a Igreja, diante das injusti\u00e7as do mundo, n\u00e3o pode simplesmente resignar-se; antes, tenta modific\u00e1-las, unida a Cristo e, como Ele, cofia no Pai do c\u00e9u o seu futuro e o futuro do mundo trespassado n\u00e3o de cravos mas de \u2018amor\u2019. Este \u00e9 o segredo da Reden\u00e7\u00e3o; e assim, n\u00e3o se entende Cristo sem Cruz, mas a Cruz \u00e9 transparente se deixa  ver Cristo e at\u00e9 Ele conduz.   \u00b7 Entretanto, acompanhando n\u00f3s, o percurso da Quaresma que vai de Quarta-feira de Cinzas at\u00e9 ao in\u00edcio do Tr\u00edduo Pascal, com coer\u00eancia de f\u00e9, adquirimos um desejo incontido de entrar na viv\u00eancia do Mist\u00e9rio Pascal com o cora\u00e7\u00e3o aberto e os olhos cheios de luz:  pois Cristo ressuscitado \u00e9 a nossa esperan\u00e7a! E a Eucaristia, por sua vez, garante essa presen\u00e7a real e vive (presen\u00e7a sacramental), ao longo de todo o ano. Por isso, logo ap\u00f3s a celebra\u00e7\u00e3o do Domingo (da P\u00e1scoa), sai da Igreja e \u00e9 levada pelas ruas, solenemente, como an\u00fancio da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor e para conforto dias Seus disc\u00edpulos.   \u00b7 Ser\u00e1 preciso recomendar aos crist\u00e3os que vivam com un\u00e7\u00e3o, gratid\u00e3o e j\u00fabilo esta experi\u00eancia lit\u00fargica (que \u00e9 \u00fanica) e possam dizer como Maria Madalena e, depois, com os disc\u00edpulos: Vimos o Senhor! Aleluia!  <i>+ Augusto C\u00e9sar<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mais importante ao longo da Quaresma, \u00e9 o murm\u00fario da Mist\u00e9rio Pascal: a passagem da morte \u00e0 vida (o baptismo) e o contraste do sofrimento e da paz, em Jesus Cristo (martelos de viol\u00eancia e palavras de conforto: Pai, perdoai-lhes, porque n\u00e3o sabem o que fazem). 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