{"id":16793,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/reinventar-fogueiras\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"reinventar-fogueiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/reinventar-fogueiras\/","title":{"rendered":"Reinventar fogueiras"},"content":{"rendered":"<p>As ideias n\u00e3o nascem do ch\u00e3o. Nem do abstracto. Surgem \u2013 sup\u00f5e-se \u2013 da cabe\u00e7a das pessoas. Que est\u00e1 no corpo, que tem uma hist\u00f3ria, que passa pelo circuito do cora\u00e7\u00e3o e, como hera teimosa, envolve o todo a partir da experi\u00eancia acumulada no tempo. Quem diz ideias, diz ideologia ou mesmo cren\u00e7a. Obviamente que o ser ou n\u00e3o ser crente tem tudo a ver com Deus e tudo a ver com o homem. Os crentes vivem a f\u00e9 como dom e heran\u00e7a. H\u00e1 ateus que, bem espremidas as raz\u00f5es, se afastaram da Igreja por motivos mais paroquiais que filos\u00f3ficos ou teol\u00f3gicos. Nada em n\u00f3s se explica sem o enquadramento ground, ou do contexto, que comp\u00f5e todos os nossos discursos e sustenta muitas das nossas decis\u00f5es. Claro que voltamos ao tema da liberdade e da forma como esta aborda o sagrado que para os crentes est\u00e1 acima de tudo, inclusive da liberdade\u2026 sacralizada. A homilia de Cinzas do Cardeal Patriarca n\u00e3o podia ser mais l\u00edmpida nesta mat\u00e9ria, revelando um respeito profundo pelos n\u00e3o crentes (a sua n\u00e3o cren\u00e7a \u00e9 quase religiosa) e pedindo apenas que o mesmo respeito seja compartilhado pelo sagrado dos que acreditam. E, sobretudo, na convic\u00e7\u00e3o de que Deus continua imperturb\u00e1vel, seja qual for a sanha do pensar ou dizer do homem. N\u00e3o estou a citar, e certamente nesta refer\u00eancia envolvo o meu todo de ser crente com o meu sacerd\u00f3cio, profundamente marcado pelo mundo hodierno, na procura perseverante de sinais de Deus no universo dos crentes e descrentes. Distinguindo a blasf\u00e9mia da heterodoxia, a procura sincera da arrog\u00e2ncia dogm\u00e1tica em qualquer direc\u00e7\u00e3o. Como aprendi do Conc\u00edlio.  O debate detonado pela bomba dos cartoons n\u00e3o deixa de ter utilidade, ao trazer para a ribalta um tema que tinha, como falta maior, o esquecimento ou aniquila\u00e7\u00e3o de Deus por via da indiferen\u00e7a. Mas preocupa que algumas opini\u00f5es exaltadas tenham por base uma ignor\u00e2ncia supina (sem distinguir, por exemplo, o Carnaval das Cinzas) o que leva a crer que outra coisa est\u00e1 latente nesta quest\u00e3o: ir atr\u00e1s dum carro que d\u00e1 cr\u00e9ditos no ringue dos intelectuais urbanos e azedos, e das minorias iluminadas que s\u00f3 mergulham no povo quando a temperatura das \u00e1guas lhes conv\u00e9m. Os intelectuais s\u00e3o a indispens\u00e1vel vanguarda duma sociedade e duma civiliza\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o pensam apenas com a cabe\u00e7a. Est\u00e3o limitados tamb\u00e9m pela teia dos conceitos e preconceitos que os seus percursos pessoais acumularam. E muito do que dizem \u00e9 mais fruto de sentimentos e ressentimentos que de brilhantes ideias que se acenderam numa noite escura visitada por min\u00fasculos pirilampos. N\u00e3o vale, por isso, a pena, reinventar fogueiras. <i>Ant\u00f3nio Rego<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As ideias n\u00e3o nascem do ch\u00e3o. Nem do abstracto. Surgem \u2013 sup\u00f5e-se \u2013 da cabe\u00e7a das pessoas. Que est\u00e1 no corpo, que tem uma hist\u00f3ria, que passa pelo circuito do cora\u00e7\u00e3o e, como hera teimosa, envolve o todo a partir da experi\u00eancia acumulada no tempo. Quem diz ideias, diz ideologia ou mesmo cren\u00e7a. Obviamente que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[168],"class_list":["post-16793","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-diocese-da-guarda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16793"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16793\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}