{"id":167645,"date":"2020-03-27T17:37:38","date_gmt":"2020-03-27T17:37:38","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=167645"},"modified":"2020-04-03T17:28:11","modified_gmt":"2020-04-03T16:28:11","slug":"a-virtualidade-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-virtualidade-real\/","title":{"rendered":"A virtualidade real"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Miguel Neto, Diocese do Algarve<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_167647\" aria-describedby=\"caption-attachment-167647\" style=\"width: 391px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-167647\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-391x260.jpg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-768x511.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-1080x719.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-980x652.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-480x319.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto.jpg 1142w\" sizes=\"(max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-167647\" class=\"wp-caption-text\">Padre Miguel Neto<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><em>\u201cMuitas vezes e de muitos modos, falou Deus aos nossos pais, nos tempos antigos, por meio dos profetas. Nestes dias, que s\u00e3o os \u00faltimos Deus falou-nos por meio do seu Filho\u2026 (Heb 1, 1-2 )\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Quando Jesus iniciou a sua vida p\u00fablica, come\u00e7ando a difundir os seus ensinamentos, certamente ter\u00e1 parecido estranho a muitos. \u00c9 verdade que outros o precederam, os profetas, mas o modo como Jesus falava, usando par\u00e1bolas, reunindo as multid\u00f5es e recorrendo \u00e0quilo que elas conheciam para veicular a Sua mensagem, foi inovador e captou a aten\u00e7\u00e3o de muitos, como sabemos pelos evangelhos.<\/p>\n<p>Por estes dias, em que o Covid-19 entrou no nosso vocabul\u00e1rio e transformou as nossas vidas, tamb\u00e9m as formas como a Palavra continua viva e como a Igreja se faz presente se est\u00e3o a revelar novos e surpreendentes.<\/p>\n<p>Partindo da ideia \u2013 que \u00e9 um facto assente e indiscut\u00edvel \u2013 de que cada um daqueles que foi batizado \u00e9 Igreja, todos estamos incumbidos de sermos mensageiros de Cristo, independentemente das circunst\u00e2ncias ou tempos, das limita\u00e7\u00f5es ou imponder\u00e1veis que possamos enfrentar. Mesmo que essas limita\u00e7\u00f5es sejam um v\u00edrus mortal, que nos impede de sair de casa, de nos juntarmos em comunidade f\u00edsica e de celebrarmos fisicamente a mem\u00f3ria de Nosso Senhor como Ele nos pediu que fiz\u00e9ssemos.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 que isso est\u00e1 a acontecer? Ao inv\u00e9s de a Palavra ficar de quarentena com os crentes, ela est\u00e1 viva e a Igreja tornou-se um espa\u00e7o vivo de fi\u00e9is que testemunham a sua F\u00e9 e que a querem partilhar. Onde? Nas redes sociais, das mais diferentes formas: organizam-se ora\u00e7\u00f5es, eucaristias transmitidas online, catequeses, geram-se conte\u00fados em p\u00e1ginas paroquiais e pessoais, enfim, tudo se comparte, para que todos se mantenham unidos, em comunidade, num espa\u00e7o que antes todos confundiam como irreal, por ser virtual e que, agora, finalmente, perceberam que \u00e9 t\u00e3o real como o espa\u00e7o f\u00edsico e que pode e deve ser usado para expressar a F\u00e9 e para a fazer chegar a todos os cantos do mundo onde a rede digital a possa levar. E isto est\u00e1 a ser aplicado e entendido sobretudo pelos sacerdotes, o que tem a maior relev\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a est\u00e1 em curso, diante dos nossos olhos. Vemos acontecer aquilo que diz Ant\u00f3nio Spadaro (SPADARO, <em>Web 2.0: Redes Sociais<\/em>, 2013, 7): a rede \u00e9 um \u00abambiente comunicativo, formativo e informativo\u00bb, \u00e9 algo que promove uma nova vis\u00e3o do mundo, que promove uma nova forma de olhar os outros, porque \u00e9 \u00abum ambiente \u201ccultural\u201d que determina um estilo de pensamento e cria novos territ\u00f3rios e novas formas de educa\u00e7\u00e3o, contribuindo para definir tamb\u00e9m um modo novo de estimular as intelig\u00eancias e de construir o conhecimento e as rela\u00e7\u00f5es\u00bb . E eu acrescento, a F\u00e9.<\/p>\n<p>Todos somos livres para gostar ou n\u00e3o gostar de algo; todos podemos e devemos declarar as nossas d\u00favidas e preocupa\u00e7\u00f5es relativamente a tudo, sobretudo \u00e0s mudan\u00e7as que podem trazer problemas e inconsist\u00eancias. Mas a verdade \u00e9 que as d\u00favidas que tanto manifest\u00e1mos ao longo dos \u00faltimos anos e as resist\u00eancias que tanto cri\u00e1mos, agora se comprova que certamente n\u00e3o far\u00e3o sentido, pois enquanto crist\u00e3os, n\u00e3o nos podemos alhear de uma realidade que simplesmente existe, que \u00e9 um facto, que convive quotidianamente connosco e com os demais. A rede est\u00e1 a\u00ed e \u00e9 um desafio. A rede est\u00e1 a\u00ed e est\u00e1 a ser \u00fatil para que n\u00e3o percamos os la\u00e7os que nos unem e demos testemunho da esperan\u00e7a que nos une e que tem um nome: Jesus Cristo. \u00c9 virtual, mas completamente real. E \u00e9 nela que est\u00e3o os homens e as mulheres de hoje<\/p>\n<p>Cabe-nos us\u00e1-la com discernimento e comprometidamente, como mais um ambiente dos muitos que comp\u00f5em o quadro da nossa exist\u00eancia e de modo a incrementar a nossa vida em comum, a nossa partilha em comunidade. Como dizia Bento XVI, na <em>XLV Mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em>, \u00abas novas tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o pedem para ser postas ao servi\u00e7o do bem integral da pessoa e da humanidade inteira. Usadas sabiamente, podem contribuir para satisfazer o desejo de sentido, verdade e unidade que permanece a aspira\u00e7\u00e3o mais profunda do ser humano\u00bb.<\/p>\n<p>Sophia de Mello Breyner Andresen na sua \u201cCantata da Paz\u201d, escrita num per\u00edodo em que se exigiam grandes transforma\u00e7\u00f5es no nosso pa\u00eds (e no mundo), transforma\u00e7\u00f5es suficientemente significativas para mudar mentalidades, rela\u00e7\u00f5es, economia, pol\u00edtica e tantas outras dimens\u00f5es da nossa sociedade e t\u00e3o grandes como as que agora se nos afiguram que existir\u00e3o, apontava um caminho: \u00abVemos, ouvimos e lemos\/ N\u00e3o podemos ignorar\u00bb . Spadaro defende: \u00abO ser humano n\u00e3o permanece imut\u00e1vel em seu modo de manipular o mundo: s\u00e3o transformados n\u00e3o s\u00f3 os meios com os quais comunica, mas tamb\u00e9m o pr\u00f3prio homem e a cultura\u00bb. E ser\u00e1 com estes meios que poderemos contruir um mundo melhor, porque neles podemos mostrar o lado mais luminosos da humanidade e n\u00e3o apenas o lado mais negro, como diz Edgar Morin numa entrevista ao jornal L&#8217;OBS, a prop\u00f3sito do coronav\u00edrus e das suas consequ\u00eancias, desintoxicando-nos do nosso modo de vida acomodado e em que o testemunho tinha um lugar e um espa\u00e7o muito restrito: o da Igreja e das suas atividades.<\/p>\n<p>A rede, enquanto espa\u00e7o comunicacional, bem como os canais que lhe s\u00e3o caracter\u00edsticos (Internet e novos media), s\u00e3o parte integrante da cultura, do mundo real. A Igreja, neste tempo de crise, parece reconhecer isso mesmo e, consequentemente, a necessidade de dominar a linguagem pr\u00f3pria destes canais, agindo agora os sujeitos participantes de toda a comunidade crist\u00e3 imbu\u00eddos de uma consci\u00eancia e desejo aut\u00eanticos de se envolverem e de n\u00e3o serem meros espectadores, ou seja, de serem, como prop\u00f5e o Evangelho, semeadores (Mt 13, 3-9), que querem legar aos homens a Boa Nova e, tamb\u00e9m no ambiente virtual, faz\u00ea-los conhecer Jesus, caminho, verdade e vida. At\u00e9, porque, desde o in\u00edcio, a Igreja constituiu-se como uma sociedade em rede: primeiro com Jesus e os disc\u00edpulos, depois alargando-se a muitos grupos de seguidores e espalhando-se, ao longo dos s\u00e9culos, pelo mundo inteiro, sendo as par\u00f3quias os n\u00f3s mais pr\u00f3ximos dos indiv\u00edduos que, pelo batismo, deixaram de estar s\u00f3s para viver na rede&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Miguel Neto, Diocese do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":167647,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[698],"class_list":["post-167645","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-covid-19"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/167645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=167645"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/167645\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/167647"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=167645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=167645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=167645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}