{"id":16753,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/novos-olhares-sobre-os-sem-abrigo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"novos-olhares-sobre-os-sem-abrigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/novos-olhares-sobre-os-sem-abrigo\/","title":{"rendered":"Novos olhares sobre os sem-abrigo"},"content":{"rendered":"<p>Casal franc\u00eas que fez a op\u00e7\u00e3o de viver na rua conclui visita a Portugal <!--more--> Durante nove dias, o casal franc\u00eas Michel Collard e Collette Gambiez apresentou, no nosso pa\u00eds, o seu testemunho de vida junto dos sem-abrigo, baseado na op\u00e7\u00e3o de viver na rua e deixar-se encontrar e receber por eles, numa presen\u00e7a extraordinariamente amiga e fraterna. A convite da C\u00e1ritas Portuguesa e em parceria com as Paulinas Editora, o casal contactou com v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es que d\u00e3o apoio aos sem abrigo, visitando algumas das suas val\u00eancias. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, no final deste percurso que ontem se concluiu, Michel Collard e Collette Gambiez manifestaram a sua satisfa\u00e7\u00e3o pelo acolhimento que lhes foi prestado no nosso pa\u00eds, assegurando que a sua presen\u00e7a pretendeu ser \u201cuma interpela\u00e7\u00e3o\u201d para que, na assist\u00eancia aos sem-abrigo, o acento seja colocado no que \u00e9 \u201cessencial\u201d. Segundo os dois, esta \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 muito solid\u00e1ria entre si e que, por isso, nunca chega a constitui-se em comunidade. &#8220;N\u00e3o gostam de partilhar os seus problemas e n\u00e3o gostam de ver nos outros os seus pr\u00f3prios problemas&#8221;, explica Colette. \u201cAs principais formas de forma de assist\u00eancia que existem, hoje em dia, precisam de alternativas, que n\u00e3o vejam estas pessoas simplesmente como recept\u00e1culos, mas como verdadeiros parceiros, com direito a uma opini\u00e3o\u201d, acrescenta. Michel Collard sublinha a necessidade de \u201cpartilhar\u201d, seja uma refei\u00e7\u00e3o, sejam outros momentos, com os sem-abrigo. \u00c9 importante que as organiza\u00e7\u00f5es que distribuem alimentos e outros bens a esta popula\u00e7\u00e3o o fa\u00e7a, portanto, numa atitude de partilha, comendo e convivendo com eles Esta nova postura passa, segundo os dois, por mudan\u00e7as profundas, relacionadas n\u00e3o s\u00f3 com os locais de acolhimento como com a distribui\u00e7\u00e3o de comida. \u201cHoje em dia, \u00e9 desumano distribuir a sopa em plena rua, por exemplo, \u00e9 preciso erradicar essa pr\u00e1tica\u201d, aponta Collete Gambiez. Outro caminho a seguir seria a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de acolhimento, onde os sem-abrigo possam ter algu\u00e9m com quem desabafar os seus problemas. Os grandes dormit\u00f3rios p\u00fablicos s\u00e3o outro dos alvos das cr\u00edticas do casal franc\u00eas, que prefere a cria\u00e7\u00e3o de pequenas casas de acolhimento, onde quem est\u00e1 na rua possa viver em grupos reduzidos. Em jeito de balan\u00e7o, Colette assegura que a passagem por Portugal serviu para sensibilizar as associa\u00e7\u00f5es que vieram ao seu encontro, as quais \u201ctiveram oportunidade para ouvir as nossas reflex\u00f5es e as nossas interpela\u00e7\u00f5es; o acolhimento foi positivo, agora esperamos que haja lugar para a transforma\u00e7\u00e3o\u201d Maria da Gl\u00f3ria, membro dos \u00f3rg\u00e3os sociais da Comunidade Vida e Paz \u2013 que acolheu este casal em Lisboa \u2013 considera que esta visita ajudou a \u201creflectir sobre os meios de ter uma melhor actua\u00e7\u00e3o junto dos sem-abrigo, vendo a realidade de outra maneira\u201d.  <b>Na rua por op\u00e7\u00e3o<\/b> A op\u00e7\u00e3o de viver na rua nasceu, segundo Michel Collard da vontade de \u201cactualizar as propostas do esp\u00edrito Franciscano\u201d, Ordem \u00e0 qual pertencia quando, h\u00e1 20 anos, come\u00e7ou esta aventura.  Colette Gambiez, enfermeira de profiss\u00e3o, vive na rua h\u00e1 10 anos. As vidas de Michel Colard, de 58 anos, e Colette Gambiez, de 47 anos, cruzaram-se h\u00e1 cerca de 13 anos e desde essa altura at\u00e9 agora as suas vidas fazem-se juntamente com a de muitos sem-abrigo franceses e belgas  Juntos renunciaram a qualquer tipo de bem material e decidiram partilhar o seu dia-a-dia com os sem-abrigo. &#8220;Tratou-se do nosso desejo de partilhar a nossa vida e escolhemos os sem-abrigo, porque s\u00e3o os mais abandonados e os mais desprezados&#8221;, explicou Michel. \u201cN\u00e3o queremos que todos fa\u00e7am o mesmo que n\u00f3s, mas que, atrav\u00e9s da nossa experi\u00eancia, cada um possa tomar consci\u00eancia da necessidade de um compromisso pessoal, nos locais onde vive, n\u00e3o esquecendo o cora\u00e7\u00e3o, a pessoa\u201d, conclui Colette Gambiez. Esta caminhada j\u00e1 deu origem a dois livros, um dos quais acaba de ser editado em Portugal, aproveitando a visita do casal franc\u00eas. O livro, intitulado &#8220;Quando o Exclu\u00eddo se torna o Eleito&#8221;, \u00e9 o resultado de muitos anos de contacto com esta popula\u00e7\u00e3o e traz n\u00e3o s\u00f3 uma narra\u00e7\u00e3o pormenorizada da vida de um sem-abrigo como deixa pistas para a compreens\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o deste problema social, ao mesmo tempo que lembra que ser sem-abrigo n\u00e3o \u00e9 uma escolha livre, mas sim a consequ\u00eancia de uma s\u00e9rie de ocorr\u00eancias. Este \u00e9 um livro-testemunho, rico de reflex\u00f5es e an\u00e1lises, que se dirige a todos: transeuntes confrontados com a mendicidade, profissionais e volunt\u00e1rios empenhados no trabalho social, respons\u00e1veis pol\u00edticos, etc.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casal franc\u00eas que fez a op\u00e7\u00e3o de viver na rua conclui visita a Portugal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[125],"class_list":["post-16753","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-caritas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16753","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16753"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16753\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16753"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16753"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16753"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}