{"id":16709,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/empenhados-no-desenvolvimento-integral\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"empenhados-no-desenvolvimento-integral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/empenhados-no-desenvolvimento-integral\/","title":{"rendered":"Empenhados no desenvolvimento integral"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem do Bispo da Guarda para a Quaresma 2006  <!--more--> 1. A Quaresma \u00e9 caminhada em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e1scoa. Na Quarta-feira de Cinzas, iniciamos uma caminhada de renova\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e1scoa. P\u00e1scoa que celebra a Pessoa de Jesus Cristo Morto e Ressuscitado, com Sua vit\u00f3ria sobre as for\u00e7as da morte, mas tamb\u00e9m a Vida Nova dos fi\u00e9is enxertados em Cristo pelo Baptismo. Este tempo de 40 dias, em que preparamos a P\u00e1scoa, podemos consider\u00e1-lo o grande retiro de todo o Povo de deus. Durante a Quaresma, Crist\u00e3os e comunidades crist\u00e3s procuram contrapor \u00e0 cultura dominante da divers\u00e3o a nova cultura da convers\u00e3o. A Quaresma \u00e9, de facto, por excel\u00eancia, o tempo da convers\u00e3o, entendida esta como mudan\u00e7a de vida, a come\u00e7ar pela mudan\u00e7a de mentalidade e de cora\u00e7\u00e3o. O jejum, a esmola, a ora\u00e7\u00e3o mais intensa, incluindo a escuta da palavra de Deus, juntamente com o Sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o, s\u00e3o os meios tradicionais de convers\u00e3o especialmente recomendados na Quaresma.  2. Empenhados no desenvolvimento integral A convers\u00e3o faz-nos voltar para Jesus Cristo. \u00c9 a Ele que n\u00f3s queremos converter-nos &#8211; e, a partir d\u2019Ele e com Ele, faz-nos tamb\u00e9m percorrer os caminhos da aut\u00eantica caridade crist\u00e3. Como Cristo, que, ao ver as multid\u00f5es, se encheu de compaix\u00e3o por elas (Mt.36) desejamos deixar-nos tamb\u00e9m n\u00f3s condoer pelas necessidades dos nossos irm\u00e3os e sobretudo peja tarefa de os ajudar a promover o seu verdadeiro desenvolvimento. O papa Bento XVI na sua mensagem para a Quaresma, convida-nos a dar aten\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento integral e a descobrir formas sempre novas de intervir no seu processo, remetendo para a Enc\u00edclica \u201cPopulorum Progressio\u201d de Paulo VI (Maio 1967). A\u00ed se diz o seguinte sobre o que se deve entender por desenvolvimento integral: \u201ca \u00fanica realidade que conta no mundo \u00e9 o homem, cada homem, cada grupo de homens, at\u00e9 chegar \u00e0 Humanidade inteira\u201d (cf. n\u00b0 14). Se o ser humano \u00e9 a \u00fanica realidade que conta no mundo, ele tem de ser a medida do desenvolvimento, o qual, por sua vez, s\u00f3 ser\u00e1 verdadeiro quando promover todas as suas dimens\u00f5es, sem excluir nenhuma. E, na verdade, qualquer s\u00e3 antropologia, e tamb\u00e9m a do Evangelho, diz que n\u00f3s somos corpo, mas tamb\u00e9m nos sentimos estruturalmente abertos para a rela\u00e7\u00e3o. Rela\u00e7\u00e3o com os outros, pela intersubjetividade; com a natureza, pela necessidade de a conhecermos e dominarmos; de cada um com o mist\u00e9rio profundo da sua consci\u00eancia; rela\u00e7\u00e3o sobrenatural com Deus.  3. Dimens\u00f5es do desenvolvimento integral Verificamos que o desenvolvimento \u00e9 um t\u00f3pico chave na vida dos povos e seus governos na actualidade. Os povos do mundo dividiam-se, algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s, entre povos desenvolvidos e povos subdesenvolvidos, passando estes agora a designar-se por povos em vias de desenvolvimento. Hoje est\u00e1 na moda contabilizarem-se, com regularidade, os \u00edndices de desenvolvimento de cada pa\u00eds e cada, grupo de pa\u00edses, fazem-se \u201crankings\u201d e imp\u00f5em-se regras para atingir metas mais altas de desenvolvimento. Mas geralmente \u00e9 s\u00f3 do desenvolvimento material ou econ\u00f3mico que se trata, aquele \u00fanico que a globaliza\u00e7\u00e3o tem sabido controlar. Raramente se implica o desenvolvimento pessoal e comunit\u00e1rio nesses n\u00fameros frios. Como crist\u00e3os, sentimo-nos obrigados a participar na promo\u00e7\u00e3o de um desenvolvimento capaz de gerar condi\u00e7\u00f5es de trabalho verdadeiramente humano e digno e tamb\u00e9m de combater o desemprego. As pessoas nunca podem ser tratadas como pe\u00e7as de engrenagem e o trabalho, antes de ser um meio de produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 para cada um de n\u00f3s lugar da sua realiza\u00e7\u00e3o pessoal. Mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso criar empregos e combater o desemprego. Sentimos que aqui estamos a tocar num dos maiores e mais graves problemas que se colocam \u00e0s sociedades desenvolvidas da Europa, incluindo a nossa &#8211; o desemprego. E se tivermos em conta algumas teorias e at\u00e9 pr\u00e1ticas ditas de sucesso, que reduzem os lugares de trabalho, substituindo-os por tecnologias avan\u00e7adas, com efeitos positivos no rendimento econ\u00f3micos ent\u00e3o sentimos mais ainda que o problema se agrava. Todavia, continua a ser verdade que no desenvolvimento deve haver lugar para todos, incluindo trabalho para todos. Queremos um desenvolvimento gerador de riqueza, mas que seja tamb\u00e9m riqueza para todos. Infelizmente, os indicadores sociais e particularmente do nosso pa\u00eds dizem que a riqueza tende para se concentrar e a pobreza tende a alastrar. Precisamos de aperfei\u00e7oar os mecanismos da produ\u00e7\u00e3o. E tanto mais quanto sabemos que os \u00edndices de rendimento do nosso pa\u00eds continuam a divergir dos pa\u00edses da Europa dos 25. Mas tamb\u00e9m precisamos de os completar com outros mecanismos que promovam a justa distribui\u00e7\u00e3o dos bens produzidos. \u00c9 lugar comum dizer que um dos factores do nosso atraso no desenvolvimento econ\u00f3mico relativamente a outros pa\u00edses do nosso enquadramento europeu \u00e9 o baixo n\u00edvel da cultura, do conhecimento e da educa\u00e7\u00e3o do Povo Portugu\u00eas. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por raz\u00f5es econ\u00f3micas que precisamos de promover a cultura, o conhecimento e a educa\u00e7\u00e3o das pessoas. \u00c9 o desenvolvimento pessoal e mesmo social que o exige.  A cultura \u00e9 o ambiente necess\u00e1rio ao desabrochar e ao crescer de cada pessoa. A educa\u00e7\u00e3o, considerada como o conjunto das condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para que cada um possa construir o seu pr\u00f3prio projecto de vida pessoal e tamb\u00e9m para inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida comunit\u00e1ria, \u00e9 factor determinante da qualidade de vida dos cidad\u00e3os. O conhecimento, e agora com o recurso \u00e0s novas tecnologias que o tornam cada vez mais acess\u00edvel, \u00e9 fundamental para transformar cada cidad\u00e3o em verdadeiro actor social com capacidade para participar activamente nos centros de decis\u00e3o. A defesa e a promo\u00e7\u00e3o da vida humana e da Fam\u00ed1ia \u00e9 o grande crit\u00e9rio aferidor da justeza do desenvolvimento. O verdadeiro desenvolvimento gera e alimenta uma cultura de vida e op\u00f5e-se \u00e0 cultura da morte, assim como \u00e0 mentalidade anti-fam\u00edlia. Finalmente, faz parte de uma s\u00e3 e equilibrada compreens\u00e3o da Pessoa Humana a sua abertura para os valores de Deus e do sobrenatural. \u00c9 por isso que a dimens\u00e3o religiosa e dos valores da F\u00e9, em sua express\u00e3o individual, mas tamb\u00e9m social e comunit\u00e1ria, tem de estar presente em qualquer projecto de desenvolvimento s\u00e9rio.  4. A nossa ren\u00fancia quaresmal Apresentadas que aqui ficam as linhas mestras do desenvolvimento integral, \u00e9 preciso n\u00e3o esquecermos que a nossa convers\u00e3o, nesta Quaresma, implica tamb\u00e9m solidariedade material com projectos de desenvolvimento concretos que merecem ser apoiados. Por isso, decidimos dirigir a nossa ren\u00fancia quaresmal, este ano, para 3 projectos conduzidos por mission\u00e1rios cujas congrega\u00e7\u00f5es t\u00eam comunidades instaladas na nossa Diocese, a saber: l\u00b0) A compra de um barco necess\u00e1rio ao trabalho mission\u00e1rio do Padre El\u00edsio do Ros\u00e1rio Gama, dos Mission\u00e1rios do Verbo Divino, a trabalhar na Amaz\u00f3nia (Brasil) 2\u00b0) Apoiar o projecto de constru\u00e7\u00e3o de um Centro catequ\u00e9tico, na Par\u00f3quia de S. Miguel Arcanjo Diocese de Santiago, Cabo Verde, conduzido por 2 sacerdotes mission\u00e1rios da Congrega\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, os Padres Ant\u00f3nio Marques de Sousa e Nuno Miguel da Silva Rodrigues. 3\u00b0) Apoiar outro projecto chamado de S. Jo\u00e3o de Brito, em Luanda, desenvolvido por sacerdotes jesu\u00edtas sob orienta\u00e7\u00e3o do seu provincial, o Padre Casimiro Gaspar. Trata-se de um conjunto log\u00edstico destinado a cursos de forma\u00e7\u00e3o, retiros, exerc\u00edcios espirituais e outros encontros de cariz pastoral. Vamos ser generosos porque a solidariedade alarga os horizontes da nossa F\u00e9 e tamb\u00e9m dos nossos projectos humanos, pessoais e familiares.  <i>D. Manuel da Rocha Fel\u00edcio, Bispo da Guarda<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem do Bispo da Guarda para a Quaresma 2006<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,122,123,168,193,203,206,236,275,91,314],"class_list":["post-16709","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-brasil","tag-cabo-verde","tag-diocese-da-guarda","tag-educacao","tag-europa","tag-familia","tag-jesuitas","tag-pascoa","tag-quaresma","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16709","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16709"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16709\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16709"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16709"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16709"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}