{"id":167040,"date":"2020-03-24T17:47:01","date_gmt":"2020-03-24T17:47:01","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=167040"},"modified":"2020-03-24T17:47:01","modified_gmt":"2020-03-24T17:47:01","slug":"lusofonias-comboio-esconde-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-comboio-esconde-outros\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Comboio esconde outro(s)"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Lusofonias-Tony-CaboVerde.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-167042\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Lusofonias-Tony-CaboVerde.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Lusofonias-Tony-CaboVerde.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Lusofonias-Tony-CaboVerde-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Lusofonias-Tony-CaboVerde-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Lusofonias-Tony-CaboVerde-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Lusofonias-Tony-CaboVerde-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Lusofonias-Tony-CaboVerde-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Lusofonias-Tony-CaboVerde-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>S\u00e3o hoje poucas as passagens de n\u00edvel sem guarda. Tamb\u00e9m nas esta\u00e7\u00f5es n\u00e3o se podem atravessar as linhas. Noutros tempos, eram frequentes as placas que diziam: \u2018Aten\u00e7\u00e3o. Um comboio pode esconder outro comboio!\u2019. E a verdade que algumas vidas foram ceifadas por se deixar passar o comboio e atravessar imediatamente a linha, sendo essas pessoas colhidas por outro que circulava em sentido contr\u00e1rio. Ora, isso est\u00e1 a acontecer agora mesmo no mundo que \u00e9 o nosso.<\/p>\n<p>Todos os olhos est\u00e3o focados no coronav\u00edrus. Parece n\u00e3o haver vida para al\u00e9m deste monstro microsc\u00f3pico. Estamos num combate muito duro com um inimigo que n\u00e3o vemos, conhecemos ainda pouco e faltam-nos armas \u00e0 altura da sua braveza. Os hospitais esqueceram outros doentes e doen\u00e7as, a economia parou (ou quase), o ritmo das pessoas foi alterado, os crentes pedem contas a Deus sobre o que se passa&#8230; E o resto da vida?<\/p>\n<p>O drama \u00e9 que tudo o que de mal havia antes da chegada do corona, continua a existir. E o pior \u00e9 que, sem os holofotes da comunica\u00e7\u00e3o social, \u00e0 porta fechada, os problemas ganham propor\u00e7\u00f5es maiores, com danos mais s\u00e9rios e consequ\u00eancias incontrol\u00e1veis. Por isso, h\u00e1 que combater este v\u00edrus, mas n\u00e3o esquecer que a vida continua\u2026<\/p>\n<p>As guerras que matam e destroem a S\u00edria e outros cantos do mundo, continuam a fazer as suas v\u00edtimas, sobretudo entre as popula\u00e7\u00f5es mais pobres e indefesas. Al\u00e9m dos combates e da viol\u00eancia descontrolada, h\u00e1 a falta da solidariedade internacional, hoje toda virada para o Covid19. Por mais que gritem estes pobres, ningu\u00e9m consegue falar mais alto que as estat\u00edsticas di\u00e1rias sobre mortos e infectados na It\u00e1lia, na Espanha, na Fran\u00e7a e nos EUA. Outros pa\u00edses como Portugal, Angola, Ir\u00e3o ou Tanz\u00e2nia passar\u00e3o despercebidos dos grandes media, pois contam pouco para o mundo mais rico.<\/p>\n<p>Mas nem s\u00f3 de guerra se alimentam os maldosos deste mundo. Temos \u2013 embora com alguma liga\u00e7\u00e3o \u2013 a trag\u00e9dia humanit\u00e1ria dos refugiados e migrantes. At\u00e9 h\u00e1 tr\u00eas meses, eles enchiam notici\u00e1rios e p\u00e1ginas de jornais, para al\u00e9m de preocuparem parlamentos e governos na Europa e EUA. Hoje em dia, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para eles, mas a verdade \u00e9 que nunca este drama foi t\u00e3o grande, sobretudo ali naquela fronteira quente entre a Turquia e a Gr\u00e9cia, numa das portas mais trancadas da Europa. Talvez voltem \u00e0s luzes da ribalta se deflagrar o v\u00edrus naquela multid\u00e3o e houver risco de contamina\u00e7\u00e3o global. At\u00e9 l\u00e1, ser\u00e3o cidad\u00e3os an\u00f3nimos de um mundo para quem eles n\u00e3o contam, pois apenas parecem ser problema, sem trazer grandes ganhos para quem j\u00e1 tem muito.<\/p>\n<p>E os gafanhotos? Tive a possibilidade de ver os campos arrasados pela praga que destruiu uma parte da Ilha de Santiago em Cabo Verde, sobretudo nas \u00e1reas da Cidade Velha e Milho Branco. Que desola\u00e7\u00e3o. E as narrativas eram de arrepiar. Pelo que vimos antes do Covid tomar conta de tudo e de todos, essa praga sa\u00edda do deserto, est\u00e1 a destruir parte da costa oriental de \u00c1frica, caminhando a voos largos (aos milh\u00f5es) para a \u00c1sia, semeando fome e desespero, ante a apatia da comunidade internacional.<\/p>\n<p>Com isto n\u00e3o quero dizer que o coronav\u00edrus n\u00e3o mere\u00e7a uma aten\u00e7\u00e3o especial. Sim, merece, e estamos todos de armas na m\u00e3o para este combate ser vitorioso. Estamos em casa ou estamos nas linhas da frente. Estamos a rezar e tentamos ser respons\u00e1veis. Mas, mesmo neste combate, n\u00e3o nos esque\u00e7amos dos mais fr\u00e1geis: os doentes, os s\u00f3s e os pobres. O apoio aos sem abrigo em certas cidades europeias est\u00e1 a falhar. H\u00e1 muitas pessoas a correr risco s\u00e9rio de despedimento. H\u00e1 muita gente que vivia do seu trabalho informal do dia a dia e que, neste contexto, passa fome. H\u00e1 gente que tem outras doen\u00e7as que n\u00e3o a infec\u00e7\u00e3o provocada pelo corona\u2026<\/p>\n<p>Enfim, precisamos de um olhar do tamanho do mundo. N\u00e3o nos podemos focar apenas naquilo que nos ocupa mais hoje. \u00c9 urgente o empenho na arte do cuidado, pensando no bem comum e estando sempre abertos \u00e0 partilha.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-167040-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lusofonias-comboioescondecomboio.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lusofonias-comboioescondecomboio.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/lusofonias-comboioescondecomboio.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Roma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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