{"id":166837,"date":"2020-03-23T18:07:20","date_gmt":"2020-03-23T18:07:20","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=166837"},"modified":"2020-03-23T18:07:20","modified_gmt":"2020-03-23T18:07:20","slug":"covid-19-deus-fugiu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/covid-19-deus-fugiu\/","title":{"rendered":"Covid-19: Deus fugiu?"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Jos\u00e9 J\u00falio Rocha, Diocese de Angra<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Julio-Rocha_Angra.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-166838 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Julio-Rocha_Angra-260x260.jpg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Julio-Rocha_Angra-260x260.jpg 260w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Julio-Rocha_Angra-150x150.jpg 150w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Julio-Rocha_Angra.jpg 328w\" sizes=\"(max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/a>Sentado no meu quarto, onde se avista a luz do sol a brilhar no verde intenso dos A\u00e7ores, neste primeiro dia de Primavera, sinto um n\u00f3 na garganta, um lento murro no est\u00f4mago, ao aperceber-me, com uma viva sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia, que n\u00e3o vou poder celebrar a Sagrada Eucaristia dominical ao meu Povo. Fonte do Bastardo e Porto Martins, na ilha Terceira, bem como todas as par\u00f3quias do Pais e de quase toda a Europa, n\u00e3o v\u00e3o participar na b\u00ean\u00e7\u00e3o do Santo Sacramento.<\/p>\n<p>Muitas pessoas, sobretudo aquelas que vivem mais intensamente a sua f\u00e9, que bebem os sacramentos, n\u00e3o o v\u00e3o poder fazer neste momento, e v\u00e3o sentir o vazio, esse vazio que sabe a orfandade, de n\u00e3o poder receber a Sagrada Comunh\u00e3o, dom de Deus, alimento para o caminho, ref\u00fagio para o sofrimento, para o medo e para a ang\u00fastia. Ainda mais nestes dias dif\u00edceis, quando tanto precisamos da m\u00e3o carinhosa do Pai, da Sua prote\u00e7\u00e3o, da Sua voz, \u201cn\u00e3o tenhas receio, Eu estou aqui.\u201d<\/p>\n<p>S\u00e3o muitas as pessoas que formulam a pergunta terr\u00edvel, que bate, prepotente, no cora\u00e7\u00e3o de cada crist\u00e3o, de cada crente: <strong>onde est\u00e1 o nosso deus, o nosso pai que \u00e9 amor, precisamente quando mais precisamos dele? Abandonou-nos?<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da humanidade est\u00e1 cheia de crises como esta que estamos a viver agora, e at\u00e9 muito piores. E em todos os tempos, em todas as cat\u00e1strofes, o homem p\u00f4s-se esta pergunta. N\u00e3o podemos, no entanto, pensar num Deus que est\u00e1 fisicamente presente em todas as realidades terrestres e que resolve todos os males com um toque de varinha m\u00e1gica. N\u00e3o seria precisa a f\u00e9, j\u00e1 estar\u00edamos no Reino da Felicidade Absoluta. Enquanto estivermos aqui, neste min\u00fasculo planeta, estamos sujeitos \u00e0s conting\u00eancias do \u201chomo viator\u201d, fal\u00edvel, sujeito \u00e0 doen\u00e7a, ao mal, \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Nestes momentos, recordo sempre a agonia de Jesus no Horto das Oliveiras quando, suando sangue, pediu ao Pai que afastasse d\u2019Ele aquele c\u00e1lice. E, no entanto, sofreu at\u00e9 ao fim as consequ\u00eancias da Sua total doa\u00e7\u00e3o \u00e0 Miss\u00e3o salvadora, ao ponto de gritar, no \u00faltimo suspiro da Sua agonia: \u201cMeu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?\u201d At\u00e9 o pr\u00f3prio Jesus fez a pergunta terr\u00edvel. N\u00e3o podemos ter d\u00favidas de uma realidade: Deus ama-nos. E o mist\u00e9rio do Seu Amor manifesta-se por vias muito desconhecidas e insond\u00e1veis. Culpar Deus \u00e9 a mais estulta das atitudes. Saber que Deus sofre connosco, com um sofrimento profundo e plenamente aceite, porque s\u00f3 quem ama verdadeiramente sofre verdadeiramente, \u00e9 uma atitude plenamente crist\u00e3. A Salva\u00e7\u00e3o consiste nisto: Jesus est\u00e1 connosco, estejamos onde estivermos, na maior agonia ou na maior felicidade, na mais plena dor ou na mais plena alegria. N\u00e3o nos abandona.<\/p>\n<p>Recordo uma hist\u00f3ria real, passada no fim da II Grande Guerra, em Fran\u00e7a, e contada muitas vezes nos Cursilhos de Cristandade que, permitam-me, vou contar: uma igreja tinha sido bombardeada e o seu crucifixo, bela obra de arte, danificado. Enquanto se contru\u00eda a igreja, o crucifixo foi a restaurar. No dia da inaugura\u00e7\u00e3o, o crucifixo n\u00e3o estava completo: o artes\u00e3o n\u00e3o conseguira concluir as m\u00e3os. Na missa, com o crucifixo ao lado, o padre disse ao povo: \u201cJesus n\u00e3o tem m\u00e3os. Neste momento, as m\u00e3os de Jesus s\u00e3o voc\u00eas.\u201d Sim. Neste momento, n\u00f3s somos as m\u00e3os de Deus. Os m\u00e9dicos, os enfermeiros, os profissionais de sa\u00fade, os bombeiros, as for\u00e7as de seguran\u00e7a, os nossos l\u00edderes honestos e serenos, os que trabalham nos servi\u00e7os essenciais para que o mundo n\u00e3o morra \u00e0 m\u00edngua, s\u00e3o as m\u00e3os de Deus! E n\u00f3s podemos ser os p\u00e9s de Deus, se os nossos p\u00e9s nos conduzirem a casa e n\u00e3o nos deixarem sair de casa por motivos f\u00fateis. Deus deu-nos esta miss\u00e3o. Deus, agora, tem necessidade de n\u00f3s, que tamb\u00e9m temos necessidade d\u2019Ele. Saibamos ser as m\u00e3os, os p\u00e9s, o cora\u00e7\u00e3o de Deus. S\u00f3 assim Deus atua e salva: \u00e9 este o verdadeiro milagre.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 impossibilidade de participar na Eucaristia dominical, saibam os crist\u00e3os que todos os sacerdotes, por todo o pa\u00eds, por todo o mundo, est\u00e3o, em privado, a celebrar a Eucaristia pelo seu Povo. Quando eu era padre novo, fui celebrar uma vez uma missa a uma par\u00f3quia n\u00e3o minha, a pedido de um colega. S\u00f3 estavam l\u00e1 sete pessoas. Desiludido, ao jantar, desabafei com um colega mais velho, dizendo-lhe que tinha celebrado missa apenas para sete pessoas. Ele corrigiu-me: \u201cJ\u00falio: nunca mais digas que celebraste missa para sete pessoas. Diz a verdade: voc\u00eas foram sete pessoas que celebraram a missa para o mundo inteiro.\u201d \u00c9 este o verdadeiro e absoluto valor da Sagrada Eucaristia. Onde quer que estejamos, mesmo impossibilitados de participar ativamente no Sacramento, saibamos que podemos receber abundantemente as suas gra\u00e7as. <strong>Neste momento somos todos doentes. E a gra\u00e7a da Eucaristia chega a todos os doentes, mesmo quando nela n\u00e3o participam ativamente.<\/strong><\/p>\n<p>Tenho visto, com pena, muitas pessoas a criticarem a aus\u00eancia da Igreja neste drama do coronav\u00edrus COVID-19. N\u00e3o \u00e9 verdade, e as cr\u00edticas que surgem s\u00e3o, na maioria das vezes, infundadas, mal-intencionadas e ressabiadas. Salvo algumas exce\u00e7\u00f5es, que, infelizmente acontecem em todos os ramos da vida, todos os sacerdotes se empenham em estar, da melhor maneira poss\u00edvel, presentes ao seu Povo. S\u00e3o as missas celebradas via internet, as ora\u00e7\u00f5es, as palavras de conforto, os apelos \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 paz. A Diocese de Angra, por exemplo, foi das primeiras institui\u00e7\u00f5es a disponibilizar um edif\u00edcio, neste caso a Cl\u00ednica do Bom Jesus em S\u00e3o Miguel, para o que for preciso no combate a esta crise. E mais dar\u00e1, e tudo dar\u00e1, casas, passais, centros pastorais e paroquiais, igrejas, se preciso for, tudo, no cen\u00e1rio absolutamente improv\u00e1vel de a crise se transformar numa cat\u00e1strofe humanit\u00e1ria nos A\u00e7ores. Por todo o mundo, milh\u00f5es de leigos, milh\u00f5es de seres humanos, inspirados nos valores do Evangelho, d\u00e3o a vida, nos hospitais e noutros lugares, para debelarem esta pandemia. Eles tamb\u00e9m s\u00e3o Igreja, ou melhor, s\u00e3o a fatia mais importante e primordial da Igreja.<\/p>\n<p>\u00c9 meu dever de consci\u00eancia deplorar a atitude de certos governantes que ainda est\u00e3o a brincar com toda esta situa\u00e7\u00e3o. O presidente do Brasil, por exemplo, que preside aos destinos daquele amado pa\u00eds, ainda n\u00e3o viu quase nada para al\u00e9m do seu umbigo. N\u00e3o percebe a cat\u00e1strofe que \u00e9 um pa\u00eds daquelas dimens\u00f5es se transformar numa It\u00e1lia em ponto quatro vezes maior: depois de ter gozado com tudo, de ter confraternizado com centenas de apoiantes em plena crise, de celebrar abundantemente o seu anivers\u00e1rio, de dizer que os Media s\u00e3o alarmistas, vem agora negar o encerramento das celebra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do culto, porque os crentes precisam do conforto dos seus pastores, numa clara ced\u00eancia \u00e0s press\u00f5es dos evang\u00e9licos e outros crist\u00e3os que o apoiaram e apoiam. Na Peste Negra, que devorou um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o da Europa em meados do s\u00e9culo XIV, o povo acudia em massa a rezar \u00e0s igrejas pelo apaziguamento da c\u00f3lera de Deus, porque, acreditavam, nas igrejas Deus n\u00e3o permitia a dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Foi este o fator que mais contribuiu para a mortandade catastr\u00f3fica que quase tirou a Europa do mapa. N\u00e3o estamos numa Peste Negra, muito longe disso. Mas Bolsonaro e outros ainda n\u00e3o sa\u00edram da Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p>O mandamento do Amor, a mais bela mensagem crist\u00e3, adapta-se, necessariamente, aos tempos. Neste tempo conturbado, amar significa afastar-se, ficar em casa. Se o cumprirmos, em breve teremos o j\u00fabilo de regressar \u00e0s outras medidas do Amor.<\/p>\n<p>Deixo-vos, por fim, um poema, que muitos conhecem, mas que vale a pena reler:<\/p>\n<p>PEGADAS NA AREIA<\/p>\n<p><em>Uma noite eu tive um sonho\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Sonhei que andava a passear na praia com o Senhor, e, no firmamento, passavam cenas da minha vida.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ap\u00f3s cada cena que passava, percebi que ficavam dois pares de pegadas na areia: um era meu e o outro era do Senhor.<\/em><\/p>\n<p><em>Quando a ultima cena da minha vida passou diante de n\u00f3s, olhei para tr\u00e1s, para as pegadas na areia, e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia.<\/em><\/p>\n<p><em>Notei tamb\u00e9m que isso aconteceu nos momentos mais dif\u00edceis e angustiosos do meu viver. Isso aborreceu-me deveras e perguntei ent\u00e3o ao Senhor:<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Senhor, Tu disseste-me que, uma vez que resolvi seguir-Te, Tu andarias sempre comigo, em todos os caminhos. Contudo, notei que durante as maiores tribula\u00e7\u00f5es do meu viver, havia apenas um par de pegadas na areia. N\u00e3o compreendo porque \u00e9 que, nas horas em que eu mais necessitava de Ti, Tu me deixaste sozinho.<\/em><\/p>\n<p><em>O Senhor respondeu-me:<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Meu querido filho, jamais te deixaria nas horas da prova e do sofrimento. Quando viste, na areia, apenas um par de pegadas, eram as minhas. Foi exatamente a\u00ed que peguei em ti ao colo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Jos\u00e9 J\u00falio Rocha, Diocese de Angra<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":166838,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[698,169],"class_list":["post-166837","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-covid-19","tag-diocese-de-angra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=166837"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166837\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166838"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=166837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=166837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=166837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}