{"id":16657,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/jovens-em-busca-do-sentido-da-vida\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"jovens-em-busca-do-sentido-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jovens-em-busca-do-sentido-da-vida\/","title":{"rendered":"Jovens em busca do sentido da vida"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre, confiada ao apostolado da Ora\u00e7\u00e3o, para Mar\u00e7o <!--more--> 1. \tEm busca de sentido. Os anos finais da adolesc\u00eancia e os da juventude constituem uma fase de questionamento radical dos valores recebidos, da qual quase nunca est\u00e1 ausente a pergunta pelo sentido \u00faltimo da vida. E raramente os jovens se satisfazem com respostas med\u00edocres, preferindo antes op\u00e7\u00f5es extremas. Na cultura actual, torna-se cada vez mais comum a op\u00e7\u00e3o por respostas advogando a inexist\u00eancia de um sentido \u00faltimo para a exist\u00eancia humana, reduzindo-a a simples acaso biol\u00f3gico que termina na morte, como acontece com qualquer outro animal \u2013 simplesmente acrescida da carga de absurdo inerente \u00e0 consci\u00eancia deste sem-sentido. Trata-se de uma cultura que vive o agora como fim em si mesmo e promove a satisfa\u00e7\u00e3o imediata do prazer individual como sentido da exist\u00eancia \u2013 cultura da desvincula\u00e7\u00e3o, sem projecto de futuro e incapaz de pensar al\u00e9m do indiv\u00edduo e do seu prazer imediato, na qual a no\u00e7\u00e3o de pessoa se dilui progressivamente e as rela\u00e7\u00f5es inter-humanas constituem meros momentos em degrada\u00e7\u00e3o constante, at\u00e9 ao advento de uma nova rela\u00e7\u00e3o capaz de substituir com vantagem a anterior&#8230; Imersos nesta cultura desde muito cedo, os jovens n\u00e3o podem sen\u00e3o experimentar a inquietude e a ang\u00fastia de quem n\u00e3o encontra aqui terra firme onde enraizar um projecto de vida aberto \u00e0 esperan\u00e7a e \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o de um futuro mais humano.  2.\t\u00abMestre, que hei-de fazer de bom para alcan\u00e7ar a vida eterna?\u00bb (Mt 19, 16-22). Alguns, fiados no poder da tecnologia e no progresso da ci\u00eancia, antev\u00eaem para breve a possibilidade de o homem se tornar senhor at\u00e9 da morte, vencendo-a definitivamente \u2013 esta \u00abpossibilidade\u00bb, como \u00e9 evidente, n\u00e3o tem em conta os que, entretanto, morreram, baixas inevit\u00e1veis no caminho do progresso, cujo destino foi o aniquilamento. \u00c9 uma aplica\u00e7\u00e3o moderna da tenta\u00e7\u00e3o descrita no G\u00e9nesis: \u00abN\u00e3o morrereis. Sereis como Deus\u00bb (cfr. 3, 4). Face a esta tenta\u00e7\u00e3o, a Igreja, fiel ao seu Senhor e Mestre, continua a proclamar a ressurrei\u00e7\u00e3o para a vida eterna como sentido \u00faltimo da exist\u00eancia humana, da qual temos o exemplo acabado no mesmo Senhor Jesus ressuscitado \u2013 n\u00e3o como conquista do engenho humano, antes como dom gratuito do Pai misericordioso, que a todos deseja cumular com a vida em plenitude, \u00e0 medida do homem celeste, Jesus Cristo. Este dom de Deus, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 uma inevitabilidade \u2013 o jovem do Evangelho tinha consci\u00eancia disso; da\u00ed o seu desejo de saber o que h\u00e1-de fazer \u00abde bom para alcan\u00e7ar a vida eterna\u00bb. A Igreja, fiel ao Evangelho, mant\u00e9m esta verdade: embora dom gratuito de Deus, a vida eterna exige a bondade do cora\u00e7\u00e3o por parte do homem. O cora\u00e7\u00e3o ego\u00edsta, fechado sobre si e sobre a mera satisfa\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio prazer, n\u00e3o se encontra em estado de acolher a gra\u00e7a da vida eterna \u2013 e, por isso, a Igreja renova constantemente o apelo \u00e0 \u00abconvers\u00e3o\u00bb, ou seja, a mudar de uma vida centrada em si para uma vida que tenha os outros e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o Outro, como centro e refer\u00eancia \u00faltimos. Uma vida assim ganha em sentido o que perde em sentimento de posse \u2013 e nela podem germinar as sementes da eternidade.  3. \tAcolher e acompanhar os jovens com paci\u00eancia e amor. Mais do que slogans \u2013 \u00abCristo jovem, com os jovens\u00bb; \u00abUma Igreja jovem\u00bb&#8230; \u2013 a Igreja precisa de apresentar aos jovens Aquele que d\u00e1 sentido \u00e0 sua exist\u00eancia como Igreja: Jesus Cristo, Verbo do Pai. Deve faz\u00ea-lo, sem d\u00favida, usando a linguagem dos jovens, de modo a ser compreendida; o mesmo se diga, ali\u00e1s, quando se trata das crian\u00e7as, dos adultos ou dos idosos&#8230; afinal, \u00e9 esse o princ\u00edpio da encarna\u00e7\u00e3o. Deve faz\u00ea-lo, tamb\u00e9m, respeitando-os, assumindo as suas quest\u00f5es, recome\u00e7ando continuamente, pacientemente, o trabalho de an\u00fancio do Evangelho. Deve faz\u00ea-lo, sobretudo, dando testemunho do amor infinito de Deus por cada um dos seus filhos e filhas. Isso n\u00e3o significa condescender ou esconder as exig\u00eancias do Evangelho. Faz\u00ea-lo, seria atrai\u00e7oar o seu Senhor e Mestre, atrai\u00e7oar-se a si mesma e, sobretudo, criar ilus\u00f5es incapazes de responder em profundidade \u00e0 pergunta pelo sentido da vida presente no mais fundo do cora\u00e7\u00e3o de cada jovem: \u00abQue hei-de fazer?&#8230;\u00bb. A generosidade, a radicalidade e o desejo de verdade dos jovens n\u00e3o se compadecem com respostas a meias. Mesmo se, perante a resposta da Igreja, acabam por afastar-se&#8230; Tamb\u00e9m o jovem rico se afastou de Jesus, \u00abentristecido, porque possu\u00eda muitos bens\u00bb. O sentido da vida \u00e9 a quest\u00e3o essencial da exist\u00eancia humana e a resposta n\u00e3o pode ser menos exigente do que a pergunta. O resto \u00e9 com Deus e a sua gra\u00e7a&#8230;  <i>Elias Couto<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre, confiada ao apostolado da Ora\u00e7\u00e3o, para Mar\u00e7o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[100,154],"class_list":["post-16657","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-advento","tag-crianca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16657"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16657\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}