{"id":16632,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/deixai-vos-reconciliar-com-deus\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"deixai-vos-reconciliar-com-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/deixai-vos-reconciliar-com-deus\/","title":{"rendered":"Deixai-vos reconciliar com Deus"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem para Quaresma do Bispo do Algarve <!--more--> 1. Vamos, mais uma vez, iniciar o caminho que nos conduz \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o anual da P\u00e1scoa, mem\u00f3ria sacramental e perene daquela P\u00e1scoa em que o Senhor Jesus se oferece para reden\u00e7\u00e3o do mundo, como converg\u00eancia e plenitude da p\u00e1scoa judaica. A celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa, como v\u00e9rtice de toda a obra redentora de Cristo, morto e ressuscitado, e fonte do dinamismo mission\u00e1rio da Igreja \u00e9 a &#8220;festa das festas&#8221;, a &#8220;Solenidade das solenidades&#8221; (Cat. Ig. Cat. 1169). A verdade da nossa vida crist\u00e3 e a autenticidade do nosso testemunho dependem do modo como a celebramos, j\u00e1 que ela ilumina e d\u00e1 sentido a cada um dos dias do ano lit\u00fargico e tem em cada Domingo a sua celebra\u00e7\u00e3o semanal.  2. A Quaresma surge, por isso mesmo, cada ano como um tempo prop\u00edcio para a mudan\u00e7a de vida atrav\u00e9s &#8220;da ora\u00e7\u00e3o, do jejum e da partilha fraterna&#8221;; um tempo para acolhermos, com um cora\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel, os apelos da Palavra de Deus e nos decidirmos a percorrer um caminho interior de convers\u00e3o pessoal; um tempo de reacendimento da luz baptismal e celebrarmos, com um cora\u00e7\u00e3o novo, o mist\u00e9rio pascal de Cristo, que encarnou e morreu para nossa salva\u00e7\u00e3o e ressuscitou para nossa gl\u00f3ria. Com o tempo da Quaresma, a Igreja quer estar em sintonia com Jesus no tempo que passou no deserto, antes de iniciar a sua vida p\u00fablica, evocando momentos particularmente significativos da hist\u00f3ria do povo de Deus: o tempo de peregrina\u00e7\u00e3o no deserto antes de entrar na terra prometida; o tempo que Mois\u00e9s permaneceu no monte Sinai, antes de lhe ser revelada a Lei; o tempo que o profeta Elias caminhou no deserto at\u00e9 chegar ao monte Horeb para renovar a Alian\u00e7a&#8230; A Quaresma, como refere Bento XVI na sua mensagem para este ano, &#8220;\u00e9 o tempo privilegiado da peregrina\u00e7\u00e3o interior at\u00e9 \u00c0quele que \u00e9 a fonte da miseric\u00f3rdia. Nesta peregrina\u00e7\u00e3o, Ele pr\u00f3prio nos acompanha atrav\u00e9s do deserto da nossa pobreza, amparando-nos no caminho que leva \u00e0 alegria intensa da P\u00e1scoa&#8221;. Alegria intimamente ligada \u00e0 luz que brota de Cristo ressuscitado, que ilumina e refresca o dinamismo original da nossa voca\u00e7\u00e3o baptismal, e nos fortalece na fidelidade \u00e0 resposta dos apelos de Deus e dos irm\u00e3os.  3. Sabemos que toda a convers\u00e3o pessoal sup\u00f5e, em primeiro lugar, a humildade e a coragem de se &#8220;reconhecer pecador&#8221;: atitude que somos convidados a assumir sempre que iniciamos cada Eucaristia. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil assumir, hoje, esta atitude. Se \u00e9 verdade que s\u00e3o muitos os factores desculpabilizantes exteriores ou mesmo interiores a n\u00f3s pr\u00f3prios, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que permanece sempre essa capacidade \u00edntima de reconhecer o bem e de aderir ou n\u00e3o a ele. \u00c9 a\u00ed, nesse \u00faltimo reduto da liberdade e da dignidade humana que, confiantes no &#8220;Deus-amor&#8221;, deparamos com o olhar misericordioso de Cristo, nos reconhecemos pecadores e nos abrimos ao seu perd\u00e3o. S\u00e3o exemplos disso: o ladr\u00e3o arrependido; a mulher condenada e salva; Zaqueu que queria &#8220;ver Jesus&#8221;, o seu encontro festivo com Ele, a decis\u00e3o de restituir &#8220;com juros&#8221; a quem defraudou e de partilhar os seus bens com os pobres. Deixai-vos reconciliar com Deus! \u00c9 o apelo de S. Paulo aos Cor\u00edntios e que este ano vos proponho para iluminar a vossa caminhada quaresmal: reconcilia\u00e7\u00e3o com Deus, com os irm\u00e3os e com o mundo. Reconcilia\u00e7\u00e3o s\u00f3 poss\u00edvel em Cristo que, \u00e0 luz da sua ressurrei\u00e7\u00e3o e mediante a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, nos leva a caminhar em novidade de vida e a assumir atitudes novas em rela\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os e ao mundo que nos rodeia. A celebra\u00e7\u00e3o do sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o constitui, necessariamente, um meio privilegiado neste caminho de convers\u00e3o pessoal. A vida nova recebida nos sacramentos de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 continua sujeita \u00e0 fragilidade da natureza humana. O apelo de Cristo \u00e0 convers\u00e3o constitui um elemento essencial do an\u00fancio do Reino: convertei-vos e acreditai na boa-nova (Mc 1,15). Apelo que continua a fazer-se ouvir na vida de todos os baptizados, e n\u00e3o s\u00f3 em tempo quaresmal. A convers\u00e3o surge assim como exig\u00eancia di\u00e1ria para toda a Igreja, que \u00e9 santa mas tamb\u00e9m pecadora e, por isso, necessitada de purifica\u00e7\u00e3o, prosseguindo constantemente no seu esfor\u00e7o de penit\u00eancia e renova\u00e7\u00e3o. Este esfor\u00e7o n\u00e3o \u00e9 apenas obra humana. \u00c9 movimento do &#8220;cora\u00e7\u00e3o contrito&#8221;, atra\u00eddo e movido pela gra\u00e7a para responder ao amor misericordioso de Deus, que nos amou primeiro (cf Cat. Ig. Cat. 1428).  4. Aquele que celebra e acolhe o amor misericordioso de Deus, sente-se impelido a responder ao apelo do Senhor: vai primeiro reconciliar-te com o teu irm\u00e3o (Mt 5,24). Como Zaqueu, n\u00e3o podemos desligar a convers\u00e3o pessoal de gestos de reconcilia\u00e7\u00e3o e de partilha fraterna com os irm\u00e3os mais necessitados. Este ano, ouvido o Conselho Presbiteral recentemente reunido, a nossa partilha quaresmal destinar-se-\u00e1 a auxiliar a Diocese de Baucau, em Timor, no seu projecto de construir escolas e formar professores. Entendo ser meu dever apelar a todos os algarvios de boa vontade e, de modo particular, aos cat\u00f3licos, a nos unirmos no aux\u00edlio aos nossos irm\u00e3os de Timor, contribuindo assim para a promo\u00e7\u00e3o humana, o progresso e o bem-estar daquele povo.  Confio a Maria o nosso caminho quaresmal, certo de que nos guiar\u00e1 pela estrada segura que leva a Cristo, na qual nos cruzaremos com quantos querem ser inclu\u00eddos na nossa reconcilia\u00e7\u00e3o com Deus ou solicitam a nossa partilha fraterna. Desejo a todos uma frutuosa Quaresma e uma santa P\u00e1scoa! Faro, 22 de Fevereiro de 2006  \u2020 Manuel Neto Quintas, scj Bispo do Algarve<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem para Quaresma do Bispo do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,185,275,91,294],"class_list":["post-16632","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-diocese-do-algarve","tag-pascoa","tag-quaresma","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16632","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16632"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16632\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16632"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16632"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16632"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}