{"id":166177,"date":"2020-03-19T17:53:55","date_gmt":"2020-03-19T17:53:55","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=166177"},"modified":"2020-03-31T16:37:54","modified_gmt":"2020-03-31T15:37:54","slug":"dicas-para-pais-em-tempo-de-pandemia-vvv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dicas-para-pais-em-tempo-de-pandemia-vvv\/","title":{"rendered":"Dicas para Pais em tempo de pandemia: VVV"},"content":{"rendered":"<p><em>Pedro Strecht, M\u00e9dico Pedopsiquiatra<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maos_Amizade.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-166179 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maos_Amizade.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maos_Amizade.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maos_Amizade-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maos_Amizade-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maos_Amizade-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maos_Amizade-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maos_Amizade-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maos_Amizade-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maos_Amizade-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<ol>\n<li>Medo vs P\u00e2nico<\/li>\n<\/ol>\n<p>O que as crian\u00e7as e os adolescentes pensam e sentem depende ainda muito da atitude dos adultos. Eles s\u00e3o o principal espelho da sua estabilidade emocional. Os medos existem e protegem-nos: s\u00e3o estruturantes. O p\u00e2nico desorganiza, produz mais riscos sobre uma situa\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o. Uma fun\u00e7\u00e3o dos pais \u00e9 serem verdadeiros ansiol\u00edticos das respostas dos filhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Informa\u00e7\u00e3o, Conhecimento<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 importante mantermo-nos informados. As novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o permitem o acesso a um mundo infinito de factos e n\u00fameros: geram e desfazem expectativas e ilus\u00f5es. Mas a fun\u00e7\u00e3o de filtro \u00e9 muito importante nestes momentos. Nem tudo interessa. Nem tudo \u00e9 verdadeiro ou tem uma base cient\u00edfica. Demasiada informa\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o esclarece: confunde. Conv\u00e9m n\u00e3o esquecer nunca que aceder a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de ter conhecimentos (muito menos sabedoria).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Desligar<\/li>\n<\/ol>\n<p>Habituamo-nos a estar sempre ligados, totalmente dependentes da imagem e do ecr\u00e3, que agora j\u00e1 \u00e9 o do telem\u00f3vel. O acesso ao que se passa no mundo exterior \u00e9 imediato, pode levar-nos directamente do interior de nossas casas a um quarto de hospital na China ou em It\u00e1lia. Ningu\u00e9m se organiza emocionalmente bem se permanecer como cont\u00ednuo receptor de tudo quanto sucessivamente est\u00e1 a acontecer. Limitar tempos para estar ligado, a receber informa\u00e7\u00e3o. Gerar outros para poder desligar, respirar o sil\u00eancio, a pausa, um certo vazio estruturante; ajude os mais novos a fazer o mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Isto N\u00e3o \u00c9 uma Guerra<\/li>\n<\/ol>\n<p>A pandemia por coronav\u00edrus n\u00e3o \u00e9 uma guerra. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil que obriga a adapta\u00e7\u00f5es importantes e tempor\u00e1rias. Todos os seres humanos est\u00e3o do mesmo lado! Estamos em fam\u00edlia, juntos, n\u00e3o h\u00e1 pais ou filhos a partirem para outros locais, a morrerem longe ou de forma inesperada. Por outro lado, a hist\u00f3ria recente indica que o homem tem vencido estas batalhas, mesmo que por vezes leve algum tempo. H\u00e1 cem anos atr\u00e1s (quase) todos os infectados morriam de tuberculose. H\u00e1 trinta, o mesmo se passou com o VIH e a Sida. As vacinas est\u00e3o a caminhos, outros medicamentos tamb\u00e9m. O tempo que demora a chegar a resposta \u00e9 cada vez menor!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li>Riscos; Do Poss\u00edvel ao Prov\u00e1vel<\/li>\n<\/ol>\n<p>Neste tipo de situa\u00e7\u00e3o morrem, infelizmente, pessoas. S\u00e3o sempre os de maior idade, os j\u00e1 fragilizados por outras doen\u00e7as. Em 2019, nos dois picos de gripe \u201ccomum\u201d, s\u00f3 em Portugal morreram cerca de 3.300 pessoas; jamais atingiremos este n\u00famero na situa\u00e7\u00e3o actual. Estamos a agir bem! Tamb\u00e9m no nosso pa\u00eds, quando h\u00e1 cerca de 10 anos surgiu a epidemia por gripe A, os primeiros dados apontavam para cerca de 2 a 3 milh\u00f5es de infectados e o risco de 75.000 mortos. No final, contaram-se perto de 167.000 infectados, faleceram 122 pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li>Lidar com o Desconhecido<\/li>\n<\/ol>\n<p>O que talvez mais inquiete nesta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o desconhecido. O que n\u00e3o se v\u00ea e o que n\u00e3o se controla. O homem habituou-se demasiado a ter a (falsa) ideia de que sabe e domina tudo em seu redor; o aumento da sua esperan\u00e7a de vida e todos os avan\u00e7os cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos criaram a falsa ideia de uma imortalidade f\u00edsica ou, pelo menos, de uma amortalidade, isto \u00e9, n\u00e3o morrer mais de causas naturais. Mas, crentes de todos os maravilhosos avan\u00e7os que conseguimos, vale a pena respeitar um conceito de transcend\u00eancia: nem tudo depende de n\u00f3s. Ser\u00e1 que ainda conseguimos?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li>Olhar para Dentro<\/li>\n<\/ol>\n<p>Viver a restri\u00e7\u00e3o de uma circula\u00e7\u00e3o p\u00fablica, estar confinado a um espa\u00e7o de casa ou de quarto, obriga a parar. A cessar transitoriamente determinado tipo de est\u00edmulos. A repensar sobre o \u00e2mago da vida, da nossa exist\u00eancia at\u00e9. Ent\u00e3o, h\u00e1 que aproveitar para distinguir o essencial do acess\u00f3rio, o central do sat\u00e9lite. Abandonar um registo habitualmente auto-centrado. Rever o conceito de \u201cser\u201d muito para al\u00e9m do \u201cter\u201d; \u201cser no mundo\u201d \u00e9, afinal, \u201cser no outro\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li>Simplificar<\/li>\n<\/ol>\n<p>Como no final de um poema de M\u00e1rio Cesariny, perguntar a n\u00f3s pr\u00f3prios: \u201cafinal, o que importa?\u201d Por vezes, como referiu o arquitecto Mies van der Rohe, \u201cless is more\u201d: menos \u00e9 mais. Para qu\u00ea tanto objecto em casa? Tanta pe\u00e7a de roupa no arm\u00e1rio? Tanto detalhe ou complica\u00e7\u00e3o no dia a dia? Tanta hora presencialmente gasta no trabalho, afinal a caracter\u00edstica maior deste novo \u201chomo laborans\u201d? Eric Schumacher, economista do final do s\u00e9culo xx, tamb\u00e9m adiantava ao referir-se a um sistema em que as pessoas contam: \u201csmall is beautiful\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li>Pedir Ajuda, Manter a Esperan\u00e7a<\/li>\n<\/ol>\n<p>As situa\u00e7\u00f5es de tens\u00e3o podem conduzir ao que designamos como um \u201cpensamento terminal\u201d, sentido como sem ajuda poss\u00edvel ou sem sentimento de esperan\u00e7a algum. Pedir e aceitar ajuda n\u00e3o tem que ser um sinal de fragilidade; todos somos humanos e tamb\u00e9m nos reconhecemos em diversos pontos fracos. Pedir ajuda pode ser apenas um sinal de humildade e lucidez. Por outro lado, a esperan\u00e7a \u00e9 a luz que todos recebemos, mas tamb\u00e9m aquela que emitimos. H\u00e1 coisas que, mesmo no escuro, brilham: s\u00e3o incandescentes. Assim tamb\u00e9m n\u00f3s temos que ser agora: luz de luz. Ou, como se ouvia numa bela can\u00e7\u00e3o do grupo The Smiths, \u201cthere is a light that never goes out\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li>Prosseguir, sendo<\/li>\n<\/ol>\n<p>H\u00e1 um conceito importante em sa\u00fade mental, que nos remete para a possibilidade de prosseguir, mesmo diante de situa\u00e7\u00f5es adversas: \u201cgoing on beign\u201d, que apela \u00e0 unidade de cada pessoa, n\u00e3o s\u00f3 enquanto ser individual, mas sobretudo como ser social, em constante interac\u00e7\u00e3o com os outros. E tamb\u00e9m recorda a ideia de que, por vezes, n\u00e3o \u00e9 mesmo poss\u00edvel fazer mais nada do que serenamente deixar fluir o tempo, boiar \u00e0 tona de \u00e1guas dif\u00edceis e crer que, mesmo assim, a for\u00e7a da corrente nos levar\u00e1 em breve para a areia quente de uma praia tranquila.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vai tudo correr bem!<\/p>\n<p>VVV\u2026 Vamos Vencer o V\u00edrus!<\/p>\n<p>Vamos p\u00f4r um V no nosso olhar, nas palavras, nos sorrisos, nos abra\u00e7os e nos beijos que, por agora, nos aconselham a n\u00e3o dar.<\/p>\n<p>Vamos por um V \u00e0s nossa janelas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Strecht, M\u00e9dico Pedopsiquiatra<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":166200,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-166177","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=166177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166177\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166200"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=166177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=166177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=166177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}