{"id":165699,"date":"2020-03-16T17:48:33","date_gmt":"2020-03-16T17:48:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=165699"},"modified":"2020-03-16T17:48:33","modified_gmt":"2020-03-16T17:48:33","slug":"fazer-do-obstaculo-um-trampolim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fazer-do-obstaculo-um-trampolim\/","title":{"rendered":"Fazer do obst\u00e1culo um trampolim"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Imaginarias alguma vez salvar pessoas de pijama? Apesar de parecer rid\u00edculo, essa parece ser a direc\u00e7\u00e3o daquilo que est\u00e1 a acontecer. O que \u00e9 sensato, n\u00e3o \u00e9 alarmista. E n\u00e3o me passa pela cabe\u00e7a estarmos a ser derrotados por um min\u00fasculo v\u00edrus, mas desafiados. Curiosamente, o tempo que se avizinha pode ser uma oportunidade que s\u00f3 em filmes acontece.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/COVID-19-site-1080451.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-165700\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/COVID-19-site-1080451.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/COVID-19-site-1080451.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/COVID-19-site-1080451-400x167.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/COVID-19-site-1080451-1024x427.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/COVID-19-site-1080451-768x320.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/COVID-19-site-1080451-980x408.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/COVID-19-site-1080451-480x200.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Faz hoje uma semana que recebi um e-mail da Universidade de Coimbra, onde dou aulas, para suspender todas as aulas presenciais. Havia pessoas que me diziam estarmos a entrar de f\u00e9rias, mas isso est\u00e1 longe de ser a recomenda\u00e7\u00e3o da Universidade. Muito pelo contr\u00e1rio, essa convidou-nos a ser criativos, procurando solu\u00e7\u00f5es de ensino \u00e0 dist\u00e2ncia, apesar das limita\u00e7\u00f5es que isso acarreta.<\/p>\n<p>A minha experi\u00eancia \u00e9 a de que nada substitui o ensino presencial, mas vi neste desafio uma oportunidade de realizar coisas novas, de aprender, de ter de sair da minha zona de conforto para chegar aos alunos e, quem sabe, inspir\u00e1-los a aprender. E neste cen\u00e1rio, h\u00e1 escolhas que s\u00e3o mais importantes do poder\u00edamos pensar.<\/p>\n<h3>De MAIS a MENOS e de MENOS a MAIS<\/h3>\n<p>O facto de ser necess\u00e1rio restringir os nossos contactos sociais \u00e0 fam\u00edlia mais pr\u00f3xima, e aos encontros ocasionais para reabastecer de alimentos essenciais, significa que uma boa parte do tempo em que n\u00e3o estamos em modo de teletrabalho \u00e9 um <em>tempo de solitude<\/em>. Diferente de solid\u00e3o onde nos isolamos dos nossos pensamentos e dos outros. A solitude \u00e9 antes quando nos encontramos com os nossos pensamentos para reflectir e aprender a saber estar sozinho e a nos libertarmos de n\u00f3s mesmos para estarmos mais dispon\u00edveis para os outros.<\/p>\n<p>Muitos n\u00e3o t\u00eam qualquer problema com os per\u00edodos de solitude quando esses s\u00e3o uma escolha pessoal. Mas diante deste cen\u00e1rio, o facto de n\u00e3o serem uma escolha pessoal, o efeito em n\u00f3s parece ser diferente.<\/p>\n<p>A escolhas sobre o modo como usamos o nosso tempo quando temos menos op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, tornam-se apenas um problema se nos deixarmos levar pela ansiedade. Por\u00e9m, podemos pensar de uma maneira diferente. E talvez o que esteja a acontecer seja uma oportunidade para mudarmos de estilo de vida, descobrindo outros modos de nos ligarmos aos outros.<\/p>\n<p>Parados em casa sem sair, a tend\u00eancia ser\u00e1 a de navegar MAIS pela net, jogar MAIS online, ver MAIS filmes e s\u00e9ries em streaming na Netflix, ou servi\u00e7os semelhante. Mas, e se em vez de MAIS escolh\u00eassemos MENOS? Navegar MENOS \u00e0 deriva por conte\u00fados e redes sociais, MENOS v\u00eddeos no Youtuve, MENOS distrac\u00e7\u00f5es digitais.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, se quisermos escolher fazer algo MAIS, que tal ler MAIS, escrever MAIS, jogar MAIS jogos de tabuleiro (algo poss\u00edvel em fam\u00edlia), aprender algo MAIS que antes n\u00e3o t\u00ednhamos tempo? Os tempos de solitude e t\u00e9dio s\u00e3o oportunidades para nos conectarmos de um modo diferente e respons\u00e1vel, aprender coisas novas e compreender melhor o que se passa \u00e0 nossa volta.<\/p>\n<p>O p\u00e2nico \u00e9 uma escolha que nos impede de produzir seja o que for, mas podemos escolher antes uma generosidade produtiva quando procurarmos ajudar quem est\u00e1 \u00e0 nossa volta.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o sobre a qual n\u00e3o temos um grande controlo, o que traz incerteza \u00e0 nossa vida e ningu\u00e9m gosta desta mistura que nos torna emotivos e reactivos, quando crises como esta podem tornar-se em ocasi\u00f5es para aprender a gerir as emo\u00e7\u00f5es e a agir (em vez de reagir) com mais responsabilidade.<\/p>\n<h3>Ser testado<\/h3>\n<p>\u00c0 primeira vista, parece-nos que somente as pessoas com sintomas do COVID-19 \u00e9 que s\u00e3o testados, mas eu penso que TODOS estamos a ser testados.<\/p>\n<p>Testados nos nossos estilos de vida, na resili\u00eancia, no modo como nos relacionamos, na capacidade de viver o equil\u00edbrio entre prud\u00eancia e sobriedade, na paci\u00eancia connosco pr\u00f3prios e com os outros, no modo como lidamos com o que n\u00e3o podemos controlar, na capacidade de responder \u00e0 dor com amor e no quanto estamos (des)apegados ao que temos.<\/p>\n<p>Este per\u00edodo de solitude \u00e9, tamb\u00e9m, um convite a viver no essencial. Ter um novo olhar sobre h\u00e1bitos de higiene que antes n\u00e3o d\u00e1vamos muita import\u00e2ncia. Ser\u00e1 um teste \u00e0 nossa f\u00e9 em acolher o que nos reserva cada momento presente e \u00e0 confian\u00e7a que temos na intelig\u00eancia que Deus nos deu para superar cada dificuldade.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia para vermos o negativo ser\u00e1 grande e contra-producente, mas se invertermos o nosso pensamento e nos focarmos no que \u00e9 positivo, ou naquilo que podemos fazer com as limita\u00e7\u00f5es impostas pelas circunst\u00e2ncias, quem sabe quantas coisas novas podemos descobrir sobre n\u00f3s pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Por exemplo, o facto de n\u00e3o poder dar aulas presenciais impulsionou-me a dar as aulas atrav\u00e9s de streaming. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa porque gosto de ver a reac\u00e7\u00e3o na cara dos meus alunos a algo que digo, podendo explicar melhor uma parte ou outra. Mas depois de ter dado a primeira aula pr\u00e1tica online, comentei a um dado momento compreender que ter aulas assim pode n\u00e3o ser f\u00e1cil porque a tenta\u00e7\u00e3o de ir ver outras coisas na internet \u00e9 grande. Mas, uma aluna escreveu-me que, pelo contr\u00e1rio, sentiu que o seu rendimento foi muito superior ao das aulas presenciais, e que ganhou um novo sentido de responsabilidade e empenho. Inesperado para mim e que me deixou muito feliz pela experi\u00eancia que fez.<\/p>\n<p>Onde h\u00e1 uma raz\u00e3o, h\u00e1 tempo. Quem sabe se este tempo de solitude n\u00e3o \u00e9 o momento perfeito para parar, pensar e reencontrar as raz\u00f5es que nos movem. Raz\u00f5es que nos ajudam a fazer de cada obst\u00e1culo, um trampolim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-165699","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/165699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=165699"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/165699\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=165699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=165699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=165699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}