{"id":16560,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/semanas-sociais-sao-resposta-aos-desempregados\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"semanas-sociais-sao-resposta-aos-desempregados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/semanas-sociais-sao-resposta-aos-desempregados\/","title":{"rendered":"Semanas Sociais s\u00e3o resposta aos desempregados"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Carrilho, presidente da Comiss\u00e3o Episcopal do Laicado e Fam\u00edlia <!--more--> <i>Di\u00e1rio do Minho (DM) \u2013 Vai realizar-se, em Braga, de 9 a 12 de Mar\u00e7o, uma Semana Social nacional, por iniciativa e da responsabilidade da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP), atrav\u00e9s da Comiss\u00e3o Episcopal do Laicado e Fam\u00edlia (CELF). Uma iniciativa da Igreja, porqu\u00ea? D. Ant\u00f3nio Carrilho (AC) \u2013<\/i> Semana Social insere-se na tradi\u00e7\u00e3o das Semanas Sociais Portuguesas, que tiveram, at\u00e9 esta data, duas s\u00e9ries de realiza\u00e7\u00f5es: a primeira de 1940 a 1952, a segunda desde 1991, tendo-se realizado a \u00faltima em Novembro de 2001. A nossa experi\u00eancia insere-se, por sua vez, numa experi\u00eancia da Igreja noutros pa\u00edses, nomeadamente na Fran\u00e7a, onde as primeiras Semanas Sociais se realizaram em 1904, tendo-se comemorado j\u00e1 o seu centen\u00e1rio. Porqu\u00ea estas iniciativas da Igreja? \u2013 Uma quest\u00e3o de consci\u00eancia das suas pr\u00f3prias responsabilidades sociais, tanto mais quanto os documentos dos Papas, de Le\u00e3o XIII a Jo\u00e3o Paulo II, foram desenvolvendo uma doutrina social cat\u00f3lica, que aponta, desde a forma\u00e7\u00e3o da sociedade industrial no s\u00e9culo XIV, para a necessidade de uma nova ordem social, de uma estrutura de sociedade em moldes novos.  O compromisso social \u00e9 uma exig\u00eancia da vida crist\u00e3 dos leigos, acentuada pelo Conc\u00edlio Vaticano II e em documentos posteriores do Magist\u00e9rio da Igreja. Ainda muito recentemente, o Papa Bento XVI recorda, na Carta Enc\u00edclica \u201cDeus \u00e9 Amor\u201d, que \u00abo dever imediato de trabalhar por uma ordem justa na sociedade \u00e9 pr\u00f3prio dos fi\u00e9is leigos. Estes, como cidad\u00e3os do Estado, s\u00e3o chamados a participar pessoalmente na vida p\u00fablica. N\u00e3o podem, pois, abdicar \u201cda m\u00faltipla e variada ac\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover, org\u00e2nica e institucionalmente, o bem comum!\u201d Por conseguinte, \u00e9 miss\u00e3o dos fi\u00e9is leigos configurar rectamente a vida social, respeitando a sua leg\u00edtima autonomia e cooperando, segundo a respectiva compet\u00eancia e sob a pr\u00f3pria responsabilidade, com os outros cidad\u00e3os\u00bb.  O Papa Paulo VI dizia que os documentos do Conc\u00edlio Vaticano II constituem o Catecismo do Nosso Tempo&#8230; Agora dispomos, tamb\u00e9m, do Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja, redigido pelo Conselho Pontif\u00edcio Justi\u00e7a e Paz e publicado em 2004. S\u00e3o dois instrumentos indispens\u00e1veis na forma\u00e7\u00e3o dos leigos, para que eles se assumam como tais na Igreja e no mundo de hoje. Uma forma\u00e7\u00e3o que a CELF n\u00e3o pode deixar de promover e apoiar.  <i>DM \u2013 As Semanas Sociais anteriores foram, de facto, bem sucedidas e tiveram o impacto desejado na vida da Igreja e na Sociedade portuguesa? AC \u2013<\/i> Creio que sim: um bom impacto, se n\u00e3o em todas as Dioceses, em muitas delas. At\u00e9 pelo m\u00e9todo seguido, associando as comiss\u00f5es diocesanas \u00e0 escolha do tema, \u00e0 dinamiza\u00e7\u00e3o do debate pr\u00e9vio, ao recrutamento dos participantes, ao trabalho da Semana, ao \u201cretorno\u201d \u00e0s Dioceses das \u201cconclus\u00f5es\u201d ou linhas de orienta\u00e7\u00e3o encontradas. Um dos objectivos era a constitui\u00e7\u00e3o de Equipas que \u201canimassem\u201d o Laicado de cada Diocese na aten\u00e7\u00e3o aos problemas humanos e sociais locais e \u00e0 proposta de solu\u00e7\u00f5es\/compromisso, de acordo com a Doutrina Social da Igreja.  Numa primeira fase, talvez se tenha conseguido um impacto mais forte, at\u00e9 por n\u00e3o serem ainda muitas as iniciativas pastorais neste dom\u00ednio. Surgiram, entretanto, m\u00faltiplas actividades no \u00e2mbito da Pastoral Social da Igreja: iniciativas do Secretariado Nacional respectivo, da C\u00e1ritas Nacional, da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz, da Comiss\u00e3o Nacional da Pastoral Oper\u00e1ria, da Associa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica de Empres\u00e1rios e Gestores (ACEGE), da Pastoral dos Migra\u00e7\u00f5es, da Pastoral Familiar e de outras associa\u00e7\u00f5es e movimentos de crist\u00e3os. Importa, agora, assegurar uma eficaz articula\u00e7\u00e3o entre todos, no respeito institucional e pastoral de cada organismo, mas de modo a conjugar esfor\u00e7os, evitar duplica\u00e7\u00f5es, abrir espa\u00e7os para a inova\u00e7\u00e3o e a criatividade, assegurar uma reflex\u00e3o e compromisso conjunto sobre temas de interesse comum.   <i>DM \u2013 Justificam-se, assim, ainda hoje, as \u201cSemanas Sociais Portuguesas\u201d, no seu sentido inicial? Ou com novas formas e novos objectivos? AC \u2013<\/i> Justificam-se, sem d\u00favida, dentro dos princ\u00edpios que acabo de referir, ao apontar para a inova\u00e7\u00e3o e a criatividade, quanto \u00e0s formas e processos, novos modelos a descobrir e p\u00f4r em pr\u00e1tica, tendo em vista a aplica\u00e7\u00e3o da Doutrina Social da Igreja a situa\u00e7\u00f5es de particular import\u00e2ncia, em di\u00e1logo com os diversos agentes sociais. Como disse, as novas Semanas Sociais Nacionais apontam, assim, para temas de interesse geral e comum, capazes de mobilizar os agentes da ac\u00e7\u00e3o social da Igreja e quantos t\u00eam especiais responsabilidades na vida social e pol\u00edtica do nosso Pa\u00eds.  Um tema motivador e mobilizador pela sua actualidade e por toda a sua envolv\u00eancia: que n\u00e3o se limite a quest\u00f5es pontuais e de menor import\u00e2ncia, mas considere quest\u00f5es estruturais da nossa sociedade; e que possa contar com um n\u00famero alargado de t\u00e9cnicos e especialistas das diversas \u00e1reas em quest\u00e3o. Como escreve o Papa Bento XVI, \u00abna dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o em que hoje nos encontramos, tamb\u00e9m por causa da globaliza\u00e7\u00e3o da economia, a Doutrina Social da Igreja tornou-se uma indica\u00e7\u00e3o fundamental, que prop\u00f5e v\u00e1lidas orienta\u00e7\u00f5es muito para al\u00e9m das fronteiras eclesiais; tais orienta\u00e7\u00f5es \u2013 face ao progresso em acto \u2013 devem ser analisadas em di\u00e1logo com todos aqueles que se preocupam seriamente com o ser humano e o seu mundo\u00bb.   <i>DM \u2013 \u00c9 o caso do tema desta pr\u00f3xima Semana Social&#8230;  AC \u2013<\/i> Sim, sem d\u00favida! O tema \u201cUma Sociedade Criadora de Emprego\u201d j\u00e1 tinha uma particular acuidade, quando foi escolhido h\u00e1 cerca de um ano; neste momento, por\u00e9m, apresenta- se com uma urg\u00eancia maior, uma verdadeira \u201cemerg\u00eancia\u201d nacional, perante os n\u00fameros que acabam de ser divulgados pelo INE: quase 500 mil desempregados, o n\u00famero mais elevado desde h\u00e1 20 anos e com tend\u00eancia para aumentar.  H\u00e1 que congregar aqueles que maiores responsabilidades t\u00eam na defini\u00e7\u00e3o de orienta\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas sociais, os t\u00e9cnicos e estudiosos destas mat\u00e9rias, os que t\u00eam desenvolvido experi\u00eancias significativas, que possam ser partilhadas \u2013 h\u00e1 que congregar todas estas pessoas e com elas promover um debate s\u00e9rio e aberto, sem preconceitos nem interesses que n\u00e3o sejam uma justa evolu\u00e7\u00e3o da sociedade na perspectiva do bem comum.  O problema do emprego\/desemprego n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o pontual: tem a ver com o modelo de sociedade que temos e a forma de integrar e relacionar os agentes econ\u00f3micos, tendo em aten\u00e7\u00e3o a dignidade humana, do homem e da mulher, e o valor da fam\u00edlia, como c\u00e9lula base da Sociedade. Em todos estes dom\u00ednios a Igreja aponta princ\u00edpios e apresenta projectos, capazes de mobilizar e comprometer o Laicado.  <i>DM \u2013 Que mensagem gostaria de deixar para os nossos leitores, em vista desta Semana Social Nacional?  AC \u2013<\/i> Em primeiro lugar gostaria de dizer que \u00e9 uma oportunidade a n\u00e3o perder por aqueles que t\u00eam responsabilidades nas quest\u00f5es sociais ou se interessam por elas, pelo Laicado Cat\u00f3lico em geral \u2013 oportunidade de debater um problema de grande dimens\u00e3o na nossa sociedade, de aprofundar a Doutrina Social da Igreja, de esclarecer pontos de vista e partilhar experi\u00eancias, em ordem a um maior compromisso de interven\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica, nas estruturas sociais e eclesiais.  Conforme disse em recente entrevista, gostaria, por outro lado, que esta Semana Social tivesse impacto e consequ\u00eancias pr\u00e1ticas na vida nacional, que se abrissem perspectivas e encontrassem propostas, no quadro da Doutrina Social da Igreja, para se criar uma din\u00e2mica de \u201cSociedade criadora de emprego\u201d.  Aponta bem nesse sentido a qualidade e a compet\u00eancia do vasto elenco de oradores e moderadores de debates, pessoas p\u00fablicas de diversos quadrantes e experi\u00eancias. Entre eles se contam Jacques Delors e o Cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontif\u00edcio Justi\u00e7a e Paz. A expectativa \u00e9 grande e s\u00e3o muitas as raz\u00f5es de esperan\u00e7a, para que o debate possa conduzir \u00e0 descoberta de novos caminhos e propostas no dom\u00ednio empresarial e do trabalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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