{"id":16519,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/igreja-patria-onde-ninguem-e-estrangeiro\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"igreja-patria-onde-ninguem-e-estrangeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-patria-onde-ninguem-e-estrangeiro\/","title":{"rendered":"Igreja, p\u00e1tria onde ningu\u00e9m \u00e9 estrangeiro"},"content":{"rendered":"<p>Bispo do Funchal pede respeito pelos novos imigrantes <!--more--> A legisla\u00e7\u00e3o deve assegurar o respeito pelos novos imigrantes mas exigir-lhes tamb\u00e9m a observ\u00e2ncia das regras de conviv\u00eancia da sociedade que os acolheu. Direitos e deveres para todos, mas evitando tamb\u00e9m que os erros e abusos de alguns n\u00e3o levem a uma diminui\u00e7\u00e3o da tutela dos direitos humanos fundamentais sobre os inocentes.    1. Celebrou-se h\u00e1 um m\u00eas o 92\u00ba Dia Mundial do Migrante e Refugiado. O Papa Jo\u00e3o Paulo II tinha pedido para que em todo o orbe cat\u00f3lico, se celebrasse nesse mesmo dia, a 15 de Janeiro, o Dia Mundial sob o t\u00edtulo \u00abA caridade de Cristo para com os migrantes\u00bb. Em Portugal, devido \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o mariana em Agosto com a presen\u00e7a de tantos emigrantes portugueses, \u00e9 dif\u00edcil modificar uma tradi\u00e7\u00e3o adquirida, mas o Dia Mundial vai mais al\u00e9m, ele dirige-se a todas as comunidades crist\u00e3s para serem \u00abint\u00e9rpretes\u00bb, \u00e0 luz do evangelho da \u00abfraternidade reconciliada\u00bb, \u00absinal do encontro do homem com Deus e da miss\u00e3o do g\u00e9nero humano\u00bb como afirma o Conc\u00edlio Vaticano II na Gaudium et Spes (n\u00ba1).  Os cartoons com as caricaturas de Maom\u00e9 provocaram uma reac\u00e7\u00e3o fort\u00edssima de actos violentos nos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos e aumentaram a suspeita de que os disc\u00edpulos do profeta n\u00e3o est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de viverem nos pa\u00edses ocidentais onde a liberdade de opini\u00e3o n\u00e3o admite barreiras. Esperamos que os Estados n\u00e3o se deixem atemorizar e se empenhem nos programas e legisla\u00e7\u00e3o j\u00e1 anunciados a favor dos imigrantes e refugiados, principalmente no que diz respeito ao direito a viver em fam\u00edlia, a gest\u00e3o inteligente dos fluxos, a dignifica\u00e7\u00e3o do trabalho, a coopera\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses de origem.   2 &#8211; A emigra\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos mais significativos factores do processo em acto da mundializa\u00e7\u00e3o que envolve cerca de 200 milh\u00f5es de seres humanos. A press\u00e3o migrat\u00f3ria que se origina nas fronteiras da Europa, \u00e9 problema dos pa\u00edses pobres, mas tamb\u00e9m dos pa\u00edses de acolhimento. Quando a n\u00edvel internacional se negoceia a redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza no mundo, os Estados tornam-se r\u00edgidos de mente e cora\u00e7\u00e3o.  O processo emigrat\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 por\u00e9m um acontecimento transit\u00f3rio, \u00e9 um fen\u00f3meno estrutural que diz respeito ao novo ordenamento do mundo e tende a aumentar devido \u00e0 diferen\u00e7a gritante e cada vez maior entre os pa\u00edses ricos e os pa\u00edses pobres e os conflitos em acto nos diversos territ\u00f3rios.  O Livro Verde da Comiss\u00e3o Europeia teve a coragem e o m\u00e9rito de fazer o invent\u00e1rio das lacunas e poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es, incluindo a permiss\u00e3o de estadias para procurar trabalho, o que muitos governos consideraram mais um cavalo de Tr\u00f3ia do que uma medida eficaz para evitar os clandestinos e irregulares. Na Uni\u00e3o Europeia o fluxo de entradas irregulares atinge meio milh\u00e3o de pessoas por ano. A entrada por via mar\u00edtima \u00e9 relativamente pequena, a maior parte atravessa as fronteiras. Apesar disso o mar \u00e9 fonte de in\u00fameras trag\u00e9dias. Segundo dados fornecidos pela Espanha, em 2004, 500 pessoas morreram em tentativa de atingir a costa, vindos do Norte de \u00c1frica.  A legisla\u00e7\u00e3o deve assegurar o respeito pelos novos imigrantes mas exigir-lhes tamb\u00e9m a observ\u00e2ncia das regras de conviv\u00eancia da sociedade que os acolheu. Direitos e deveres para todos, mas evitando tamb\u00e9m que os erros e abusos de alguns n\u00e3o levem a uma diminui\u00e7\u00e3o da tutela dos direitos humanos fundamentais sobre os inocentes.  Na Europa, e em Portugal tamb\u00e9m, os imigrantes n\u00e3o podem ser vistos apenas como reserva para enfrentar as dificuldades da economia.  Os emigrantes n\u00e3o s\u00e3o vistos hoje como novos b\u00e1rbaros, chegam laureados, diplomados, com escola secund\u00e1ria e cursos profissionais. Entre as mulheres emigrantes o n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o \u00e9 mais alto do que entre os homens. Estes imigrantes lamentam que s\u00e3o obrigados, por vezes, a trabalhos pesados e pouco adaptados \u00e0 sua instru\u00e7\u00e3o. Nota-se entre estas pessoas uma elevada mobilidade territorial, \u00e0 procura de um lugar mais condigno com a sua forma\u00e7\u00e3o.   3 \u2013 A Igreja pede aos crist\u00e3os para refor\u00e7ar a cultura de acolhimento, da rela\u00e7\u00e3o quotidiana, n\u00e3o se deixando invadir pelo medo e separa\u00e7\u00e3o entre uns e outros. \u00c9 preciso investir na integra\u00e7\u00e3o, na solidariedade e na justi\u00e7a, at\u00e9 para diminuir a mancha que caiu sobre n\u00f3s por causa das injusti\u00e7as, repres\u00e1lias e opress\u00e3o aos imigrantes quando n\u00e3o dominavam a nossa l\u00edngua para se exprimirem e desconheciam as leis para se defenderem. Confiaram sempre na Igreja e nas Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade Social estabelecidas entre n\u00f3s.  Aos nossos crist\u00e3os pedimos para ajudar os estrangeiros a aumentar a cultura da participa\u00e7\u00e3o efectiva, a n\u00e3o ca\u00edrem no isolamento e marginaliza\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o fugirem ao conv\u00edvio.  O Papa Bento XVI exorta os crist\u00e3os a proceder de tal forma que, \u00abquem se encontra fora do pr\u00f3prio pa\u00eds sinta a Igreja como uma p\u00e1tria onde ningu\u00e9m \u00e9 estrangeiro\u00bb.   Funchal, 19 de Fevereiro de 2006  <i>\u2020Teodoro de Faria, Bispo do Funchal<\/i>  N.B. Dentro de algum tempo, esperamos inaugurar a sede de acolhimento aos imigrantes, sala concedida pela C\u00e2mara Municipal do Funchal e apetrechada com ofertas da Diocese e de v\u00e1rios benfeitores. Esperamos que ela venha colmatar uma necessidade que desde h\u00e1 muito se sentia na pastoral dos Migrantes e Refugiados. A todos os benfeitores o nosso agradecimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo do Funchal pede respeito pelos novos imigrantes<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[101,120,144,186,189,191,203,206,237,291,314],"class_list":["post-16519","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-africa","tag-bento-xvi","tag-concilio-vaticano-ii","tag-diocese-do-funchal","tag-direitos-humanos","tag-economia","tag-europa","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-refugiados","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16519","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16519"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16519\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}