{"id":16478,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/festas-religiosas-enfrentam-paganizacao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"festas-religiosas-enfrentam-paganizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/festas-religiosas-enfrentam-paganizacao\/","title":{"rendered":"Festas religiosas enfrentam paganiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>As festas religiosas e as romarias do Alto Minho enfrentam formas subtis de paganiza\u00e7\u00e3o que se caracterizam por um \u00abroteiro de consumo de festas\u00bb marcadas pela \u00abbanaliza\u00e7\u00e3o comercial\u00bb e \u00abdesumaniza\u00e7\u00e3o das comunidades\u00bb.  O alerta foi deixado pelo te\u00f3logo mon\u00e7anense, Jo\u00e3o Duque, numa interven\u00e7\u00e3o no segundo dia das Jornadas Teotonianas que abordam a quest\u00e3o da \u00abrecristianiza\u00e7\u00e3o das festas religiosas\u00bb. A festa crist\u00e3, originalmente marcada pela esperan\u00e7a da supera\u00e7\u00e3o do sofrimento, \u00e0 semelhan\u00e7a do operado em Cristo, \u00e9 sinal da antecipa\u00e7\u00e3o da \u00abalegria da salva\u00e7\u00e3o\u00bb e est\u00e1, hoje, confrontada com o problema da \u00abbanaliza\u00e7\u00e3o\u00bb, da falta de \u00abcriatividade\u00bb e de \u00abprofundidade popular\u00bb.  Na noite em que os participantes na iniciativa se substitu\u00edram ao coro que tradicionalmente abre as sess\u00f5es com um momento musical, dada a aus\u00eancia do grupo coral convidado por imprevistos, Jo\u00e3o Duque, mais do que falar das festas pag\u00e3s transformadas pelos crist\u00e3os, procurou mostrar a \u00abdiferen\u00e7a introduzida\u00bb e os valores surgidos. Sabiamente, disse o conferencista, a Igreja primordial optou por transformar o mundo \u00abutilizando os h\u00e1bitos\u00bb existentes e orientando- os para o verdadeiro Deus\u00bb, expurgando-os dos elementos pag\u00e3os que se caracterizam por uma \u00abdiviniza\u00e7\u00e3o das realidades do nosso mundo\u00bb.  Esta marca caracter\u00edstica do paganismo est\u00e1 a fazer o seu regresso \u00e0 sociedade ocidental sobretudo com a sua \u00abfocaliza\u00e7\u00e3o \u00bb no dinheiro. Esta diviniza\u00e7\u00e3o pag\u00e3 \u00e9, explicou, \u00abtendencialmente destrutora das rela\u00e7\u00f5es humanas \u00bb, porque constru\u00edda sobre \u00abdeuses pessoais ou de grupo com tend\u00eancias absolutas\u00bb. O cristianismo, pelo contr\u00e1rio, traz a proposta de um Deus \u00ab\u00fanico\u00bb que n\u00e3o entra em concorr\u00eancia, \u00abporque de outra dimens\u00e3o\u00bb possibilitador da \u00abpaz\u00bb.  \u00abA refer\u00eancia de todos ao mesmo Deus \u00e9 condi\u00e7\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o de uma sociedade pac\u00edfica\u00bb, porque cada uma das suas criaturas \u00abn\u00e3o tem pretens\u00f5es sobre os outros\u00bb, ou seja, \u00abningu\u00e9m \u00e9 deus de ningu\u00e9m\u00bb, nem \u00ab\u00e9 fiel de ningu\u00e9m\u00bb.  As festas pag\u00e3s, cujo \u00abtoque \u00bb dado pelo cristianismo, as apresenta em honra de um santo ou mesmo de Nossa Senhora, tornam-se \u00abmanifesta\u00e7\u00f5es\u00bb at\u00e9 onde pode chegar o ser humano que se orienta para Deus, o seu \u00abverdadeiro fim\u00bb, disse. A grande maioria das festas c\u00f3smicas, onde o \u00abhomem aparece como boneco da natureza\u00bb, foram \u00abcristificadas \u00bb, ou seja, marcadas pelo verdadeiro Deus e o verdadeiro Homem, que \u00e9 o Senhor da natureza.  Apesar deste trabalho de mudan\u00e7a de mentalidade e rituais operado pelos crist\u00e3os, no Alto Minho h\u00e1 um paganismo naturalista e supersti\u00e7\u00e3o popular que nunca foi erradicado e que muitas vezes leva a atribuir ao santo \u00abcaracter\u00edsticas de m\u00e1gico\u00bb com quem \u00e9 necess\u00e1rio negociar os favores.  Nestes tempos, alertou ainda, h\u00e1 deuses que, sendo velhos, voltam a pairar com for\u00e7a, como \u00e9 o caso do \u00abprazer\u00bb, do \u00abconsumo\u00bb, do \u00abindiv\u00edduo\u00bb e do \u00abbem-estar \u00bb. Em si nenhum tem problema, a quest\u00e3o est\u00e1 \u00abna sua diviniza\u00e7\u00e3o\u00bb, advertiu Jo\u00e3o Duque, alertando para o esbanjamento de dinheiro \u00abem coisas f\u00fateis \u00bb, como acontece muitas vezes nas romarias, \u00absem que se invista em situa\u00e7\u00f5es de verdadeira necessidade\u00bb que existem em muitas das comunidades.  Para aquele professor da Universidade Cat\u00f3lica, estes s\u00e3o alguns dos sinais que urge repensar no contexto de um momento de transforma\u00e7\u00e3o global da sociedade.  <i> Paulo Gomes\/Di\u00e1rio do Minho<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As festas religiosas e as romarias do Alto Minho enfrentam formas subtis de paganiza\u00e7\u00e3o que se caracterizam por um \u00abroteiro de consumo de festas\u00bb marcadas pela \u00abbanaliza\u00e7\u00e3o comercial\u00bb e \u00abdesumaniza\u00e7\u00e3o das comunidades\u00bb. 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