{"id":16453,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/festa-e-celebracao-religiosa\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"festa-e-celebracao-religiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/festa-e-celebracao-religiosa\/","title":{"rendered":"Festa e celebra\u00e7\u00e3o religiosa"},"content":{"rendered":"<p>Na abertura da XVII edi\u00e7\u00e3o das Jornadas Teotonianas, organizadas pelo arciprestado de Mon\u00e7\u00e3o, o antrop\u00f3logo \u00c1lvaro Campelo trouxe um roteiro das principais teorias de leitura do fen\u00f3meno \u201cfesta\u201d, das mais cl\u00e1ssicas, com a sua vis\u00e3o homogeneizante, at\u00e9 \u00e0s mais recentes, de apelo mais forte \u00e0 individualiza\u00e7\u00e3o das viv\u00eancias.  Das an\u00e1lises mais cl\u00e1ssicas sobressai uma vis\u00e3o negativa da religi\u00e3o e olham para a festa como fen\u00f3meno de que \u00absupera as dist\u00e2ncias entre os indiv\u00edduos\u00bb, onde o colectivo entra num estado de efervesc\u00eancia e se d\u00e3o as transgress\u00f5es \u00e0 norma estabelecida no quotidiano.  Numa vis\u00e3o muito marxista, explicou o orador, diz-se que no \u00abdivertimento colectivo o indiv\u00edduo desaparece\u00bb tornando-se as festas \u00abimprescind\u00edveis\u00bb para o \u00abrefor\u00e7o dos la\u00e7os sociais\u00bb. A festa, que conta sempre com tra\u00e7os celebrativos, \u00e9 um elemento, ainda nesta vis\u00e3o mais cl\u00e1ssica, essencial para \u00abultrapassar a dureza e banalidade da vida quotidiana\u00bb tornando- se, portanto, elemento \u00abregenerador da sociedade \u00bb.  Segundo Campelo, uma vis\u00e3o contrastante \u00e9 aquela que mostra a festa como \u00abespa\u00e7o da consci\u00eancia social \u00bb de cada homem, defendendo os te\u00f3ricos que ela mostra a \u00abtens\u00e3o social\u00bb que existe.  Na demonstra\u00e7\u00e3o desta vis\u00e3o, aquele professor universit\u00e1rio, falou dos \u00abrivais violentos\u00bb, aqueles que com o mesmo estatuto levam essa disputa social ao terreno da festa, uma situa\u00e7\u00e3o bem conhecida no quadro das romarias do Alto Minho.  Uma outra vis\u00e3o apresenta a festa \u00abruptura \u00bb apontando-lhe um \u00abpoder destruidor\u00bb, cujo exemplo mais flagrante, na opini\u00e3o de Campelo, \u00e9 a actual viv\u00eancia do Natal na qual se esquece a ess\u00eancia do mist\u00e9rio celebrado para exaltar as prendas e o consumo. Nesta an\u00e1lise Campelo disse que o individualismo e o utilitarismo s\u00e3o as principais causas da decad\u00eancia da festa que deixou de fornecer aquele sentimento de perten\u00e7a.  A festa, explicou, tem o cond\u00e3o de pegar no quotidiano e transform\u00e1-lo, de \u00abtrazer o que se afastou e de lembrar o ausente\u00bb. Hoje, ganhou uma forte preval\u00eancia o \u00abl\u00fadico\u00bb em detrimento da celebra\u00e7\u00e3o, embora ainda continue a aparecer como \u00abmomento regenerador do grupo\u00bb.  Apesar de todas as crises ou leituras que se possam fazer e t\u00eam feito ao longo dos tempo, sobretudo ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo, \u00aba festa e a romaria conservam um papel incontorn\u00e1vel \u00bb nas comunidades do Alto Minho, concluiu \u00c1lvaro Campelo.  O Bispo de Viana do Castelo mostrou-se, no encerramento desta sess\u00e3o de abertura, preocupado com a \u00abpaganiza\u00e7\u00e3o\u00bb em que est\u00e3o a cair algumas festas crist\u00e3s, recordando que toda a festa tem de ter uma fun\u00e7\u00e3o de \u00abmem\u00f3ria, de celebra\u00e7\u00e3o e de profecia\u00bb.  As Jornadas Teotonianas prosseguem, hoje, no Centro Paroquial da vila de Mon\u00e7\u00e3o, com o padre jesu\u00edta D\u00e1rio Pedroso a abordar a \u201cEucaristia, Centro da Vida Crist\u00e3\u201d.  <i>Paulo Gomes\/\u00abDi\u00e1rio do Minho\u00bb<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na abertura da XVII edi\u00e7\u00e3o das Jornadas Teotonianas, organizadas pelo arciprestado de Mon\u00e7\u00e3o, o antrop\u00f3logo \u00c1lvaro Campelo trouxe um roteiro das principais teorias de leitura do fen\u00f3meno \u201cfesta\u201d, das mais cl\u00e1ssicas, com a sua vis\u00e3o homogeneizante, at\u00e9 \u00e0s mais recentes, de apelo mais forte \u00e0 individualiza\u00e7\u00e3o das viv\u00eancias. 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