{"id":164395,"date":"2020-03-06T07:00:23","date_gmt":"2020-03-06T07:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=164395"},"modified":"2020-03-05T17:21:57","modified_gmt":"2020-03-05T17:21:57","slug":"o-que-mudou-efetivamente-foi-o-perfil-da-pessoa-que-ficou-em-situacao-de-pobreza-eugenio-fonseca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-que-mudou-efetivamente-foi-o-perfil-da-pessoa-que-ficou-em-situacao-de-pobreza-eugenio-fonseca\/","title":{"rendered":"\u00abO que mudou efetivamente foi o perfil da pessoa que ficou em situa\u00e7\u00e3o de pobreza\u00bb &#8211; Eug\u00e9nio Fonseca"},"content":{"rendered":"<p>A C\u00e1ritas Portuguesa vai celebrar de 8 a 15 de mar\u00e7o a sua semana nacional, com o tema \u201cC\u00e1ritas \u00e9 Amor\u201d, promovendo iniciativas que visam dar a conhecer o seu trabalho no combate \u00e0 pobreza e exclus\u00e3o social. A Ecclesia e a Renascen\u00e7a conversam com o presidente da organiza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, Eug\u00e9nio Fonseca, sobre os principais desafios que se colocam a quem trabalha pela erradica\u00e7\u00e3o da pobreza.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Fotos: Joana Bougard (Renascen\u00e7a)<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas05.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-164438 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas05.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1152\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas05.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas05-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas05-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas05-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas05-1536x922.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas05-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas05-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas05-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas05-480x288.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A C\u00e1ritas acaba de apresentar um relat\u00f3rio que mostra que h\u00e1 \u201cbarreiras e obst\u00e1culos consider\u00e1veis\u201d no acesso aos principais direitos sociais, sobretudo para os grupos mais vulner\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 em causa o acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, aos cuidados de sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao emprego e a outros servi\u00e7os b\u00e1sicos. Os resultados negativos deste documento surpreenderam-no, de alguma forma?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, porque no dia a dia n\u00f3s constatamos estas realidades, a partir dos atendimentos de proximidade que existem na maior parte das nossas par\u00f3quias espalhadas pelo pa\u00eds. Este relat\u00f3rio fundamenta-se nesses atendimentos, o que lhe d\u00e1 uma objetividade bastante grande, e tamb\u00e9m a credibilidade que estes relat\u00f3rios devem ter, para que se possa tomar maior consci\u00eancia maior dos problemas que est\u00e3o em causa.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o houve surpresa. Eram preocupa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o agora vertidas para este documento, que foi feito num contexto comparativo com outros 16 pa\u00edses da Europa, o que \u00e9 bastante importante, portanto temos aqui uma vis\u00e3o muito mais alargada do que aquela que se restringe ao espa\u00e7o nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na apresenta\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio foi dito que os portugueses s\u00e3o demasiados condescendente, e at\u00e9 indiferentes, perante a pobreza. O que \u00e9 que tem estado a falhar para que a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza n\u00e3o seja uma prioridade social e pol\u00edtica?<\/em><\/p>\n<p>Efetivamente h\u00e1 pouca press\u00e3o por parte da popula\u00e7\u00e3o, e das institui\u00e7\u00f5es que a representam. Porqu\u00ea? Porque temos um problema ancestral que \u00e9 o preconceito \u00e0 volta deste problema social. Ainda predomina em muitas mentes \u2013 e mentes que deveriam ter uma capacidade reflexiva mais apurada &#8211; a ideia de que as v\u00edtimas da pobreza s\u00e3o os culpados da situa\u00e7\u00e3o em que se encontram. H\u00e1 preconceitos que derivam de realidades que o pa\u00eds tem, e n\u00e3o se pode julgar que s\u00e3o os pobres que as v\u00e3o resolver&#8230;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 uma narrativa que tamb\u00e9m \u00e9 muito alimentada pelo populismo, politicamente.<\/em><\/p>\n<p>Certo, porque muitas vezes tem a ver com situa\u00e7\u00f5es que se conhecem, que existem de facto, com formas de estar que as pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de vida geraram.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos em Portugal, relativamente \u00e0 pobreza, uma situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 inadmiss\u00edvel \u2013 ainda mais quando sabemos que existem tantas organiza\u00e7\u00f5es relacionadas com os fen\u00f3menos sociais e econ\u00f3micos! &#8211; que \u00e9 termos gente que passa gera\u00e7\u00f5es seguidas na pobreza. E isso tem a ver com o sistema.<\/p>\n<p>\u00c9 muito preocupante: o pr\u00f3prio sistema conforme est\u00e1 estruturado, apela a uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia dos servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o social. Colocamos muitas vezes essa caracter\u00edstica da subs\u00eddio depend\u00eancia nas pessoas, dizendo que elas se habituaram a isso e n\u00e3o procuraram superar as causas dos seus problemas, mas o pr\u00f3prio sistema \u2013 as pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o social, os dinamismos das pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es -, conforme est\u00e1 tem metodologias que substituem as pessoas na pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o das suas vidas. Ditam receitas, em vez de envolverem as pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas01.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-164434 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas01-400x240.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas01-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas01-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas01-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas01-1536x922.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas01-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas01-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas01-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas01-480x288.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas01.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>Portanto, o sistema faz com que as pessoas criem depend\u00eancias e n\u00e3o as ajuda a dar a volta \u00e0 situa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Porque n\u00e3o h\u00e1 uma forma de corresponsabiliza\u00e7\u00e3o na medida das capacidades das pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E isso era urgente ser revisto?<\/em><\/p>\n<p>Era important\u00edssimo, porque trataria uma quest\u00e3o que \u00e9 crucial na elimina\u00e7\u00e3o da pobreza, que \u00e9 a autoestima. Muitas vezes a dificuldade que se tem na supera\u00e7\u00e3o da pobreza \u00e9 a pessoa julgar que n\u00e3o \u00e9 capaz de, n\u00e3o serve para, e habitua-se \u00e0 forma como o sistema se organiza.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo n\u00f3s, na Igreja, os nossos grupos deviam estar mais interligados, devia haver uma rela\u00e7\u00e3o colaborativa maior, para evitar que certas pessoas \u2013 e \u00e9 uma cr\u00edtica que se faz &#8211; percorram tantas vezes diversas par\u00f3quias para verem satisfeitos os seus bens de subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Podemos dizer que o conceito de pobreza mudou em Portugal? H\u00e1 uns anos pobres eram os mais indigentes da sociedade, mas depois da crise, surgiu uma nova classe de pobres, nomeadamente na classe m\u00e9dia &#8211; as pessoas n\u00e3o ganham o suficiente para fazer face \u00e0s despesas. Os pedidos de ajuda destas pessoas que at\u00e9 trabalham, mas s\u00e3o pobres, tem aumentado junto das C\u00e1ritas?<\/em><\/p>\n<p>A pobreza em si mesmo, nas suas caracter\u00edsticas, n\u00e3o mudou. Ser pobre \u00e9 estar privado de recursos que s\u00e3o necess\u00e1rios para uma subst\u00e2ncia digna, e arranjou-se uma bitola que \u00e9 mediana do rendimento de cada pa\u00eds, e abaixo dessa mediana considera-se que a pessoa \u00e9 financeiramente pobre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A quest\u00e3o \u00e9 precisamente essa \u2013 temos o sal\u00e1rio m\u00ednimo, de que falamos sempre, mas tamb\u00e9m temos o sal\u00e1rio m\u00e9dio, e os sal\u00e1rios em Portugal n\u00e3o t\u00eam acompanhado este crescimento da economia\u2026<\/em><\/p>\n<p>Para a maioria. Portanto, o que mudou efetivamente foi o perfil da pessoa que ficou em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. Depois da crise a pobreza entrou pela classe m\u00e9dia adentro. \u00c9 uma classe m\u00e9dia baixa, que podemos dizer que \u00e9 a classe m\u00e9dia mais popular, mas que tem condi\u00e7\u00f5es que h\u00e1 15 anos n\u00e3o tinha, em termos de habilita\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas, de capacita\u00e7\u00e3o. Por exemplo, ao n\u00edvel da conex\u00e3o com o mundo, a internet veio trazer uma maior abrang\u00eancia de conhecimentos, e os nossos atendimentos sociais t\u00eam de se tornar muito mais capazes, porque as pessoas j\u00e1 trazem consigo um conjunto de informa\u00e7\u00f5es, e v\u00eam \u00e0 procura da ajuda para poderem aproveitar as oportunidades.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na quest\u00e3o do emprego, as pessoas o que querem \u00e9 que reconquistar o posto de trabalho que perderam, porque sem d\u00favida que a fonte de rendimentos para a maior parte das pessoas s\u00e3o os sal\u00e1rios. Agora, para a cria\u00e7\u00e3o de trabalho, optou-se pela redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas03.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-164436\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas03-400x240.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas03-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas03-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas03-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas03-1536x922.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas03-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas03-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas03-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas03-480x288.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas03.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>O relat\u00f3rio da C\u00e1ritas tamb\u00e9m mostra preocupa\u00e7\u00e3o com os desempregados de longa dura\u00e7\u00e3o, e a incapacidade de voltarem ao mercado de trabalho.<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 duas realidades na rela\u00e7\u00e3o do trabalho e da pobreza: primeiro os que trabalham e continuam pobres \u2013 e isto veio evidenciar como os sal\u00e1rios est\u00e3o muitos desproporcionados, e a despropor\u00e7\u00e3o torna-se mais escandalosa quando se percebe os desn\u00edveis salariais entre aqueles que ocupam lugares de topo e os que operacionalizam a produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 este desn\u00edvel, que \u00e9 escandaloso, que gera a profundidade das desigualdades que sentimos em Portugal. Depois temos a realidade dos desempregados de longa dura\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um conceito que nasceu na crise que assolou o Vale do Ave e a Pen\u00ednsula de Set\u00fabal. Quem est\u00e1 h\u00e1 mais de um ano sem conseguir um novo posto de trabalho \u00e9 considerado desempregado de longa dura\u00e7\u00e3o, e o grande problema \u00e9 que isto se tornou um chav\u00e3o classificativo dos patamares de desempregados. O desempregado de longa dura\u00e7\u00e3o est\u00e1 numa prateleira&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Deixa de se olhar para essa pessoa?<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o se olha com tanta acuidade. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que aqueles que procuram emprego pela primeira vez, os jovens, tamb\u00e9m t\u00eam consequ\u00eancias muito negativas quando n\u00e3o acedem em tempo \u00fatil &#8211; e estou a referir-me \u00e0 idade &#8211; , mas nos desempregados de longa dura\u00e7\u00e3o \u00e9 uma faixa et\u00e1ria que j\u00e1 n\u00e3o interessa ao mercado de trabalho, e muitos tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam as habilita\u00e7\u00f5es profissionais (necess\u00e1rias), dado que a produ\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria se faz a partir de meios tecnol\u00f3gicos que j\u00e1 s\u00e3o muito avan\u00e7ados para o conhecimento desses desempregados de longa dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei como \u00e9 que vamos resolver isto, porque sabemos a fragilidade da Seguran\u00e7a Social. N\u00e3o pode ser com subs\u00eddios &#8211; e com o montante de subs\u00eddios m\u00e9dios que n\u00f3s temos &#8211; que estas pessoas, que ainda t\u00eam fam\u00edlia a cargo, conseguem sobreviver. Estamos aqui perante um problema que a sociedade ou resolve dignamente, ou vai ter que se confrontar com uma tens\u00e3o social, e pessoal, que depois se reflete nos gastos com a sa\u00fade, porque muitas destas pessoas j\u00e1 est\u00e3o com perturba\u00e7\u00f5es na ordem de sa\u00fade mental, porque recusam a inatividade em que est\u00e3o, mas h\u00e1 muitos anos que ningu\u00e9m encontra uma resposta para elas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Umas das principais fatias da despesa das fam\u00edlias \u00e9 com a habita\u00e7\u00e3o, e este foi o indicador mais problem\u00e1tico revelado no relat\u00f3rio da C\u00e1ritas, que diz que \u00e9 preciso &#8220;promover habita\u00e7\u00e3o acess\u00edvel e controlar os pre\u00e7os, n\u00e3o s\u00f3 de venda e compra, mas tamb\u00e9m de arrendamento, para os mais vulner\u00e1veis&#8221;. Isto ainda n\u00e3o est\u00e1 a ser feito, apesar de j\u00e1 termos uma Lei de Bases da Habita\u00e7\u00e3o, desde o ano passado?<\/em><\/p>\n<p>A Lei de Bases da Habita\u00e7\u00e3o tem uma fragilidade que \u00e9 estruturante&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Qual?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 o consenso que tem de existir entre quem oferece a habita\u00e7\u00e3o e quem necessita dela, entre propriet\u00e1rio e inquilinos. H\u00e1 aqui problemas que a Lei de Bases n\u00e3o est\u00e1 a resolver, por um lado o controlo das rendas &#8211; devia haver um referencial legalmente definido para um teto m\u00e1ximo, que tivesse sempre a ver com as caracter\u00edsticas da pr\u00f3pria habita\u00e7\u00e3o que se est\u00e1 a p\u00f4r no mercado de arrendamento. Porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o pre\u00e7o das casas n\u00e3o ser compat\u00edvel com os rendimentos das pessoas, \u00e9 o tipo de casas e as condi\u00e7\u00f5es de habitabilidade, que s\u00e3o muitas vezes desproporcionadas em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o que se pede.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Poder\u00edamos pensar sobretudo nas situa\u00e7\u00f5es de Lisboa e Porto, mas o relat\u00f3rio fala em v\u00e1rias partes do pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 nos chegam ecos de outras regi\u00f5es do interior do pa\u00eds. Claro que isto veio a partir do aumento do turismo, que foi algo muito positivo. A seguir \u00e0 crise, foi uma alavanca para o crescimento econ\u00f3mico, porque de outra forma n\u00e3o ter\u00edamos recuperado, t\u00e3o facilmente, mas esse turismo obrigou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de outras condi\u00e7\u00f5es, porque o pa\u00eds n\u00e3o estava preparado para um fluxo t\u00e3o grande. A\u00ed, inventam-se os alojamentos locais, alguns propriet\u00e1rios viram a\u00ed uma fonte de rendimento muito mais acess\u00edvel, muito mais rent\u00e1vel; algumas pessoas tiveram de abandonar essas casas, coercivamente, para que os seus propriet\u00e1rios as colocassem em alojamento local.<\/p>\n<p>Essas pessoas t\u00eam-nos procurado \u2013 e muitas delas s\u00e3o pessoas idosas -, porque n\u00e3o conseguem casas, mesmo que seja um T1 ou um T0, por pre\u00e7os que sejam conformes \u00e0s possibilidades das pens\u00f5es, das reformas que auferem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas02.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-164435 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas02-400x240.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas02-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas02-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas02-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas02-1536x922.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas02-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas02-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas02-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas02-480x288.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas02.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>J\u00e1 houve algumas restri\u00e7\u00f5es que a pr\u00f3pria lei imp\u00f4s, tamb\u00e9m o Or\u00e7amento de Estado para este: restri\u00e7\u00f5es ao alojamento local, regras para a forma como se fazem os despejos\u2026 S\u00e3o suficientes?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o suficientes porque n\u00f3s estamos deficit\u00e1rios de um n\u00famero significativo de habita\u00e7\u00f5es para as pessoas que precisam. N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 aqueles que ficam desalojados, s\u00e3o tamb\u00e9m aqueles que querem autonomia pessoal e familiar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isto n\u00e3o pode ficar s\u00f3 nas m\u00e3os dos privados\u2026<\/em><\/p>\n<p>Aquilo que a Lei de Bases aponta, mas que depois n\u00e3o efetiva, \u00e9 que o Estado deve ser regulador. Eu n\u00e3o queria que o Estado fosse um Estado pol\u00edcia, por via, muitas vezes, de um controlo fiscal; gostava que fosse um Estado regulador, que criasse condi\u00e7\u00f5es motivadoras para que propriet\u00e1rios coloquem as suas casas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e sejam mais criteriosos na forma como gerem as casas que t\u00eam para arrendar \u2013 porque existem em Portugal 700 mil casas devolutas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse \u00e9 um problema que continua por resolver.<\/em><\/p>\n<p>Algumas est\u00e3o devolutas porque n\u00e3o est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de ser habitadas. Outras porque as pessoas t\u00eam algum receio de que essa habita\u00e7\u00e3o possa n\u00e3o ser rent\u00e1vel, para os encargos que t\u00eam. Porque muitos propriet\u00e1rios, h\u00e1 que reconhecer, s\u00e3o pobres, herdaram essas casas j\u00e1 com rendas excessivamente baixas, que tamb\u00e9m as temos.<\/p>\n<p>Muitas vezes h\u00e1 uma desmotiva\u00e7\u00e3o, porque os impostos sobre a posse desses im\u00f3veis fazem com que se aumentem os pre\u00e7os das rendas. A\u00ed, a Lei de Bases da Habita\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi muito assertiva.<\/p>\n<p>Na regulamenta\u00e7\u00e3o, o que se tem de conquistar \u00e9 uma concerta\u00e7\u00e3o entre propriet\u00e1rios e inquilinos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para al\u00e9m habita\u00e7\u00e3o, o relat\u00f3rio tamb\u00e9m mostra que h\u00e1 muitos obst\u00e1culos e dificuldades no acesso das fam\u00edlias \u00e0s creches, para crian\u00e7as at\u00e9 aos 3 anos, e que em muitas zonas do pa\u00eds h\u00e1 uma desigualdade entre a oferta e a procura\u2026 s\u00e3o dados preocupantes?<\/em><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta para a falta de creches e deve haver aqui um compromisso das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, que est\u00e3o vocacionadas para isso. Algumas est\u00e3o, at\u00e9, a necessitar de uma reconvers\u00e3o no seu objeto social, porque deixaram de ter justifica\u00e7\u00e3o as respostas que estavam a dar, para idades mais velhas. A demografia tem feito que algumas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o tenham utentes e isso pode ser reconvertido para creche, desde que n\u00e3o se criem tamb\u00e9m exig\u00eancias, que s\u00e3o muitas vezes il\u00f3gicas, relativamente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do pa\u00eds e mesmo \u00e0quilo que \u00e9 necess\u00e1rio para uma colabora\u00e7\u00e3o no crescimento sustentado e integral das crian\u00e7as. H\u00e1 que criar mais creches e essa cria\u00e7\u00e3o adv\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o de mais equipamentos, mas tamb\u00e9m da reconvers\u00e3o dos que j\u00e1 existem.<\/p>\n<p>Sabemos que \u00e9 uma resposta que, para as institui\u00e7\u00f5es sociais, se torna muito cara, porque \u2013 e bem \u2013 \u00e9 exigida uma prote\u00e7\u00e3o maior por parte dos adultos relativamente \u00e0s crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O n\u00famero de profissionais por sala tem de ser maior\u2026<\/em><\/p>\n<p>Isso desequilibra, em termos dos custos, aquilo que \u00e9 o custo m\u00e9dio destas repostas. A\u00ed, o Estado tem de criar apoios.<\/p>\n<p>Quando a mulher fica engravida, a fam\u00edlia inscreve-se logo numa creche, para ficar em lista de espera, muitas vezes at\u00e9 pagando antecipadamente essa situa\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 injusto. \u00c9 urgente, n\u00e3o s\u00f3 para darmos respostas \u00e0s necessidades das fam\u00edlias, mas tamb\u00e9m porque sabemos que \u00e9 muito prof\u00edcuo para a crian\u00e7a que ela possa ter acesso a um equipamento desta ordem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Semana Nacional da C\u00e1ritas vai decorrer de 8 a 15 de mar\u00e7o, incluindo v\u00e1rias atividades locais e o pedit\u00f3rio p\u00fablico, que vai decorrer a partir de quinta-feira, dia 12. Porque \u00e9 que \u00e9 importante os portugueses contribu\u00edrem?<\/em><\/p>\n<p>Para este atendimento de proximidade, \u00e9 o \u00fanico financiamento que a C\u00e1ritas tem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas04.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-164437\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas04-400x240.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas04-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas04-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas04-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas04-1536x922.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas04-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas04-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas04-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas04-480x288.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/caritas04.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>\u00c9 um momento importante do ano?<\/em><\/p>\n<p>Dele depende a capacidade de resposta que a C\u00e1ritas pode dar, juntamente com as coletas dos ofert\u00f3rios das Eucaristias, nesse domingo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os portugueses podem acompanhar a forma como as C\u00e1ritas aplicam o seu dinheiro?<\/em><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, recordo a quem nos ajuda que tem de saber que est\u00e1 a dar para a C\u00e1ritas. Portanto, quem anda a pedir tem de estar identificado, tem de se requerer o selo para a lapela, evitando oportunismos, como muitas vezes acontece nestas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Todo o dinheiro que se angaria \u2013 e este pedit\u00f3rio est\u00e1 autorizado pelo Governo \u2013 fica para ajudar, durante o ano, nas rendas, antes que a pessoa seja despejada; na sa\u00fade, que \u00e9 fundamental; no pagamento das pr\u00f3prias creches e infant\u00e1rios; no pagamento de pr\u00f3teses auditivas e oculares, que s\u00e3o muitas vezes pedidas por fam\u00edlias que n\u00e3o t\u00eam como suportar o custo; ajudas no campo da desloca\u00e7\u00e3o das pessoas, a tratamentos m\u00e9dicos ou consultas, porque deixaram de existir apoios. Tudo isto se destina, e s\u00f3, a este tipo de necessidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quantas pessoas \u00e9 que a C\u00e1ritas ajuda, por ano?<\/em><\/p>\n<p>Ainda sem os n\u00fameros das par\u00f3quias, em 2019 situ\u00e1mo-nos na ordem das 121 mil pessoas. N\u00e3o quer dizer que todas tivessem acesso a tudo o que desejavam, porque o valor que se recolhe \u00e9 sempre escasso. A nota \u00e9 que aquilo que se pede nas ruas de uma determinada cidade, fica a\u00ed, para as pessoas que habitam nessa cidade ou na diocese respetiva.<\/p>\n<p>\u00c9 um pedit\u00f3rio nacional, mas nada disso reverte para a C\u00e1ritas nacional, fica sempre para o local. As pessoas est\u00e3o a ajudar os seus concidad\u00e3os mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nesta Semana Nacional da C\u00e1ritas vai tamb\u00e9m ser apresentado o 1\u00ba Caderno de Interven\u00e7\u00e3o Sociopol\u00edtica, com a reflex\u00e3o do N\u00facleo de Observa\u00e7\u00e3o Social da C\u00e1ritas, que j\u00e1 tem alguns anos\u2026 Que iniciativa \u00e9 esta? O que \u00e9 que vamos encontrar nesse Caderno?<\/em><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, a C\u00e1ritas n\u00e3o se pode dispensar de estar atenta \u00e0s necessidades di\u00e1rias e urgentes das pessoas. H\u00e1 quem diabolize isso, chamando-lhe de assistencialismo, mas eu costumo dizer que quem faz essa rotulagem \u00e9 quem nunca sentiu os problemas das pessoas. Claro que o assistencialismo \u00e9 mau, mas a assist\u00eancia \u00e9 um patamar de interven\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A C\u00e1ritas tem procurado ir mais al\u00e9m, dando a sua colabora\u00e7\u00e3o para que as causas dos problemas, que trazem as pessoas at\u00e9 n\u00f3s, sejam superadas. H\u00e1 um grupo de pessoas, com uma prepara\u00e7\u00e3o reconhecida, em v\u00e1rios dom\u00ednios, que se re\u00fane pelo menos uma vez por m\u00eas, analisando os problemas que chegam atrav\u00e9s dos atendimentos sociais das par\u00f3quias e do estudo que podem fazer, mais te\u00f3rico, de relat\u00f3rios que v\u00e3o sendo publicados. Sistematicamente, ao longo de v\u00e1rios anos, atravessando j\u00e1 v\u00e1rios governos, temos feito propostas para conseguirmos alcan\u00e7ar a transforma\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es menos adequadas.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Essas propostas t\u00eam tido alguma rece\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Nada. Como, \u00e0s vezes, nem sequer resposta t\u00eam, aguardamos e fomos insistindo. H\u00e1 propostas que se repetem, mas posso dizer que nem uma das propostas foi atendida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a falar de propostas feitas em que per\u00edodo? <\/em><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 12 anos. O que nos preocupa \u00e9 que nem sequer tivesse havido abertura para discutir essas propostas. Entendo que elas possam ser vistas como desinteressantes, porque n\u00e3o s\u00e3o megal\u00f3manas; o Estado tende a dedicar-se mais a respostas de grande vulto e que envolvem milh\u00f5es de euros, mas estas propostas t\u00eam em si a potencialidade de envolver, na linha da subsidiariedade, as organiza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o mais pr\u00f3ximas dos cidad\u00e3os. Uma das propostas tem a ver com a necessidade de se ativar as redes sociais nas Juntas de Freguesia, mais do que propriamente nas C\u00e2maras.<\/p>\n<p>Uma das carater\u00edsticas das propostas que fizemos nas v\u00e1rias \u00e1reas \u00e9 que n\u00e3o eram muito onerosas. Tivemos esse cuidado, com os economistas que pertencem a este n\u00facleo, sabendo n\u00f3s das limita\u00e7\u00f5es or\u00e7amentais que o Estado tem. O que nos deixou preocupados foi o n\u00e3o terem tido acolhimento por parte das inst\u00e2ncias a que foram dirigidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tornar p\u00fablico este caderno reivindicativo quer ser uma chamada de aten\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Para os pol\u00edticos de agora, elas s\u00e3o atuais. E tamb\u00e9m para que a popula\u00e7\u00e3o portuguesa perceba quais s\u00e3o as preocupa\u00e7\u00f5es que a C\u00e1ritas tem, que perceba que a C\u00e1ritas n\u00e3o est\u00e1 apenas no campo da den\u00fancia, mas tamb\u00e9m no an\u00fancio de alternativas aos problemas que existem.<\/p>\n<p>Tornando p\u00fablico este caderno, as pessoas poder\u00e3o saber onde posicionar-se, para dar o seu contributo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para al\u00e9m de tornar p\u00fablico o caderno, v\u00e3o entreg\u00e1-lo aos partidos, ao Governo?<\/em><\/p>\n<p>Queremos que chegue a essas inst\u00e2ncias antes da confer\u00eancia de imprensa que vai acontecer na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A C\u00e1ritas Portuguesa vai celebrar de 8 a 15 de mar\u00e7o a sua semana nacional, com o tema \u201cC\u00e1ritas \u00e9 Amor\u201d, promovendo iniciativas que visam dar a conhecer o seu trabalho no combate \u00e0 pobreza e exclus\u00e3o social. 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