{"id":164074,"date":"2020-03-02T10:39:42","date_gmt":"2020-03-02T10:39:42","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=164074"},"modified":"2020-03-10T17:13:37","modified_gmt":"2020-03-10T17:13:37","slug":"um-deserto-feito-de-quatro-elementos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-deserto-feito-de-quatro-elementos\/","title":{"rendered":"Um deserto feito de quatro elementos"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Qual o <em>significado espiritual do deserto<\/em>? Uma pergunta mais importante hoje do que nunca. E n\u00e3o porque vivamos momentos de escassez e grandes dificuldades, mas talvez por vivermos momentos de abund\u00e2ncia anestesiante que nos conduzem a uma dorm\u00eancia espiritual. Esses s\u00e3o os momentos que me preocupam mais e me levam a reflectir neste per\u00edodo quaresmal. Mas n\u00e3o s\u00f3 a mim. Tamb\u00e9m ao Papa Francisco na Audi\u00eancia Geral no passado dia 26 de Fevereiro.<\/p>\n<figure id=\"attachment_164075\" aria-describedby=\"caption-attachment-164075\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/deserto1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-164075\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/deserto1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/deserto1.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/deserto1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/deserto1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/deserto1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/deserto1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/deserto1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/deserto1-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-164075\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Fabian Struwe em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas do deserto \u00e9 o <em>sil\u00eancio.<\/em> N\u00e3o existe ru\u00eddo, apenas o vento e o nosso respirar. A vida urbana n\u00e3o \u00e9 apenas pautada pelo ru\u00eddo do tr\u00e2nsito, mas tamb\u00e9m todo o manancial de informa\u00e7\u00e3o e conte\u00fados, produzidos pelos outros e que nos entram pelos olhos, ouvidos e pensamentos adentro, entretendo, mas dando pouco espa\u00e7o para o que nos \u00e9 pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>O <em>sil\u00eancio interior<\/em> \u00e9 a express\u00e3o de quando damos espa\u00e7o para que as palavras que emergem do nosso interior nos falem. E depois de se esgotarem, libertos da az\u00e1fama interior, muitos entendem este vazio como algo que nos deixa desconfort\u00e1veis, mas n\u00e3o ser\u00e1 antes o espa\u00e7o aberto para acolher outra Palavra? Uma Palavra de tem um rosto e um nome?<\/p>\n<p>Uma outra caracter\u00edstica do deserto \u00e9 a <em>ren\u00fancia<\/em>. Eu tenho verificado que existem muitos apegos modernos, e n\u00e3o me refiro aos materiais, mas aos mentais. Vejo muitas pessoas apegadas \u00e0s gratifica\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas que servem de valida\u00e7\u00e3o da sua exist\u00eancia e sem as quais os momentos de t\u00e9dio tornam-se um verdadeiro tormento.<\/p>\n<p>Renunciar \u00e9 viver desapegado das valida\u00e7\u00f5es dos outros e um convite a encontrar essa valida\u00e7\u00e3o numa saud\u00e1vel <em>ecologia do cora\u00e7\u00e3o<\/em> (Papa Francisco). H\u00e1 quem viva da raz\u00e3o produzida pelos seus eruditos coment\u00e1rios. N\u00e3o estar\u00e1 apegado? A sa\u00fade ecol\u00f3gica do cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um convite a renunciar aos coment\u00e1rios que, segundo alguns estudos, torna as pessoas mais negativas. A ecologia do cora\u00e7\u00e3o procura a boa pr\u00e1tica das palavras bondosas e que edificam os outros \u00e0 nossa volta. Palavras que expressam a gratid\u00e3o por aquilo que por n\u00f3s fazem e, ao pronunci\u00e1-las, n\u00e3o imaginamos o que por eles fazemos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Uma terceira caracter\u00edstica do deserto que o Papa Francisco refere \u00e9 ser o <em>lugar do essencial.<\/em> De certo modo, o essencial liga-se com o desenvolvimento da capacidade de ren\u00fancia. Ser\u00e1 que o tempo dedicado \u00e0 nossa vida digital \u00e9 adequado? A solu\u00e7\u00e3o explorada por milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo \u00e9 a de se retirarem das redes sociais durante 30 dias e substituir por outras actividades, algumas, certamente, que h\u00e1 muito deixaram, como a leitura, o jogo, ou uma simples boa conversa ao sabor de um caf\u00e9 ou ch\u00e1. Por\u00e9m, quantos n\u00e3o param de ler neste momento porque n\u00e3o suportam mais esta ideia de <em>desatafulhar digital<\/em>. Mas o objectivo \u00e9 simples: ajudar-nos a compreender o que \u00e9, realmente, essencial na nossa vida. E quais os valores que orientam as nossas escolhas. Por fim, h\u00e1 uma \u00faltima caracter\u00edstica do deserto e que creio ter sido mal traduzida para portugu\u00eas no site do Vaticano.<\/p>\n<p>O deserto \u00e9 o <em>lugar da solitude<\/em>, n\u00e3o da solid\u00e3o. Quando anteriormente reflecti sobre uma <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/boa-conversa\/\">boa conversa<\/a>, referia que o <em>\u201cte\u00f3logo Paul Tillich dizia que a linguagem criou a palavra <\/em>solid\u00e3o<em> para expressar a dor de estar s\u00f3, enquanto a palavra <\/em>solitude<em> foi criada para expressar a gl\u00f3ria de estar a s\u00f3s.\u201d<\/em> Parecem sin\u00f3nimos, mas creio que chegou o tempo de distinguir estas palavras. A solitude \u00e9, de certo modo, um ant\u00eddoto para a solid\u00e3o, pois, quem sabe encontrar-se com os seus pensamentos, melhor saber\u00e1 encontrar-se com os pensamentos dos outros.<\/p>\n<p>Sil\u00eancio, ren\u00fancia, o que \u00e9 essencial e a solitude. Quatro elementos que somos convidados a aprofundar este ano no caminho quaresmal pelo deserto interior. Seguramente que bem vividos servir\u00e3o para encontrarmos uma Voz interiormente que suavemente nos fala sempre e a cada palavra diz &#8211; <em>\u201damo-te imensamente.\u201d<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-164074","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164074","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=164074"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164074\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=164074"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=164074"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=164074"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}