{"id":16363,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/sinais-de-esperanca-na-vida-religiosa-na-europa\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"sinais-de-esperanca-na-vida-religiosa-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sinais-de-esperanca-na-vida-religiosa-na-europa\/","title":{"rendered":"Sinais de esperan\u00e7a na vida religiosa na Europa"},"content":{"rendered":"<p>Um pouco por toda a Europa a vida religiosa \u00e9 marcada pelos mesmos problemas. A idade m\u00e9dia dos religiosos e religiosas que se cifra num escal\u00e3o bem alto, a escassez de voca\u00e7\u00f5es, a pouca atrac\u00e7\u00e3o de um estilo de vida diferente, entre outros que muitas vezes se procuram encontrar. Tem sido esta a problem\u00e1tica analisada durante esta semana em F\u00e1tima, na Assembleia Geral da Uni\u00e3o das Confer\u00eancias Europeias dos Superiores e Superioras Maiores (UCESM). Representantes de cerca de 400 mil religiosos e religiosas europeus reflectem sobre o futuro da vida religiosa e a vida espiritual face aos desafios europeus.  Entre estes participantes encontram-se testemunhos muito iguais daquilo que \u00e9 a vida religiosa em diversos pa\u00edses, ou n\u00e3o fossem os mesmos os problemas a enfrentar.  Por exemplo, na vizinha Espanha, os desafios debatidos ao longo desta semana, em F\u00e1tima, \u201ct\u00eam sido vividos com muita intensidade nos \u00faltimos tempos\u201d, disse o Presidente da Confer\u00eancias dos Religiosos Espanhois (Confer) \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA. \u201cA escassez de voca\u00e7\u00f5es e a idade m\u00e9dia dos religiosos\u201d s\u00e3o os principais desafios a enfrentar, salientou o Pe. Alejandro Fern\u00e1ndez Barraj\u00f3n, manifestando ainda a convic\u00e7\u00e3o de que \u201ca vida religiosa n\u00e3o depende dos n\u00fameros, nem da juventude, mas da fidelidade\u201d, sublinhou.  Segundo este representante dos religiosos e religiosas espanh\u00f3is, e ao contr\u00e1rio do que muitas vezes se diz, \u201ca principal dificuldade n\u00e3o est\u00e1 na viv\u00eancia dos conselhos evang\u00e9licos\u201d (votos de pobreza, obedi\u00eancia e castidade), situando a principal quest\u00e3o na necessidade de \u201cencontrar a nossa identidade, hoje, numa sociedade que est\u00e1 em constante mudan\u00e7a\u201d. \u201cA Igreja tem de encontrar o seu lugar na sociedade actual\u201d, frisou. E por isso \u00e9 necess\u00e1rio \u201cadaptar-nos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o actual, sendo n\u00f3s mesmos, sem renunciar aos nossos valores\u201d, acrescentou. Noutra perspectiva da mesma quest\u00e3o, outro dos desafios que a vida religiosa precisa de enfrentar \u201c\u00e9 aquele de voltar a n\u00e3o ter medo ou seja, de ter coragem de estar no seu lugar, e de testemunhar de modo alegre que somos filhos de Deus\u201d, observou o Pe. Fidenzio Volpi, Secret\u00e1rio Geral da Confer\u00eancia Italiana de Superiores Maiores (CISM) \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.  \u201cDizia S\u00e3o Francisco: \u00abanuncia com alegria e determina\u00e7\u00e3o mas, convicto daquilo que dizes, do que anuncias\u00bb\u201d, frisou este franciscano Capuchinho. \u201cPor isso \u2013 acrescenta &#8211;  tenho receio que falte, em n\u00f3s, um pouco o testemunho da convic\u00e7\u00e3o porque temos medo dos conceitos e dos ju\u00edzos dos outros\u201d, explicou.  Perante as dificuldades que se colocam \u00e0 vida religiosa, o Pe. Fidenzio Volpi diz n\u00e3o se deter sobre aquilo que \u00e9 negativo porque, considera, \u201cquando nos detemos sobre estes elementos perde-se a alegria de viver\u201d. Manifesta, por\u00e9m, um olhar positivo destacando que o futuro est\u00e1 em \u201colhar para os aspectos positivos, acolh\u00ea-los e anunci\u00e1-los\u201d. Mas o futuro da vida religiosa na Europa, tal como tem vindo a ser debatido esta semana, passa tamb\u00e9m pela \u201cabertura dos religiosos a um di\u00e1logo ecum\u00e9nico e  por um trabalho pela reconcilia\u00e7\u00e3o, sobretudo nos Balc\u00e3s\u201d, destacou \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA o Presidente da Confer\u00eancia dos Religiosos na Alemanha e actual Presidente da UCESM, Pe. August H\u00fclsmann.  Confrontados com uma sociedade que est\u00e1 em constante mudan\u00e7a, tamb\u00e9m os religiosos e religiosas precisam de se adaptar \u00e0s novas exig\u00eancias. Mudan\u00e7as que, \u201cdevem acontecer no nosso modo de rezar\u201d disse. \u201cDevemos harmonizar o nosso sentido da vida, o nosso modo de viver a vida religiosa\u201d porque, explicou, \u201ch\u00e1 uma tens\u00e3o entre o secular e a fidelidade, e esta tens\u00e3o devemos exprimi-la atrav\u00e9s da nossa vida religiosa\u201d, concluiu.  <b>Enfrentar adversidades<\/b> Outras tens\u00f5es que por vezes s\u00e3o pass\u00edveis de encontrar tem a ver com o ambiente onde muitos destes religiosos se encontram e desenvolvem a  miss\u00e3o a que foram chamados. A Alb\u00e2nia, por exemplo, \u00e9 um pa\u00eds europeu que durante cerca 50 anos viveu num regime de ditadura comunista. Neste mesmo pa\u00eds a Igreja est\u00e1 presente h\u00e1 pouco mais de 10 anos, e por isso, contou \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA o Pe, Giovanni Peragine, \u201cos religiosos hoje ressentem-se desta hist\u00f3ria\u201d. H\u00e1 cerca de oito anos na Alb\u00e2nia, como mission\u00e1rio dos Padres Barnabitas, este sacerdote \u00e9 testemunha das dificuldades \u201cque a Igreja enfrenta para construir comunidades crist\u00e3s, tendo em conta que a maioria dos albaneses s\u00e3o mu\u00e7ulmanos e de tradi\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana\u201d, lembrou.  \u201cDurante muito tempo celebr\u00e1mos missa na rua, nas escolas onde era autorizado, ou junto ao rio\u201d, relatou ao enumerar algumas das dificuldades que encontrou naquele pa\u00eds.  Nos primeiros anos, a Igreja na Alb\u00e2nia contribuiu para a constru\u00e7\u00e3o de igrejas porque, salientou, \u201cquando cheg\u00e1mos eram poucas as igrejas em p\u00e9. O regime tinha destru\u00eddo as igrejas, e cada forma de religiosidade. Permaneciam apenas os sacerdotes mais velhos que tinham superado as persegui\u00e7\u00f5es do regime\u201d, disse. Mas a maior dificuldade, diz, \u00e9 a de \u201ctrazer para fora este povo dos 50 anos de ditadura\u201d. Hoje a Igreja daquele pa\u00eds da Europa de Leste \u201cest\u00e1 a crescer com todas as dificuldades sociais, econ\u00f3micas e culturais ao acordar de tantos anos de comunismo\u201d, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um pouco por toda a Europa a vida religiosa \u00e9 marcada pelos mesmos problemas. A idade m\u00e9dia dos religiosos e religiosas que se cifra num escal\u00e3o bem alto, a escassez de voca\u00e7\u00f5es, a pouca atrac\u00e7\u00e3o de um estilo de vida diferente, entre outros que muitas vezes se procuram encontrar. 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