{"id":163573,"date":"2020-02-26T12:43:45","date_gmt":"2020-02-26T12:43:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=163573"},"modified":"2020-03-10T17:15:43","modified_gmt":"2020-03-10T17:15:43","slug":"a-cruz-escondida-89","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-89\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>A irm\u00e3 espanhola que o Papa lembrou na canoniza\u00e7\u00e3o de Madre Teresa<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Isabel_Sola_Matas_1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-163575 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Isabel_Sola_Matas_1-400x249.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"249\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Isabel_Sola_Matas_1-400x250.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Isabel_Sola_Matas_1-768x479.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Isabel_Sola_Matas_1-480x299.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Isabel_Sola_Matas_1.jpg 770w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><strong>O sonho de Isabel<\/strong><\/p>\n<p>Viveu amando os mais pobres at\u00e9 ser assassinada na sequ\u00eancia de um assalto na cidade de Port-au-Prince, no Haiti. Isabel Sol\u00e1 Matas viveu para os outros at\u00e9 ao \u00faltimo instante, sempre na pressa de ajudar, de fazer o bem, de levar sorrisos, de ser rosto da bondade de Deus.<\/p>\n<p>Estava no Haiti h\u00e1 poucos meses quando a terra tremeu de forma brutal. Era o dia 12 de Junho de 2010. Num instante as pessoas viram a cidade de Port-au-Prince sucumbir. Eram quase cinco horas da tarde. As casas ru\u00edram engolindo gritos de pessoas. Parecia o fim do mundo. Isabel Sol\u00e1 Matas trabalhava numa escola que se transformou num cemit\u00e9rio. Isa, como era conhecida a irm\u00e3 espanhola, estava no Haiti vinda de \u00c1frica, da Guin\u00e9 Equatorial. Tinha 45 anos quando o sismo ceifou a vida a mais de 300 mil pessoas.<br \/>\nN\u00e3o foi s\u00f3 a escola que se transformou num cemit\u00e9rio. A pr\u00f3pria capital do Haiti morreu nesse dia, derrotada pela viol\u00eancia do sismo. Nem o pal\u00e1cio presidencial ou a catedral de Notre-Dame resistiram ao abalo. Isa tentou at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o salvar as pessoas presas na armadilha dos escombros. Pessoas aos gritos por socorro. Isabel Sol\u00e1 Matas n\u00e3o parou. Esteve dias sem comer nem beber. A urg\u00eancia era outra. N\u00e3o havia tempo a perder. Um ano mais tarde, em 2011, haveria de falar dessa corrida contra o tempo. \u201cTive o privil\u00e9gio de testemunhar muitos milagres\u201d, disse. \u201cSe Deus n\u00e3o desiste de ningu\u00e9m, porque hei-de eu faz\u00ea-lo?\u201d<br \/>\nIsa foi sempre assim. Determinada. Tinha 19 anos quando decidiu seguir a vida religiosa. Deus inquietava-a. Entrou para a Congrega\u00e7\u00e3o das Religiosas de Jesus e Maria. Queria ser mission\u00e1ria em \u00c1frica e foi para a Guin\u00e9-Equatorial. Ficou por l\u00e1 quase duas d\u00e9cadas. O Haiti, a segunda etapa na sua vida mission\u00e1ria, causava-lhe desgosto por saber que naquela terra corrup\u00e7\u00e3o, colonialismo, viol\u00eancia, pobreza, e a indiferen\u00e7a da comunidade internacional. Quando foi para o Haiti, mudou-se mesmo, sem prazo. \u201cO Haiti \u00e9 a minha casa, a minha fam\u00edlia, o meu trabalho, o meu sofrimento e a minha alegria, e o meu local de encontro com Deus.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os sapatos dos pobres<\/strong><\/p>\n<p>Isa nasceu em 1965, em Barcelona, no seio de uma fam\u00edlia burguesa. Os pais eram empres\u00e1rios e ela a \u00fanica rapariga no meio de seis irm\u00e3os. Quando decidiu que iria seguir a vida religiosa, aos 19 anos, os que a conheciam melhor n\u00e3o estranharam. Um dos seus amigos haveria de a descrever como algu\u00e9m que tinha o sonho de se perder nos lugares mais miser\u00e1veis do mundo e de cal\u00e7ar os sapatos dos pobres. Foi o que fez em \u00c1frica. Foi o que fez no Haiti at\u00e9 ao dia 2 de Setembro de 2016. Foi assassinada a tiro quando o carro em que viajava foi bloqueado por dois jovens que se deslocavam de mota. Foi um assalto. Mataram-na por quererem roubar a sua mala, como se ela andasse com dinheiro ou j\u00f3ias ou coisas de valor. Foi assassinada quando a sua cabe\u00e7a fervilhava de projectos, de ideias, de iniciativas. Logo ap\u00f3s o sismo, Isa procurou salvar o maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas. Depois, a sua prioridade foi criar uma oficina para a produ\u00e7\u00e3o de pr\u00f3teses para os in\u00fameros amputados por causa do terramoto.<br \/>\nQuando foi assassinada, uma sexta-feira, a Irm\u00e3 Isabel procurava construir uma escola que substitu\u00edsse a que ruiu no sismo e uma cl\u00ednica m\u00f3vel que levasse cuidados m\u00e9dicos \u00e0s zonas rurais. Morreu, mas n\u00e3o foi esquecida. Dois dias depois, a 4 de Setembro, a Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro no Vaticano encheu-se para a cerim\u00f3nia de canoniza\u00e7\u00e3o da Madre Teresa de Calcut\u00e1. O Papa, perante uma multid\u00e3o calculada em mais de 100 mil pessoas, pediu, no final dessa cerim\u00f3nia, as ora\u00e7\u00f5es dos fi\u00e9is \u201cpela Irm\u00e3 Isabel, uma mission\u00e1ria espanhola assassinada h\u00e1 dois dias no Haiti\u201d, e recordou \u201cas muitas religiosas que doam totalmente a sua vida\u201d. Isabel Sol\u00e1 Matas foi uma dessas irm\u00e3s. Viveu para os outros at\u00e9 ao fim, at\u00e9 ao \u00faltimo instante da vida, sempre na pressa de ajudar, de fazer o bem, de levar sorrisos, de ser o rosto da bondade de Deus.<\/p>\n<p>Paulo Aido | <a href=\"http:\/\/www.fundacao-ais.pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www-fundacao-ais.pt<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A irm\u00e3 espanhola que o Papa lembrou na canoniza\u00e7\u00e3o de Madre Teresa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-163573","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/163573","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=163573"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/163573\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=163573"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=163573"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=163573"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}