{"id":163556,"date":"2020-02-26T11:52:15","date_gmt":"2020-02-26T11:52:15","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=163556"},"modified":"2020-02-26T11:53:23","modified_gmt":"2020-02-26T11:53:23","slug":"lusofonias-da-calheta-ao-aeroporto-nelson-mandela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-da-calheta-ao-aeroporto-nelson-mandela\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Da Calheta ao Aeroporto Nelson Mandela"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Cabo Verde<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony_cabo_verde.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-163558\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony_cabo_verde.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony_cabo_verde.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony_cabo_verde-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony_cabo_verde-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony_cabo_verde-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony_cabo_verde-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony_cabo_verde-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony_cabo_verde-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O adeus a Cabo Verde provoca sempre aquele sentimento que Ces\u00e1ria \u00c9vora imortalizou ao cantar a \u2018Sodade\u2019. Tem sido sempre assim e, desta vez, n\u00e3o houve excep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A \u00faltima semana foi dividida entre a Calheta de S. Miguel, a Cidade Velha e a Praia. Sempre a suspirar por chuva, este povo tem uma enorme confian\u00e7a no futuro, carimbado pela sua F\u00e9 e alegria de viver. Na Calheta, estive nas tr\u00eas Escolas Secund\u00e1rias do Munic\u00edpio: a da cidade, a da Achada Monte e a da Escola Padre Moniz, na Par\u00f3quia. Encontrei nestas largas centenas de jovens uma grande vontade de saber, de crescer e uma preocupa\u00e7\u00e3o grande com o futuro, sobretudo no que diz respeito \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e \u00e0 viol\u00eancia. Sabe bem esta respira\u00e7\u00e3o de vida por um amanh\u00e3 com melhores condi\u00e7\u00f5es, com uma cidadania mais respons\u00e1vel, com uma democracia mais madura, com uma justi\u00e7a mais efectiva, com os direitos humanos mais respeitados por todos. Foi uma gra\u00e7a poder celebrar todas as manh\u00e3s com o povo, estar no Noviciado Espiritano, bem como ir at\u00e9 \u00e0 Ribeira de Principal para a Eucaristia dominical, num ambiente onde s\u00f3 a escassez de \u00e1gua pode retirar o verde de uma paisagem de para\u00edso.<\/p>\n<p>O Semin\u00e1rio da Praia foi o lugar escolhido para um encontro com todos os padres, realizado ali naquela l\u00edngua de terra que entra mar adentro, onde o vento sopra sempre forte e o ru\u00eddo das ondas nos lembra que estamos no meio do mar. Tamb\u00e9m neste belo e simb\u00f3lico local, houve um encontro com respons\u00e1veis pelas comiss\u00f5es de Justi\u00e7a e Paz da Diocese de Santiago. Mas n\u00e3o podia deixar de referir a import\u00e2ncia dos encontros com comunidades de Irm\u00e3s. Por tr\u00eas vezes estive na Casa Principal das Espiritanas, na Prainha, bem junto ao mar: primeiro com as Irm\u00e3s; depois com os Leigos que partilham a sua Espiritualidade; finalmente, com jovens Religiosos e Religiosas. Visitei igualmente as Irm\u00e3s Filhas do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, na Calheta; as Irm\u00e3s Espiritanas na Assomada; as Irm\u00e3s da Sant\u00edssima Eucaristia, em Miraflores; as Irm\u00e3s Reparadoras, em S. Pedro e na Achadinha.. Din\u00e2micas e, na sua maioria jovens, estas Irm\u00e3s exercem uma miss\u00e3o insubstitu\u00edvel para este povo e esta Igreja que vivem em Cabo Verde.<\/p>\n<p>A Cidade Velha \u00e9 patrim\u00f3nio da humanidade, pois foi a capital das Ilhas e as ru\u00ednas da catedral s\u00e3o monumento \u00fanico para a hist\u00f3ria do cristianismo em \u00c1frica. Esta velha par\u00f3quia est\u00e1 confiada aos Espiritanos e tem l\u00e1 a morar tamb\u00e9m uma comunidade de franciscanos. Acompanhei o P. Ant\u00f3nio Honorato, p\u00e1roco, nas celebra\u00e7\u00f5es de duas comunidades pobres do interior da par\u00f3quia, l\u00e1 onde o povo vive os efeitos da seca e da praga de gafanhotos que tudo levaram em setembro. Em espa\u00e7os simples, as pessoas vivem a Eucaristia como uma grande festa.<\/p>\n<p>O pa\u00eds est\u00e1 a progredir no que diz respeito a indicadores de desenvolvimento. As estradas s\u00e3o boas, o parque autom\u00f3vel renovado, o tr\u00e2nsito mais controlado, os lixos est\u00e3o mais ou menos recolhidos, n\u00e3o se v\u00eaem muitas pessoas nas ruas com ar de muito pobres, a organiza\u00e7\u00e3o social funciona, h\u00e1 escolas e universidades\u2026falta a chuva e h\u00e1 indicadores menos bons como o da falta de trabalho e o aumento da criminalidade, abusos de droga e \u00e1lcool, levando muita gente \u00e0 pris\u00e3o, que tive a possibilidade de visitar.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um carnaval que eu acompanhei em diversas vilas e cidades, nas minhas visitas de despedida (estive em muitas filas a ver desfiles passar!), chegou a bruma seca, a tempestade de areia que vem do deserto do Sahar\u00e1 e fecha o espa\u00e7o a\u00e9reo. Assim, chegou a quaresma e eu ainda pude estar na grande celebra\u00e7\u00e3o da quarta-feira de Cinzas que, em Santiago \u00e9 feriado. O povo da Ilha vive uma tradi\u00e7\u00e3o muito antiga: a quarta feira de cinzas \u00e9 dia de comer muito couscous com mel e outras iguarias que metam peixe e vegetais. Dizem que tudo come\u00e7ou no tempo da escravatura em que os senhores faziam o jejum e, nesse dia, davam mais comida aos escravos. Ainda hoje, h\u00e1 fam\u00edlias que saem da Praia e v\u00e3o at\u00e9 \u00e0s povoa\u00e7\u00f5es do interior para, a partir do meio da tarde, comer estas iguarias, seguindo tradi\u00e7\u00e3o ancestral. Mas, de manh\u00e3, as pessoas n\u00e3o comem nada e v\u00e3o \u00e0 Missa para a imposi\u00e7\u00e3o das cinzas. Celebrei numa capela na periferia pobre da Praia e estamos centenas de pessoas na Missa.<\/p>\n<p>Prometi voltar e vou tentar cumprir.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-163556-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/lusofonias-caboverde3.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/lusofonias-caboverde3.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/lusofonias-caboverde3.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Cabo Verde<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-163556","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/163556","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=163556"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/163556\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=163556"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=163556"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=163556"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}