{"id":16353,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/missionario-com-m-grande\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"missionario-com-m-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/missionario-com-m-grande\/","title":{"rendered":"Mission\u00e1rio com \u2018M\u2019 grande"},"content":{"rendered":"<p>Homenagem ao Pe. Jos\u00e9 Afonso Moreira, assassinado em Angola <!--more--> A not\u00edcia caiu que nem uma bomba: o P. Jos\u00e9 Afonso Moreira foi morto no Bailundo. Fiz logo um filme na minha cabe\u00e7a. Recordei-me que, j\u00e1 no ano 86, n\u00e3o era ainda padre, li e multipliquei um texto dele que dizia: \u2018Acabei de aterrar no Bailundo, a 3 de Setembro. Logo que aterrei, disseram-me: \u2018A sua casa queimou, mas voc\u00ea fez bem em vir\u2019. Quase n\u00e3o acreditei. Fui imediatamente ver. No ataque de ontem, a casa ardeu totalmente. At\u00e9 as paredes racharam. N\u00e3o resta uma grama que n\u00e3o seja cinza, que ainda est\u00e1 quente. H\u00e1 um ano e meio foi a resid\u00eancia da Miss\u00e3o que ardeu. Que me resta? Tudo e nada. Ficou a vida que \u00e9 tudo. O resto n\u00e3o \u00e9 nada. Mas, para quem apostou morrer em p\u00e9, este reduzir a nada, este recome\u00e7ar do zero tantas vezes, parece que faz vergar os joelhos. At\u00e9 quando, meu Deus? (&#8230;) O socorro que preciso s\u00f3 pode ser dado por Deus. E Ele o tem dado. Ele n\u00e3o falha. Os olhos n\u00e3o choram porque h\u00e1 muito secaram as l\u00e1grimas. Mas o cora\u00e7\u00e3o sangra.(&#8230;). N\u00e3o se preocupem demasiado. Agora vivo na sacristia. Apesar de perder a resid\u00eancia da Miss\u00e3o (o ano passado) e agora esta da vila, ainda vivo melhor que os crist\u00e3os\u2019. (\u2018Ac\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria\u2019, Dezembro 1986, p.2). Este texto encheu-me as medidas e utilizei-o muito nas reuni\u00f5es dos jovens. Quando, em 1989 cheguei a Angola, tive a alegria de trabalhar no planalto e de o encontrar com alguma frequ\u00eancia. A\u00ed pude testemunhar a sua estatura mission\u00e1ria e, em 1991, escrevi um texto a que dei o t\u00edtulo: \u2018Mission\u00e1rios com M grande!\u2019. L\u00e1 disse: \u2018C\u00e1 no Huambo encontrei-me com Mission\u00e1rios cujo nome s\u00f3 pode ser escrito com M Grande e cujo compromisso eclesial pelo povo sofredor desta Angola merece ser gravado nas p\u00e1ginas da Hist\u00f3ria da Igreja que se escreve neste ch\u00e3o e no cora\u00e7\u00e3o desta gente(&#8230;). Encontrei o P. Afonso Moreira, grande mission\u00e1rio de um Bailundo esmagado por conquistas e reconquistas sucessivas que s\u00f3 podem martirizar. O P. Moreira \u00e9, para quem fala com ele, algu\u00e9m que apostou ficar com a sua gente por qualquer pre\u00e7o, \u00e1 espera da Paz, tentando transformar em esperan\u00e7a uma situa\u00e7\u00e3o para a qual o povo n\u00e3o v\u00ea sa\u00edda\u2019. (\u2018Ac\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria\u2019, Mar\u00e7o 1991, p.5 e \u2018Encontro\u2019, Abril 1991, pp.19-20). Nascido em Fortunho, S. Tom\u00e9 do Castelo, Vila Real, a 26 de Janeiro de 1926, partiu para Angola em 1951 e chegou ao Bailundo em 1963, donde nunca mais saiu. No centen\u00e1rio da Miss\u00e3o, celebrado a 28 de Julho de 1996, o P. Moreira fez um balan\u00e7o muito corajoso. E escreveu: \u2018Nem tudo s\u00e3o rosas no Bailundo. Se me perguntarem se houve dificuldades, respondo: onde n\u00e3o h\u00e1 dificuldades n\u00e3o h\u00e1 vida. Fugir \u00e0s dificuldades \u00e9 morrer com os olhos abertos. Isso n\u00e3o vale! Os sucessivos combates e bombardeamentos, bem como o isolamento extremo e as necessidades de toda a ordem foram ( e s\u00e3o) o \u2018p\u00e3o nosso de cada dia\u2019 muitos dias e noites nos \u00faltimos anos. (&#8230;). As comunidades crist\u00e3s do Bailundo est\u00e3o muito vivas. \u00c9 uma Igreja que cresce em liberdade. Os catequistas t\u00eam sido uns her\u00f3is. Muitos sofreram at\u00e9 \u00e0 morte. Sofreram persegui\u00e7\u00f5es, castigos e at\u00e9 \u00e0 morte. Nem todos os m\u00e1rtires t\u00eam o seu nome no calend\u00e1rio.\u2019 (\u2018Ac\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria\u2019, Janeiro 1997, p.8). Tive a oportunidade de o encontrar, em Dezembro passado, quando visitei Angola. Era um homem a chegar aos 80 anos, cheio de vida, de for\u00e7a, de projectos, feliz pela paz que chegou a Angola. Passei no Bailundo, mais  uma vez, e pude constatar a destrui\u00e7\u00e3o que a guerra provocou. Sempre com o P. Moreira ali na linha da frente. Bandidos, uma das sobras de todas as guerras, atacaram-no, desprotegido, naquela noite do dia 8 de Fevereiro. Mataram-no a sangue frio. Angola encheu-se de consterna\u00e7\u00e3o e vergou-se perante a estatura e o testemunho deste homem que deu tudo \u00e0 Miss\u00e3o. Angola presta-lhe homenagem no funeral realizado no Bailundo na manh\u00e3 de 10 de Fevereiro. Portugal junta-se ao luto da fam\u00edlia, na sua terra natal a 15 de Fevereiro, \u00e0s 15h. Que descanse em Paz.  <i>Tony Neves, Mission\u00e1rio Espiritano<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homenagem ao Pe. Jos\u00e9 Afonso Moreira, assassinado em Angola<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[106,169,183,206,221,267],"class_list":["post-16353","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-angola","tag-diocese-de-angra","tag-diocese-de-vila-real","tag-familia","tag-historia-da-igreja","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16353","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16353"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16353\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16353"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16353"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16353"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}