{"id":16333,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/juventude-operaria-catolica-alerta-para-precariedade-e-instabilidade-no-trabalho\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"juventude-operaria-catolica-alerta-para-precariedade-e-instabilidade-no-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/juventude-operaria-catolica-alerta-para-precariedade-e-instabilidade-no-trabalho\/","title":{"rendered":"Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica alerta para precariedade e instabilidade no trabalho"},"content":{"rendered":"<p>No \u00e2mbito da campanha nacional da Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica (JOC) &#8220;Precaridade e Instabilidade do Trabalho&#8221; tem-se realizado uma s\u00e9rie de iniciativas para conhecer melhor a realidade de vida das pessoas. Numa primeira fase, que agora termina, o objectivo foi contactar com os jovens para perceber o que cada um sente, quais as suas expectativas, sonhos, frusta\u00e7\u00f5es,&#8230; A JOC entrar\u00e1 agora numa outra fase deste percurso, que \u00e9 o de analisar as v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es \u00e0 Luz de v\u00e1rios documentos da Igreja, bem como a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos.  <b>Comunicado<\/b> A precariedade e instabilidade no trabalho t\u00eam aumentado de forma significativa em Portugal, mas, em particular, nos distritos do Porto e Aveiro. A JOC (Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica) no \u00e2mbito da campanha nacional \u201c Precariedade e Instabilidade do Trabalho\u201d tem estabelecido contactos mais directos, nomeadamente com jovens que trabalham nos hipermercados. Nestes contactos feitos, verific\u00e1mos situa\u00e7\u00f5es bastante deprimentes que p\u00f5em em causa a dignidade da Pessoa. Vivemos numa sociedade capitalista e consumista e isto provoca situa\u00e7\u00f5es em que o que interessa n\u00e3o \u00e9 a Pessoa, mas sim o que produz e o lucro que d\u00e1. N\u00e3o podemos dizer que os hipermercados est\u00e3o fora da lei, mas, na verdade, a sua pol\u00edtica n\u00e3o tem em conta o seu colaborador, que \u00e9 humano e merece ser respeitado enquanto tal e n\u00e3o como um boneco de produ\u00e7\u00e3o. Por exemplo, o Feira Nova, em Santa Maria da Feira, no m\u00eas de Dezembro, contratou colaboradoras em fun\u00e7\u00e3o da aproxima\u00e7\u00e3o do Natal. No dia 23 uma das jovens contou-nos, com um olhar triste, que era o pen\u00faltimo dia de trabalho e que, depois, ia mais uma vez para o desemprego. Na cafetaria do Plus em Lourosa (Santa Maria da Feira) contrataram uma jovem s\u00f3 pelo per\u00edodo em que uma colega estava em casa doente. Relatamos dois casos, mas poder\u00edamos relatar muitos mais, porque se \u00e9 verdade que o C\u00f3digo Laboral, infelizmente, permite estas situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o podemos deixar de lamentar que isto aconte\u00e7a.   A aus\u00eancia de pol\u00edticas que coloquem o emprego como uma prioridade e a introdu\u00e7\u00e3o desordenada da tecnologia t\u00eam provocado o aumento do desemprego e, consequentemente, a degrada\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio social. Hoje em dia, verifica-se em alguns hipermercados projectos-piloto em que as caixas registadoras est\u00e3o preparadas para n\u00e3o necessitar de um trabalhador. O cliente passa o c\u00f3digo de barras no leitor \u00f3ptico e faz a soma autom\u00e1tica dos produtos e paga atrav\u00e9s de cart\u00e3o Multibanco. O que vai isto provocar? Que consequ\u00eancias?  O aumento do desemprego transmite medo \u00e0s pessoas, provocando uma maior explora\u00e7\u00e3o, porque \u201cse n\u00e3o quiserem assim, h\u00e1 muito quem queira\u201d. Isto acontece tamb\u00e9m, porque os trabalhadores n\u00e3o t\u00eam a forma\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o suficiente para ter uma interven\u00e7\u00e3o mais forte. Na verdade, o facto de as pessoas trabalharem de forma mais isolada e, de se sentir um maior individualismo e acomodamento face \u00e0s injusti\u00e7as, provoca esta \u201ccavalgada\u201d com o objectivo de destruir os direitos que s\u00e3o justos e o equil\u00edbrio social. Nota-se, por um outro prisma, a falta de forma\u00e7\u00e3o humana e t\u00e9cnica de muitos empres\u00e1rios e, por isso, n\u00e3o entendem que a produtividade de uma empresa tamb\u00e9m depende do bem-estar dos seus colaboradores. Ora da\u00ed a necessidade de haver estabilidade do emprego, boas pr\u00e1ticas da empresa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia. Uma pessoa ansiosa, preocupada, revoltada devido aos problemas impostos, n\u00e3o rende como uma pessoa realizada e com condi\u00e7\u00f5es de trabalho dignas, em todos os sentidos. Existe tamb\u00e9m uma crescente subjuga\u00e7\u00e3o dos trabalhadores \u00e0s condi\u00e7\u00f5es oferecidas pela entidade patronal, vivendo um clima sistem\u00e1tico de press\u00e3o psicol\u00f3gica e que tem provocado perturba\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e mentais.  A flexibilidade dos hor\u00e1rios, o poder de compra dos trabalhadores a diminuir, a precariedade dos contratos de trabalho, o trabalho a recibos verdes, tem consequ\u00eancias muito graves na sociedade.  Existe um sentimento de frustra\u00e7\u00e3o, as pessoas n\u00e3o se sentem realizadas no que fazem e isso reflecte-se quer no trabalho quer na fam\u00edlia. A incerteza em rela\u00e7\u00e3o ao futuro adia o projecto de muitos jovens da constitui\u00e7\u00e3o da sua fam\u00edlia e do nascimento dos filhos. Perante estas situa\u00e7\u00f5es nota-se que a emigra\u00e7\u00e3o est\u00e1 a crescer, com a tentativa de procurar noutros pa\u00edses, aquilo que o seu pr\u00f3prio pa\u00eds n\u00e3o foi capaz de proporcionar: condi\u00e7\u00f5es dignas de vida.  Tudo isto afecta as fam\u00edlias, a comunidade e o pa\u00eds. Pessoas tristes e desmotivadas, sem perspectivas nem sonhos. Alguns jovens pensam que n\u00e3o vale a pena adquirir forma\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o v\u00e3o ter oportunidade de a p\u00f4r em pr\u00e1tica.  As fam\u00edlias cheias de problemas n\u00e3o t\u00eam disponibilidade para a viv\u00eancia de tempos livres saud\u00e1veis e culturais, nem para a participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica. E procuram compensa\u00e7\u00e3o no consumismo, endividando-se cada vez mais. Devido a isto sente-se um empobrecimento tamb\u00e9m ao n\u00edvel das rela\u00e7\u00f5es humanas quer nas empresas quer na sociedade em geral, usando a compra sucessiva de coisas e mais coisas com vista \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o pessoal. O empobrecimento das fam\u00edlias \u00e9 preocupante, onde se regista o valor recorde de endividamento, cifrando-se segundo os mais recentes dados do INE (Instituto Nacional de Estat\u00edstica) nos 118% como m\u00e9dia nacional, o que significa que o ordenado l\u00edquido das fam\u00edlias n\u00e3o chega para pagar as presta\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito.  \u00c9 urgente mudar e transformar este estado de coisas. Para isso \u00e9 imprescind\u00edvel que as pessoas estejam organizadas e informadas dos seus direitos e deveres e que lutem para que sejam respeitados. N\u00e3o nos podemos calar, nem subjugar aos interesses econ\u00f3micos. Contestar de forma individual n\u00e3o \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante a mobiliza\u00e7\u00e3o dos colegas de trabalho para a luta que \u00e9 para o bem de todos, em que a resist\u00eancia e a convic\u00e7\u00e3o daquilo em que acreditamos vai levar \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da mentalidade capitalista. A JOC continuar\u00e1 firme na defesa e respeito pelos trabalhadores, n\u00e3o hesitar\u00e1 em denunciar mais casos em que o respeito pela dignidade da pessoa n\u00e3o seja cumprido e continuar\u00e1 a desafiar especialmente os jovens para uma interven\u00e7\u00e3o mais esclarecida no seu meio. <i>Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica\/Porto<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00e2mbito da campanha nacional da Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica (JOC) &#8220;Precaridade e Instabilidade do Trabalho&#8221; tem-se realizado uma s\u00e9rie de iniciativas para conhecer melhor a realidade de vida das pessoas. 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