{"id":16317,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/servo-bom-e-fiel\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"servo-bom-e-fiel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/servo-bom-e-fiel\/","title":{"rendered":"\u00abServo Bom e Fiel\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Arcebispo de \u00c9vora nas Ex\u00e9quias de D. David de Sousa <!--more--> 1.\t\u201cFelizes esses servos que o Senhor, ao chegar, encontrar vigilantes\u201d(Lc.12, 37). Estas palavras do evangelista S. Lucas, assumem um relevo e significado especiais nesta assembleia, que se re\u00fane para a celebra\u00e7\u00e3o das ex\u00e9quias do car\u00edssimo Senhor D. David de Sousa, Arcebispo em\u00e9rito de \u00c9vora Elas v\u00eam recordar-nos, antes de mais, que a dor de o vermos partir do nosso conv\u00edvio terreno \u00e9 superada pela esperan\u00e7a de que para os servos fi\u00e9is a morte abre as portas para a felicidade, uma felicidade que n\u00e3o conhece ocaso: \u201cFelizes esses servos\u201d. D. David faz parte daquela legi\u00e3o de homens que se deixaram apaixonar por Jesus Cristo. Toda a sua exist\u00eancia, uma exist\u00eancia muito longa (noventa e quatro anos) e plena de m\u00e9ritos, teve a assinal\u00e1-la uma profunda f\u00e9 e uma entrega total ao servi\u00e7o do Reino de Deus. Deus chamou-o, quando ainda era jovem, para que seguisse as pisadas de S. Francisco de Assis. O ideal de simplicidade, pobreza, obedi\u00eancia e fraternidade fascinou-o. Dotado dum car\u00e1cter forte e decidido, disse a Deus um \u201csim\u201d generoso. Entrou na Ordem franciscana, onde foi ordenado sacerdote.  Foi neste clima de espiritualidade franciscana que aprendeu a servir o Senhor e os homens. Serviu, na ora\u00e7\u00e3o e no estudo, e em diversas e relevantes miss\u00f5es. Formado em ci\u00eancias b\u00edblicas, exerceu a doc\u00eancia nesta \u00e1rea da teologia durante longos anos.  Podemos dizer que a Sagrada Escritura foi o alimento perene da sua vida de f\u00e9, como se pode ler nesta ora\u00e7\u00e3o contida no seu testamento espiritual: \u201cConcedei-me, Senhor, a gra\u00e7a de ser, \u00e0 luz da Sagrada Escritura e ao farol da Sagrada Eucaristia, tocha ardente, at\u00e9 \u00e0 sua completa extin\u00e7\u00e3o\u201d.  2.\tMas, se a Ordem franciscana foi o terreno f\u00e9rtil onde se desenvolveu e consolidou a sua voca\u00e7\u00e3o eclesial, podemos afirmar que a voca\u00e7\u00e3o central da vida crist\u00e3 de D. David foi a o minist\u00e9rio episcopal, na sucess\u00e3o do servi\u00e7o conferido pelo Senhor aos Doze Ap\u00f3stolos. Exerceu-o primeiramente na Diocese do Funchal e, em seguida, na Arquidiocese de \u00c9vora. Esta hist\u00f3rica S\u00e9 Metropolitana foi testemunha silenciosa, durante dezasseis anos, da sua entrega abnegada \u00e0 Igreja de Jesus Cristo que vive e peregrina em \u00c9vora. Um servi\u00e7o feito de trabalho e sil\u00eancio, de ora\u00e7\u00e3o e sofrimento, de suores e incompreens\u00f5es, de l\u00e1grimas e esperan\u00e7as. A sua ac\u00e7\u00e3o pastoral ficou assinalada por importantes iniciativas, das quais \u00e9 justo destacar a reestrutura\u00e7\u00e3o das par\u00f3quias, o incremento das voca\u00e7\u00f5es, o desenvolvimento dos semin\u00e1rios e a cria\u00e7\u00e3o do Instituto Superior de Teologia de \u00c9vora.  3.\tOs caminhos de Deus s\u00e3o, por\u00e9m, misteriosos. Quando era leg\u00edtimo pensar que a sua miss\u00e3o pastoral nestas planuras do Alentejo e do Ribatejo ainda n\u00e3o chegara ao fim, eis que motivos de doen\u00e7a obrigaram D. David de Sousa a recolher ao Convento franciscano da Luz em Lisboa. Retomava assim a vida conventual, oferecendo, duma outra forma, a sua vida pela Arquidiocese \u00e0 qual se mantinha espiritualmente vinculado atrav\u00e9s duma alian\u00e7a que n\u00e3o morre nem se extingue com a aus\u00eancia f\u00edsica. Foi longo este segundo percurso conventual que, nas \u00faltimas etapas, assumiu o car\u00e1cter duma subida ao Calv\u00e1rio. Uma subida que tem, \u00e0 luz da f\u00e9, o significado dum aproximar-se da Casa do Pai. Assim o experimentou o ilustre Prelado Eborense, como deixou escrito nesta bela prece do seu testamento espiritual: \u201cSenhor, concedei-me a gra\u00e7a de caminhar prontamente em paz, para o Vosso Reino, cheio de confian\u00e7a nas Vossas promessas e reconfortado som o Corpo e Sangue de Cristo. Eu aguardo, confiadamente, a toda a hora e momento, a Vossa Chamada Divina\u201d.  4.\tO Mist\u00e9rio do Corpo e o Sangue de Cristo, foi portanto, para usar a sua pr\u00f3pria express\u00e3o, o seu conforto, o seu alimento, o seu farol. Durante quase setenta anos celebrou o grande Mist\u00e9rio Eucar\u00edstico, penhor da nossa ressurrei\u00e7\u00e3o.  Celebrou-o tantas vezes neste mesmo altar, com os sacerdotes e a comunidade diocesana aqui representada na express\u00e3o mais alta e significativa da Igreja de Cristo. Hoje j\u00e1 n\u00e3o consagra o p\u00e3o e o vinho, mas canta diante do trono do Cordeiro Imolado o hino de gl\u00f3ria, de louvor e de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. Atrav\u00e9s do nosso antigo e venerando Pastor, a presente Eucaristia revela em termos expressivos a vincula\u00e7\u00e3o profunda a misteriosa do altar terreno com o trono do Cordeiro de que fala S. Jo\u00e3o no Apocalipse (cf.Ap.4.2-11). Como escreveu o Papa Jo\u00e3o Paulo II na enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia, \u201c ao celebrarmos o sacrif\u00edcio do Cordeiro unimo-nos \u00e0quela multid\u00e3o imensa que grita: \u201c a salva\u00e7\u00e3o pertence ao nosso Deus, que est\u00e1 sentado no trono, e ao Cordeiro (Ap.7,10)\u201d. \u00c9 neste clima da comunh\u00e3o dos santos que nos despedimos do car\u00edssimo Pastor da Igreja de \u00c9vora, D. David de Sousa.   5.\tFazemo-lo, evocando Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, M\u00e3e de Cristo e nossa M\u00e3e, Padroeira desta Arquidiocese e de Portugal. Conhecemos a terna devo\u00e7\u00e3o que o Senhor D. David tributava \u00e0 Sant\u00edssima Virgem. Voltemos ao seu testamento espiritual: \u201cCom Nossa Senhora, no seu C\u00e2ntico de louvor \u201cMagnificat\u201d (Lc.1,46-47), eu alegro-me no Senhor, eu glorifico o Senhor e dou-lhe infinitas gra\u00e7as pelo dom de ter realizado a minha longa peregrina\u00e7\u00e3o pela terra: na pobreza, na dor, no trabalho, na fraqueza e na morte como pre\u00e7o respectivamente do reino dos C\u00e9us, da Alegria, do Descanso, da Gl\u00f3ria e da Vida\u201d. Estas sentidas palavras do nosso saudoso e amado Arcebispo sejam para n\u00f3s, que continuamos a peregrinar na terra, luz e est\u00edmulo para vivermos e testemunharmos uma f\u00e9 s\u00f3lida em Jesus Cristo, um profundo amor \u00e0 Igreja e uma sincera devo\u00e7\u00e3o a Maria, a sermos construtores do Reino de Deus, Reino de paz, de justi\u00e7a e de amor.  S\u00e9 de \u00c9vora, 8 de Fevereiro de 2006 <i>+ Maur\u00edlio de Gouveia, Arcebispo de \u00c9vora<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Arcebispo de \u00c9vora nas Ex\u00e9quias de D. 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