{"id":163056,"date":"2020-02-20T11:00:12","date_gmt":"2020-02-20T11:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=163056"},"modified":"2020-02-20T11:00:12","modified_gmt":"2020-02-20T11:00:12","slug":"lusofonias-da-prisao-da-praia-ao-tarrafal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-da-prisao-da-praia-ao-tarrafal\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Da pris\u00e3o da Praia ao Tarrafal"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Cabo Verde<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony-cabo-verde2020.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-163058\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony-cabo-verde2020.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony-cabo-verde2020.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony-cabo-verde2020-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony-cabo-verde2020-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony-cabo-verde2020-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony-cabo-verde2020-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony-cabo-verde2020-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/tony-cabo-verde2020-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Cabo Verde acolheu-me com a \u2018morabeza\u2019 do costume, aquele acolhimento de bra\u00e7os abertos que s\u00f3 em fam\u00edlia se faz.<\/p>\n<p>Fiquei marcado pelas tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o na Trindade: o Hospital Psiqui\u00e1trico, a Pris\u00e3o e a Fazenda da Esperan\u00e7a. Com o P. Ant\u00f3nio Honorato, capel\u00e3o, visitei a Pris\u00e3o. Longe de tudo, numa \u00e1rea por onde a seca de tr\u00eas anos passou e deixou rasto, h\u00e1 edif\u00edcios enormes que acolhem mais de um milhar de reclusos, homens e mulheres. Entramos, conversamos, celebramos. Primeiro com as mulheres, depois com os homens. Uma multid\u00e3o de vozes afinadas a cantar, em tempo de afinar tamb\u00e9m vidas marcadas por acontecimentos menos bons. O P. Ant\u00f3nio tem uma cora\u00e7\u00e3o grande e v\u00ea-se que \u00e9 querido e respeitado por todos naquele estabelecimento prisional.\u00a0 A visita \u00e0 Fazenda da Esperan\u00e7a tomou-nos uma tarde e uma noite. O P. Ant\u00f3nio passou primeiro pela aldeia de Jo\u00e3o Varela, terra seca e devorada por gafanhotos, na grande praga de Setembro passado. N\u00e3o se v\u00ea uma palha seca em toda a extens\u00e3o, s\u00f3 mesmo as ac\u00e1cias (espinheiros, como lhe chamam o povo) resistiram. Ali apanhamos tr\u00eas senhoras e algumas panelas e sacos, rumando para a Fazenda da Esperan\u00e7a. Este projecto cat\u00f3lico brasileiro, tenta recuperar dependentes qu\u00edmicos (drogas, \u00e1lcool\u2026) atrav\u00e9s da fraternidade, da ora\u00e7\u00e3o e do trabalho. O P.Ronaldo, director, acolheu-nos, mostrou-nos os espa\u00e7os da obra, celebramos eucaristia e jantamos com os acolhidos (assim se chamam\u2026), partilhando o que as senhoras trouxeram como oferta da aldeia. Naquela aus\u00eancia absoluta de verde, marcou-me o bom ambiente entre todos e o ar de futuro que ali se respira. A obra tem dois anos e j\u00e1 \u2018recuperou\u2019 cerca de 40 homens que, estando j\u00e1 integrados nas suas fam\u00edlias, d\u00e3o provas de n\u00e3o voltar aos erros antigos.<\/p>\n<p>Pedra Badejo, a uns 30 kms da capital, acolheu-me para uma semana de intensa miss\u00e3o. Percorri, com os Padres Gil Losa e Sim\u00e3o Varela, muitas comunidades, visitei a Escola Secund\u00e1ria que tem mais de 2 mil alunos, sempre com sess\u00f5es sobre justi\u00e7a, Paz, ecologia integral e di\u00e1logo entre Religi\u00f5es. Gostei de sentir que s\u00e3o temas que marcam a actualidade e que cativam os mais jovens. Mas tive, igualmente, a felicidade de percorrer algumas das ribeiras para celebra\u00e7\u00f5es e visitas. As Festas da Sra de Lourdes e de S. Crist\u00f3v\u00e3o levaram-me \u00e0 Ribeira Seca e \u00e0 Ribeira Riba onde pude perceber o drama do povo do interior com a falta de chuva dos \u00faltimos tr\u00eas anos. Est\u00e1 tudo seco. Tamb\u00e9m pude visitar duas pequenas explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas onde h\u00e1 ainda alguma \u00e1gua. A\u00ed tudo produz: bananas, cana de a\u00e7\u00facar, mandioca, coqueiros\u2026 um pequeno para\u00edso terrestre neste terra a chorar e a rezar por chuva.<\/p>\n<p>Impunha-se ir at\u00e9 ao Tarrafal. Levou-me l\u00e1 o P. Raul Lima, p\u00e1roco de S. Louren\u00e7o dos \u00d3rg\u00e3os. Subimos \u00e0 Assomada (Santa Catarina), continuamos para a Serra da Malagueta e descemos ao Tarrafal. Sabe bem mergulhar naquelas \u00e1guas quentes e calmas, numa das raras praias de areia branca da Ilha de Santiago. Mas d\u00f3i voltar \u00e0quele que foi um terr\u00edvel campo de concentra\u00e7\u00e3o, sobretudo na sua primeira fase de funcionamento, de 1936 a 1956, com presos pol\u00edticos portugueses. Nos calores do Tarrafal, o castigo m\u00e1ximo era ir para a \u2018frigideira\u2019, um espa\u00e7o pequeno e fechado que atingia temperaturas insuport\u00e1veis. Reaberto em 1962 para activistas das col\u00f3nias que lutavam pela independ\u00eancia, fechou ap\u00f3s o 25 de Abril de 1974. Continua a ser um lugar de dura mem\u00f3ria a evocar tempos em que a liberdade e a democracia eram miragem e objectivo.<\/p>\n<p>O caminho de regresso a Pedra Badejo foi pela estrada da Calheta de S. Miguel, o que me proporcionou dar a volta completa \u00e0 Ilha capital. A paisagem mostrava mar calmo e azul \u00e0 esquerda, e terra seca e montanhosa \u00e0 direita, s\u00f3 alterada com o aparecimento de pequenas ou grandes povoa\u00e7\u00f5es que fazem de Santiago a Ilha com mais povo.<\/p>\n<p>A Calheta de S. Miguel e as suas povoa\u00e7\u00f5es e ribeiras tomam conta da minha \u00faltima semana que concluir\u00e1 com o encontro dos Padres da Diocese e dos Jovens Religiosos e Religiosas. Depois, imp\u00f5e-se o regresso a Roma e a \u2018digest\u00e3o\u2019 de tanta \u2018morabeza\u2019, neste pa\u00eds pobre e feliz que viu a \u2018morna\u2019 tornar-se patrim\u00f3nio imaterial da humanidade.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-163056-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/lusofonias.caboverde2.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/lusofonias.caboverde2.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/lusofonias.caboverde2.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Cabo Verde<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-163056","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/163056","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=163056"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/163056\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=163056"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=163056"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=163056"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}