{"id":16274,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/promover-a-saude-mental-acolhendo-a-pessoa-doente\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"promover-a-saude-mental-acolhendo-a-pessoa-doente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/promover-a-saude-mental-acolhendo-a-pessoa-doente\/","title":{"rendered":"Promover a sa\u00fade mental, acolhendo a pessoa doente"},"content":{"rendered":"<p>Portugal prepara celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial do Doente <!--more--> <b>1. O Dia Mundial do Doente<\/b> Desde 1992, e por vontade expressa do Papa Jo\u00e3o Paulo II, celebra-se em toda a Igreja, a 11 de Fevereiro, o Dia Mundial do Doente. \u00c9 um dia consagrado \u00e0 reflex\u00e3o e \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, a reflex\u00e3o sobre um tema que, em Pastoral da Sa\u00fade, se considere importante para a ac\u00e7\u00e3o a desenvolver, e ora\u00e7\u00e3o pelos doentes e pelos profissionais de sa\u00fade que, nalguns casos, t\u00eam tarefas bem dif\u00edceis: &#8211; O Dia Mundial do Doente tem sempre uma celebra\u00e7\u00e3o de car\u00e1cter internacional, a partir de um Santu\u00e1rio Mariano. Em 2006, por\u00e9m e na impossibilidade deste grande acontecimento pastoral se viver na Nova Zel\u00e2ndia, foi escolhida a cidade de Adelaide, na Austr\u00e1lia, para congregar os agentes pastorais que trabalhem na \u00e1rea da sa\u00fade, no Extremo Oriente. Em Adelaide h\u00e1 um grande santu\u00e1rio dedicado a S. Francisco Xavier. Ser\u00e1 ent\u00e3o, na Catedral de Adelaide que decorrer\u00e3o as v\u00e1rias iniciativas para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial do Doente em 2006. &#8211; Escolhe-se anualmente um tema internacional que se sugere para todas as estruturas de pastoral da sa\u00fade no mundo. Este ano, o Conselho Pontif\u00edcio escolheu como tema: \u201cSa\u00fade mental e f\u00edsica, durante toda a vida\u201d, mas toda a reflex\u00e3o proposta se centra na sa\u00fade mental que assume um relevo muito especial no nosso mundo. De facto, hoje, h\u00e1 450 milh\u00f5es de pessoas afectadas por problemas mentais, neurol\u00f3gicos ou comportamentais e s\u00e3o cerca de 873 mil as pessoas que se suicidam em cada ano. O desequilibro mental constitui uma aut\u00eantica emerg\u00eancia social e no campo da sa\u00fade.  &#8211; Alguns n\u00fameros: 25% dos pa\u00edses n\u00e3o t\u00eam legisla\u00e7\u00e3o suficiente nesta \u00e1rea da sa\u00fade; 45% n\u00e3o t\u00eam uma pol\u00edtica definida para a sa\u00fade mental; em mais de 25% dos centros de sa\u00fade, os doentes n\u00e3o t\u00eam acesso aos medicamentos psiqui\u00e1tricos fundamentais; 70% da popula\u00e7\u00e3o disp\u00f5e de menos de um m\u00e9dico psiquiatra por 100.000 habitantes; as perturba\u00e7\u00f5es mentais afectam com maior frequ\u00eancia as popula\u00e7\u00f5es desfavorecidas sob o ponto de vista intelectual, cultural e econ\u00f3mico. Milh\u00f5es de pessoas s\u00e3o obrigadas a sofrer no corpo e no esp\u00edrito as consequ\u00eancias de uma alimenta\u00e7\u00e3o deficiente, de conflitos armados, de cat\u00e1strofes naturais, com as normais consequ\u00eancias de morbilidade e mortalidade. \u00c9 por tudo isto que se imp\u00f5e tamb\u00e9m a urg\u00eancia de uma ac\u00e7\u00e3o preventiva, na \u00e1rea da sa\u00fade mental, uma verdadeira educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade. Neste contexto e porque se agravam os problemas de sa\u00fade mental no mundo contempor\u00e2neo, neste Dia Mundial do Doente, os crist\u00e3os s\u00e3o convidados a reflectir e a agir, na preven\u00e7\u00e3o e no acompanhamento dos doentes que sofrem estas perturba\u00e7\u00f5es.   2. \u201cPromover a sa\u00fade mental, acolhendo a pessoa doente\u201d foi o slogan escolhido pela Comiss\u00e3o Nacional da Pastoral da Sa\u00fade para viver o Dia Mundial da Sa\u00fade em Portugal.  Toda a reflex\u00e3o se centra em duas perspectivas da ac\u00e7\u00e3o pastoral: a preven\u00e7\u00e3o e o acolhimento, a preven\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as pelo convite a um estilo saud\u00e1vel de vida, e o acolhimento dos doentes que, atingidos na sua sa\u00fade mental, s\u00e3o muitas vezes marginalizados, numa aut\u00eantica exclus\u00e3o social. &#8211; Hoje h\u00e1 in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es que se inserem na \u00e1rea das doen\u00e7as mentais: a depress\u00e3o a que in\u00fameras pessoas est\u00e3o sujeitas e que incapacitam para a ac\u00e7\u00e3o e causam uma ang\u00fastia destruidora da alegria de viver; as depend\u00eancias com a normal perda da liberdade, provocadas muitas vezes pelo consumo de produtos psicotr\u00f3picos que perturbam completamente a vida pessoal e social dos indiv\u00edduos, depend\u00eancia nascida do consumo do \u00e1lcool, da droga, dos f\u00e1rmacos l\u00edcitos, sempre inibidoras de uma consci\u00eancia livre e respons\u00e1vel; o alzheimer, suced\u00e2neo da dem\u00eancia senil muitas vezes precoce, hoje quase doen\u00e7a da moda e que empobrece terrivelmente a capacidade de rela\u00e7\u00e3o, essencial a uma vida saud\u00e1vel; as obsess\u00f5es que comprometem um normal projecto de vida, porque obrigam a constantes regressos; e n\u00e3o se fala j\u00e1 dos histerismos, das esquizofrenias, e das tentativas de suic\u00eddio, tudo doen\u00e7as mentais de extrema gravidade e que, nos dias de hoje, se multiplicam de uma forma assustadora. &#8211; A Igreja tem, no mundo de hoje, uma responsabilidade acrescida no tratamento e acompanhamento destes doentes. Curiosamente, foi em Portugal que nasceu a ac\u00e7\u00e3o pastoral junto destas pessoas com problemas mentais. No S\u00e9culo XVI, S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus, nascido em Montemor-o-Novo, foi o iniciador de um trabalho atento junto dos \u201cloucos\u201d que se perdiam pelas ruas de Granada. Ele pr\u00f3prio foi considerado um louco, mas iniciou um trabalho de assist\u00eancia absolutamente inovadora, express\u00e3o da grande miseric\u00f3rdia de Deus para com os seus filhos que mais sofrem. S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus foi o fundador da Ordem Hospitaleira de S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus e S\u00e3o Bento Menni foi o fundador da Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Hospitaleiras do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Estas duas Institui\u00e7\u00f5es Religiosas da Igreja t\u00eam em Portugal 21 Hospitais, Casas de Sa\u00fade e Cl\u00ednicas de apoio terap\u00eautico e pastoral \u00e0s pessoas com enfermidades na \u00e1rea da sa\u00fade mental. Vale a pena conhecer estes dois Institutos de servi\u00e7o \u00e0 sa\u00fade mental.  <b>A Ordem Hospitaleira S. Jo\u00e3o de Deus<\/b> A Ordem Hospitaleira de S. Jo\u00e3o de Deus tem origem na ac\u00e7\u00e3o e exemplo de vida de S. Jo\u00e3o de Deus que, em 1538, em Granada (Espanha), iniciou a nova maneira de tratar e acolher os pobres, os doentes e os necessitados, sendo por isso um marco importante na hist\u00f3ria da medicina. Hoje, a Ordem Hospitaleira encontra-se em 51 pa\u00edses do mundo e das suas 294 obras assistenciais, 44 s\u00e3o dedicadas exclusivamente \u00e0 Sa\u00fade Mental. Em 1606, h\u00e1 400 Anos, os Irm\u00e3os de S. Jo\u00e3o de Deus v\u00eam para Montemor-o-Novo e, na terra natal do seu fundador, iniciam a expans\u00e3o da Ordem em Portugal. Tiveram um importante papel no que diz respeito aos cuidados de sa\u00fade nos hospitais militares. Desde o final do Sec. XIX, perante as necessidades sentidas, os irm\u00e3os centraram a sua ac\u00e7\u00e3o na presta\u00e7\u00e3o de cuidados na \u00e1rea da Psiquiatria e Sa\u00fade Mental.  Actualmente os Irm\u00e3os est\u00e3o presentes em 8 Centros Assistenciais, dos quais 6 se dedicam \u00e0 Psiquiatria e Sa\u00fade Mental, assim como outras \u00e1reas de actua\u00e7\u00e3o que lhe est\u00e3o ligadas, como as Depend\u00eancias, a Psicogeriatria, a Reabilita\u00e7\u00e3o Psicossocial e os Sem-Abrigo representando 40% do n\u00famero de camas no Continente e 50% nos Arquip\u00e9lagos dos A\u00e7ores e Madeira.  <b>As Irm\u00e3s Hospitaleiras<\/b> A Congrega\u00e7\u00e3o de Irm\u00e3s Hospitaleiras do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus foi fundada em Ciempozuelos (Madrid-Espanha), no ano 1881, por S. Bento Menni, sacerdote da Ordem de S. Jo\u00e3o de Deus, juntamente com Mar\u00eda Josefa Recio e Mar\u00eda Angustias Gim\u00e9nez, escolhidos por Deus para se dedicarem \u00e0s pessoas que sofrem de perturba\u00e7\u00f5es mentais, aliando dois crit\u00e9rios fundamentais na sua interven\u00e7\u00e3o: caridade e ci\u00eancia. O nome Hospitaleiras do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 express\u00e3o do carisma da Congrega\u00e7\u00e3o, pois a sua raz\u00e3o de ser na Igreja \u00e9 o exerc\u00edcio da caridade hospitaleira, vivida em estado de consagra\u00e7\u00e3o religiosa, segundo o modelo de caridade perfeita, Cristo, simbolizada no seu Cora\u00e7\u00e3o.  A Congrega\u00e7\u00e3o actualmente est\u00e1 presente em 24 pa\u00edses de quatro continentes: Europa, Am\u00e9rica, \u00c1frica e \u00c1sia. Efectivamente, 1.220 religiosas e 7.891 colaboradores tornam poss\u00edvel a implanta\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da miss\u00e3o apost\u00f3lica da Congrega\u00e7\u00e3o em todos estes pa\u00edses, proporcionando aos doentes uma oferta de sa\u00fade integral que engloba os aspectos f\u00edsicos, ps\u00edquicos, sociais e espirituais.  Em Portugal, a Congrega\u00e7\u00e3o est\u00e1 a trabalhar desde 1894 com a funda\u00e7\u00e3o da Casa de Sa\u00fade da Idanha. Realiza a miss\u00e3o hospitaleira em 12 estabelecimentos de sa\u00fade, dos quais 8 se situam no Continente e 4 nas Regi\u00f5es Aut\u00f3nomas, disponibilizando um total de 2.085 camas. Desenvolve a sua interven\u00e7\u00e3o assistencial nas \u00e1reas de psiquiatria, psicopedagogia, psicogeriatria, gerontopsiquiatria, toxicodepend\u00eancia e reabilita\u00e7\u00e3o psicossocial. 192 religiosas e 1.574 colaboradores, vivendo e realizando hospitalidade, d\u00e3o corpo ao projecto hospitaleiro entre n\u00f3s, assistindo 5.706 doentes a n\u00edvel de internamento, em estruturas comunit\u00e1rias (14 resid\u00eancias de vida protegida, apoiada e aut\u00f3noma e 4 centros de reabilita\u00e7\u00e3o e reintegra\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-profissional) e em ambulat\u00f3rio, acompanhando 8.782 pessoas. &#8211; Nas comunidades paroquiais h\u00e1, tamb\u00e9m, um trabalho pastoral a desenvolver na \u00e1rea da sa\u00fade mental. A n\u00edvel da preven\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio educar as crian\u00e7as e os jovens para um estilo saud\u00e1vel de vida e educar os adultos para superar o \u201cstress\u201d em que, habitualmente, est\u00e3o envolvidos. A n\u00edvel do acompanhamento \u00e9 necess\u00e1rio conhecer os casos de depress\u00e3o, de toxicodepend\u00eancia, de alzheimer, de psicogeriatria (velhice e solid\u00e3o), de desequil\u00edbrios psicosom\u00e1ticos de que podem resultar patologias mentais. Este acompanhamento contraria as marginaliza\u00e7\u00f5es e permite organizar um apoio sistem\u00e1tico a pessoas doentes e \u00e0s suas fam\u00edlias que, nesta \u00e1rea, sofrem de uma forma acrescida.  A Pastoral da Sa\u00fade, atrav\u00e9s dos seus n\u00facleos paroquiais tem uma ac\u00e7\u00e3o de grande import\u00e2ncia junto destas pessoas que tanto sofrem. Compreende-se, tendo tudo isto em aten\u00e7\u00e3o, como \u00e9 importante o slogan escolhido para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial do Doente em Portugal: \u201cPromover a sa\u00fade mental, acolhendo a pessoa doente\u201d.   <b>3. A Mensagem do Papa Bento XVI<\/b> Como fazia Jo\u00e3o Paulo II, tamb\u00e9m Bento XVI envia a todas as comunidades a Sua mensagem, por ocasi\u00e3o do Dia Mundial do Doente, inserindo-se no tema \u201cSa\u00fade mental e f\u00edsica, durante toda a vida\u201d. Respiga-nos algumas passagens da mensagem que, pela sua import\u00e2ncia, se tornam motivadoras de um trabalho de acolhimento \u00e0s pessoas com problemas, na \u00e1rea da sa\u00fade mental. O compromisso das comunidades crist\u00e3s &#8211; \u201cQuero estar presente, espiritualmente, diz o Papa, na Jornada Mundial do Doente, para deter-me a reflectir, em sintonia com os participantes, sobre a situa\u00e7\u00e3o dos enfermos mentais no mundo e solicitar o compromisso das comunidades eclesiais, dando testemunho da terna miseric\u00f3rdia do Senhor\u201d. Crise de valores morais &#8211; \u201cEm muitos pa\u00edses, continua o Papa, os especialistas reconhecem como origem de novas formas de transtorno mental, a influ\u00eancia negativa da crise de valores morais. Isto aumenta o sentido da solid\u00e3o, perturbando e mesmo desagregando as tradicionais formas de coes\u00e3o social, come\u00e7ando pela institui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e marginalizando os enfermos, sobretudo os mentais, com frequ\u00eancia considerados um peso para a fam\u00edlia e para a comunidade\u201d.  O risco de exclus\u00f5es e a dificuldade das terapias &#8211; \u201cO contexto social, diz ainda Bento XVI, nem sempre aceita os enfermos da mente, com as suas limita\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m por este motivo, \u00e9 dif\u00edcil conseguir os necess\u00e1rios recursos humanos e financeiros. Adverte- se a necessidade de integrar melhor o bin\u00f3mio \u201cterapia adequada\u201d e \u201cnova sensibilidade frente \u00e0 dificuldade\u201d, de modo que se permita, aos agentes do sector, sair com mais efic\u00e1cia ao encontro dos enfermos e das fam\u00edlias que, por si s\u00f3, n\u00e3o t\u00eam a capacidade de seguir adequadamente os seus familiares em dificuldade. A pr\u00f3xima Jornada Mundial do Doente \u00e9 uma circunst\u00e2ncia para manifestar solidariedade \u00e0s fam\u00edlias que t\u00eam a seu cargo pessoas com doen\u00e7as mentais\u201d. A cultura do acolhimento e a capacidade de partilha- \u201cA Igreja, especialmente atrav\u00e9s dos capel\u00e3es hospitalares e p\u00e1rocos, n\u00e3o deixar\u00e1 de oferecer aos doentes mentais e suas fam\u00edlias a ajuda de que precisam, j\u00e1 que est\u00e1 totalmente convencida de que \u00e9 chamada a manifestar o amor e a solicitude de Cristo para com os que sofrem e os que se ocupam deles\u201d. Aos agentes pastorais e aos volunt\u00e1rios, o Papa recomenda ainda a cultura do acolhimento e da capacidade de partilha, para ser poss\u00edvel respeitar e promover a dignidade destes irm\u00e3os doentes. Como o Bom Samaritano- A terminar, Bento XVI, \u201cpede \u00e0 Virgem Santa Maria que conforte os que est\u00e3o marcados pela enfermidade e sustente os que, como o Bom Samaritano, suavizam as chagas corporais e espirituais\u201d. Esta mensagem de Bento XVI dirige-se a todas as comunidades crist\u00e3s, inseridas ou n\u00e3o numa unidade hospitalar. Quer num hospital, quer em suas casas, os enfermos com problemas mentais e as suas fam\u00edlias devem ser apoiados com todas as ajudas de que carecem, sejam apoios sociais, seja o conforto espiritual, mesmo da ora\u00e7\u00e3o e dos sacramentos.   4. Elementos a ter em conta para celebrar nas nossas comunidades (hospitais ou par\u00f3quias) o Dia Mundial do Doente, sob o tema \u201cPromover a sa\u00fade mental \u2013 acolhendo a pessoa doente\u201d. a) A solid\u00e3o \u00e9 certamente o maior problema das pessoas com defici\u00eancias mentais. Ao doente mental, todos o abandonam, mesmo as fam\u00edlias e os amigos mais pr\u00f3ximos. A esta atitude t\u00e3o comum nos nossos ambientes sociais, o crist\u00e3o responde com tempos de acolhimento. Acolher \u00e9 compreender e aceitar a diferen\u00e7a, comunicar o necess\u00e1rio para uma rela\u00e7\u00e3o gratificante, estimular as energias latentes que, apesar da doen\u00e7a, a pessoa pode manifestar.  b) As fam\u00edlias est\u00e3o muito marcadas pela dificuldade que comporta uma assist\u00eancia permanente, pela incapacidade de rela\u00e7\u00e3o, pela falta de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, pela pobreza de recursos. No meio de um enorme cansa\u00e7o, precisam de apoios organizados. Os volunt\u00e1rios em sa\u00fade e os n\u00facleos paroquiais podem aliviar as fam\u00edlias, substituindo-as depois do tempo de esfor\u00e7o em que se esgotaram. Estes apoios passam pela presen\u00e7a organizada, pelas pequenas tarefas caseiras, pela estadia \u00e0 cabeceira do doente para a fam\u00edlia poder descansar ou mesmo ter uns dias de f\u00e9rias.  c) A assist\u00eancia cl\u00ednica e os apoios sociais s\u00e3o certamente os elementos mais importantes e que nunca podem negligenciar-se. No hospital, a presen\u00e7a dos m\u00e9dicos e dos enfermeiros \u00e9 f\u00e1cil. O mesmo n\u00e3o acontece quando os doentes est\u00e3o em sua casa, com a necessidade de apoio domiciliar. Mas \u00e9 importante que este apoio se consiga, com profissionais de sa\u00fade amigos, integrando um voluntariado em sa\u00fade suficientemente eficaz.  A Pastoral Social e a Pastoral da Sa\u00fade, sobretudo nas comunidades paroquiais, devem trabalhar em conjunto. O Centro Social fornece o apoio social indispens\u00e1vel ao doente e \u00e0 sua fam\u00edlia. O N\u00facleo Paroquial de Pastoral da Sa\u00fade oferece a ajuda espiritual e mesmo sacramental de que o doente e a fam\u00edlia necessitam. \u00c9 um trabalho conjunto, de \u00e1reas insepar\u00e1veis. Assim se consegue o que poderia chamar-se uma assist\u00eancia integral.  d) As pol\u00edticas de assist\u00eancia, em sa\u00fade mental, s\u00e3o insuficientes, o que coloca a Igreja na primeira linha desta interven\u00e7\u00e3o em sa\u00fade. O pr\u00f3prio Santo Padre alertava para isso na Sua mensagem para o Dia Mundial do Doente: \u201clamentavelmente em muitas partes do mundo, os servi\u00e7os a favor destes doentes s\u00e3o carentes, insuficientes e em ru\u00edna\u201d. Se tal n\u00e3o acontece em Portugal, h\u00e1 no entanto uma mentalidade de inser\u00e7\u00e3o dos doentes mentais na comunidade que os torna pessoas perdidas no meio da \u201ccidade\u201d. \u00c9 tamb\u00e9m considerando este facto, que a Igreja tem nas comunidades paroquiais, responsabilidades acrescidas.  A Igreja tem 21 hospitais que est\u00e3o especializados em sa\u00fade mental, trabalho magn\u00edfico da Ordem de S. Jo\u00e3o de Deus e das Irm\u00e3s Hospitaleiras do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, mas h\u00e1 muitas outras pessoas com problemas nesta \u00e1rea e que vivem nas comunidades crist\u00e3s. Acolh\u00ea-las, escut\u00e1-las, ajud\u00e1-las e integr\u00e1-las comunitariamente \u00e9 um dever para a pastoral da sa\u00fade nas nossas par\u00f3quias.  e) Uma ac\u00e7\u00e3o pastoral organizada. A sa\u00fade mental merece uma aten\u00e7\u00e3o especial das comunidades crist\u00e3s. H\u00e1 in\u00fameras pessoas com depress\u00e3o, aparecem muitos dependentes do \u00e1lcool e da droga, os idosos sofrem a s\u00edndrome da solid\u00e3o, as pessoas com idade muito avan\u00e7ada revelam sintomas de alzheimer, v\u00eam \u00e0 Igreja alguns doentes com sinais de esterismo e de esquizofernia.  O que fazer? &#8211; Procurar conhecer os casos que merecem especial aten\u00e7\u00e3o da parte do centro social e de pastoral da sa\u00fade; saber como as fam\u00edlias acompanham as situa\u00e7\u00f5es de doen\u00e7a. &#8211; Visitar estas fam\u00edlias e tentar apoi\u00e1-las, na medida do poss\u00edvel, para que sintam que n\u00e3o est\u00e3o s\u00f3s na ajuda ao doente que est\u00e1 em casa. Ser\u00e1 interessante, encontrar formas que permitam aos familiares terem horas de descanso ou mesmo tempos de f\u00e9rias, para se restabelecerem. Definir claramente o tipo de assist\u00eancia social e espiritual, respeitando a consci\u00eancia do doente e da sua fam\u00edlia e proporcionando companhia, servi\u00e7os ou aux\u00edlios espirituais na medida em que estas ajudas s\u00e3o pedidas e aceites. &#8211; Criar grupos de ora\u00e7\u00e3o e mesmo de catequese em que estas pessoas se sintam bem. \u00c9 uma forma de socializa\u00e7\u00e3o, de quebra do isolamento, aproveitando tamb\u00e9m para o enriquecimento espiritual e sobrenatural dos enfermos e seus familiares e amigos. &#8211; Integrar estas pessoas de uma forma normal na vida lit\u00fargica da comunidade crist\u00e3. A normalidade \u00e9 a marca de uma celebra\u00e7\u00e3o em que todos t\u00eam lugar, mesmo aqueles que t\u00eam problemas na \u00e1rea da sa\u00fade mental.   <b>5. O Dia Mundial do Doente em Portugal<\/b> Deixam-se algumas sugest\u00f5es para a celebra\u00e7\u00e3o desta data que anualmente se repete, mas que tem em cada ano uma especificidade. Em 2006, a Pastoral da Sa\u00fade centra-se na sa\u00fade mental e, sobretudo, no acompanhamento das pessoas que t\u00eam problemas de sa\u00fade mental e seus familiares.  a) A celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, na televis\u00e3o, a 12 de Fevereiro. A 12 de Fevereiro, a RTP1 transmitir\u00e1 \u00e0s 11 horas a Eucaristia da Cl\u00ednica Psiqui\u00e1trica de S. Jos\u00e9. Esta Eucaristia presidida por S. Em.cia o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, ser\u00e1 celebrada, em ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, pelos 50 anos de Cl\u00ednica Psiqui\u00e1trica que nesse dia se comemora. Esta cl\u00ednica \u00e9 orientada pelas Irm\u00e3s Hospitaleiras do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus.  b) Uma catequese sobre a sa\u00fade mental cujo esquema poder\u00e1 ter estes elementos:  &#8211; Reflectir sobre o que \u00e9 a sa\u00fade, enquanto harmonia integral do ser humano; se o que conta n\u00e3o \u00e9 apenas o bem estar f\u00edsico, ent\u00e3o tamb\u00e9m a sa\u00fade mental se torna essencial para a felicidade da pessoa humana.  &#8211; Procurar conhecer os problemas da sa\u00fade mental mais frequentes: a depress\u00e3o, as depend\u00eancias, o alzheimer, a dem\u00eancia senil e tantos outros. E quais s\u00e3o as suas causas e consequ\u00eancias, na vida do doente e na vida da comunidade?  &#8211; No Evangelho, qual a atitude de Jesus perante os doentes mentais? No tempo de Jesus, muitas das doen\u00e7as mentais eram consideradas possess\u00f5es diab\u00f3licas. Se em alguns casos se tratava mesmo de possess\u00f5es, na sua grande maioria n\u00e3o o eram, pelo que as novas tradu\u00e7\u00f5es do Evangelho citam muitas vezes os doentes mentais que Jesus acolhia, ouvia e curava (cf.Mt.4.23)  &#8211; Na atitude de Jesus encontramos a atitude pastoral, em pastoral da sa\u00fade, acolher, escutar, cuidar: Acolher e compreender os doentes e suas fam\u00edlias na sua diferen\u00e7a; Escutar com a ternura e a aten\u00e7\u00e3o a que estes doentes t\u00eam direito; Cuidar fisica, psiquica e espiritualmente para que tenham a suficiente qualidade de vida, a vida em abund\u00e2ncia.  &#8211; Ensaiar formas de introduzir estes doentes na vida da comunidade crist\u00e3. Estes doentes s\u00e3o pessoas com direitos e deveres. Devem ser ajudados a assumir-se como pessoas.  \u2022 Estes doentes n\u00e3o podem ser marginalizados e exclu\u00eddos, uma vez que a solid\u00e3o agrava as suas patologias.  \u2022 Estes doentes dever\u00e3o ser integrados na vida normal da comunidade, embora mere\u00e7am um enquadramento com especial aten\u00e7\u00e3o se necess\u00e1rio.  \u2022 Estes doentes podem participar na ora\u00e7\u00e3o e na vida sacramental, pelo que dever\u00e3o ser ajudados a faz\u00ea-lo.  \u2022 Estes doentes devem ser amados por todos os membros da comunidade que, com eles e as suas fam\u00edlias, valorizam o viver comum. A catequese pode sempre terminar com uma ora\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, tamb\u00e9m aberta aos doentes que nela participarem.   <b>6. O Dia Mundial do Doente nas Dioceses<\/b> Cada Diocese \u00e9 aut\u00f3noma e define como quer celebrar o Dia Mundial do Doente. Sugerem-se v\u00e1rias actividades:  a) Uma mensagem do Bispo Diocesano, para todos os doentes, profissionais de sa\u00fade e agentes pastorais, referindo a tem\u00e1tica do dia e a forma de a viver na pr\u00e1tica pastoral.  b) A celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia num hospital e, se poss\u00edvel, num hospital ou cl\u00ednica psiqui\u00e1trica que exista na Diocese. Esta Eucaristia poder\u00e1 ser presidida pelo Bispo Diocesano.  c) Afixa\u00e7\u00e3o de cartazes do Dia Mundial do Doente e distribui\u00e7\u00e3o do material de apoio que se fornece. Podem multiplicar-se estes elementos, fotocopiando-os. d) Uma confer\u00eancia ou um debate inter-disciplinar sobre a assist\u00eancia terap\u00eautica, social e religiosa a dar aos doentes com problemas de sa\u00fade mental e seus familiares.  Na autonomia que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, a Comiss\u00e3o Diocesana da Pastoral da Sa\u00fade realizar\u00e1 o programa que achar necess\u00e1rio, para interessar no campo da sa\u00fade mental todas as comunidades crist\u00e3s da Diocese.   <i>Mons. V\u00edtor Feytor Pinto, Coordenador da Comiss\u00e3o Nacional da Pastoral da Sa\u00fade<\/i> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portugal prepara celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial do Doente<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[101,104,120,127,154,166,193,203,206,211,237,267,277,282,294,314,329],"class_list":["post-16274","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-africa","tag-america","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-crianca","tag-dia-mundial-do-doente","tag-educacao","tag-europa","tag-familia","tag-ferias","tag-joao-paulo-ii","tag-natal","tag-pastoral-da-saude","tag-pastoral-social","tag-sacramentos","tag-solidariedade","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16274"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16274\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}