{"id":162064,"date":"2020-02-10T10:37:50","date_gmt":"2020-02-10T10:37:50","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=162064"},"modified":"2020-02-10T10:43:18","modified_gmt":"2020-02-10T10:43:18","slug":"a-pratica-que-responde-a-eutanasia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-pratica-que-responde-a-eutanasia\/","title":{"rendered":"A pr\u00e1tica que responde \u00e0 Eutan\u00e1sia"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Tenho uma leve impress\u00e3o de entrever uma resposta ao problema da Eutan\u00e1sia. As minhas d\u00favidas surgem por ser uma resposta, aparentemente, demasiado simples e contra-intuitiva: <em>praticar a gratid\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Comforting-holding-hands-HERO.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-162066\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Comforting-holding-hands-HERO.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Comforting-holding-hands-HERO.jpg 1000w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Comforting-holding-hands-HERO-400x160.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Comforting-holding-hands-HERO-768x307.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Comforting-holding-hands-HERO-980x392.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Comforting-holding-hands-HERO-480x192.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A pr\u00e1tica da gratid\u00e3o est\u00e1 acess\u00edvel a todas as pessoas. \u00c9 um modo de ver a vida que altera o olhar. Viver com gratid\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando nos damos conta de que as outras pessoas fazem por n\u00f3s coisas que n\u00e3o podemos fazer por n\u00f3s pr\u00f3prios. Por isso, quando gratos, afirmamos o bem que experimentamos, apesar do nosso sofrimento, e damos cr\u00e9dito ao outros por isso. Ou seja, a pr\u00e1tica da gratid\u00e3o reconhece o bem no pouco que temos e projecta-nos para fora de n\u00f3s mesmos ao reconhecer o bem que os outros nos fazem.<\/p>\n<p>A capacidade para a gratid\u00e3o est\u00e1 profundamente entrela\u00e7ada em tudo o que nos faz humanos, e sem a gratid\u00e3o, perdemos a oportunidade que temos de florescer como pessoas.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem pratique a gratid\u00e3o escrevendo num di\u00e1rio algo pelo qual est\u00e1 grato. Esta pr\u00e1tica leva-nos para al\u00e9m de pensar somente naquilo pelo qual estamos gratos, e aprofunda, tamb\u00e9m, o processo mental associado uma experi\u00eancia humana t\u00e3o importante como essa. A mente pode alterar o c\u00e9rebro de muitos modos e duradouros. Por isso, ao pensarmos e escrevermos raz\u00f5es e experi\u00eancias de gratid\u00e3o, de certa forma, deixamos que o fluir das palavras que nos passam pela mente esculpa o nosso c\u00e9rebro. Algo fundamental para aprender a lidar com o sofrimento.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica da gratid\u00e3o amplifica o bem que vemos em n\u00f3s pr\u00f3prios e nos outros, e torna-nos <em>pronoios<\/em> em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cparan\u00f3ia\u201d que reage como se os outros estivessem a conspirar contra n\u00f3s. A <em>pronoia<\/em> &#8211; uma express\u00e3o que li em Robert Emmons, psic\u00f3logo da gratid\u00e3o &#8211; \u00e9 a cren\u00e7a de que os outros est\u00e3o a conspirar para nos ajudar. Por isso, as pessoas que praticam a gratid\u00e3o s\u00e3o <em>pronoios<\/em>. Ou seja, esperam e veem mais a benevol\u00eancia no mundo do que a viol\u00eancia. S\u00e3o pessoas cientes de que ao praticarem a gratid\u00e3o, amplificam o bem em si e nos outros, e estimulam a constru\u00e7\u00e3o de relacionamentos humanos aut\u00eanticos.<\/p>\n<p>A gratid\u00e3o estrutura as nossas vidas e mentes, e altera de tal forma o modo como falamos, que aumentamos, ainda mais, a consci\u00eancia das experi\u00eancias positivas e transformativas que a gratid\u00e3o produz. A linguagem reflecte sempre o que pensamos. E os pensamentos &#8211; quer queiramos ou n\u00e3o &#8211; criam, em certa medida, a realidade \u00e0 nossa volta. Por isso, as pessoas que praticam a gratid\u00e3o usam palavras como <em>dom, b\u00ean\u00e7\u00e3o, abund\u00e2ncia,<\/em> expressando n\u00e3o tanto o que t\u00eam, mas o que lhes \u00e9 dado. Nesse sentido, a <em>linguagem da gratid\u00e3o<\/em> chama a nossa aten\u00e7\u00e3o para o que de bom os outros fazem na nossa vida, ajudando-nos a ter a vis\u00e3o do todo e n\u00e3o apenas da parte diante dos nossos olhos.<\/p>\n<p>Penso que estaremos mais conscientes de que a gratid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma simples emo\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 bem de sa\u00fade e alegre, mas, pelo contr\u00e1rio, ser\u00e1 a pr\u00e1tica da gratid\u00e3o que nos d\u00e1 alegria, tornando a nossa vida mais intensa e profunda. Pois, n\u00e3o \u00e9 a alegria que nos leva a estar gratos, mas a gratid\u00e3o que nos leva a estar alegres.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre gratid\u00e3o e alegria reflecte uma vida plena e desperta, entre cada pessoa e o mundo que a rodeia, sendo algo essencial para um bem-estar sustent\u00e1vel apesar do grau de sofrimento que se vive. De tal modo que faz crescer em n\u00f3s o desejo de reflectir o bem que nos \u00e9 feito ao procurar, criativamente, a primeira oportunidade de dar alguma coisa aos outros. Nem que seja um sorriso. Por isso, quem pratica a gratid\u00e3o vive, especialmente, a dimens\u00e3o do amor como dom de si mesmo, tornando-se numa for\u00e7a transformadora do mundo.<\/p>\n<blockquote><p>\u00abExistem dois tipos de gratid\u00e3o: o tipo ef\u00e9mero que sentimos por aquilo que tiramos; e o tipo duradouro que sentimos por aquilo que damos.\u00bb (Edward Arlington Robinson, poeta)<\/p><\/blockquote>\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 um indicador importante de que a gratid\u00e3o transformou-nos de um modo significativo e transforma, tamb\u00e9m, a sociedade. A eutan\u00e1sia n\u00e3o me parece uma grande inspira\u00e7\u00e3o, mas estou certo que se praticarmos a gratid\u00e3o iremos dar mais de n\u00f3s aos que vivem grandes sofrimentos e, seguramente, saborear com eles como cada batimento do seu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma d\u00e1diva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[204],"class_list":["post-162064","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-eutanasia-bioetica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162064","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=162064"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162064\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=162064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=162064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=162064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}