{"id":16199,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-herdeiro-de-frere-roger\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-herdeiro-de-frere-roger","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-herdeiro-de-frere-roger\/","title":{"rendered":"O herdeiro de Fr\u00e8re Roger"},"content":{"rendered":"<p>O Irm\u00e3o Alo\u00efs, prior da Comunidade Ecum\u00e9nica de Taiz\u00e9, fala dos desafios que se colocam ap\u00f3s a morte do fundador e dos caminhos para o futuro do ecumenismo <!--more--> <img decoding=\"async\" border=\"1\" src=\"\/pub\/1\/img\/rogeralois.jpg\" align=\"left\">De origem alem\u00e3, e nacionalidade francesa desde 1984, cat\u00f3lico, o irm\u00e3o Alois nasceu a 11 de Junho de 1954 na Baviera e cresceu em Estugarda. Os seus pais nasceram e cresceram no que era ent\u00e3o a Checoslov\u00e1quia. Depois de v\u00e1rias passagens por Taiz\u00e9, ficou como volunt\u00e1rio, ajudando no acolhimento de jovens durante v\u00e1rios meses, antes de receber o h\u00e1bito de ora\u00e7\u00e3o da comunidade em 1974. Desde essa data, viveu sempre em Taiz\u00e9. Como volunt\u00e1rio e depois como irm\u00e3o, fez in\u00fameras viagens aos pa\u00edses da Europa central e oriental, a fim de apoiar os crist\u00e3os destes pa\u00edses, ent\u00e3o sob influ\u00eancia sovi\u00e9tica. De acordo com a regra de Taiz\u00e9 que tinha publicado em 1953, o irm\u00e3o Roger, com a concord\u00e2ncia dos irm\u00e3os, designou-o sucessor na altura do conselho dos irm\u00e3os em Janeiro de 1998. Muito cansado pelo peso da idade, o irm\u00e3o Roger tinha anunciado \u00e0 comunidade, em Janeiro de 2005, que o irm\u00e3o Alois iniciaria este ano o seu minist\u00e9rio. Nestes \u00faltimos anos, o irm\u00e3o Alois coordenou a organiza\u00e7\u00e3o dos encontros internacionais em Taiz\u00e9 e dos encontros europeus em v\u00e1rias metr\u00f3poles da Europa. Muito interessado pela m\u00fasica e pela liturgia, tamb\u00e9m dedicou sempre muito tempo \u00e0 escuta e acompanhamento dos jovens.  <i>Ag\u00eancia ECCLESIA \u2013 Como vai ser a comunidade de Taiz\u00e9 sob a sua orienta\u00e7\u00e3o? Irm\u00e3o Alo\u00efs \u2013<\/i> Fr\u00e8re Roger deixou-nos um caminho aberto, pelo que nos compete a n\u00f3s inventar um futuro, para o continuar. As intui\u00e7\u00f5es de base permanecem as mesmas: somos uma comunidade mon\u00e1stica, fundada sobre compromissos para toda a vida; vivemos do nosso trabalho e n\u00e3o de donativos; alguns irm\u00e3os vivem noutros continentes para partilhar a exist\u00eancias dos mais pobres; procuramos ser animados pela paix\u00e3o da unidade dos crist\u00e3os, para tornar o Evangelho cred\u00edvel; gostar\u00edamos, por isso, de ir \u00e0s fontes da f\u00e9 com todos os que nos v\u00eam visitar Fr\u00e8re Roger escreveu uma regra para nossa comunidade, a que chamou mais tarde \u201cAs fontes de Taiz\u00e9\u201d, na qual deixa um apelo a viver, em conjunto com todos os irm\u00e3os, \u201cuma par\u00e1bola de comunh\u00e3o\u201d. A bondade do cora\u00e7\u00e3o e o perd\u00e3o s\u00e3o realidades evang\u00e9licas que queremos recordar quotidianamente, para nos impregnarmos delas.  <i>AE \u2013 Pensar em Taiz\u00e9 \u00e9 pensar na reconcilia\u00e7\u00e3o dos Crist\u00e3os? IA \u2013<\/i> Claro! Sen\u00e3o, Taiz\u00e9 n\u00e3o seria Taiz\u00e9. Para o irm\u00e3o Roger, o facto de fundar uma comunidade mon\u00e1stica era j\u00e1 uma op\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica, dado que a vida mon\u00e1stica tinha desaparecido das Igrejas da Reforma e ele vinha de uma fam\u00edlia protestante. Esta comunidade mergulha as suas ra\u00edzes na Igreja indivisa, para l\u00e1 do protestantismo, uma comunidade que pela sua pr\u00f3pria exist\u00eancia se ligava de maneira indissol\u00favel \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica e ortodoxa. \u00c9 preciso ver bem, contudo, qual \u00e9 a exig\u00eancia de hoje. N\u00f3s n\u00e3o podemos viver a voca\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica como nos anos 50 ou 60, quando celebrar cada ano a semana de ora\u00e7\u00e3o pela unidade era j\u00e1 um grande passo. Hoje, a seculariza\u00e7\u00e3o na Europa e noutras partes do mundo coloca-nos perante outros desafios, sobretudo o de saber como transmitir a f\u00e9 \u00e0s jovens. A busca pela unidade dos crist\u00e3os procura-se sem cessar, dado que se ela quisesse apenas colocar-nos uns diante dos outros para discutir, faltaria o essencial.   <i>AE \u2013 E o que \u00e9 o essencial? IA \u2013<\/i> O essencial \u00e9 virarmo-nos juntos para o Cristo sempre vivo, sempre presente. \u00c9 isso que n\u00f3s fazemos na ora\u00e7\u00e3o comum. Em Taiz\u00e9, tr\u00eas vezes por dia, com os jovens ortodoxos, protestantes, cat\u00f3licos que ali est\u00e3o, viramo-nos juntos para Deus e \u00e9-nos permitido realizar um sinal da comunh\u00e3o profunda que une todos os baptizados. Assim, de facto, queremos antecipar uma unidade vis\u00edvel dos crist\u00e3os. N\u00e3o digo que todas as quest\u00f5es encontrem solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis, mas as quest\u00f5es que permanecem em aberto n\u00e3o devem impedir-nos de caminhar juntos para Cristo.  <i>AE \u2013 Os temas da paz est\u00e3o cada vez mais presentes na reflex\u00e3o de Taiz\u00e9. Porqu\u00ea? IA \u2013<\/i> A paz \u00e9 uma interroga\u00e7\u00e3o que nos toca profundamente. Os jovens tamb\u00e9m lhe s\u00e3o extremamente sens\u00edveis. Encontros como o de Mil\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o congressos, onde procurar\u00edamos analisar e discutir problemas da sociedade. Os Encontros de jovens constituem, por si s\u00f3, gestos de paz e de reconcilia\u00e7\u00e3o: as fam\u00edlias acolhem estrangeiros, os jovens de diferentes origens escutam-se uns aos outros para al\u00e9m do que os separa, por exemplo jovens s\u00e9rvios e jovens croatas. Tudo isto d\u00e1 um sinal de esperan\u00e7a que mostra que nos podemos avan\u00e7ar rumo \u00e0 paz: ouvir-nos uns aos outros \u00e9 um primeiro passo indispens\u00e1vel, que est\u00e1 sempre por dar. N\u00f3s procuramos viver esta abertura ao outro e os jovens interrogam-se sobre como agir para fazer face \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0s crises internacionais. Numa mesma perspectiva, outros jovens interrogam-se sobre o acolhimento aos sem-abrigo, aos que sofrem por causa da pobreza ou da exclus\u00e3o, aos imigrados; outros pensam ainda sobre como viver com os crentes do Isl\u00e3o.  <i>AE \u2013 No encontro europeu de Mil\u00e3o, na passagem de ano, foram anunciados encontros noutros continentes. Taiz\u00e9 quer chegar mais longe? IA \u2013<\/i> H\u00e1 28 anos que organizamos um encontro europeu de jovens e isso vai continuar: em 2006 ser\u00e1 em Zagreb, na Cro\u00e1cia. Acontece que, nos \u00faltimos anos, jovens de outros continentes tamb\u00e9m vieram a Taiz\u00e9, num n\u00famero cada vez maior. Por isso, colocou-se a quest\u00e3o de responder \u00e0s suas expectativas. Consideramos a sua participa\u00e7\u00e3o nos  encontros de Taiz\u00e9 como algo de precioso, porque ajudam os jovens europeus a ver para al\u00e9m da sua situa\u00e7\u00e3o e das suas dificuldades. A globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um caminho irrevers\u00edvel e os crist\u00e3os vivem j\u00e1 numa comunh\u00e3o universal, algo que sentimos fortemente em Taiz\u00e9 como um sinal dos nossos tempos. Por isso, t\u00ednhamos de estar atentos e responder, algo que procuraremos fazer com estes encontros noutros continentes. Nesta mat\u00e9ria, como noutras, Fr\u00e8re Roger estava \u00e0 frente do seu tempo, dado que nos anos 70 e 80 j\u00e1 via a necessidade de ir ao encontro dos jovens de outros continentes, tendo ido ele pr\u00f3prio ao M\u00e9xico, \u00e0 \u00cdndia e \u00e0s Filipinas. Nada disto \u00e9 novo para n\u00f3s, trata-se de retomar uma das intui\u00e7\u00f5es que nos marcaram.  <i>AE \u2013 O aumento da presen\u00e7a de jovens de Leste \u00e9 uma surpresa? IA &#8211;<\/i> Sim e n\u00e3o. Desde a abertura das fronteiras entre a Europa de Leste e do Ocidente, eles vieram logo, e em grande n\u00famero. J\u00e1 desde 1962, alguns irm\u00e3os iam a diversos pa\u00edses do Leste, pelo que durante 3 anos visit\u00e1mos os crist\u00e3os dessas localidades, partilhando com eles uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. Obviamente que, nessa altura, n\u00e3o fal\u00e1vamos disso, tudo se fazia com a maior discri\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o comprometer aqueles que visit\u00e1vamos. \u00c0s vezes era poss\u00edvel promover encontros de jovens neste ou naquele pa\u00eds de Leste e, com a abertura das fronteiras, tornou-se vi\u00e1vel promover encontros livremente, pelo que \u00e9 normal que muitos jovens venham a Taiz\u00e9. Estamos, de facto, surpreendidos e felizes porque, ao fim de tantos anos, eles continuam a vier em grande n\u00famero e encontram-se, na nossa colina, com jovens dos pa\u00edses do Ocidente: sem encontros pessoais, a Europa n\u00e3o de poder\u00e1 construir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Irm\u00e3o Alo\u00efs, prior da Comunidade Ecum\u00e9nica de Taiz\u00e9, fala dos desafios que se colocam ap\u00f3s a morte do fundador e dos caminhos para o futuro do ecumenismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[192,203,206,246,315],"class_list":["post-16199","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-ecumenismo","tag-europa","tag-familia","tag-liturgia","tag-taize"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16199","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16199"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16199\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}