{"id":16174,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/caridade-e-justica-igreja-e-estado-fe-e-politica\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"caridade-e-justica-igreja-e-estado-fe-e-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/caridade-e-justica-igreja-e-estado-fe-e-politica\/","title":{"rendered":"Caridade e justi\u00e7a, Igreja e Estado, f\u00e9 e pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>Esta enc\u00edclica tem como tema a rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca e directa entre a experi\u00eancia acolhida do amor de Deus e a actua\u00e7\u00e3o do amor ao pr\u00f3ximo, organizada na Igreja atrav\u00e9s do &#8220;servi\u00e7o da caridade&#8221;. O objectivo \u00e9 suscitar &#8220;um renovado dinamismo de empenhamento&#8221; (n. 1) nesta actividade caritativa da Igreja. As reflex\u00f5es sobre a tr\u00edplice d\u00edade do t\u00edtulo aparecem, nos nn. 26 a 29, em resposta \u00e0s opini\u00f5es que valorizam exclusivamente o esfor\u00e7o pela constru\u00e7\u00e3o da ordem da justi\u00e7a: esta, por si s\u00f3, uma vez realizada, dispensaria a caridade, apenas paliativa e, \u00e0s vezes, prolongadora da injusti\u00e7a. Os argumentos subsequentes procuram enaltecer, face a esta objec\u00e7\u00e3o, o valor e a necessidade da ac\u00e7\u00e3o caritativa da Igreja, da\u00ed apresentarem algum enviesamento no tratamento da rela\u00e7\u00e3o entre caridade e pol\u00edtica, como veremos. O &#8220;empenho em prol da justi\u00e7a&#8221; n\u00e3o \u00e9 menos necess\u00e1rio ou importante que o &#8220;servi\u00e7o da caridade&#8221;, mas competem primordialmente a duas inst\u00e2ncias distintas: primeiro ao Estado, segundo \u00e0 Igreja. Reafirma-se a doutrina do Vaticano II da leg\u00edtima e necess\u00e1ria separa\u00e7\u00e3o entre Estado e Igreja, mas vivida em rela\u00e7\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o rec\u00edproca ao servi\u00e7o da pessoa e do bem-comum. A forma como \u00e9 apresentada esta colabora\u00e7\u00e3o rec\u00edproca \u00e9 particularmente clara, correndo at\u00e9 o risco de ser demasiado taxativa nas distin\u00e7\u00f5es. Por um lado, &#8220;a Igreja n\u00e3o pode nem deve tomar nas suas pr\u00f3prias m\u00e3os a batalha pol\u00edtica&#8221;, essa \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o do Estado, &#8220;mas n\u00e3o pode nem deve ficar \u00e0 margem na luta pela justi\u00e7a&#8221;. Contribui para ela atrav\u00e9s da sua doutrina social. Esta, a partir do encontro com Deus na f\u00e9 que clarifica o funcionamento da raz\u00e3o, forma a consci\u00eancia na pol\u00edtica, ajuda a perceber as verdadeiras exig\u00eancias da justi\u00e7a e faz crescer a disponibilidade para agir. Pela &#8220;via da argumenta\u00e7\u00e3o racional&#8221;, discorrendo &#8220;a partir da raz\u00e3o e do direito natural&#8221;, mas despertando &#8220;as for\u00e7as espirituais&#8221;, a Igreja oferece, &#8220;por meio da purifica\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o e atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o \u00e9tica, a sua contribui\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para que as exig\u00eancias da justi\u00e7a se tornem compreens\u00edveis e politicamente realiz\u00e1veis&#8221; (n. 28.a). Trata-se de uma formula\u00e7\u00e3o program\u00e1tica particularmente estimulante da fun\u00e7\u00e3o da Doutrina social da Igreja. Ao Estado, em obedi\u00eancia ao princ\u00edpio de subsidiariedade, compete-lhe ser n\u00e3o &#8220;um Estado que regule e domine tudo&#8221;, mas &#8220;que generosamente reconhe\u00e7a e apoie&#8221; as iniciativas sociais movidas pelo amor e sempre necess\u00e1rias, mesmo na sociedade mais justa, nomeadamente a ac\u00e7\u00e3o caritativa da Igreja (n. 28.b). Concluindo, no n. 29, afirma a enc\u00edclica que &#8220;a forma\u00e7\u00e3o de estruturas justas n\u00e3o \u00e9 imediatamente um dever da Igreja, mas pertence \u00e0 esfera da pol\u00edtica&#8221;, \u00e9 apenas um dever mediato, j\u00e1 que &#8220;\u00e9 pr\u00f3prio dos fi\u00e9is leigos. Estes, como cidad\u00e3os do Estado, s\u00e3o chamados a participar pessoalmente na vida p\u00fablica.&#8221; \u00c0 afirma\u00e7\u00e3o do que pode distinguir as fun\u00e7\u00f5es da &#8220;Igreja&#8221; e dos &#8220;fi\u00e9is leigos&#8221; fica a faltar, talvez, um sublinhar duma unidade complementar e dificilmente circunscrita. Assim como permanece o desejo de que a reflex\u00e3o feita sobre a uni\u00e3o entre amor a Deus, o amor ao pr\u00f3ximo e o servi\u00e7o eclesial organizado da caridade seja tamb\u00e9m aplicada, com a mesma riqueza e profundidade, \u00e0 rela\u00e7\u00e3o destes mesmos amores com a pol\u00edtica e a ordem da justi\u00e7a, la\u00e7os que documentos anteriores do magist\u00e9rio social j\u00e1 estabeleceram. S\u00e3o aberturas que esta bel\u00edssima enc\u00edclica deixa, em expectativa de desenvolvimentos futuros, e j\u00e1 como est\u00edmulo \u00e0 reflex\u00e3o (e \u00e0 viv\u00eancia) de toda a Igreja. <i>Herm\u00ednio Rico SJ, Director da revista Brot\u00e9ria &#8211; Cristianismo e Cultura<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta enc\u00edclica tem como tema a rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca e directa entre a experi\u00eancia acolhida do amor de Deus e a actua\u00e7\u00e3o do amor ao pr\u00f3ximo, organizada na Igreja atrav\u00e9s do &#8220;servi\u00e7o da caridade&#8221;. O objectivo \u00e9 suscitar &#8220;um renovado dinamismo de empenhamento&#8221; (n. 1) nesta actividade caritativa da Igreja. 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