{"id":16171,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/caridade-e-missao-evangelizadora-da-igreja\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"caridade-e-missao-evangelizadora-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/caridade-e-missao-evangelizadora-da-igreja\/","title":{"rendered":"Caridade e miss\u00e3o evangelizadora da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>A primeira Carta Enc\u00edclica, publicada por cada um dos \u00faltimos Papas, n\u00e3o tem servido apenas para assinalar o in\u00edcio do pontificado, mas tem sido o meio de cada um dos Pont\u00edfices revelar, \u00e0 Igreja e ao mundo, a orienta\u00e7\u00e3o que pretendia dar \u00e0 miss\u00e3o que o Esp\u00edrito Santo lhes confiou. Se \u00e9 esta tamb\u00e9m a inten\u00e7\u00e3o de Bento XVI ao publicar a &#8220;Deus Caritas Est&#8221;, podemos concluir que a pr\u00e1tica da caridade de forma organizada &#8220;enquanto pressuposto para um servi\u00e7o comunit\u00e1rio ordenado&#8221; (&#8220;Deus caritas est&#8221;, n.\u00ba 20), estar\u00e1 no centro do minist\u00e9rio petrino do Papa.  Por\u00e9m, se esta Carta Enc\u00edclica n\u00e3o tiver objectivos de natureza program\u00e1tica, ter\u00e1, pelo menos, o m\u00e9rito de deixar claro, e em definitivo, que a miss\u00e3o evangelizadora da Igreja estar\u00e1 sempre truncada se &#8220;descurar o servi\u00e7o da caridade&#8221; (n.\u00ba 22). Por isso, com a publica\u00e7\u00e3o desta Enc\u00edclica foi dado um grande passo para o refor\u00e7o da consci\u00eancia de que &#8220;o amor do pr\u00f3ximo, radicado no amor de Deus, \u00e9 um dever, antes de mais, para cada um dos fi\u00e9is, mas \u00e9-o tamb\u00e9m para a comunidade eclesial inteira, e isto a todos os seus n\u00edveis: da comunidade local, passando pela Igreja particular, at\u00e9 \u00e0 Igreja universal na sua globalidade&#8221; (n.\u00ba 20). \u00c9 interessante verificar que j\u00e1 os nossos Bispos, na Instru\u00e7\u00e3o Pastoral sobre &#8221; A Ac\u00e7\u00e3o Social da Igreja&#8221; que publicaram em 1997, recomendavam o desenvolvimento da Pastoral Social no plano nacional e diocesano, esperando que nenhuma par\u00f3quia descurasse a cria\u00e7\u00e3o ou consolida\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o de ac\u00e7\u00e3o social. (Cf IPASI 31 e 32). Neste coment\u00e1rio, limito-me a referir alguns dos aspectos que considero cruciais para a pr\u00e1tica da caridade por parte dos fi\u00e9is, mas sobretudo como responsabilidade inerente \u00e0 ac\u00e7\u00e3o pastoral de cada comunidade crist\u00e3, tenha ela a dimens\u00e3o de uma Igreja particular ou de uma par\u00f3quia. Ao iniciar o segundo cap\u00edtulo da Enc\u00edclica, o Papa deixa, desde logo, bem expl\u00edcito que a caridade da Igreja n\u00e3o \u00e9 mais que a manifesta\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio amor que une o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito Santo (&#8220;Deus caritas est&#8221;, n.\u00ba 19). Com efeito, nascida do amor de Deus, da gra\u00e7a de Jesus Cristo e da comunh\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, a Igreja tem que testemunhar e actualizar, em cada tempo, o amor gratuito do Senhor pelos famintos de p\u00e3o, de justi\u00e7a e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, do Deus da esperan\u00e7a. Este &#8220;amor tamb\u00e9m precisa de organiza\u00e7\u00e3o&#8221; (n.\u00ba 20), porque o mundo da pobreza e da marginaliza\u00e7\u00e3o social \u00e9 atravessado por m\u00faltiplos e variados factores que exercem a sua influ\u00eancia sobre ele. Se n\u00e3o existir uma aut\u00eantica organiza\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o nas comunidades crist\u00e3s, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel lograr a realiza\u00e7\u00e3o de uma verdadeira ac\u00e7\u00e3o libertadora das amarraras da mis\u00e9ria e da injusti\u00e7a vividas por muitos irm\u00e3os nossos, pois cada um actuar\u00e1 segundo os seus projectos e interesses ou as &#8220;suas boas vontades&#8221;, apresentando uma multiplicidade de rostos e n\u00e3o mostrando, desde a comunidade, um \u00fanico rosto: o do amor que brota do cora\u00e7\u00e3o de Deus. \u00c9, por esta raz\u00e3o, imperioso que a &#8220;actividade caritativa da Igreja mantenha todo o seu esplendor e n\u00e3o se dissolva na organiza\u00e7\u00e3o assistencial comum, tornando-se uma simples variante da mesma&#8221; (n.\u00ba 30), n\u00e3o podendo perder a sua especificidade e identidade. Perante os problemas que, muitas vezes, nos perturbam como membros da comunidade eclesial, devemos olhar continuamente numa dupla direc\u00e7\u00e3o: para dentro e para fora (Cf n.\u00ba 34); para n\u00f3s pr\u00f3prios e para o nosso agir (cf. n.\u00ba 37). S\u00e3o estes dois p\u00f3los que representam os aut\u00eanticos desafios \u00e0 pr\u00e1tica da caridade. Deve realizar uma ac\u00e7\u00e3o criadora, salvadora, para o interior e para o exterior. S\u00f3 assim ser\u00e1 animadora das suas pr\u00f3prias comunidades e da grande comunidade do mundo em que se incarna. Bento XVI alerta ainda para um dos grandes perigos em que poder\u00e3o incorrer, os que realizam a ac\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-caritativa que s\u00e3o o activismo, o secularismo e o proselitismo. Os dois primeiros poder\u00e3o ser vencidos pela &#8220;ora\u00e7\u00e3o, como meio para haurir continuamente a for\u00e7a de Cristo&#8221; (n.\u00ba 36); o terceiro nunca ser\u00e1 tido como motiva\u00e7\u00e3o por quem, com humildade, &#8220;sabe que o amor, na sua pureza e gratuidade, \u00e9 o melhor testemunho do Deus em que acreditamos e que os impele a amar&#8221;(n.\u00ba 31). Muito mais se poderia reflectir sobre a segunda parte desta Enc\u00edclica. Mas oportunidades n\u00e3o h\u00e3o-de faltar, porque acredito que os crist\u00e3os v\u00e3o ler atentamente, meditar e ajudar as suas comunidades crist\u00e3s a p\u00f4r em pr\u00e1tica estes t\u00e3o oportunos e valios\u00edssimos ensinamentos de Bento XVI, cientes de que &#8220;para a Igreja a caridade (\u2026) \u00e9 express\u00e3o irrenunci\u00e1vel da sua pr\u00f3pria ess\u00eancia&#8221; (n.\u00ba 25). Que assim seja! <i>Eug\u00e9nio Fonseca, Presidente da C\u00e1ritas Portuguesa<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira Carta Enc\u00edclica, publicada por cada um dos \u00faltimos Papas, n\u00e3o tem servido apenas para assinalar o in\u00edcio do pontificado, mas tem sido o meio de cada um dos Pont\u00edfices revelar, \u00e0 Igreja e ao mundo, a orienta\u00e7\u00e3o que pretendia dar \u00e0 miss\u00e3o que o Esp\u00edrito Santo lhes confiou. 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