{"id":16168,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/desafios-a-sociedade-portuguesa\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"desafios-a-sociedade-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/desafios-a-sociedade-portuguesa\/","title":{"rendered":"Desafios \u00e0 sociedade portuguesa"},"content":{"rendered":"<p>A publica\u00e7\u00e3o da carta enc\u00edclica \u201cDeus Caritas est\u201d (Deus \u00e9 Amor), de Bento XVI, \u00e9 um desafio \u00e0 reflex\u00e3o sobre o papel dos cat\u00f3licos na sociedade e na pol\u00edtica portuguesas, espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o da \u201cordem justa\u201d de que o Papa fala ao relacionar os conceitos de caridade e justi\u00e7a. Guilherme d\u2019Oliveira Martins, presidente do Centro de Reflex\u00e3o Crist\u00e3, fala num documento \u201cpromissor\u201d, por reflectir \u201cnum tema crucial, no mundo contempor\u00e2neo, que \u00e9 o lugar do outro\u201d. Essa compreens\u00e3o, assegura, levar\u00e1 as pessoas a \u201cencarar a quest\u00e3o da solidariedade, da caridade e da justi\u00e7a\u201d. Este respons\u00e1vel refere que os cat\u00f3licos s\u00e3o convidados a assumir e de preparar o \u201cface a face\u201d, de que fala S. Paulo, e que transforma a terceira virtude teologal, a caridade, a \u201crela\u00e7\u00e3o com o outro\u201d, em primeira, de que a f\u00e9 e a esperan\u00e7a s\u00e3o subsidi\u00e1rias. Jos\u00e9 Manuel Pureza, antigo membro da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz (CNJP), considera que estamos perante \u201cum texto muito estimulante e que procurar centrar a reflex\u00e3o crist\u00e3 em torno de um n\u00facleo essencial \u2013 a quest\u00e3o do amor \u2013 na sua densidade m\u00e1xima\u201d. \u201cToma uma posi\u00e7\u00e3o muito rigorosa sobre aquilo que deve ser o essencial do trabalho da Igreja, quando faz uma tentativa de relacionamento correcto entre justi\u00e7a e amor\u201d, aponta. Guilherme d\u2019Oliveira Martins considera que esta enc\u00edclica vem \u201cactualizar e aprofundar\u201d, em muitos dom\u00ednios, os ensinamentos e preocupa\u00e7\u00f5es do II Conc\u00edlio do Vaticano, sobretudo no que se refere \u201c\u00e0 liga\u00e7\u00e3o entre o conceito de amor e de justi\u00e7a, a qual n\u00e3o pode estar desligada do desenvolvimento e da promo\u00e7\u00e3o humana\u201d. J\u00e1 Jos\u00e9 Manuel Pureza adianta que a segunda parte do documento \u201cter\u00e1 mais ecos no trabalho eclesial do que primeira\u201d. \u201cA mensagem essencial da segunda parte \u00e9 que mesmo nas sociedades mais justas a caridade faz sempre falta. Bento XVI coloca a quest\u00e3o de uma maneira muito acertada: haver\u00e1 sempre lugar a situa\u00e7\u00f5es humanas que carecem de ajuda, de apoio e, sobretudo, de forma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o\u201d, explica este especialista em rela\u00e7\u00f5es internacionais.  <b>Magist\u00e9rio moral<\/b> Muito destacada na comunica\u00e7\u00e3o social tem sido a afirma\u00e7\u00e3o de Bento XVI sobre a n\u00e3o interfer\u00eancia da Igreja na Pol\u00edtica, frisando que esta \u201cn\u00e3o pode ser encargo imediato da Igreja&#8221;. Guilherme d\u2019Oliveira Martins, com uma vasta experi\u00eancia pol\u00edtica ele pr\u00f3prio, defende a necessidade de uma \u201cleitura mais atenta\u201d sobre estas afirma\u00e7\u00f5es, precisando que \u201ca ess\u00eancia do fen\u00f3meno pol\u00edtico prende-se com a pr\u00f3pria dignidade humana\u201d. \u201cN\u00e3o cabe \u00e0 Igreja definir receitas para as solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais ou econ\u00f3micas, mas cabe-lhe, isso sim, o magist\u00e9rio moral, que suscita, no dia-a-dia, solu\u00e7\u00f5es que v\u00e3o ao encontro das pessoas, da liberdade e da justi\u00e7a\u201d, aponta. Jos\u00e9 Manuel Pureza frisa, tamb\u00e9m, que \u201cesta enc\u00edclica n\u00e3o pode ser vista como um texto de an\u00e1lise sociol\u00f3gica\u201d. \u201cColoca desafios porque a Igreja tem consigo uma tradi\u00e7\u00e3o de empenhamento social que lhe d\u00e1 autoridade para afirmar que a luta pelo bem comum n\u00e3o \u00e9 quixotesca de meia d\u00fazia de pessoas\u201d, indica. Ambas as opini\u00f5es concordam que o patamar de exig\u00eancia que este texto coloca \u00e9 muito alto e \u201cobriga a reflectir sobre as desigualdades, sobre todas as formas de domina\u00e7\u00e3o e de desrespeito pela dignidade humana\u201d, como observa Oliveira Martins. \u201cA caridade n\u00e3o \u00e9 um amortecedor das consci\u00eancias e n\u00e3o \u00e9 um substitutivo da justi\u00e7a, mas um complemento desta mesma justi\u00e7a\u201d, aponta Jos\u00e9 Manuel Pureza, para quem este \u00e9 um \u201ctexto que auspicia coisas boas e n\u00e3o se fecha na defesa conservadora de uma doutrina\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A publica\u00e7\u00e3o da carta enc\u00edclica \u201cDeus Caritas est\u201d (Deus \u00e9 Amor), de Bento XVI, \u00e9 um desafio \u00e0 reflex\u00e3o sobre o papel dos cat\u00f3licos na sociedade e na pol\u00edtica portuguesas, espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o da \u201cordem justa\u201d de que o Papa fala ao relacionar os conceitos de caridade e justi\u00e7a. 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