{"id":161494,"date":"2020-02-03T10:26:24","date_gmt":"2020-02-03T10:26:24","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=161494"},"modified":"2020-02-03T10:26:24","modified_gmt":"2020-02-03T10:26:24","slug":"somos-do-mundo-ou-estamos-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/somos-do-mundo-ou-estamos-no-mundo\/","title":{"rendered":"Somos do mundo ou estamos no mundo?"},"content":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas que sempre reconheci nos crist\u00e3os &#8211; sendo um deles &#8211; \u00e9 o facto de serem pessoas normais. Jesus era um homem normal.<\/p>\n<p>Se conhecermos bem os evangelhos, vemos como Jesus n\u00e3o tinha o comportamento de um guru com uma filosofia de vida irresist\u00edvel pela qual vale a pena pagar centenas de dracmas para ouvir a sess\u00e3o e sair de l\u00e1 transformado. Deu tudo porque deu-Se, sobretudo, a Verdade sobre si mesmo. Por\u00e9m, o mundo odiava-O e ele explica a raz\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>\u201dSe vi\u00e9sseis do mundo, o mundo amaria o que \u00e9 seu; mas, como n\u00e3o vindes do mundo, pois fui Eu que vos escolhi do meio do mundo, por isso \u00e9 que o mundo vos odeia.\u201d (Jo 15, 19)<\/p><\/blockquote>\n<p>Mas talvez o mundo tenha percebido que o \u00f3dio estava a gerar m\u00e1rtires e, sem querer, criou algo melhor do que odiar quem n\u00e3o era dele: o consumo da nossa aten\u00e7\u00e3o. E pela aten\u00e7\u00e3o, o mundo digital parece estar a consumir-nos at\u00e9 nos tornarmos mundo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/AttentionConsumption.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-161497 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/AttentionConsumption-254x260.jpg\" alt=\"\" width=\"254\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/AttentionConsumption-254x260.jpg 254w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/AttentionConsumption-480x491.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/AttentionConsumption.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 254px) 100vw, 254px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quando deixamos a nossa vida ser conformada pela proposta crist\u00e3, reconhecemos estar no mundo, sem fazermos parte dele. E n\u00e3o fazemos parte do mundo pelos valores que norteiam as nossas escolhas, gestos, pensamentos e estilos de vida. Pois, viver em Deus implica ser como Ele nos revelou ser: Amor. Por isso, de cada vez que surge uma novidade no mundo que pode transformar a vida das pessoas e a cultura, dever\u00edamos questionar se essa novidade entra em sintonia com os nossos valores.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 assim ainda hoje?<\/p>\n<p>Por exemplo, temo que um crist\u00e3o muito activo nas redes sociais tolere mais um ateu do que tolera outro crist\u00e3o que <em>n\u00e3o esteja<\/em> nas redes sociais. Experimentei isto na pele quando um dia ao partilhar que tinha sa\u00eddo das redes sociais, a pessoa a quem partilhava n\u00e3o quis saber porqu\u00ea e recebi logo o coment\u00e1rio &#8211; <em>\u201dn\u00e3o acho bem.\u201d<\/em><\/p>\n<p>O papel que as novas tecnologias t\u00eam na nossa vida crist\u00e3 tem muito a ver com esta passagem de S. Jo\u00e3o, isto \u00e9, com este <em>estar no mundo, sem ser do mundo.<\/em> O que me questiono \u00e9 se o entusiasmo dos crist\u00e3os pelas redes sociais quer dizer <em>estarem no mundo<\/em> ou <em>serem do mundo<\/em>. Reparem na abordagem dos Amish.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Amish.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-161496\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Amish.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"733\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Amish.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Amish-400x244.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Amish-1024x625.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Amish-768x469.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Amish-1080x660.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Amish-980x599.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Amish-480x293.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A ideia que temos dos norte-americanos que pertencem \u00e0s comunidades Amish pode ser muito diferente da realidade. Muitos pensam em pessoas anti-tecnologia, e parados no tempo por altura de meados do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>Kevin Kelly, um dos fundadores da revista tecnol\u00f3gica <em>Wired<\/em>, diz que <em>\u00aba vida dos Amish \u00e9 tudo menos anti-tecnol\u00f3gica. De facto, nas v\u00e1rias visitas que lhes fiz, percebi serem hackers e latoeiros engenhosos, os especialistas do fa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo. Surpreendentemente, ele s\u00e3o muitas vezes pr\u00f3-tecnologia.\u00bb<\/em> A leitura que Cal Newport faz no seu livro <em>Minimalismo Digital<\/em> (Actual, 2019) \u00e9 particularmente relevante para entender os Amish. Diz Newport que <em>\u00abos Amish (&#8230;) fazem algo de radicalmente chocante e simples na actual era do impulso e consumismo complicado: eles come\u00e7am com as coisas a que d\u00e3o mais valor, e, depois, fazem o exerc\u00edcio de andar para tr\u00e1s questionando se uma nova tecnologia produz mais danos do que benef\u00edcios no que diz respeito a esses valores.\u00bb<\/em> Ou seja, colocam em primeiro lugar quem s\u00e3o e depois avaliam se uma determinada nova tecnologia concorre para o bem ou n\u00e3o dos valores intr\u00ednsecos \u00e0 sua identidade.<\/p>\n<p>S\u00e3o diversos os valores crist\u00e3os, como a vida humana e toda a cria\u00e7\u00e3o, a paz, a fraternidade, a rela\u00e7\u00e3o, a proximidade, e at\u00e9 mesmo o sofrimento que nos purifica do sup\u00e9rfluo e mant\u00e9m-nos no essencial que o tempo nos permite. A vontade de Deus realiza-se sempre em fazer bem o que temos para fazer agora, pelo que, o momento presente tem um valor enorme para o crist\u00e3o.<\/p>\n<p>As redes sociais isolam-nos num mundo edit\u00e1vel da apar\u00eancia. Parece um paradoxo quando milhares de milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o conectadas entre si, mas interagem a maior parte do tempo atrav\u00e9s do seu ecr\u00e3, vivendo para o que \u00e9 partilhado e n\u00e3o partilhando realmente o que se vive. S\u00e3o in\u00fameros os testemunhos de como sair das redes sociais levou muitas pessoas a encontrar uma paz e serenidade na vida que h\u00e1 muito n\u00e3o experimentavam. Alguns chegando mesmo a retornar ao telem\u00f3vel simples com teclas.<\/p>\n<p>O facto dos crist\u00e3os estarem presentes nas redes sociais significa que, antes de mais, est\u00e3o no mundo, mas quando vejo a gradual incapacidade de se desapegarem dessas tecnologias, que n\u00e3o s\u00e3o essenciais para viver os valores do Evangelho, come\u00e7o a pensar se n\u00e3o passam a <em>ser do mundo<\/em> que atrai o seu tempo e aten\u00e7\u00e3o. Basta pensar naqueles jovens e adultos que vi consultarem os seus murais do Facebook durante uma missa. N\u00e3o estou certo de ser em Deus que pensam. Hoje, quando assisto a essa atitude, nem sei sequer se pensam se est\u00e3o cientes da raz\u00e3o profunda e aut\u00eantica para estarem ali. Mesmo assim, prefiro a sua presen\u00e7a f\u00edsica apesar da aus\u00eancia espiritual.<\/p>\n<p>Depois de ter sa\u00eddo das redes sociais, o meu tempo aumentou. Sinceramente, eu n\u00e3o fazia a ideia de quanto tempo gastava a ver qual a reac\u00e7\u00e3o das pessoas \u00e0s partilhas do que escrevia, ou responder a coment\u00e1rios. Ainda que fosse por pouco tempo de cada vez, disperso ao longo do dia, tudo somado perfazia mais tempo do que pensava.<\/p>\n<p>A sensibilidade ao que se passa ao meu redor aumentou, de tal modo que comecei a reparar o quanto as pessoas est\u00e3o sistematicamente a tirar o telem\u00f3vel do bolso para interagir com esse. Eu pensava que isso se restringia aos que <em>s\u00e3o do mundo<\/em>, mas n\u00e3o. Por exemplo, havia encontros de cariz espiritual em que \u00e9ramos sempre confrontados com pessoas que n\u00e3o conhec\u00edamos, vindas de v\u00e1rias partes do mundo, e com as quais as circunst\u00e2ncias nos impeliam a falar com elas, vencendo a barreira da l\u00edngua e dos costumes &#8211; <em>\u201dDe onde vens? A viagem durou quantas horas? Como se diz \u2018ol\u00e1\u2019 na tua l\u00edngua?\u201d<\/em> &#8211; mas hoje, cada um est\u00e1 ocupado com o seu ecr\u00e3 (port\u00e1til, tablet ou smartphone) e, inclusive, temos medo de interromper e estar a incomodar.<\/p>\n<p>Os Amish d\u00e3o mais prioridade aos benef\u00edcios gerados por agir intencionalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tecnologia, do que aos benef\u00edcios que perdem quando decidem n\u00e3o us\u00e1-las. Os estudos t\u00eam mostrado que as redes sociais tendem a tornar os relacionamentos cada vez mais superficiais. Mas h\u00e1 quem pense que s\u00e3o o meio de chegar a muitas pessoas com um simples clique e, por isso, uma oportunidade de alimentar as comunidades crist\u00e3s com conte\u00fado que as edifica. Eu acredito nesta vis\u00e3o positiva, mas apenas enquanto serve de portal para os sites das pr\u00f3prias comunidades. O que uma pessoa v\u00ea no seu mural depende de algoritmos que tendem a uniformizar as massas atrav\u00e9s de uma an\u00e1lise estat\u00edstica do seu comportamento. Ser\u00e1 isto agir com inten\u00e7\u00e3o ou estar \u00e0 merc\u00ea dos algoritmos?<\/p>\n<p>As redes sociais n\u00e3o s\u00e3o essenciais ou estimulam a agir com inten\u00e7\u00e3o, mas antes educam-nos a estar \u00e0 merc\u00ea daquilo que mais nos entret\u00e9m. Nesse sentido, prefiro as <em>newsletters<\/em> que deixam uma pessoa livre de se subscrever ou desubscrever.<\/p>\n<p>Como crist\u00e3o, reconhecemos que n\u00e3o somos do mundo, mas de Deus. Por\u00e9m, o mundo est\u00e1 a p\u00f4r-nos \u00e0 prova de modo subtil. E, sem nos darmos conta disso, corremos o risco de passarmos a ser do mundo, em vez de estarmos intencionalmente no mundo.<\/p>\n<p>Para um crist\u00e3o, o outro \u00e9 Jesus e tem um valor acima de qualquer notifica\u00e7\u00e3o ou email a responder. A originalidade da vida crist\u00e3 est\u00e1 na doa\u00e7\u00e3o total daquilo que somos. Isso inclui o nosso tempo, a aten\u00e7\u00e3o, a presen\u00e7a aut\u00eantica e a vulnerabilidade dos relacionamentos que nos fazem crescer reciprocamente. \u00c9 esse o modo crist\u00e3o de estarmos no mundo. \u00c9 essa a diferen\u00e7a que podemos fazer na vida daqueles que deixaram de ter, ou nunca tiveram, uma refer\u00eancia crist\u00e3. E, se pensarmos bem, n\u00e3o preciso de estar nas redes sociais para amar o outro. Basta silenciar da vista o digital, e olhar o real \u00e0 nossa volta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-161494","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161494","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161494"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161494\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=161494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=161494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}