{"id":161336,"date":"2020-01-31T17:59:39","date_gmt":"2020-01-31T17:59:39","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=161336"},"modified":"2020-01-31T17:28:06","modified_gmt":"2020-01-31T17:28:06","slug":"fenomeno-da-violencia-domestica-e-absolutamente-transversal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fenomeno-da-violencia-domestica-e-absolutamente-transversal\/","title":{"rendered":"Fen\u00f3meno da viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 \u00ababsolutamente transversal\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A viol\u00eancia dom\u00e9stica continua a ser not\u00edcia, com casos praticamente di\u00e1rios, muitos deles mortais. A ECCLESIA e a Renascen\u00e7a conversam Ana Beatriz Cardozo, da \u2018<em>Associa\u00e7\u00e3o Ser Mulher\u2019, que <\/em>est\u00e1 no terreno, na ajuda direta \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_161316\" aria-describedby=\"caption-attachment-161316\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/03-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-161316 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/03-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1152\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/03-1.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/03-1-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/03-1-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/03-1-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/03-1-1536x922.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/03-1-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/03-1-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/03-1-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/03-1-480x288.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-161316\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Joana Bourgard\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u00c9 respons\u00e1vel pela Associa\u00e7\u00e3o Ser Mulher criada para dar continuidade ao trabalho que as irm\u00e3s adoradoras iniciaram h\u00e1 25 anos, quando abriram a primeira casa abrigo do pa\u00eds, em \u00c9vora. O antigo Lar de Santa Helena agora j\u00e1 n\u00e3o se chama assim, mas no concreto como \u00e9 que funciona? Que tipo de ajuda \u00e9 que asseguram \u00e0s v\u00edtimas?<\/em><\/p>\n<p>Quando o Lar Santa Helena come\u00e7ou a trabalhar no apoio \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica foi a primeira casa abrigo em Portugal, portanto nessa altura o apoio dado \u00e0s v\u00edtimas, e que hoje ainda mantemos, \u00e9 atrav\u00e9s do acolhimento. O acolhimento que prestamos inclui o apoio social, apoio jur\u00eddico e apoio psicol\u00f3gico no per\u00edodo de seis meses, que pode ser prorrogado.<\/p>\n<p>As v\u00edtimas que acolhemos podem vir acompanhadas dos filhos, podem inclusivamente ser filhos maiores (de idade) que tenham algum tipo de defici\u00eancia, como j\u00e1 tem acontecido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E quantas mulheres \u00e9 que acolhem? Qual \u00e9 a capacidade?<\/em><\/p>\n<p>A capacidade que t\u00ednhamos, j\u00e1 do tempo em que a resposta era assumida pelas irm\u00e3s, era para 25 utentes, mas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as mulheres, s\u00e3o elas e os respetivos filhos, que as acompanham.<\/p>\n<p>A nossa resposta neste momento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ao n\u00edvel do acompanhamento. No tempo das irm\u00e3s j\u00e1 t\u00ednhamos iniciado alguns projetos em que prest\u00e1vamos atendimento tamb\u00e9m a utentes externas &#8211; e fizemo-lo durante muitos anos at\u00e9 \u2013, e \u00e0s que deixavam a casa abrigo. Mesmo depois de deixarem a casa abrigo continuam a ser apoiadas enquanto utentes externas da institui\u00e7\u00e3o. Isso era uma matriz das irm\u00e3s, elas faziam quest\u00e3o em continuar a dar apoio continuado, como tamb\u00e9m apoio externo numa \u00f3tica, ou como estrutura de atendimento, por assim dizer: utentes que nunca eram encaminhadas para a casa abrigo, mas a quem d\u00e1vamos esse apoio, independentemente do acolhimento.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Utentes que procuravam ajuda para o problema concreto que tinham?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Este ano, ao abrigo de uma candidatura que fizemos ao POISE (Programa Operacional de Inclus\u00e3o Social e Emprego) vamos novamente prestar esse apoio em sete dos 14 concelhos do distrito de \u00c9vora.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E o apoio que recebem do Estado \u00e9 suficiente?<\/em><\/p>\n<p>Pois, essa quest\u00e3o&#8230; foi precisamente pela insufici\u00eancia de apoio financeiro que as irm\u00e3s acabaram por cessar esta resposta, at\u00e9 porque nos \u00faltimos anos era a pr\u00f3pria Congrega\u00e7\u00e3o que acabava por sustentar a resposta, e n\u00e3o a ajuda que o Estado nos concedia.<\/p>\n<p>Infelizmente continuamos a ser das entidades que prestam este tipo de apoio que t\u00eam a ajuda mais baixa do pa\u00eds, vamos apresentando projetos e candidaturas para tentar alargar a nossa pr\u00f3pria atividade. A verdade \u00e9 que mesmo para a resposta que seria necess\u00e1rio dar \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, as equipas est\u00e3o subdimensionadas. Porque, como comecei por vos dizer, o n\u00famero de vagas neste tipo de institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para as mulheres, \u00e9 tamb\u00e9m para os respetivos filhos.<\/p>\n<p><em><br \/>\nQue t\u00eam de ter uma aten\u00e7\u00e3o especializada?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Se consultarmos os dados das sinaliza\u00e7\u00f5es que s\u00e3o feitas para as CPCJ (Comiss\u00f5es de Prote\u00e7\u00e3o de Crian\u00e7as e Jovens), e os processos de promo\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, vemos que a quantidade de situa\u00e7\u00f5es que aparecem resultantes de viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 muito significativa.<\/p>\n<p>Uma das coisas que tem sido poss\u00edvel concluir, no que \u00e0 nossa atividade concerne, \u00e9 que em situa\u00e7\u00f5es em que h\u00e1 reabertura de processos nas CPCJ \u2013 h\u00e1 um processo, esse processo encerra-se, e anos mais tarde \u00e9 reaberto \u2013 \u00e9 que tendo sido iniciado uma primeira vez devido a viol\u00eancia dom\u00e9stica, a nova sinaliza\u00e7\u00e3o que \u00e9 feita mais tarde j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 por viol\u00eancia dom\u00e9stica, mas por insucesso ou abandono escolar. Ou seja,\u00a0a quest\u00e3o da repara\u00e7\u00e3o do dano em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as tem de ser assumida como absolutamente fundamental.<\/p>\n<p><em><br \/>\nIsso \u00e9 esquecido, at\u00e9 no tratamento medi\u00e1tico destes casos, de que as v\u00edtimas tamb\u00e9m s\u00e3o as crian\u00e7as?<\/em><\/p>\n<p>As v\u00edtimas tamb\u00e9m s\u00e3o as crian\u00e7as. At\u00e9 porque se n\u00f3s perguntarmos, na maioria das situa\u00e7\u00f5es, quem \u00e9 que testemunhou, quem \u00e9 que vivenciou tudo? Foram as crian\u00e7as. As crian\u00e7as est\u00e3o l\u00e1, e n\u00e3o poucas vezes tamb\u00e9m funcionam como uma arma de arremesso, ou como o escudo protetor da pr\u00f3pria m\u00e3e. S\u00e3o elas que se metem entre o pai e a m\u00e3e durante as discuss\u00f5es. Na maioria das situa\u00e7\u00f5es em que h\u00e1 homic\u00eddios, as crian\u00e7as est\u00e3o l\u00e1, testemunham. Quem cuida do trauma destas crian\u00e7as?<\/p>\n<p><em><br \/>\nE cuida-se do trauma destas crian\u00e7as?<\/em><\/p>\n<p>Dever-se-ia cuidar&#8230;<\/p>\n<p><em><br \/>\nVamos dar um exemplo concreto: se a m\u00e3e morre e o pai \u00e9 preso, o que \u00e9 que acontece a estas crian\u00e7as?<\/em><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o com que todos temos de nos preocupar, n\u00e3o s\u00f3 nas situa\u00e7\u00f5es em que as m\u00e3es acabam por morrer, sendo assassinadas, como tamb\u00e9m em todas as outras situa\u00e7\u00f5es. O tempo das crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 o nosso tempo, que estamos aqui, tr\u00eas adultos.\u00a0H\u00e1 crian\u00e7as que t\u00eam quatro anos de idade e para elas a viol\u00eancia \u00e9 a hist\u00f3ria da vida toda, \u00e9 a forma que elas conhecem de viver.<\/p>\n<p><em><br \/>\nO Governo est\u00e1 a estudar a melhor forma de articular a comunica\u00e7\u00e3o entre os tribunais criminais e os tribunais de fam\u00edlia, para evitar casos, como tem acontecido, em que os filhos acabam por ficar \u00e0 guarda dos agressores. \u00c9 uma mudan\u00e7a importante?<\/em><\/p>\n<p>Muito importante, e todos os compromissos que tem havido s\u00e3o absolutamente fundamentais, porque\u00a0o combate \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica exige m\u00faltiplas medidas: exige uma mudan\u00e7a de cultura, exige o conhecimento efetivamente do que \u00e9 que \u00e9 a viol\u00eancia dom\u00e9stica. Porque a viol\u00eancia dom\u00e9stica n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a viol\u00eancia f\u00edsica, \u00e9 tamb\u00e9m a viol\u00eancia psicol\u00f3gica, \u00e9 o isolamento das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Vou dar um exemplo, que acontece muitas vezes: as v\u00edtimas s\u00e3o colocadas em situa\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o t\u00eam qualquer tipo de apoio ou suporte para irem trabalhar, porque quando chegam a casa, a casa est\u00e1 toda desarrumada e os maridos ou companheiros, agressores, dizem &#8216;est\u00e1s a ver, vais trabalhar, no teu trabalho ningu\u00e9m te considera&#8217;, ou \u00e9 sempre visto como &#8216;ent\u00e3o, mas se vais trabalhar e tem de se pagar a creche, porque \u00e9 que n\u00e3o ficas aqui em casa?&#8217;. Ou seja, o seu direito a ter um trabalho, a ter um sal\u00e1rio, \u00e9 subalternizado.<\/p>\n<p>Uma medida como haver creches gratuitas at\u00e9 aos tr\u00eas anos de idade \u00e9 uma medida que acaba por contribuir para o empoderamento destas mulheres. H\u00e1 um conjunto de outras medidas que t\u00eam um impacto direto na vida das fam\u00edlias, na vida das mulheres, mas que tamb\u00e9m contribuem para diminuir este problema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_161315\" aria-describedby=\"caption-attachment-161315\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-161315\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-1-400x240.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-1-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-1-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-1-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-1-1536x922.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-1-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-1-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-1-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-1-480x288.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-161315\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Joana Bourgard\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em><br \/>\nTem-se pensado s\u00f3 a quest\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o em crise, mas falta uma vis\u00e3o de conjunto, que ajude a atenuar as causas muitas vezes ligadas a estas quest\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Um outro exemplo: a estrat\u00e9gia nacional prev\u00ea a territorializa\u00e7\u00e3o do apoio \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, \u00e9 isso precisamente que iremos agora iniciar. O que \u00e9 que isto significa? Que o apoio dado nas estruturas de atendimento \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica em vez de ser dado s\u00f3 nas capitais de distrito passe a ter uma base concelhia, que os pr\u00f3prios munic\u00edpios sejam envolvidos nisto. Isto \u00e9 uma mudan\u00e7a de paradigma extraordinariamente importante. Estamos aqui a envolver novos atores, estamos a criar redes ao n\u00edvel local, ao n\u00edvel das mais variadas vilas, em todo o territ\u00f3rio nacional. \u00c9 trabalho que j\u00e1 se est\u00e1 a fazer.<\/p>\n<p><em>Existe uma Rede Nacional de Apoio \u00e0s V\u00edtimas de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica, mas as institui\u00e7\u00f5es funcionam de forma articulada?<\/em><\/p>\n<p>As articula\u00e7\u00f5es, por regra, dentro das entidades que fazem parte da Rede Nacional, incluem as estruturas de atendimento, as casas de acolhimento de emerg\u00eancia e depois as casas de abrigo. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 uma mulher que v\u00e1 diretamente para uma casa de abrigo. E estas entidades, entre si, articulam-se.<\/p>\n<p>O \u00faltimo relat\u00f3rio anual de seguran\u00e7a interna, do ano passado, dava conta de mais de 26 mil den\u00fancias por viol\u00eancia dom\u00e9stica. Ora, n\u00e3o h\u00e1 26 mil mulheres em casas abrigo, nem 10 por cento, h\u00e1 muito menos do que isso. Ou seja, a solu\u00e7\u00e3o para a maioria destes casos n\u00e3o \u00e9 &#8211; e ainda bem &#8211; o encaminhamento para a casa abrigo, conseguem-se encontrar outras solu\u00e7\u00f5es. Agora\u00a0\u00e9 necess\u00e1rio, mesmo nas situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o v\u00e3o para a casa abrigo, fazer uma avalia\u00e7\u00e3o de risco, garantir uma aplica\u00e7\u00e3o atempada das medidas de prote\u00e7\u00e3o da v\u00edtima, e at\u00e9 de conten\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio agressor. \u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m aplicar planos de seguran\u00e7a, e encontrar outras alternativas para as mulheres que querem sair de casa, atrav\u00e9s de boas pol\u00edticas de habita\u00e7\u00e3o social, por exemplo.<\/p>\n<p><em>A impress\u00e3o que d\u00e1 \u00e9 de uma dupla injusti\u00e7a, porque em casos muito extremos acabam por ser as v\u00edtimas que t\u00eam deixar tudo para tr\u00e1s&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Mas nem sempre \u00e9 poss\u00edvel que a solu\u00e7\u00e3o seja feita de outra maneira. O ideal seria sempre que elas n\u00e3o tivessem de sair da sua casa. O ideal seria n\u00e3o haver casas abrigo, como \u00e9 \u00f3bvio.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Uma das no\u00e7\u00f5es com que se fica, por parte da opini\u00e3o p\u00fablica, \u00e9 que h\u00e1 muitos casos de den\u00fancias, mas que, efetivamente, depois acabam por n\u00e3o ter o seguimento devido. H\u00e1 muitas pessoas sinalizadas, junto das autoridades, que acabam por cometer os crimes\u2026 S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que deveriam preocupar a sociedade, de uma forma mais amplas?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que sim, sem d\u00favida. Temos de perceber que a viol\u00eancia dom\u00e9stica n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 aquele ato individual, mas muitas das v\u00edtimas, quando chegam \u00e0s esquadras, o que relatam foi o que aconteceu na noite anterior. Quando se fala dos entendimentos entre as v\u00e1rias entidades que comp\u00f5em a rede nacional de apoio \u00e0s v\u00edtimas, sabemos que quem d\u00e1 apoio tem de elaborar um relat\u00f3rio; nesse relat\u00f3rio de encaminhamento, a pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o exige \u00e0s equipas t\u00e9cnicas que refiram algo extraordinariamente importante, a hist\u00f3ria da vitima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitas vezes, os pr\u00f3prios tribunais tendem a ver a situa\u00e7\u00e3o como aquela circunst\u00e2ncia, aquele dia\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um epis\u00f3dio.<\/em><\/p>\n<p>Aquele epis\u00f3dio, exatamente. E n\u00e3o olhar para a hist\u00f3ria da vitima\u00e7\u00e3o, como \u00e9 que come\u00e7ou. Isso est\u00e1 diretamente com a defini\u00e7\u00e3o deste fen\u00f3meno, do que \u00e9 a viol\u00eancia dom\u00e9stica. Nunca acompanhei uma situa\u00e7\u00e3o, nunca acolhemos uma senhora que tenha dito: ele bateu-me uma vez. Ou ele deu-me uma sova e aquele ato caiu do c\u00e9u, naquele dia, pela primeira vez. N\u00e3o, tudo se vai construindo.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o em que h\u00e1 viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o em que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de poder assim\u00e9trica. Aquilo que o agressor espera da v\u00edtima \u00e9 submiss\u00e3o, uma aus\u00eancia de vontade; muitas das opini\u00f5es s\u00e3o criticadas, porque ela n\u00e3o sabe nada, ela n\u00e3o vale nada. N\u00f3s at\u00e9, no relato que fazemos e que ajudamos as senhoras a fazer, relativamente \u00e0 sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, acabamos por nos dar conta de que os insultos s\u00e3o, todos eles, muito semelhantes. As desconsidera\u00e7\u00f5es s\u00e3o todas elas muito iguais\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 um padr\u00e3o, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 padr\u00f5es: n\u00e3o vales nada, n\u00e3o serves para nada, o que \u00e9 que tu sabes disso? O que seria de ti sem mim? Aqui quem manda sou eu, eu \u00e9 que sou o chefe de fam\u00edlia, eu \u00e9 que sei. H\u00e1 muito estas ideias de que eles \u00e9 que mandam em casa. H\u00e1 ideias que j\u00e1 foram h\u00e1 muito ultrapassadas, at\u00e9 na nossa legisla\u00e7\u00e3o, que resultam ainda do sistema anterior ao 25 de Abril &#8211; que era a figura do chefe de fam\u00edlia, o poder paternal como sendo dos homens \u2013 e que n\u00f3s, ouvindo estas mulheres, isto tudo \u00e9 o que elas ouvem a di\u00e1rio, apesar de nada disso estar j\u00e1 consagrado na legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em termos legais, a viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 hoje um crime p\u00fablico, e essa foi certamente uma mudan\u00e7a\u2026<\/em><\/p>\n<p>Uma conquista importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma conquista e uma mudan\u00e7a importante. Contribuiu para que haja mais casos denunciados?<\/em><\/p>\n<p>Eu estou em crer que sim. Ali\u00e1s, o crime de viol\u00eancia dom\u00e9stica aparece, ao longo dos v\u00e1rios relat\u00f3rios anuais de Seguran\u00e7a Interna, como sendo o segundo ou o terceiro crime com maior n\u00famero de participa\u00e7\u00f5es. O que acontece, muitas vezes, \u00e9 que h\u00e1 at\u00e9 den\u00fancias que n\u00e3o s\u00e3o feitas pelas v\u00edtimas, s\u00e3o feitas por vizinhos, por outras pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Portanto, em termos sociais h\u00e1 maior sensibilidade para a quest\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 maior sensibiliza\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o, o que \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tamb\u00e9m h\u00e1 uma maior exposi\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica. Esta divulga\u00e7\u00e3o dos casos tem mais aspetos negativos ou positivos, para quem est\u00e1 no terreno?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que tem, na minha opini\u00e3o, mais pontos positivos, na medida em que tem contribu\u00eddo para visibilizar o fen\u00f3meno. Permite-nos hoje estar aqui, a discutir, a explicar-vos as coisas que estas mulheres ouvem e que fazem com que elas nos cheguem com a autoestima baix\u00edssima, sentindo elas que s\u00e3o as culpadas de tudo. Tanto assim que uma das coisas que n\u00f3s lhes dizemos \u00e9: a senhora n\u00e3o \u00e9 culpada.<\/p>\n<p>E podemos perguntar-nos: como \u00e9 que uma v\u00edtima chega e \u00e9 ela que se sente culpada? Mas \u00e9 verdade, s\u00e3o anos, muitas vezes a ouvir dizer que n\u00e3o sabe fazer nada, que n\u00e3o \u00e9 capaz de fazer nada\u2026 N\u00f3s devemos agradecer \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o Social a divulga\u00e7\u00e3o, o empenho, que nos convidem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na conversa pr\u00e9via para lhe endere\u00e7armos este convite, referiu-nos que h\u00e1 \u2018subtilezas de linguagem\u2019 nas not\u00edcias e que quase sempre se incide a not\u00edcia na v\u00edtima, o que ajuda a desculpabilizar o agressor. Qual deve ser o papel da Comunica\u00e7\u00e3o Social?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 importante a divulga\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante estarmos aqui hoje e outras vezes, para abordar esta tem\u00e1tica. Mas \u00e9 importante n\u00e3o desculpabilizar o agressor, dizer: ele estava embriagado, estava desempregado, tinha muitos ci\u00fames\u2026<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante n\u00e3o arranjar raz\u00f5es para justificar o comportamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_161317\" aria-describedby=\"caption-attachment-161317\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-161317\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-1-400x240.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-1-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-1-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-1-768x460.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-1-1536x921.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-1-1080x647.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-1-1280x767.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-1-980x587.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-1-480x288.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-161317\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Joana Bourgard\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>E isso acontece, na sua opini\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Acontece. Acontece muitas vezes desculpabilizar o agressor ou culpabilizar a pr\u00f3pria v\u00edtima, como se as pessoas n\u00e3o tivessem direito a querer uma vida nova, a querer at\u00e9 romper com aquela rela\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante tamb\u00e9m n\u00e3o chamar a isto um crime passional, n\u00e3o colocar a t\u00f3nica no ci\u00fame. Quantos de n\u00f3s n\u00e3o conhecemos pessoas que romperam as rela\u00e7\u00f5es amorosas que tinham? E por causa disso n\u00e3o resultaram mortes, n\u00e3o tem de haver mortes. Todos n\u00f3s temos direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, como temos direito a viver sem viol\u00eancia. Ali\u00e1s, um dos lemas da nossa Associa\u00e7\u00e3o, que vinha j\u00e1 do tempo das irm\u00e3s, \u00e9 uma frase muito conhecida da fil\u00f3sofa Hannah Arendt: Viver sem viol\u00eancia \u00e9 um Direito Humano. Temos de seguir isto, \u00e9 um direito humano para todas estas mulheres, para todos os homens, para todas as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Associa\u00e7\u00e3o mant\u00e9m a liga\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios fundados que as Irm\u00e3s Adoradoras deixaram, no seu trabalho?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, h\u00e1 algumas pr\u00e1ticas da nossa organiza\u00e7\u00e3o que ainda resultam do que v\u00ednhamos assistindo e faz\u00edamos no tempo em que as irm\u00e3s estavam connosco, como o facto de mantermos uma rela\u00e7\u00e3o de grande familiaridade.<\/p>\n<p>A nossa institui\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel visit\u00e1-la \u2013 tenta aproximar-se o mais poss\u00edvel de casas, para n\u00e3o ser uma mera institui\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Por outro lado, as irm\u00e3s seguiam o carisma da fundadora, Santa Maria Micaela, que era precisamente estar junto das mulheres, viver os problemas com as mulheres e junto delas. As irm\u00e3s seguiam a teoria da liberta\u00e7\u00e3o, que \u00e9, nem mais nem menos do que o empoderamento das mulheres, algo que na nossa atua\u00e7\u00e3o se pretende: sermos uma ajuda, um caminho para a sa\u00edda desta rela\u00e7\u00e3o violenta, com dignidade, garantindo que se sai tendo o sustento assegurado, tendo um lugar para viver e sa\u00edrem com treino de compet\u00eancias e de autoestima, que \u00e9 feito durante o per\u00edodo de acolhimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Igreja, atrav\u00e9s da sua estrutura, dos bispos e dos padres, devia ser mais interventiva na luta contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica? Ajudaria?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que sim, ajudaria. N\u00f3s mantemos ainda uma rela\u00e7\u00e3o estreita com as irm\u00e3s e eu recordo ainda os muitos quil\u00f3metros que eu e a irm\u00e3 J\u00falia Bacelar fizemos por este pa\u00eds, para cima, para baixo. Nas muitas conversas, verdadeiramente inspiradoras, uma das coisas que diz\u00edamos \u00e9 que seria t\u00e3o bom fazer campanhas nas igrejas, \u00e0 porta das igrejas\u2026 Para muitas mulheres, s\u00f3 era poss\u00edvel sair para ir \u00e0 Missa.<\/p>\n<p>A irm\u00e3 J\u00falia sempre teve uma grande preocupa\u00e7\u00e3o com as mulheres rurais. H\u00e1 muitas mulheres para quem o isolamento torna mais dif\u00edcil deixar a rela\u00e7\u00e3o violenta, fazer a den\u00fancia e tomar consci\u00eancia de que aquilo que est\u00e3o a viver \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o em que h\u00e1 viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sabemos que este \u00e9 um fen\u00f3meno transversal na sociedade, mas notou alguma evolu\u00e7\u00e3o particular ao longo dos anos relativamente \u00e0s idades, sexo ou condi\u00e7\u00e3o social das v\u00edtimas?<\/em><\/p>\n<p>O fen\u00f3meno da viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 absolutamente transversal. Temos dado apoio, ainda que possa parecer estranho, a mulheres licenciadas. \u00c9 transversal \u00e0s mais variadas classes, ali\u00e1s, uma das ideias que \u00e9 preciso combater \u00e9 a ideia de que a viol\u00eancia dom\u00e9stica s\u00f3 atinge as mulheres mais pobres, n\u00e3o \u00e9 verdade, \u00e9 transversal.<\/p>\n<p>As mulheres das classes mais altas t\u00eam muito mais dificuldade em denunciar, porque a vergonha \u00e9 maior; muitas vezes, a viol\u00eancia que prepondera \u00e9 viol\u00eancia psicol\u00f3gica, grandes proibi\u00e7\u00f5es, grande ass\u00e9dio\u2026<\/p>\n<p>O que temos vindo a verificar \u00e9 que h\u00e1 mais v\u00edtimas em que o agressor n\u00e3o \u00e9 o seu companheiro, o seu marido, mas s\u00e3o filhos ou, inclusivamente, netos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mulheres mais idosas, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Mulheres mais idosas. E tamb\u00e9m em que os agressores n\u00e3o s\u00e3o as pessoas com quem mantinham rela\u00e7\u00f5es de intimidade, mas os seus pr\u00f3prios descendentes. A viol\u00eancia dentro da fam\u00edlia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A viol\u00eancia dom\u00e9stica continua a ser not\u00edcia, com casos praticamente di\u00e1rios, muitos deles mortais. A ECCLESIA e a Renascen\u00e7a conversam Ana Beatriz Cardozo, da \u2018Associa\u00e7\u00e3o Ser Mulher\u2019, que est\u00e1 no terreno, na ajuda direta \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":161316,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-161336","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161336","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161336"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161336\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/161316"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161336"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=161336"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=161336"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}