{"id":160843,"date":"2020-01-30T10:00:05","date_gmt":"2020-01-30T10:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=160843"},"modified":"2020-02-03T10:47:10","modified_gmt":"2020-02-03T10:47:10","slug":"lusofonias-rota-dos-moinhos-de-jancido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-rota-dos-moinhos-de-jancido\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Rota dos Moinhos de Jancido"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-160849 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido1.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Nasci e cresci no campo. A casa agr\u00edcola da fam\u00edlia ainda tinha os animais no r\u00e9s do ch\u00e3o e as pessoas a morar no primeiro andar. Habituei-me, desde crian\u00e7a, a trabalhar na agricultura. Sei fazer quase tudo e, por isso, as minhas passagens pela aldeia natal s\u00e3o quase sempre agr\u00edcolas. Gosto de pegar numa enxada ou numa foice, cuidar dos animais, subir \u00e0s \u00e1rvores para apanhar fruta, participar nas colheitas de milho ou nas vindimas. Nunca senti que o meu trabalho em crian\u00e7a merecesse o t\u00edtulo de \u2018trabalho infantil\u2019, pois os meus pais tiveram sempre a preocupa\u00e7\u00e3o de me mandar \u00e0 escola, \u00e0 Igreja, ao futebol, havendo sempre muito tempo para recreio e divers\u00e3o, quer com os irm\u00e3os e primos quer com o resto da vizinhan\u00e7a, pois a aldeia era uma grande fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Tudo isto a prop\u00f3sito da \u2018Rota dos Moinhos de Jancido\u2019 \u2013 assim se chama a minha pacata aldeia, no concelho de Gondomar. Muitos dos terrenos mais f\u00e9rteis estavam nas margens do Rio Sousa, onde tantas vezes fui semear, sachar, mondar, regar, tirar o pend\u00e3o e as espigas ao milho que ali cultiv\u00e1vamos. Ou ent\u00e3o semear o azev\u00e9m para pasto ou tratar os calondros para confeitarias. Estes campos cultivados junto ao Rio Sousa estavam num vale fundo onde a natureza \u00e9 de sonho. Mas, para fazer p\u00e3o, os agricultores, al\u00e9m do milho, cultivavam o centeio e precisavam de moer estes cereais. Para tal, aproveitavam as nascentes do alto da colina para construir moinhos de \u00e1gua. Ainda me lembro de ver alguns funcionar. O mais interessante \u00e9 olhar para o passado e ver como as pessoas uniam for\u00e7as, as suas e as da natureza, pois nesta Rota quase todos os moinhos (e s\u00e3o muitos) mo\u00edam com a mesma \u00e1gua, estando uns quase constru\u00eddos em cima dos outros.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-160848 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tony_neves_Jancido2.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Com o andar dos tempos, os agricultores abandonaram os campos \u00e0 beira rio, deixaram que este levasse na torrente a Ponte de Longras e os moinhos foram tomados pelas silvas e outras plantas invasoras e \u00e1rvores. H\u00e1 alguns anos a esta parte, \u2018jovens\u2019 da minha gera\u00e7\u00e3o (casa dos 50), decidiram p\u00f4r m\u00e3os \u00e0 obra e lan\u00e7aram-se na aventura \u2013 sem qualquer suporte aut\u00e1rquico \u2013 de reconstruir a Ponte de Longras. Depois, progrediram para a \u00e1rea dos Moinhos e alguns deles j\u00e1 est\u00e3o refeitos. N\u00e3o ficaram por a\u00ed, pois investiram na limpeza dos campos na margem sul do rio, construindo um percurso hoje muito palmilhado por centenas de pessoas. Sempre que vou \u00e0 minha terra, percorro estes quil\u00f3metros de beleza natural. No ano passado, o povo juntou-se e plantou centenas de \u00e1rvores e arbustos \u2018ind\u00edgenas\u2019: carvalhos, freixos, azevinhos\u2026, numa aposta ecol\u00f3gica que empenhou muita gente.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito ainda a fazer para que a cidadania respons\u00e1vel tome conta de todas as pessoas em todas as comunidades. Os desafios ecol\u00f3gicos s\u00e3o enormes e a natureza tem de ser protegida e amada. Os trabalhos de \u2018ecologia integral\u2019 \u2013 como eu lhes chamo \u2013 continuam, com os volunt\u00e1rios a limpar cada vez mais territ\u00f3rio e com mais \u00e1rvores a ser plantadas e cuidadas, evitando assim os inc\u00eandios e tornando a natureza mais bela e para usufruir de forma saud\u00e1vel. Para mim estava reservado um \u2018Freixo\u2019 que plantei mesmo junto \u00e0 Ponte de Longras, encostadinho \u00e0s \u00e1guas do Sousa que, na \u00e9poca das cheias, tomaram conta de todo o vale. Foi apenas um sinal que quis amplificar nas redes sociais, como prova da minha gratid\u00e3o por este trabalho volunt\u00e1rio e como sinal da minha ades\u00e3o total a todas as iniciativas que apostem numa ecologia integral.<\/p>\n<p>Ali, naquelas margens do Sousa, pessoas e natureza est\u00e3o unidas. E d\u00e1 gosto olhar para os rostos de quem por ali passeia, pois l\u00ea-se neles a alegria de cuidar da sua sa\u00fade, enchendo os olhos e o cora\u00e7\u00e3o da beleza de uma paisagem de sonho.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-160843-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/lusofonias-rotadosmoinhos.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/lusofonias-rotadosmoinhos.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/lusofonias-rotadosmoinhos.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em 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