{"id":1608,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/excesso-de-silencio\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"excesso-de-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/excesso-de-silencio\/","title":{"rendered":"Excesso de sil\u00eancio"},"content":{"rendered":"<p>Ou andamos com a corda na garganta (primeiro viver, depois filosofar) ou j\u00e1 n\u00e3o sabemos, nem queremos saber, por onde anda a nossa t\u00e3o querida liberdade. Vejamos: julg\u00e1vamo-nos escravos de primeiro grau quando t\u00ednhamos de falar a m\u00e9dia voz no caf\u00e9, para que um sorriso vizinho, cheio de ouvidos, n\u00e3o nos fosse denunciar como inimigo do regime, defensor da independ\u00eancia das col\u00f3nias ou da queda do Estado Novo. Ou nos sent\u00edamos amea\u00e7ados pelo supremo soviete se, num artigo, num discurso, numa celebra\u00e7\u00e3o, defend\u00edamos a aboli\u00e7\u00e3o da censura como uma sequ\u00eancia harm\u00f3nica da exist\u00eancia da liberdade, ou ainda se defend\u00edamos o arrombar dos port\u00f5es para liberta\u00e7\u00e3o dos presos pol\u00edticos. Passados estes anos, esquecida essa milit\u00e2ncia mais humanista que pol\u00edtica, toda a gente se pergunta se, quando telefona para um amigo, da rede fixa ou m\u00f3vel, n\u00e3o estar\u00e1 a enviar um discurso para a quinta subcave de um qualquer pr\u00e9dio onde senhores, zelosos da seguran\u00e7a e da justi\u00e7a, gravam as nossas conversas, ainda que meteorol\u00f3gicas, e a levam aos cientistas judici\u00e1rios para decifragem um qualquer golpe ou desmando. Mesmo o que era segredo de justi\u00e7a, que em nome do direito e da tranquilidade apenas se quebrava em lugar e tempo apropriados, pode agora vender-se a um escriba de not\u00edcias que garante manchetes a jornais em vias de fal\u00eancia. Como se inventam facilmente circunst\u00e2ncias excepcionais para violar todo o g\u00e9nero de respeito pelo bom-nome das pessoas. Ou ainda os cofres do banco, h\u00e1 pouco t\u00e3o seguros como o tesouro nacional, podem arbitrariamente ser visitados para vasculhar contas, impostos por pagar, ou simples engenharias econ\u00f3micas de qualquer cidad\u00e3o com salpicos de suspeita. Nota-se um excesso de sil\u00eancio, complacente e reverencial, perante descaradas afrontas \u00e0 liberdade e privacidade do cidad\u00e3o. Sabe-se que a aldeia tem as entradas devassadas e precisa refor\u00e7ar a seguran\u00e7a. Mas n\u00e3o se percebe como tantos discursos de liberdade, dignidade &#8211; elenco sinf\u00f3nico de direitos inalien\u00e1veis &#8211; se conforma com um planeta arbitrariamente vigiado em todos os recantos. Estaremos mesmo de tal forma com a corda na garganta que o \u201cresto\u201d parece secund\u00e1rio? As ditaduras surgiram quando a liberdade deixou de ser priorit\u00e1ria. Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ou andamos com a corda na garganta (primeiro viver, depois filosofar) ou j\u00e1 n\u00e3o sabemos, nem queremos saber, por onde anda a nossa t\u00e3o querida liberdade. 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