{"id":16071,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/primado-do-papa-em-debate-na-assembleia-ecumenica-europeia\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"primado-do-papa-em-debate-na-assembleia-ecumenica-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/primado-do-papa-em-debate-na-assembleia-ecumenica-europeia\/","title":{"rendered":"Primado do Papa em debate na assembleia ecum\u00e9nica europeia"},"content":{"rendered":"<p>A quest\u00e3o do Primado do Papa estar\u00e1 em debate entre os 150 delegados de Igrejas crist\u00e3s, Confer\u00eancias Episcopais, organismos e movimentos ecum\u00e9nicos da Europa que d\u00e3o in\u00edcio, hoje, \u00e0 III Assembleia Ecum\u00e9nica Europeia (AEE3). Entre eles conta-se D. Manuel Fel\u00edcio, Bispo da Guarda, em representa\u00e7\u00e3o da Conferencia Episcopal Portuguesa. Falando aos jornalistas, no in\u00edcio dos trabalhos, Jean-Arnold De Clermont, presidente do Conselho das Igrejas Europeias (KEK), disse que \u201cnem mesmo as Igrejas mais pequenas colocam em quest\u00e3o o primado de honra que o Bispo de Roma tem na Igreja universal, mas isto n\u00e3o resolve, mesmo assim, a quest\u00e3o relativa \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o desse primado\u201d.  \u201cAinda h\u00e1 muito a fazer\u201d, reconheceu. Pouco depois do in\u00edcio do seu pontificado, Bento XVI fez quest\u00e3o de afirmar que a sua miss\u00e3o enquanto Papa, n\u00e3o \u00e9 um obst\u00e1culo \u00e0 plena e vis\u00edvel unidade entre os Crist\u00e3os. \u201cQue o minist\u00e9rio petrino do Bispo de Roma n\u00e3o seja visto como obst\u00e1culo, mas sim como apoio para o caminho rumo \u00e0 unidade, e nos ajude a realizar quantos antes o desejo de Cristo: Ut unum sint (que todos sejam um)\u201d, disse. Jo\u00e3o Paulo II, na enc\u00edclica \u201cUt Unum sint\u201d, de 1995, referiu que a quest\u00e3o do primado do Bispo de Roma implicava \u201ca um novo estudo sobre a quest\u00e3o de um minist\u00e9rio universal da unidade crist\u00e3\u201d. Para os cat\u00f3licos, o primado do Papa  n\u00e3o \u00e9 apenas de honra, mas de pleno poder de governo. <i>Hist\u00f3ria<\/i> A Igreja, depois da experi\u00eancia da ressurrei\u00e7\u00e3o, ficou por Jerusal\u00e9m, depois passou \u00e0 Samaria e em seguida Antioquia. Alguns Ap\u00f3stolos acabaram por fundar as suas Igrejas, particularmente S\u00e3o Paulo, e depois S\u00e3o Pedro, que esteve em algumas comunidades. A partir do s\u00e9c. II o Cristianismo vai tendo uma certa implanta\u00e7\u00e3o e, como tudo o que \u00e9 humano, come\u00e7ou a conhecer problem\u00e1ticas. Perante essas situa\u00e7\u00f5es, alguns Padres de Igreja, como In\u00e1cio de Antioquia, Ireneu e Tertuliano manifestam a sua admira\u00e7\u00e3o para com a comunidade de Roma e aconselhavam a consulta \u00e0s comunidades fundadas pelos Ap\u00f3stolos. J\u00e1 no fim do s\u00e9c. II temos Igrejas de funda\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica com dignidade equipar\u00e1vel. Posteriormente, a comunidade de Roma ganha um lugar de relevo porque era a capital do Imp\u00e9rio e pela presen\u00e7a dos t\u00famulos dos Ap\u00f3stolos Pedro e Paulo. Vamos encontrar Bispos de Roma, nesta \u00e9poca, que tentaram introduzir algumas normas e orienta\u00e7\u00f5es para outras comunidades, como V\u00edtor (quest\u00e3o das datas da Celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa no Ocidente e no Oriente) e Est\u00eav\u00e3o (disputas com S\u00e3o Cipriano de Cartago). \u00c9 Est\u00eav\u00e3o que assume o t\u00edtulo de sucessor de Pedro como sin\u00f3nimo de autoridade suprema, com direito de orientar outras comunidades eclesiais. A aceita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 imediata, mas a comunidade de Roma sempre foi tida em grande apre\u00e7o. Os Conc\u00edlios ecum\u00e9nicos de Niceia, \u00c9feso e Calced\u00f3nia serviram para refor\u00e7ar o papel do Bispo de Roma na defesa da Ortodoxia, o qual acabou por gozar de uma preemin\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos outros Bispos, quer do Oriente, quer do Ocidente. Com o Bispo D\u00e2maso, no s\u00e9c. IV, e com S\u00e3o Le\u00e3o Magno, no s\u00e9c. V, a Igreja de Roma passa a ser considerada a sede da Igreja Cat\u00f3lica. \u00c9 evidente que aqui temos de fazer uma pequena distin\u00e7\u00e3o: enquanto que na Igreja do Ocidente, se aceitou com agrado a orienta\u00e7\u00e3o romana, na Igreja do Oriente, bastante fragmentada por meio das sedes metropolitanas e patriarcais, sempre houve alguma dificuldade em aceitar orienta\u00e7\u00f5es de Roma. Nos Conc\u00edlios foi sempre vis\u00edvel que os Orientais entendiam que a Ortodoxia passava pelo exerc\u00edcio da sinodalidade, a Igreja do Ocidente entendia que a ratifica\u00e7\u00e3o final do conte\u00fado da f\u00e9 devia ter a chancela do Bispo de Roma. O t\u00edtulo de Papa, nos primeiros s\u00e9culos da Igreja, era atribu\u00eddo praticamente a todos os grandes Bispos. Os fi\u00e9is exprimiam facilmente o seu carinho para com o seu Bispo ou, nos grandes mosteiros, em rela\u00e7\u00e3o ao Abade. Do plural chegou-se depois ao singular. O primeiro documento em que encontramos refer\u00eancia a um Bispo de Roma que assume para si esse t\u00edtulo \u00e9 do ano 302, de Marcelino II, no monumento f\u00fanebre que mandou erigir para um dos seus di\u00e1conos. No s\u00e9c. V, aos poucos, as pessoas come\u00e7am a chamar Papa apenas ao Bispo de Roma. No Oriente, a partir do s\u00e9c. VI, acaba-se por fazer o mesmo, embora ainda encontremos um ou outro Bispo que chama para si esse mesmo t\u00edtulo. Greg\u00f3rio VII, no s\u00e9c. XI, atrav\u00e9s do \u201cDictatus Papae\u201d, afirma na proposi\u00e7\u00e3o XI que o t\u00edtulo de Papa deve ser usado \u00fanica e exclusivamente para o Bispo de Roma.  <b>AEE3<\/b> De 24 a 27 de Janeiro, os representantes das Igrejas Crist\u00e3s do Velho Continente come\u00e7am, em Roma, o processo que culminar\u00e1 na AEE3, organizada pelo Conselho das Confer\u00eancias Episcopais da Europa (CCEE, 34 organismos episcopais cat\u00f3licos), e pela Confer\u00eancia das Igrejas Europeias (KEK, 150 Igrejas ortodoxas, protestantes, anglicanas e vetero-cat\u00f3licas), sobre o tema \u201cA Luz de Cristo ilumina todos. Esperan\u00e7a de renova\u00e7\u00e3o e unidade na Europa\u201d. \u201cComo Igrejas, estamos \u00e0 espera de passos concretos, mas estamos aqui hoje para ajudar a dar um testemunho da vida crist\u00e3 no mundo\u201d, disse De Clermont. A AEE3 pretende prosseguir, de forma renovada, a tradi\u00e7\u00e3o iniciada em Basileia (1989) e Graz (1997). Desta vez, contudo, a assembleia n\u00e3o \u00e9 um \u00fanico evento, mas consiste num processo que atravessa quatro etapas. O objectivo \u00e9 realizar uma esp\u00e9cie de peregrina\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica para reencontrar as riquezas das diversas tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s e redescobrir as ra\u00edzes crist\u00e3s da Europa.  A primeira e a terceira etapa ir\u00e3o decorrer em Roma (24-27 de Janeiro de 2005) e em Wittenberg-Lutherstadt, na Alemanha (15-18 de Fevereiro de 2007). Consistir\u00e3o no encontro de 150 delegados das Igrejas, Confer\u00eancias Episcopais, organismos ecum\u00e9nicos, comunidades e movimentos ecum\u00e9nicos. A segunda etapa consistir\u00e1 em encontros nacionais e\/ou regionais, que se realizar\u00e3o em toda a Europa, durante a segunda metade de 2006 ou no in\u00edcio de 2007. Finalmente, a Assembleia, propriamente dita, ter\u00e1 lugar em Sibiu, Rom\u00e9nia, de 4 a 8 de Setembro de 2007, com a participa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas mil delegados. Em simult\u00e2neo, ter\u00e3o lugar encontros em todas as cidades da Europa onde tal for poss\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quest\u00e3o do Primado do Papa estar\u00e1 em debate entre os 150 delegados de Igrejas crist\u00e3s, Confer\u00eancias Episcopais, organismos e movimentos ecum\u00e9nicos da Europa que d\u00e3o in\u00edcio, hoje, \u00e0 III Assembleia Ecum\u00e9nica Europeia (AEE3). Entre eles conta-se D. Manuel Fel\u00edcio, Bispo da Guarda, em representa\u00e7\u00e3o da Conferencia Episcopal Portuguesa. 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