{"id":160276,"date":"2020-01-22T15:10:03","date_gmt":"2020-01-22T15:10:03","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=160276"},"modified":"2020-01-22T15:10:03","modified_gmt":"2020-01-22T15:10:03","slug":"mensagem-do-papa-francisco-para-o-xxviii-dia-mundial-do-doente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-do-papa-francisco-para-o-xxviii-dia-mundial-do-doente\/","title":{"rendered":"Mensagem do Papa Francisco para o XXVIII Dia Mundial do Doente"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00abVinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei\u00bb (Mt 11,28)<\/strong>\u00a0 (11 de fevereiro de 2020)<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>1. Estas palavras que Jesus pronuncia \u2013 \u00abVinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei\u00bb (Mt 11,28) \u2013 indicam o caminho misterioso da gra\u00e7a, que se revela aos simples e revigora os cansados e exaustos. Tais palavras exprimem a solidariedade do Filho do Homem, Jesus Cristo, com a humanidade aflita e sofredora. H\u00e1 tantas pessoas que sofrem no corpo e no esp\u00edrito! A todas, convida a ir ter com Ele \u2013 \u00abvinde a Mim\u00bb \u2013, prometendo-lhes al\u00edvio. \u00abQuando Jesus diz isto, tem diante dos seus olhos as pessoas que encontra todos os dias pelas estradas da Galileia: gente simples, pobres, doentes, pecadores, marginalizados <em>pelo peso da lei <\/em>e pelo <em>opressivo sistema social<\/em>. Estas pessoas sempre acorreram a Ele para ouvir a sua palavra, uma palavra que incutia esperan\u00e7a\u00bb (<em>Angelus<\/em>, 6 de julho de 2014).<\/p>\n<p>No XXVIII Dia Mundial do Doente, Jesus dirige este convite aos doentes e aos oprimidos, aos pobres que sabem que dependem inteiramente de Deus e que, feridos pelo peso da prova\u00e7\u00e3o que os atingiu, t\u00eam necessidade de cura. A quem vive na ang\u00fastia devido \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o de fragilidade, de sofrimento e de fraqueza, Jesus Cristo n\u00e3o imp\u00f5e leis, mas oferece a sua miseric\u00f3rdia, oferece-Se a Si pr\u00f3prio como al\u00edvio. Jesus olha para a humanidade ferida. Tem olhos que v\u00eaem, que se apercebem, porque v\u00eaem com profundidade: n\u00e3o correm indiferentes, mas param e acolhem cada pessoa no seu todo e todas as pessoas na respetiva condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, sem descartar ningu\u00e9m, convidando cada um a entrar na sua vida para fazer a experi\u00eancia da ternura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Porque tem Jesus Cristo estes sentimentos? Porque Ele pr\u00f3prio Se tornou fr\u00e1gil, experimentando o sofrimento humano e recebendo, por sua vez, al\u00edvio do Pai. Na verdade, s\u00f3 quem passa pessoalmente por esta experi\u00eancia poder\u00e1 confortar o outro. V\u00e1rias s\u00e3o as formas graves de sofrimento: doen\u00e7as incur\u00e1veis e cr\u00f3nicas, patologias ps\u00edquicas, aquelas que necessitam de reabilita\u00e7\u00e3o ou de cuidados paliativos, as diferentes formas de defici\u00eancia, as doen\u00e7as pr\u00f3prias da inf\u00e2ncia e da velhice&#8230; Nestas circunst\u00e2ncias, nota-se por vezes car\u00eancia de humanidade e \u00e9, por isso, necess\u00e1rio personalizar o contacto com a pessoa doente, acrescentando ao <em>tratamento<\/em> o <em>cuidado<\/em>, para uma cura humana integral. Na doen\u00e7a, a pessoa sente comprometidas n\u00e3o s\u00f3 a sua integridade f\u00edsica, mas tamb\u00e9m as v\u00e1rias dimens\u00f5es da sua vida relacional, intelectual, afetiva, espiritual; e por isso, al\u00e9m das terapias, espera amparo, solicitude, aten\u00e7\u00e3o&#8230; em suma, amor. Al\u00e9m disso, junto do doente, h\u00e1 uma fam\u00edlia que sofre e pede, tamb\u00e9m ela, conforto e proximidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s enfermos: a doen\u00e7a coloca-vos de modo particular entre os \u00abcansados e oprimidos\u00bb que atraem o olhar e o cora\u00e7\u00e3o de Jesus. \u00c9 de l\u00e1 que vem a luz para os vossos momentos de escurid\u00e3o, a esperan\u00e7a para o vosso desalento. Convida-vos a ir ter com Ele: \u00abVinde\u00bb. Com efeito, n\u2019Ele encontrareis for\u00e7a para ultrapassar as inquietudes e interroga\u00e7\u00f5es que vos surgem nesta \u201cnoite\u201d do corpo e do esp\u00edrito. \u00c9 verdade que Cristo n\u00e3o nos deixou receitas, mas, com a sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, liberta-nos da opress\u00e3o do mal.<\/p>\n<p>Nesta condi\u00e7\u00e3o, precisais certamente dum lugar para vos restabelecerdes. A Igreja quer ser, cada vez mais e melhor, a \u201cestalagem\u201d do Bom Samaritano que \u00e9 Cristo (cf. Lc 10,34), isto \u00e9, a casa onde podeis encontrar a sua gra\u00e7a, que se exprime na familiaridade, no acolhimento, no al\u00edvio. Nesta casa, podereis encontrar pessoas que, tendo sido curadas pela miseric\u00f3rdia de Deus na sua fragilidade, saber\u00e3o ajudar-vos a levar a cruz, fazendo, das pr\u00f3prias feridas, frestas atrav\u00e9s das quais podeis entrever o horizonte para al\u00e9m da doen\u00e7a e receber luz e ar para a vossa vida.<\/p>\n<p>Nesta obra de restabelecimento dos irm\u00e3os enfermos insere-se o servi\u00e7o dos profissionais da sa\u00fade \u2013 m\u00e9dicos, enfermeiros, colaboradores administrativos e auxiliares, volunt\u00e1rios \u2013 que, com compet\u00eancia, fazem sentir, nas suas ac\u00e7\u00f5es, a presen\u00e7a de Cristo que proporciona consola\u00e7\u00e3o e cuida da pessoa doente tratando das suas feridas. Mas, tamb\u00e9m eles s\u00e3o homens e mulheres com as suas fragilidades e at\u00e9 com as suas doen\u00e7as. Neles se cumpre de modo particular esta verdade: \u00abQuando recebemos o al\u00edvio e a consola\u00e7\u00e3o de Cristo, somos chamados a tornarmo-nos, por nossa vez, al\u00edvio e consola\u00e7\u00e3o para os irm\u00e3os, com atitude mansa e humilde, \u00e0 imita\u00e7\u00e3o do Mestre\u00bb (<em>Angelus<\/em>, 6 de julho de 2014).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Queridos profissionais da sa\u00fade: qualquer interven\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3stico, de preven\u00e7\u00e3o, de terap\u00eautica, de investiga\u00e7\u00e3o, de tratamento e de reabilita\u00e7\u00e3o h\u00e1-de ter por objetivo a pessoa doente, onde o substantivo \u201cpessoa\u201d venha sempre antes do adjetivo \u201cdoente\u201d. Por isso, a vossa a\u00e7\u00e3o tenha em vista constantemente a dignidade e a vida da pessoa, sem qualquer ced\u00eancia a atos como a eutan\u00e1sia, o suic\u00eddio assistido ou a supress\u00e3o da vida, mesmo se o estado da doen\u00e7a for irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>Quando vos defrontais com os limites e poss\u00edvel fracasso da pr\u00f3pria ci\u00eancia m\u00e9dica perante casos cl\u00ednicos cada vez mais problem\u00e1ticos e diagn\u00f3sticos funestos, sois chamados a abrir-vos \u00e0 dimens\u00e3o transcendente, que vos pode oferecer o sentido pleno da vossa profiss\u00e3o. Lembremo-nos de que a vida \u00e9 sagrada e pertence a Deus, sendo por conseguinte inviol\u00e1vel e indispon\u00edvel (cf. Instr. <em>Donum vit\u00e6<\/em>, 5; Enc. <em>Evangelium vit\u00e6<\/em>, 29-53). A vida h\u00e1 de ser acolhida, tutelada, respeitada e servida desde o seu in\u00edcio at\u00e9 \u00e0 morte: exigem-no simultaneamente tanto a raz\u00e3o como a f\u00e9 em Deus, autor da vida. Em certos casos, a obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia dever\u00e1 tornar-se a vossa op\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, para permanecerdes coerentes com este \u201csim\u201d \u00e0 vida e \u00e0 pessoa. Em todo o caso, o vosso profissionalismo, animado pela caridade crist\u00e3, ser\u00e1 o melhor servi\u00e7o ao verdadeiro direito humano: o direito \u00e0 vida. Quando n\u00e3o puderdes curar, podereis sempre cuidar com gestos e procedimentos que proporcionem amparo e al\u00edvio ao doente.<\/p>\n<p>Infelizmente, nalguns contextos de guerra e de conflitos violentos, s\u00e3o atacados o pessoal sanit\u00e1rio e as estruturas que se ocupam do acolhimento e da assist\u00eancia aos doentes. Nalgumas zonas, o pr\u00f3prio poder pol\u00edtico pretende manipular a seu favor a assist\u00eancia m\u00e9dica, limitando a justa autonomia das profiss\u00f5es de sa\u00fade. Na realidade, atacar aqueles que se dedicam ao servi\u00e7o dos membros do corpo social que mais sofrem n\u00e3o beneficia ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Neste XXVIII Dia Mundial do Doente, penso em tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s de todo o mundo sem possibilidades de acesso aos cuidados m\u00e9dicos porque vivem na pobreza. Por isso, dirijo-me \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e aos governos de todos os pa\u00edses do mundo, pedindo-lhes que n\u00e3o sobreponham o aspeto econ\u00f3mico ao da justi\u00e7a social. Fa\u00e7o votos de que, conciliando os princ\u00edpios de solidariedade e da subsidiariedade, cooperemos para que todos tenham acesso a cuidados m\u00e9dicos adequados para salvaguardar e restabelecer a sa\u00fade. De cora\u00e7\u00e3o agrade\u00e7o aos volunt\u00e1rios que se colocam ao servi\u00e7o dos doentes, procurando, em n\u00e3o poucos casos, suprir car\u00eancias estruturais e refletindo, com gestos de ternura e de proximidade, a imagem de Cristo Bom Samaritano.<\/p>\n<p>\u00c0 Virgem Maria, Sa\u00fade dos Enfermos, confio todas as pessoas que carregam o peso da doen\u00e7a, juntamente com os seus familiares, bem como todos os profissionais da sa\u00fade. Com cordial afeto, asseguro-vos a todos a minha proximidade na ora\u00e7\u00e3o e envio-vos a B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica.<\/p>\n<p>Vaticano, 3 de janeiro de 2020<br \/>\nMem\u00f3ria do SS. Nome de Jesus<\/p>\n<p>Francisco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abVinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei\u00bb (Mt 11,28)\u00a0 (11 de fevereiro de 2020)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[166],"class_list":["post-160276","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-dia-mundial-do-doente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160276","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=160276"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160276\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=160276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=160276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=160276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}