{"id":160140,"date":"2020-01-21T11:56:24","date_gmt":"2020-01-21T11:56:24","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=160140"},"modified":"2020-01-29T12:19:54","modified_gmt":"2020-01-29T12:19:54","slug":"a-cruz-escondida-84","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-84\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Hist\u00f3ria de coragem e perd\u00e3o de uma das v\u00edtimas do ataque de Orissa, na \u00cdndia<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20181120-79848_india.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-160142\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20181120-79848_india.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20181120-79848_india.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20181120-79848_india-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20181120-79848_india-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20181120-79848_india-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20181120-79848_india-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20181120-79848_india-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20181120-79848_india-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3>Os anjos de Meena<\/h3>\n<p>Foi em Agosto de 2008. Uma onda de viol\u00eancia brutal cai sobre Kandhamal, no Estado de Orissa. Populares, irados, querem vingar o assassinato de um l\u00edder hindu local. Os Crist\u00e3os s\u00e3o as principais v\u00edtimas desse \u00f3dio descontrolado. Ningu\u00e9m escapou. Uma irm\u00e3, Meena Barwa, foi violada e arrastada para a rua pela multid\u00e3o. Onze anos depois, conta-nos a sua hist\u00f3ria\u2026<\/p>\n<p>Ainda hoje \u00e9 com enorme perplexidade que se escutam os relatos do ataque em Kandhamal, no Estado de Orissa, na \u00cdndia, em Agosto de 2008. Foi de tal forma brutal que ainda hoje o balan\u00e7o ainda n\u00e3o est\u00e1 fechado. Cento e vinte mortos, dezenas de aldeias atacadas. Seis mil casas destru\u00eddas. Trezentas igrejas e par\u00f3quias arrasadas. Ningu\u00e9m foi poupado. Foi terr\u00edvel, brutal. In\u00edquo. Nas v\u00e1rias not\u00edcias que se publicaram sobre estes incidentes, h\u00e1 algumas refer\u00eancias a uma irm\u00e3. Uma religiosa. Meena Barwa. Foi atacada talvez por ser sobrinha de um l\u00edder da Igreja Cat\u00f3lica, o Arcebispo de Cuttack-Bhubaneswar. Talvez. Nunca se vai saber. Era uma irm\u00e3, uma mulher. Foi atacada em casa, violada e arrastada quase sem roupas para o meio da rua. Foi violada e humilhada. Lembrar o que aconteceu revela-se sempre doloroso. \u00c9 como reabrir uma ferida que nunca deixou de sangrar. Mas Meena Barwa aceitou contar a sua hist\u00f3ria. Dar o seu exemplo. Aceitou contar como o perd\u00e3o \u00e9 sempre mais poderoso do que o \u00f3dio. \u201cO trauma foi quase insuport\u00e1vel\u201d, diz, lembrando que a viola\u00e7\u00e3o foi apenas o come\u00e7o de um longo caminho que ainda n\u00e3o chegou ao fim. A viol\u00eancia continuou a pairar por Orissa naqueles dias, naquelas semanas e meses. Meena foi for\u00e7ada a mudar de casa v\u00e1rias vezes. A amea\u00e7a continuava a ser muito forte. Os crist\u00e3os tiveram de se esconder por quest\u00f5es de seguran\u00e7a. \u201cAt\u00e9 usava disfarces\u201d, recorda. \u201cDurante anos, fiquei separada da minha fam\u00edlia\u2026 as noites eram especialmente m\u00e1s\u2026\u201d Como um pesadelo sem fim, Meena Barwa teve tamb\u00e9m de enfrentar a viol\u00eancia do julgamento. Ir a tribunal, encarar eventuais agressores, recordar passo a passo o que lhe aconteceu, deixou-a traumatizada. \u201cN\u00e3o consegui dormir durante dias\u2026\u201d Cada sess\u00e3o do julgamento era como uma nova viola\u00e7\u00e3o. Meena ganhou at\u00e9 avers\u00e3o ao sistema judicial, a tudo.<\/p>\n<h3>Reagir<\/h3>\n<p>Mas decidiu reagir. Era preciso lutar pela justi\u00e7a, defender todos os que, como ela, foram v\u00edtimas da viol\u00eancia mais absurda. Decidiu estudar. Matriculou-se numa faculdade longe de Orissa, mas nunca revelou a sua identidade. Continuou a ser uma religiosa mas, na escola, era apenas uma jovem estudante. Foi em 2015. \u201cHoje levo uma vida normal e tornei-me muito mais forte. As pessoas que conheci ajudaram-me a esquecer a minha dor.\u201d Todos os que estiveram com a Irm\u00e3 Meena durante estes anos ajudaram-na a ultrapassar o trauma, a olhar de frente para o futuro, a acreditar novamente em si. \u201cForam anjos enviados para me guiar, para que eu n\u00e3o me afundasse na mis\u00e9ria.\u201d Hoje, a Irm\u00e3 Meena \u00e9 outra pessoa. Cresceu. \u201cUltrapassei o meu trauma e encontrei uma maneira de trazer esperan\u00e7a ao meu povo. Tornei-me mais humilde, mais paciente e mais humana.\u201d Meena Barwa teve de se confrontar com os seus agressores. Mesmo n\u00e3o podendo identificar um a um os homens que a agrediram, teve de os encarar durante as suas ora\u00e7\u00f5es. N\u00e3o havia maneira de se desviar disso. \u201cA ora\u00e7\u00e3o s\u00f3 tem sentido quando eu perdoo. Como posso rezar a Nosso Senhor se n\u00e3o perdoo? Ao perdoar aos meus agressores, fiquei livre dos meus traumas, do medo, da vergonha, da humilha\u00e7\u00e3o e da raiva. Sinto que estou a viver uma vida normal e sou feliz porque lhes perdoei. Caso contr\u00e1rio, teria enlouquecido. N\u00e3o desejo mal aos que me agrediram. S\u00f3 desejo que eles se tornem boas pessoas.\u201d Meena Barwa, a sobrinha do Arcebispo de Cuttack-Bhubaneswar, aprendeu da forma mais dolorosa o poder do perd\u00e3o. Hoje, \u00e9 um exemplo de que o amor \u00e9 sempre mais forte do que o \u00f3dio\u2026<\/p>\n<p>Paulo Aido | <a href=\"www.fundacao-ais.pt\">fundacao-ais.pt<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria de coragem e perd\u00e3o de uma das v\u00edtimas do ataque de Orissa, na \u00cdndia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-160140","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=160140"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160140\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=160140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=160140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=160140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}