{"id":15977,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/joc-alerta-para-a-dificuldade-dos-jovens-no-mundo-do-emprego\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"joc-alerta-para-a-dificuldade-dos-jovens-no-mundo-do-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/joc-alerta-para-a-dificuldade-dos-jovens-no-mundo-do-emprego\/","title":{"rendered":"JOC alerta para a dificuldade dos jovens no mundo do emprego"},"content":{"rendered":"<p>A Equipa Nacional da JOC \u2013 Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica \u2013 reunida nos dias 7 e 8 de Janeiro, realizou uma reflex\u00e3o acerca da realidade da vida dos jovens do meio oper\u00e1rio.  A an\u00e1lise da realidade revelou que os jovens vivem actualmente v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es de instabilidade e precaridade nas suas vidas, que tendem a reduzir-lhes os horizontes e limitam o seu crescimento e forma\u00e7\u00e3o pessoal e social. Estas situa\u00e7\u00f5es surgem de v\u00e1rios quadrantes da sociedade e t\u00eam consequ\u00eancias a v\u00e1rios n\u00edveis. Face a esta realidade, a Equipa Nacional da JOC reitera a import\u00e2ncia de denunciar e lutar contra estas situa\u00e7\u00f5es, no sentido de reafirmar constantemente a dignidade dos jovens e a certeza que o caminho passa por uma sociedade que permite aos jovens serem protagonistas da sua pr\u00f3pria vida e da sua liberta\u00e7\u00e3o. Neste sentido apresentamos algumas das nossas preocupa\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o tamb\u00e9m as preocupa\u00e7\u00f5es dos jovens, representados na Equipa Nacional.  No trabalho, muitos jovens vivem de forma crescente situa\u00e7\u00f5es de precariedade e instabilidade. O desemprego, os contratos a prazo, as empresas de trabalho tempor\u00e1rio, n\u00e3o garantem aos jovens estabilidade e s\u00e3o geradores de incerteza face ao futuro e de muita inseguran\u00e7a, o que os impede de fazer projectos de futuro, de conquistar a sua independ\u00eancia e de concretizar projectos de vida, como a constitui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia.  As condi\u00e7\u00f5es de instabilidade e precaridade no trabalho \u2013 baixos sal\u00e1rios, horas extraordin\u00e1rias n\u00e3o remuneradas, imposi\u00e7\u00e3o das f\u00e9rias, aus\u00eancia de aumentos, alargamento do hor\u00e1rio de trabalho, falta de condi\u00e7\u00f5es de higiene e seguran\u00e7a, entre outras \u2013 s\u00e3o aceites, h\u00e1 uma acomoda\u00e7\u00e3o, porque os jovens est\u00e3o alheados dos seus direitos, perderam a coragem reivindicar, por medo de perder o emprego e sujeitos \u00e0 press\u00e3o psicol\u00f3gica de que muitos est\u00e3o \u00e0 porta, \u00e0 espera de ocupar os poucos lugares dispon\u00edveis. As estruturas sindicais s\u00e3o cada vez menos procuradas, porque n\u00e3o h\u00e1 uma identifica\u00e7\u00e3o entre os jovens trabalhadores e as propostas e solu\u00e7\u00f5es destas. \tEntre os jovens desempregados sente-se a aus\u00eancia de respostas concretas por parte das entidades respons\u00e1veis, e a procura de trabalho \u00e9 para muitos uma procura solit\u00e1ria, sem apoios, sem informa\u00e7\u00e3o e sem esperan\u00e7a. \tA nova legisla\u00e7\u00e3o laboral, expressa no C\u00f3digo Laboral, transmite a sensa\u00e7\u00e3o de que \u00e0s empresas tudo \u00e9 permitido ou contorn\u00e1vel e \u00e9 de dif\u00edcil acesso e interpreta\u00e7\u00e3o para a maioria dos jovens trabalhadores, muitas vezes prestando-se a ambiguidades.  As escolas s\u00e3o cada vez menos espa\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o pessoal e social. Na escola os jovens encontram professores desmotivados, que s\u00e3o sobretudo transmissores de informa\u00e7\u00e3o te\u00f3rica das suas \u00e1reas de conhecimento espec\u00edficas, sem a preocupa\u00e7\u00e3o de ensinar a pensar, a raciocinar, a descobrir e sem transmitir e aplicar a import\u00e2ncia desses saberes espec\u00edficos para o dia-a-dia dos jovens e para a sua vida futura.  As promessas de uma escola para todos e de todos, que d\u00ea espa\u00e7o ao desenvolvimento pr\u00f3prio de cada aluno enquanto indiv\u00edduo, continuam uma miragem. Os alunos continuam a estudar pelos mesmos manuais, os mesmos programas, os mesmos curr\u00edculos, independentemente da realidade e do contexto familiar, social, cultural e econ\u00f3mico em que vivem. Assim, os jovens que terminam a escolaridade obrigat\u00f3ria t\u00eam poucas solu\u00e7\u00f5es de inser\u00e7\u00e3o no mundo laboral, para al\u00e9m das propostas mais prec\u00e1rias, onde se procuram trabalhadores \u201cbonecos de produ\u00e7\u00e3o\u201d, que sejam uma m\u00e3o-de-obra barata e sem poder e capacidade reivindicativa.  Muitos, prosseguem os seus estudos na expectativa de que uma forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica superior, ser\u00e1 garante de uma maior qualifica\u00e7\u00e3o para o trabalho e de maior facilidade na inser\u00e7\u00e3o na vida activa. Contudo, os n\u00fameros do desemprego entre os jovens licenciados continuam a aumentar e muitos s\u00e3o confrontados com uma forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica desadequada da realidade profissional e com um excesso de qualifica\u00e7\u00f5es para o exerc\u00edcio das actividades onde conseguem encontrar hip\u00f3teses de trabalho. Nas empresas onde os conhecimentos t\u00e9cnicos e cient\u00edficos e a capacidade de inova\u00e7\u00e3o dos jovens licenciados seriam uma mais-valia, as empresas n\u00e3o os aceitam porque olham apenas ao sal\u00e1rio que ser\u00e1 mais elevado. Assim, o lucro vira as costas \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. Na realidade, o prosseguimento de estudos transforma-se numa forma de adiar um problema e de dificultar a independ\u00eancia dos jovens. A forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional apresenta-se igualmente desadaptada da realidade e n\u00e3o apresenta a solu\u00e7\u00e3o de garantia de trabalho qualificado, t\u00e3o apregoada pelas entidades competentes, salvadora do tecido produtivo nacional. A realidade s\u00e3o muitas empresas, de v\u00e1rios sectores, que continuam a ser encerradas!  Na fam\u00edlia os jovens t\u00eam cada vez mais dificuldade em conseguir a sua independ\u00eancia e contribuir economicamente para o bem-estar de todos. As fam\u00edlias oper\u00e1rias sofrem com as dificuldades econ\u00f3micas do pa\u00eds, com o clima generalizado de instabilidade e inseguran\u00e7a face ao futuro. Para os pais \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil assegurar aos jovens a educa\u00e7\u00e3o e o apoio que desejam, pois se para os jovens trabalhadores a realidade \u00e9 dif\u00edcil, para os seus pais n\u00e3o o \u00e9 menos. O cada vez maior endividamento das fam\u00edlias \u00e9 prova destas dificuldades. De acordo com os dados do INE, o endividamento das fam\u00edlias em Portugal atinge os 118% (m\u00e9dia nacional). Numa sociedade que incentiva o consumo e o primado do Ter sobre o Ser, muitas fam\u00edlias vivem hoje \u201ccom a corda na garganta\u201d, sem saber como saldar as d\u00edvidas e garantir que n\u00e3o perdem o pouco que t\u00eam. Face a esta realidade de endividamento, como \u00e9 poss\u00edvel \u00e0s fam\u00edlias investir no desenvolvimento de outras dimens\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o pessoal e social, para al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o em diminuir o seu endividamento?  Os jovens do meio oper\u00e1rio est\u00e3o a perder a capacidade de sonhar e de projectar o futuro, porque sentem que vivem num pa\u00eds envelhecido, que n\u00e3o se desenvolve, que n\u00e3o avan\u00e7a. O descr\u00e9dito de muitos jovens no pa\u00eds e nas suas institui\u00e7\u00f5es revela-se por exemplo na indiferen\u00e7a de muitos face ao processo eleitoral em curso e que visa eleger o pr\u00f3ximo Presidente da Rep\u00fablica. E quando surgem os jovens envolvidos nas campanhas dos mais diversos candidatos, s\u00e3o-nos apresentados como um n\u00famero, como um sinal de for\u00e7a e de vitalidade. Contudo n\u00e3o s\u00e3o ouvidos, n\u00e3o s\u00e3o chamados a dar a sua opini\u00e3o, n\u00e3o tomam lugar efectivo e participativo nas inst\u00e2ncias de decis\u00e3o. Os jovens s\u00e3o manipulados para servir de bandeira da modernidade e da esperan\u00e7a; mas lamentavelmente para muitos jovens, os sinais de esperan\u00e7a s\u00e3o escassos ou inexistentes! A falta de confian\u00e7a no futuro em Portugal manifesta-se por um n\u00famero crescente de jovens, das mais variadas qualifica\u00e7\u00f5es, que afirmam estar dispostos a emigrar, ou que j\u00e1 o fizeram, na esperan\u00e7a de encontrar um futuro mais risonho e menos incerto, em outro local.  A Equipa Nacional da JOC considera que os espa\u00e7os de liberdade, de opini\u00e3o e de valores, como a escola, a Igreja, as institui\u00e7\u00f5es ou associa\u00e7\u00f5es de cariz pol\u00edtico, social e sindical, entre outros, deviam criar espa\u00e7os onde os jovens pudessem pensar, tomar op\u00e7\u00f5es, desenvolver o seu esp\u00edrito cr\u00edtico, os valores humanistas e assumir responsabilidades; deviam ser espa\u00e7os de partilha, de reflex\u00e3o, de pensamento; espa\u00e7os onde os jovens tivessem voz e lugar; onde os jovens fossem protagonistas da sua pr\u00f3pria vida e liberta\u00e7\u00e3o! A JOC acredita nos jovens e acredita que n\u00e3o existem jovens indisciplinados; eles s\u00e3o v\u00edtimas de uma sociedade, onde as estruturas existentes incentivam e apenas testemunham o Ter e o Poder, em detrimento do Ser, dos valores e da responsabiliza\u00e7\u00e3o individual pelo bem comum. A JOC repudia vivamente a realidade actual e continuar\u00e1 firme, na evangeliza\u00e7\u00e3o dos jovens, com o objectivo de remarem contra a corrente. A JOC continuar\u00e1 a desafiar os jovens para trabalhar com amor, dedica\u00e7\u00e3o e coragem na transforma\u00e7\u00e3o da realidade e da sua vida! A JOC tamb\u00e9m afirma (como muitos) que os jovens s\u00e3o o futuro\u2026 mas acrescentamos (como poucos) que sem presente, n\u00e3o h\u00e1 futuro! Urge transformar o presente para conquistar o futuro!  Equipa Nacional da JOC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Equipa Nacional da JOC \u2013 Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica \u2013 reunida nos dias 7 e 8 de Janeiro, realizou uma reflex\u00e3o acerca da realidade da vida dos jovens do meio oper\u00e1rio. 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