{"id":159514,"date":"2020-01-15T11:40:26","date_gmt":"2020-01-15T11:40:26","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=159514"},"modified":"2020-01-15T11:50:25","modified_gmt":"2020-01-15T11:50:25","slug":"a-cruz-escondida-83","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-83\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>S\u00edria. Sete anos depois do in\u00edcio da guerra, Lina e Elias voltam a Homs<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20191216-95179_siria.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-159521\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20191216-95179_siria.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20191216-95179_siria.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20191216-95179_siria-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20191216-95179_siria-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20191216-95179_siria-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20191216-95179_siria-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20191216-95179_siria-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ACN-20191216-95179_siria-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3>O primeiro Natal<\/h3>\n<p>Estava a guerra ainda no come\u00e7o quando os combates chegaram ao bairro onde viviam, \u00e0 casa onde moravam. Foi em 2012. A <a href=\"https:\/\/youtu.be\/z27W0L4dOaQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">fam\u00edlia Ghattas<\/a>, assim como a maior parte da popula\u00e7\u00e3o de Homs, foi for\u00e7ada a fugir. A derrota dos jihadistas abriu entretanto as portas ao regresso, e Elias e Lina celebraram finalmente o Natal num lugar a que chamam casa. No entanto, \u00e9 ainda uma felicidade provis\u00f3ria\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 forma de esquecer o dia em que regressaram a Homs depois de a cidade ter sido libertada do jugo dos jihadistas do Daesh. Foram sete penosos anos que pareceram uma eternidade. Para tr\u00e1s ficaram dias de horror quando, em 2012, a cidade sucumbiu \u00e0 viol\u00eancia dos terroristas. O que se passou em Homs repetiu-se em quase toda a S\u00edria. As cidades e vilas transformaram-se em pris\u00f5es a c\u00e9u aberto. As igrejas foram ocupadas e destru\u00eddas. Os Crist\u00e3os foram for\u00e7ados a fugir. Lina e Elias partiram, tal como milhares de outros crist\u00e3os, para um ex\u00edlio no pr\u00f3prio pa\u00eds. Um ex\u00edlio que s\u00f3 terminou quando os jihadistas foram expulsos de quase todos os lugares que ocupavam no pa\u00eds. Come\u00e7ou a\u00ed um tempo de esperan\u00e7a. Um nervoso tempo de esperan\u00e7a que quase sucumbiu no dia em que o casal regressou a Homs e defrontou-se com o que restava da sua casa. Como esconder as l\u00e1grimas de desalento perante as paredes em ru\u00ednas, as marcas de balas, o lixo acumulado? N\u00e3o havia sequer portas nem janelas. Nada. O interior estava esventrado. Os fios de electricidade tinham sido arrancados. Lina e Elias regressaram e ficaram outra vez na rua, sem casa, sem tecto, sem nada. Os anos de guerra n\u00e3o destru\u00edram apenas as cidades, vilas e aldeias. A pr\u00f3pria economia. O desemprego \u00e9 brutal. N\u00e3o h\u00e1 fam\u00edlia que n\u00e3o sinta a viol\u00eancia do custo de vida, a falta de alimentos ou de medicamentos, a aus\u00eancia de futuro. Sem casa onde pernoitar, Lina e Elias tiveram de arrendar um quarto. Foi ainda mais doloroso. T\u00e3o perto do lugar onde sempre viveram, mas t\u00e3o longe, afinal, de um espa\u00e7o a que pudessem chamar casa. O pr\u00f3prio quarto revelou-se um problema. Os arrendamentos tornaram-se proibitivos. Com o fim dos combates, muitas fam\u00edlias regressaram a Homs e tamb\u00e9m se depararam com as suas casas em ru\u00ednas. A falta de quartos dispon\u00edveis fez disparar o pre\u00e7o dos arrendamentos. Lina e Elias come\u00e7aram ent\u00e3o uma quase via-sacra. Sem dinheiro nem trabalho, tudo passou a ser demasiado caro para a pobreza da fam\u00edlia. Resolveram pedir ajuda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>O regresso do filho<\/h3>\n<p>Gra\u00e7as a um fundo de emerg\u00eancia da Funda\u00e7\u00e3o AIS, muitas fam\u00edlias s\u00edrias t\u00eam conseguido alugar casa retomando um quotidiano t\u00e3o normal quanto poss\u00edvel, apesar dos in\u00fameros sinais de guerra que ainda persistem no pa\u00eds. Lina e Elias souberam da exist\u00eancia desta campanha de apoio ao regresso dos Crist\u00e3os e conseguiram, finalmente, alugar de uma pequena habita\u00e7\u00e3o at\u00e9 poderem iniciar as obras de reabilita\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria casa. Ao fim de sete anos, voltaram a ter um espa\u00e7o para a fam\u00edlia. Foi uma grande prenda de Natal, \u00e9 verdade. Mas falta ainda o resto: as obras em casa e o regresso do filho mais velho. Convocado para o servi\u00e7o militar em 2011, quando a guerra come\u00e7ou, o filho mais velho de Lina e Elias ainda est\u00e1 ao servi\u00e7o do ex\u00e9rcito e ningu\u00e9m sabe quando ser\u00e1 desmobilizado. Os pais agradecem, no entanto, o essencial: o dom da vida. Estar vivo \u00e9 a boa not\u00edcia! O outro filho, mais novo, nunca mais se libertar\u00e1 da sombra da guerra, pois ficou cego de um olho por causa da explos\u00e3o de um morteiro. Sobreviver passou a ser como uma palavra de ordem. Gra\u00e7as \u00e0 ajuda da Funda\u00e7\u00e3o AIS, a fam\u00edlia Ghattas passou finalmente um Natal num lugar a que pode chamar casa. Falta-lhes quase tudo menos a esperan\u00e7a. \u201cPara mim, voltar para uma casa \u00e9 como renascer\u201d, disse-nos Lina. \u201cN\u00e3o consigo descrever a alegria que senti. Estou cheia de esperan\u00e7a numa vida melhor.\u201d \u00c9 ainda uma casa emprestada. \u00c9 ainda uma felicidade provis\u00f3ria. Mas \u00e9 um recome\u00e7o!<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n<table style=\"border-collapse: collapse; width: 100%;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 50%;\"><figure class=\"wp-block-embed wp-block-embed-youtube is-type-video is-provider-youtube epyt-figure\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_46373\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZkqfAFhyqVE?enablejsapi=1&autoplay=0&cc_load_policy=0&cc_lang_pref=pt&iv_load_policy=1&loop=0&rel=0&fs=1&playsinline=1&autohide=2&theme=dark&color=red&controls=1&disablekb=0&\" class=\"__youtube_prefs__  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div><\/div><\/figure><\/td>\n<td style=\"width: 50%;\"><figure class=\"wp-block-embed wp-block-embed-youtube is-type-video is-provider-youtube epyt-figure\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_13471\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/z27W0L4dOaQ?enablejsapi=1&autoplay=0&cc_load_policy=0&cc_lang_pref=pt&iv_load_policy=1&loop=0&rel=0&fs=1&playsinline=1&autohide=2&theme=dark&color=red&controls=1&disablekb=0&\" class=\"__youtube_prefs__  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div><\/div><\/figure><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00edria. 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