{"id":159312,"date":"2020-01-13T11:06:17","date_gmt":"2020-01-13T11:06:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=159312"},"modified":"2020-01-13T11:34:43","modified_gmt":"2020-01-13T11:34:43","slug":"o-que-pode-reverter-o-declinio-das-palavras-cristas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-que-pode-reverter-o-declinio-das-palavras-cristas\/","title":{"rendered":"O que pode reverter o decl\u00ednio das palavras crist\u00e3s"},"content":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>As palavras n\u00e3o s\u00e3o apenas para expressar ideias, comunicar, ou simplesmente serem lidas. Pequenas palavras podem alterar o nosso comportamento, quebrar maus h\u00e1bitos, come\u00e7ar bons h\u00e1bitos, e afectar a sa\u00fade do nosso corpo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_159314\" aria-describedby=\"caption-attachment-159314\" style=\"width: 1296px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/danielle-macinnes-IuLgi9PWETU-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-159314\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/danielle-macinnes-IuLgi9PWETU-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"1296\" height=\"864\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/danielle-macinnes-IuLgi9PWETU-unsplash.jpg 1296w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/danielle-macinnes-IuLgi9PWETU-unsplash-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/danielle-macinnes-IuLgi9PWETU-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/danielle-macinnes-IuLgi9PWETU-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/danielle-macinnes-IuLgi9PWETU-unsplash-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/danielle-macinnes-IuLgi9PWETU-unsplash-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/danielle-macinnes-IuLgi9PWETU-unsplash-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/danielle-macinnes-IuLgi9PWETU-unsplash-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1296px) 100vw, 1296px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-159314\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Danielle MacInnes em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>O m\u00e9dico Andrew Newberg e o especialista em comunica\u00e7\u00e3o Mark Waldman, no seu livro \u201cAs Palavras podem mudar o C\u00e9rebro\u201d (<em>Words can change your brain<\/em>), afirmam que <em>\u00abuma simples palavra tem o poder de influenciar a express\u00e3o dos genes que regulam o stress f\u00edsico e emocional.\u00bb<\/em> Assim, palavras positivas com <em>paz<\/em> ou <em>amor<\/em> podem alterar-nos fisicamente, sobretudo ao n\u00edvel cerebral e suas fun\u00e7\u00f5es cognitivas. A raz\u00e3o est\u00e1 no impulso dado por essas palavras aos centros cerebrais motivacionais em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 ac\u00e7\u00e3o, desenvolvendo a resili\u00eancia, segundo estes autores.<\/p>\n<p>Reparem como pequenas modifica\u00e7\u00f5es nas palavras que dizemos podem fazer uma enorme diferen\u00e7a. Se quisermos quebrar um mau h\u00e1bito de consumo para reduzir de peso, em vez de dizermos &#8211; <em>\u201deu n\u00e3o posso comer gelados\u201d<\/em> &#8211; sen\u00e3o engordamos, podemos dizer &#8211; <em>\u201deu n\u00e3o como gelados\u201d<\/em> &#8211; que demonstra autonomia e auto-controlo. Outras vezes temos mesmo vontade de dizer &#8211; <em>\u201dnada corre bem!\u201d<\/em> &#8211; quando, se adicionarmos a simples palavra <em>algumas<\/em>, o sentido muda &#8211; <em>\u201dalgumas coisas correm bem, outras n\u00e3o\u201d<\/em> &#8211; relativizando o copo que n\u00e3o est\u00e1 totalmente vazio ou cheio. Tamb\u00e9m o Papa Francisco alertou para tr\u00eas palavras que come\u00e7aram a entrar com mais sentido e significado na vida das fam\u00edlias &#8211; <em>\u201dposso?\u2026desculpa\u2026obrigado\u201d<\/em> &#8211; palavras cuja genuidade pode quebrar barreiras que nos separam. Continuando a pensar nas fam\u00edlias, um estudo da Universidade de Berkeley observou que os casais que usam mais as palavras <em>n\u00f3s, nosso<\/em> demonstram menos sinais de <em>stress<\/em> do que os casais que usam mais as palavras <em>eu, meu<\/em> e <em>tu<\/em>.<\/p>\n<p>A minha experi\u00eancia \u00e9 a de que as palavras na linguagem crist\u00e3 s\u00e3o muito positivas, mas fiquei surpreendido e intrigado quando me apercebi de estarem em decl\u00ednio nos livros.<\/p>\n<p>A Google possui a maior colect\u00e2nea de livros digitalizados do mundo publicados desde 1800. Com isso construiu uma ferramenta, o <em>Ngram Viewer<\/em>, que permite ver a evolu\u00e7\u00e3o do uso de uma determinada palavra ao longo dos anos. Independentemente da simplicidade da an\u00e1lise, e usando os respectivos termos em ingl\u00eas, verifiquei o que havia lido no livro do jornalista Jonathan Merrit <em>\u201dLearning to speak God from scratch\u201d<\/em> sobre palavras de origem crist\u00e3.<\/p>\n<p>Gratid\u00e3o\u2026 em decl\u00ednio.<br \/>\nGra\u00e7a\u2026 em decl\u00ednio.<br \/>\nMiseric\u00f3rdia\u2026 em decl\u00ednio.<br \/>\nSabedoria\u2026 em decl\u00ednio.<br \/>\nF\u00e9\u2026 em decl\u00ednio.<br \/>\nSacrif\u00edcio\u2026 em decl\u00ednio.<br \/>\nHonestidade\u2026 em decl\u00ednio.<\/p>\n<p>Porqu\u00ea?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 porque Deus deixou de fazer parte das nossas conversas, logo daquilo que vale a pena escrever nos livros?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 porque deix\u00e1mos de saber o que essas palavras significam?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 porque n\u00e3o experimentamos na pele como essas palavras afectam o nosso corpo-mente-esp\u00edrito? Talvez um pouco de tudo.<\/p>\n<p>O que me pareceu curioso e preocupante foi notar, ao rever o filme da Marvel, Vingadores &#8211; Guerra do Infinito, como as palavras gratid\u00e3o, miseric\u00f3rdia, sacrif\u00edcio s\u00e3o as usadas pelo vil\u00e3o <em>Thanos<\/em> no filme para justificar a sua cruzada de matar metade da popula\u00e7\u00e3o do Universo com a inten\u00e7\u00e3o de o salvar. Eu gosto muito do ritmo do filme e do entretenimento que proporciona, mas fiquei perplexo ao ver o grau de deturpa\u00e7\u00e3o de palavras positivas a justificar o mal que se pretendia fazer. \u00c9 verdade que h\u00e1 vida que nasce da morte. Esse \u00e9 o princ\u00edpio evolutivo que nos trouxe at\u00e9 aqui, mas quando as palavras s\u00e3o usadas fora do seu contexto, gradualmente perdem o seu sentido e significado. Deixam de ser escritas e as palavras perdem o ser valor transformativo. At\u00e9 que noto a diferen\u00e7a entre as palavras de <em>Thanos<\/em> e o actos dos her\u00f3is desta hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o da nossa f\u00e9 \u00e9 feita de actos e palavras. Quando h\u00e1 conson\u00e2ncia entre os actos e as palavras, damos o testemunho de vida daquilo em que acreditamos. N\u00e3o se trata de usar as palavras para convencer algu\u00e9m da nossa f\u00e9, mas de entender o seu valor transformativo, seja na vida f\u00edsica, mental, ou transforma\u00e7\u00e3o da nossa consci\u00eancia para que seja plena.<\/p>\n<p>Talvez os <em>actos<\/em> que expressam o sentido e significado das palavras crist\u00e3s sejam um modo de reverter este decl\u00ednio. Vivemos na era da auto-experimenta\u00e7\u00e3o e cada vez mais se escreve sobre as experi\u00eancias que fazemos. Se essas experi\u00eancias traduzirem em vida palavras crist\u00e3s como gra\u00e7a, miseric\u00f3rdia, sabedoria, gratid\u00e3o, estes e outros termos come\u00e7am a ser os que melhor descrevem o que vivemos. Palavras que vale a pena escrever para inspirar e transformar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-159312","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=159312"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159312\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=159312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=159312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=159312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}