{"id":159037,"date":"2020-01-10T07:00:56","date_gmt":"2020-01-10T07:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=159037"},"modified":"2020-01-09T13:30:43","modified_gmt":"2020-01-09T13:30:43","slug":"todas-as-politicas-que-defendam-a-dignidade-das-pessoas-e-das-familias-terao-o-nosso-apoio-presidente-da-acege","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/todas-as-politicas-que-defendam-a-dignidade-das-pessoas-e-das-familias-terao-o-nosso-apoio-presidente-da-acege\/","title":{"rendered":"\u00abTodas as pol\u00edticas que defendam a dignidade das pessoas e das fam\u00edlias ter\u00e3o o nosso apoio\u00bb &#8211; presidente da ACEGE"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Jo\u00e3o Pedro Tavares, presidente da ACEGE &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Empres\u00e1rios e Gestores, fala com a ECCLESIA e a Renascen\u00e7a sobre o que considera que deveriam ser as prioridades do Or\u00e7amento, o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, a necessidade de uma cultura de pagamento pontual e a concilia\u00e7\u00e3o fam\u00edlia-trabalho, projetando o encontro de jovens economistas que o Papa convocou para mar\u00e7o deste ano, em Assis.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Fotos: Joana Bourgard (Renascen\u00e7a)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/01.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-159038\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/01-400x240.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/01-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/01-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/01-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/01-1536x922.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/01-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/01-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/01-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/01-480x288.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/01.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>Para os empres\u00e1rios e gestores cat\u00f3licos o que \u00e9 que seria importante estar no Or\u00e7amento de Estado?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s achamos que este \u00e9 um or\u00e7amento de continuidade, de gest\u00e3o corrente, em que o governo, como na legislatura anterior, tem compromissos assumidos com m\u00faltiplos partidos para conseguir o equil\u00edbrio parlamentar que lhe possibilita a aprova\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento. O que consideramos \u00e9 que o pa\u00eds para crescer a outros n\u00edveis \u2013 e o presidente da rep\u00fablica tem-no referido &#8211; precisa de uma reconfigura\u00e7\u00e3o, e essa reconfigura\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe no or\u00e7amento. Mas h\u00e1 aspetos positivos a destacar.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Quais?<\/em><\/p>\n<p>A economia portuguesa cresceu acima da m\u00e9dia europeia, porque algumas grandes economias n\u00e3o cresceram aos mesmos n\u00edveis, ainda que comparado com os \u2018tigres\u2019 europeus &#8211; Eslov\u00e9nia, Eslov\u00e1quia, Irlanda, Malta &#8211; cresceu abaixo. Portanto, Portugal converge com a Europa, mas diverge, em termos de crescimento econ\u00f3mico, no seu campeonato, n\u00e3o fica classificado nos primeiros lugares. E isto, numa situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica absolutamente \u00fanica e excecional, porque estamos a viver climas de incerteza grandes, absolutamente imprevistos, como a guerra Ir\u00e3o-Iraque-Estados Unidos, a incerteza sobre o pre\u00e7o do petr\u00f3leo, que impacta muito na economia portuguesa.<\/p>\n<p>Portugal \u00e9 obviamente um pa\u00eds que tem vindo a consolidar-se e a ser um exemplo positivo, h\u00e1 um equil\u00edbrio de contas p\u00fablicas, por um lado, o excedente or\u00e7amental \u00e9 uma boa not\u00edcia, mas por outro lado \u00e9 conseguido \u00e0 custa de um agravamento da carga fiscal como um todo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A carga fiscal \u00e9 algo que as pessoas sentem na pele. A op\u00e7\u00e3o do governo tem sido aumentar impostos indiretos, com baixas ligeiras no IRS, mas para as empresas aumentar a procura e o poder de compra chega, ou seria \u00fatil uma revis\u00e3o do IRC? O que \u00e9 que \u00e9 verdadeiramente necess\u00e1rio para que a economia possa crescer mais?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdadeiramente necess\u00e1rio que as empresas n\u00e3o estejam estranguladas por esta carga fiscal. Ali\u00e1s, esta carga fiscal acaba por tirar alguma competitividade \u00e0 economia e \u00e0s pr\u00f3prias empresas, tira-lhes alguma atratividade. Um pa\u00eds como a Irlanda tem uma carga fiscal muita atrativa, e compete com Portugal. Portanto, do lado das empresas retira-lhes capacidade de investimento, do lado das fam\u00edlias retira-lhes capacidade de poupan\u00e7a e at\u00e9 de crescimento no consumo. Enfim, h\u00e1 dados positivos, mas h\u00e1 aspetos que carecem de uma mudan\u00e7a significativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Concorda com a aposta que tem sido feita nos chamados impostos &#8220;bonzinhos&#8221;, como os que incidem sobre os produtos alimentares prejudiciais \u00e0 sa\u00fade, atrav\u00e9s do IVA?<\/em><\/p>\n<p>Eu entendo esta linha, como entendo o imposto especial sobre pl\u00e1sticos, que foi aplicado h\u00e1 uns anos. Entendo, mas \u00e9 sempre uma recolha de impostos.<\/p>\n<p>Mais importante do que recolher estes impostos seria saber de que forma \u00e9 que eles est\u00e3o a ser aplicados. H\u00e1 um conjunto de impostos na sociedade que deviam ter aplica\u00e7\u00f5es diretas, e devia ser absolutamente transparente a forma como os governos &#8211; este e os anteriores &#8211; o fazem.<\/p>\n<p>Quando justificam que sobre os pl\u00e1sticos este imposto vai ser aplicado por uma economia mais verde, era importante perceber como, porque ao fazer esta coleta de impostos indiretos &#8211; mas diretos na forma como s\u00e3o direcionados \u2013 as pessoas deviam perceber de que forma \u00e9 que eles s\u00e3o aplicados para a reconfigura\u00e7\u00e3o de economia, para a promo\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds mais verde, para uma maior sustentabilidade. S\u00e3o desafios que deviam ser considerados.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Outra quest\u00e3o que interfere diretamente com a vida de quem \u00e9 empres\u00e1rio e gestor, e com as decis\u00f5es que tem de tomar, \u00e9 o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Como \u00e9 que v\u00ea esta op\u00e7\u00e3o, que muitas vezes tem sido quase uma bandeira pol\u00edtica?<\/em><\/p>\n<p>Sobre esse tema aquilo que temos a dizer \u00e9 que todas as pol\u00edticas que defendam a dignidade das pessoas e das fam\u00edlias ter\u00e3o o nosso apoio. Se o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo visa defender a fam\u00edlia e as pessoas, se vai conduzir a mais empregos, com v\u00ednculos contratuais mais fortes, para uma maior sustentabilidade, a todos os n\u00edveis, tem todo o nosso apoio. Um aumento, obviamente, para valores razo\u00e1veis. \u00c9 muito f\u00e1cil, sem compromissos, fazer pedidos de sal\u00e1rios m\u00ednimos de 850 euros\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O mais recente aumento foi razo\u00e1vel e foi o poss\u00edvel?<\/em><\/p>\n<p>Sim, foi razo\u00e1vel, e parece-me o poss\u00edvel, recebeu uma aceita\u00e7\u00e3o generalizada.<\/p>\n<p>O sal\u00e1rio m\u00ednimo duplicou nos \u00faltimos 20 anos, teve um aumento significativo: estava nos 300 \u20ac em 2000, e est\u00e1 nos 653 euros agora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas \u2013 e voltando ao in\u00edcio da conversa &#8211; uma economia para crescer, para ser verdadeiramente competitiva, interessante e apelativa, n\u00e3o pode estar baseada em sal\u00e1rios m\u00ednimos.<\/em><\/p>\n<p>Repare o seguinte: quando digo que a economia portuguesa precisa de uma reconfigura\u00e7\u00e3o, \u00e9 a segunda economia da Europa onde o sal\u00e1rio m\u00e9dio e o sal\u00e1rio m\u00ednimo s\u00e3o muito parecidos.<\/p>\n<p>Quando um em cada cinco portugueses recebe sal\u00e1rio m\u00ednimo, e 1,2 milh\u00f5es de fam\u00edlias recebe menos de 1000 euros por m\u00eas para se sustentar, o desafio n\u00e3o \u00e9 o sal\u00e1rio m\u00ednimo, de alguma maneira, porque esse n\u00e3o est\u00e1 substancialmente diferente do sal\u00e1rio m\u00ednimo europeu. O que acontece \u00e9 que na Europa em geral o sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 aplicado para determinadas franjas da sociedade, e aqui em Portugal tem uma aplica\u00e7\u00e3o generalizada. Portanto, tem de haver uma aposta de longo prazo na educa\u00e7\u00e3o, tem de haver uma reconfigura\u00e7\u00e3o do tecido econ\u00f3mico. As pessoas t\u00eam que sair da situa\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/05.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159042 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/05-400x240.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/05-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/05-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/05-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/05-1536x922.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/05-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/05-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/05-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/05-480x288.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/05.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>A verdade \u00e9 que mesmo os portugueses mais qualificados recebem o sal\u00e1rio m\u00ednimo, como os jovens.<\/em><\/p>\n<p>Recebem bastante menos. Vimos muitas empresas deslocalizarem os seus\u00a0<em>back office<\/em>\u00a0para Portugal, porque Portugal \u00e9 muito atrativo a esse n\u00edvel, mas com esta subida do sal\u00e1rio m\u00ednimo j\u00e1 vieram avisar que provavelmente t\u00eam de repensar as suas estrat\u00e9gias. Mas, s\u00e3o empresas com mais de 10 mil pessoas. Portanto, h\u00e1 aqui uma reten\u00e7\u00e3o de capital muito importante, mas n\u00e3o \u00e9 esta que queremos. N\u00f3s gostar\u00edamos que a m\u00e3o de obra fosse valorizada de outra forma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como?<\/em><\/p>\n<p>Repare que a introdu\u00e7\u00e3o destas pessoas com sal\u00e1rios m\u00ednimos tamb\u00e9m tem um impacto ao n\u00edvel de produtividade, que tem m\u00faltiplas vari\u00e1veis, nomeadamente aquilo que a pessoa de facto produz, o n\u00famero de horas que trabalha &#8211; e em Portugal \u00e9 significativamente mais elevado que a m\u00e9dia europeia, esse \u00e9 um aspeto. Mas, a produtividade em Portugal \u00e9 mais baixa do que na Europa, e aqui h\u00e1 um desafio muito importante. Se compararmos com os pa\u00edses do norte da Europa, o valor m\u00e9dio produzido em Portugal \u00e9 30% face \u00e0 Europa, sendo que no norte da Europa, como trabalham menos horas, n\u00e3o chegam a equiparar, mas a diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 de um para tr\u00eas.<\/p>\n<p>Temos de aumentar a produtividade, dar condi\u00e7\u00f5es para que as empresas invistam mais, para que o capital como um todo &#8211; que \u00e9 o investimento nas empresas, os seus ativos e, retirando as deprecia\u00e7\u00f5es, a produtividade &#8211; cres\u00e7a, e para que a economia dessa maneira se renove. Este \u00e9 que \u00e9 o grande desafio.<\/p>\n<p>Temos de reconfigurar a economia portuguesa significativamente, e uma pergunta que deixo \u00e9: quem pensa a longo prazo em Portugal? E outra: ser\u00e1 que n\u00f3s somos tudo aquilo que poder\u00edamos ser, ou n\u00e3o?\u00a0O que \u00e9 que poder\u00edamos ser de diferentes?<\/p>\n<p>A minha vis\u00e3o de um Estado que arrecada em tudo, e que acaba por ser um pouco opressivo, porque est\u00e1 omnipresente e tem uma carga fiscal absolutamente superior a outros pa\u00edses europeus, \u00e9 uma m\u00e1 not\u00edcia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um dos problemas que tem preocupado a ACEGE nos \u00faltimos anos \u00e9 o dos pagamentos com atraso, seja por parte do Estado, seja por parte das empresas.\u00a0<\/em><em>O que \u00e9 que vos levou a tomarem de novo posi\u00e7\u00e3o sobre o assunto em dezembro? A situa\u00e7\u00e3o piorou? H\u00e1 mais incumprimentos a este n\u00edvel?<\/em><\/p>\n<p>Houve mudan\u00e7as a este n\u00edvel. A iniciativa &#8216;Compromisso Pagamento Pontual&#8217; n\u00e3o \u00e9 exclusivamente da ACEGE, \u00e9 tamb\u00e9m da CIP e da APIFARMA e do IAPME\u2026<\/p>\n<p><em><br \/>\nA que aderiraram v\u00e1rias empresas\u2026<\/em><\/p>\n<p>Mais de mil e 200 empresas, incluindo organismos p\u00fablicos, institui\u00e7\u00f5es, c\u00e2maras. E a situa\u00e7\u00e3o mudou de m\u00faltiplas maneiras: por um lado, houve uma ligeira melhoria nos prazos de pagamento, que tem de ser assinalada, uma melhoria do lado das empresas, sendo que as empresas que menos cumprem s\u00e3o as maiores; mas, por outro houve um agravamento significativo do lado do Estado, da administra\u00e7\u00e3o central, porque na administra\u00e7\u00e3o local as c\u00e2maras, a partir do\u00a0momento em que tamb\u00e9m fazem a sua coleta de impostos locais, hoje em dia t\u00eam prazos de pagamento muito atrativos e s\u00e3o cumpridoras.<\/p>\n<p>As c\u00e2maras est\u00e3o com n\u00edveis de d\u00edvida muito mais baixos, prazos de pagamento de 19 dias de atraso, creio eu, algumas pagam sem atraso. Mas, no Estado Central o n\u00edvel de d\u00edvida subiu significativamente, como no setor da sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isto afeta bastante a capacidade de investimento das empresas que est\u00e3o \u00e0 espera de dinheiro que lhes \u00e9 devido, durante largos meses. Um dos objetivos deste \u2018Compromisso Pagamento Pontual\u2019 \u00e9 propor uma mudan\u00e7a de cultura, por mais abstrato que isso possa parecer. Que as pessoas assumam que n\u00e3o podem estar durante meses \u00e0 espera para pagar pelo servi\u00e7o que lhes foi prestado\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s fizemos um estudo que comprovou que uma pioria de 12 dias, no prazo de pagamentos, conduziria a uma perda de 17 mil postos de trabalho. Portanto, h\u00e1 que dizer que os empres\u00e1rios e gestores n\u00e3o s\u00e3o apenas respons\u00e1veis pelas suas empresas, mas por toda uma cadeia de valor. Empres\u00e1rios e gestores, l\u00edderes da pr\u00f3pria Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, que \u2013 ao n\u00e3o cumprir \u2013 leva empresas \u00e0 fal\u00eancia e \u00e0 perda de postos de trabalho, por a\u00ed em diante.<\/p>\n<p>O que n\u00f3s comprovamos \u00e9 que, se hoje a melhoria n\u00e3o \u00e9 significativa face aos tempos da crise, isto \u00e9 um tema cultural, de facto. E eu creio que aqui tem de haver uma mudan\u00e7a de cultura, de mentalidade, da parte\u2026 tem de haver um maior sentido ecol\u00f3gico. Isto economicamente falando, de toda a cadeia de valor, de n\u00e3o me sentir apenas respons\u00e1vel pela minha empresa, mas por todos os meus clientes, por todos os stakeholders, por todos os meus fornecedores, pelos acionistas, pela pegada social da empresa, pela maneira como os nossos colaboradores olham para n\u00f3s \u2013 porque veem que somos uma entidade que paga a horas. Tenho de come\u00e7ar a pagar a horas aos meus colaboradores\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o \u00e9tica?<\/em><\/p>\n<p>Claro que sim, \u00e9 uma quest\u00e3o \u00e9tica. Muitos empres\u00e1rios e gestores com quem falo, dizem: \u00e9 obviamente problema de tesouraria. E haver\u00e1. Perante um problema de tesouraria, o que \u00e9 que tenho de fazer? Devo priorizar o tipo de decis\u00f5es que vou ter. Situa\u00e7\u00f5es em que vou ter de despedir pessoas, por exemplo, reduzir a carga laboral, tenho de fazer ajustes\u2026 Mas h\u00e1 aqui tamb\u00e9m um tema de car\u00e1ter e de \u00e9tica, ou de falta de \u00e9tica. Sem d\u00favida, tem de ser dito desta forma, que \u00e9 pouco simp\u00e1tico, mas tem de ser assumido: este \u00e9 um problema, este \u00e9 um dos atrasos da Economia portuguesa face \u00e0 Europa. Os nossos prazos de pagamento, os atrasos, s\u00e3o o dobro da m\u00e9dia europeia, o dobro. Dev\u00edamos envergonhar-nos com este dado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-159039\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-400x240.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-1536x922.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02-480x288.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/02.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>Outra quest\u00e3o que tem estado nas prioridades da Associa\u00e7\u00e3o \u00e9 a concilia\u00e7\u00e3o entre trabalho e fam\u00edlia: apresentaram estudos, t\u00eam procurado sensibilizar as empresas e certific\u00e1-las como familiarmente respons\u00e1veis. Como \u00e9 que os empres\u00e1rios e gestores crist\u00e3os abordam esta din\u00e2mica?<\/em><\/p>\n<p>Aqui tamb\u00e9m tem de haver uma mudan\u00e7a de mentalidade. H\u00e1 v\u00e1rios desafios. Fizemos um estudo, tamb\u00e9m com a CIP e a Universidade Nova, elencando um conjunto de desafios, desde logo, mais uma vez, a mudan\u00e7a de mentalidades, de cultura. De cultura de lideran\u00e7a e na forma como se olha para a fam\u00edlia, que \u00e9 um parente menor \u2013 e aqui surge uma penaliza\u00e7\u00e3o significativa da mulher, do seu papel na fam\u00edlia e na empresa.<\/p>\n<p>Temos in\u00fameras hist\u00f3rias de homens que n\u00e3o aceitam que as mulheres ganhem o mesmo, que trabalhem no mesmo posto de trabalho; e mulheres que aceitam que existam estas diferen\u00e7as, que n\u00e3o podem, de manheira nenhuma, existir.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a tem de ser cultural e creio que as novas gera\u00e7\u00f5es v\u00e3o introduzir renova\u00e7\u00f5es significativas na forma de pensar. Ou seja, h\u00e1 um paradoxo entre aquilo que se prop\u00f5e fazer e aquilo que \u00e9 a mentalidade institu\u00edda. As novas gera\u00e7\u00f5es elegeram a import\u00e2ncia da harmonia fam\u00edlia-trabalho \u2013 e pomos fam\u00edlia antes do trabalho \u2013 como o segundo tema mais relevante das suas escolhas profissionais. Eles relevam este aspeto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que chegaram a essa conclus\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Por inqu\u00e9ritos feitos aos jovens. Eles querem a defesa da dignidade no trabalho, o desenvolvimento de oportunidades de crescimento, pessoal e profissional, e o equil\u00edbrio fam\u00edlia-trabalho \u00e9 logo considerado como o segundo aspeto mais relevante.<\/p>\n<p>Portanto, aqui h\u00e1 um desafio muito grande, na cultura, relativamente ao papel da fam\u00edlia, ao papel da mulher. Outro estudo, feito pela Funda\u00e7\u00e3o Mais Fam\u00edlia \u2013 n\u00f3s temos uma certifica\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 chegou a 13 empresas, e queremos duplicar esse n\u00famero -, verificou que h\u00e1 uma perda de talento, de 20%&#8230; Todas as universidades dizem que o talento vai ser o fator diferenciador no futuro, n\u00e3o vai ser a tecnologia. 70% da perda deste talento s\u00e3o pessoas que n\u00e3o querem ou n\u00e3o podem assumir novas responsabilidades.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Portanto, uma perda de talento provocada diretamente por esta falta de concilia\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Falta de concilia\u00e7\u00e3o. E 70% destas pessoas s\u00e3o mulheres, que n\u00e3o querem ou n\u00e3o podem assumir novas responsabilidades devido a uma sobrecarga familiar com descendentes ou ascendentes. Portanto, h\u00e1 aqui um desafio grande relativamente ao papel da mulher e ao tipo de oportunidades, \u00e0 igualdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isto tamb\u00e9m se relaciona com a disponibilidade das fam\u00edlias para terem filhos. Vivendo Portugal um inverno demogr\u00e1fico, isso aumenta responsabilidade dos empres\u00e1rios e gestores crist\u00e3os na forma como devem olhar para este problema<\/em>?<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma das pobrezas da nossa sociedade, o inverno demogr\u00e1fico, o n\u00famero de div\u00f3rcios que existe \u2013 com uma das taxas mais altas na Europa -, burnouts, esgotamentos, stress profissional. Este tema n\u00e3o tem a ver apenas e s\u00f3 com o n\u00famero de horas que as pessoas trabalham mas tamb\u00e9m com as horas que gastam para se deslocar para o trabalho e regressar para as suas casas. Como ganham pouco, as pessoas t\u00eam necessidade de compor os seus vencimentos, fazendo horas extraordin\u00e1rias noutros s\u00edtios. Noutro dia, um empres\u00e1rio dizia-me que estava chocado, porque percebeu que tinha colaboradores seus que sa\u00edam da empresa e iam apanhar cart\u00f5es pelas ruas. Portanto, existem situa\u00e7\u00f5es de pobreza debaixo do nosso nariz, temos de cuidar delas.<\/p>\n<p>Na sociedade, o desafio \u00e9 enorme e tem um impacto muito significativo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A ACEGE est\u00e1 associada ao encontro \u2018A Economia de Francisco\u2019, convocado pelo Papa para mar\u00e7o, em Assis\u2026 \u00c9 um encontro de uma nova gera\u00e7\u00e3o de economistas, por uma Economia mais justa, inclusiva, sustent\u00e1vel. Espera que marque uma mudan\u00e7a na forma como se encara a Economia, que deve servir o bem comum?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sem d\u00favida. Essa \u00e9 uma das responsabilidades de um l\u00edder crist\u00e3o empresarial: a promo\u00e7\u00e3o do bem comum, a defesa da dignidade da pessoa, ter uma cultura de solidariedade, de subsidiariedade e a defesa da casa comum, como um todo. Portanto, olhar para a empresa como uma comunidade, que cria e distribui valor, de forma justa; e olhar para as pessoas no centro da organiza\u00e7\u00e3o. A introdu\u00e7\u00e3o da tecnologia vai trazer enorm\u00edssimos desafios no futuro. Portanto, esta cultura crist\u00e3 que enunciei, a Doutrina Social da Igreja \u2013 eu gosto de referi-la como a Economia do bem comum, a Economia da partilha \u2013 \u00e9 absolutamente crucial. \u00c9 o modelo econ\u00f3mico mais virtuoso que existe, porque promove uma sustentabilidade a prazo\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Doutrina Social da Igreja desenvolveu-se sempre a par das grandes transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, econ\u00f3micas e sociais. O que \u00e9 que o Papa faz? Desafia os jovens em Assis, entre eles 50 de Portugal, para falar da Economia de Francisco \u2013 n\u00e3o do Papa, mas de S\u00e3o Francisco de Assis: como \u00e9 que este santo, do s\u00e9culo XII, quis mostrar ao seu pai, um comerciante de tapetes, mercantilista, liberal, capitalista \u2013 e n\u00e3o tem mal em s\u00ea-lo, em parte -, de que forma se podia romper com o sistema e recriar algo de absolutamente distinto, de op\u00e7\u00e3o pelos mais pobres, de erradica\u00e7\u00e3o da pobreza.<\/p>\n<p>O que o Papa entende \u00e9 que este modelo, como est\u00e1, n\u00e3o vai l\u00e1, \u00e9 preciso fazer uma rutura e recriar, de novo. E vai buscar aqueles em quem mais acredita para fazer esta transforma\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o os jovens, as novas gera\u00e7\u00f5es, muito generosas, muito dispon\u00edveis, muito atentas e com um crit\u00e9rio de valores muito diferente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159041 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-400x240.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-1536x922.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04-480x288.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/04.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>Confia que as coisas mudar\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>O primeiro passo \u00e9 despertar consci\u00eancias e comprovar que h\u00e1 novos caminhos que s\u00e3o poss\u00edveis. O segundo passo \u00e9 mobilizar os mais seniores, porque a riqueza intergeracional tem de existir. Este encontro n\u00e3o \u00e9 feito contra ningu\u00e9m, \u00e9 feito precisamente para promover a inclus\u00e3o, a diversidade, e o Papa quer chamar os jovens para que tenham uma voz ativa, no futuro.<\/p>\n<p>Temos l\u00edderes muito enraizados nas suas formas de ver e de atuar; o que eu pedia \u00e9 que estivessem abertos, dispon\u00edveis e que fossem humildades perante as propostas trazidas, que tenho a certeza de que v\u00e3o ser transformadoras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta iniciativa despertou interesse nos associados da ACEGE, nomeadamente dos mais jovens?<\/em><\/p>\n<p>Sim, despertou enorme interesse. N\u00f3s estamos a fazer um curso com v\u00e1rias universidades de Economia e Gest\u00e3o \u2013 creio que \u00e9 a iniciativa que engloba mais universidades, em conjunto, nomeadamente a AESE, a Universidade Cat\u00f3lica, a Universidade Nova. Despertou o interesse a disponibilidade dos jovens, que querem um mundo mais justo e mais inclusivo. Eles v\u00e3o ter enorm\u00edssimos desafios, no mundo do trabalho, no mundo digital, no mundo da fam\u00edlia, mas creio que v\u00e3o ser uma lufada de ar fresco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":159040,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[96],"class_list":["post-159037","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-acege"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159037","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=159037"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159037\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/159040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=159037"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=159037"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=159037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}