{"id":15888,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/ecumenismo-e-politica\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"ecumenismo-e-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ecumenismo-e-politica\/","title":{"rendered":"Ecumenismo e pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>Li\u00e7\u00f5es da Hist\u00f3ria <!--more--> Volta e meia, mesmo em clima de elei\u00e7\u00f5es, ouve-se falar de Ecumenismo. Na vida interna da Igreja, o tema aparece neste m\u00eas de Janeiro, a prop\u00f3sito da \u00abSemana da Unidade dos Crist\u00e3os\u00bb, ou seja, o esfor\u00e7o de di\u00e1logo dos tr\u00eas ramos do cristianismo (cat\u00f3licos, ortodoxos e protestantes) em ordem \u00e0 unidade da Igreja e que existiu como \u00fanica nos primeiros dez s\u00e9culos. Interessa lembrar desde j\u00e1 que o Ecumenismo \u00e9 um movimento crist\u00e3o e refere-se unicamente aos crist\u00e3os, \u00e9 algo fraterno, nada tendo a ver com as religi\u00f5es n\u00e3o crist\u00e3s e muito menos com os n\u00e3o crentes. O di\u00e1logo com esses grupos n\u00e3o se chama ecumenismo, mas respectivamente \u00abdi\u00e1logo inter-religioso\u00bb e \u00abdi\u00e1logo com os n\u00e3o crentes\u00bb.   No ano 1024 consumou-se a primeira grande ruptura no seio da Igreja com o afastamento do Patriarcado de Constantinopla ou Biz\u00e2ncio a que presidia o patriarca Miguel Cerul\u00e1rio. \u00c9 certo que j\u00e1 antes daquela data houve grupos crist\u00e3os no Egipto e na S\u00edria que, por motivos de especula\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, influ\u00eancias culturais e dom\u00ednio mu\u00e7ulmano, se haviam afastado da unidade eclesial, mas a ruptura oficial da cristandade oriental deu-se no citado s\u00e9c. XI. De modo geral, d\u00e1-se o nome de Ortodoxos a todos esses crist\u00e3os que, sobretudo na Europa Oriental, grega e eslava, vivem separados da obedi\u00eancia ao Papa.  No s\u00e9c. XVI, protagonizada por Martinho Lutero, dar-se-ia uma nova ruptura, agora no seio da Igreja latina ou ocidental, em que uma parte significativa de na\u00e7\u00f5es da cultura anglo-sax\u00f3nica se afastaram da obedi\u00eancia ao Papa. A esses crist\u00e3os nascidos da ruptura no s\u00e9c. XVI d\u00e1-se o nome gen\u00e9rico de protestantes ou reformados que, de modo gradual, dariam origem a dezenas de grupos dos mais variados nomes, passando alguns deles a seitas, tal \u00e9 o extremismo a que foram conduzidos pela leitura individualista e subjectiva da B\u00edblia e pela press\u00e3o do mundo. Volvidos estes s\u00e9culos e verificadas as feridas e consequ\u00eancias na vida dos povos, os crist\u00e3os mais l\u00facidos de qualquer confiss\u00e3o crist\u00e3 reconhecem que este estado de coisas \u00e9 oposto ao plano de Jesus Cristo e merece um esfor\u00e7o conjunto de reconcilia\u00e7\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m claro que, debaixo dos movimentos e gestos das independ\u00eancias e lutas religiosas, houve milhentos factores estranhos \u00e0 f\u00e9, tais como as infiltra\u00e7\u00f5es de sentimentos de pol\u00edtica local, as rivalidades culturais regionais, os interesses econ\u00f3micos, a vaidade pessoal, mesmo problemas de consci\u00eancia pessoal, falta de piedade profunda e esclarecida. Ao longo dos s\u00e9culos, houve Papas que tentaram a reconcilia\u00e7\u00e3o, o \u00faltimo dos quais foi Pio XI que convidou a Igreja oriental para o I Conc\u00edlio do Vaticano, mas s\u00f3 encontrou sil\u00eancio. Ao convocar o II Conc\u00edlio do Vaticano, mesmo sabendo que n\u00e3o seria o Conc\u00edlio da Uni\u00e3o, Jo\u00e3o XXIII convidou os Ortodoxos e Protestantes para estarem presentes no Conc\u00edlio como observadores. O seu convite foi atendido e ali estiveram a acompanhar todo o Conc\u00edlio delegados das Igrejas ortodoxas e protestantes, numa atitude muito diferente dos diplomatas. Foi um milagre, diria o grande te\u00f3logo protestante Dr. Cullmann. Desde o Conc\u00edlio Vaticano II o clima tem vindo a melhorar muito. Aqui interessa fixar as li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria, mormente o frequente inquinamento da vida eclesial por movimentos estranhos \u00e0 f\u00e9, nomeadamente a explora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do bairrismo das popula\u00e7\u00f5es. N\u00e3o quer isto dizer que o crist\u00e3o deva manter-se alheio \u00e0 vida do mundo. Pelo contr\u00e1rio, deve andar atento \u00e0 sociedade e inserir-se corajosamente nos mecanismos sociais e pol\u00edticos, mas isso deve nascer por exig\u00eancias internas da pr\u00f3pria f\u00e9 e n\u00e3o por deriva\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. \u00c9 ainda oportuno recordar que o Ecumenismo \u00e9 um movimento de f\u00e9 e n\u00e3o de calculismo diplom\u00e1tico. O Ecumenismo n\u00e3o corresponde a uma esp\u00e9cie de negocia\u00e7\u00f5es de grupos religiosos em que cada grupo faz uma proposta e respectivo desconto para se chegar a um acordo m\u00fatuo. Isso conduziria a um sincretismo, uma po\u00e7\u00e3o religiosa de m\u00ednimos que se aproximaria do laicismo para poder ser bebida por todos. Pelo contr\u00e1rio, o Ecumenismo vive da convers\u00e3o interior de cada um, \u00e9 um movimento de m\u00e1ximos e de verdadeiros crist\u00e3os: \u00abN\u00e3o h\u00e1 verdadeiro Ecumenismo sem convers\u00e3o interior. Os anseios de unidade nascem e amadurecem a partir da renova\u00e7\u00e3o da mente, da abnega\u00e7\u00e3o de si mesmo, e da lib\u00e9rrima efus\u00e3o da caridade\u00bb, escreve o decreto conciliar sobre o Ecumenismo (n.7). Cada grupo crist\u00e3o \u00e9 convidado a aprofundar a sua f\u00e9 , a reflectir sobre ela , a viv\u00ea-la at\u00e9 ao fim, colocando-se diante de Deus e  libertando-se de tudo o que possa ser orgulho, facciosismo, paix\u00e3o, disposto a seguir corajosamente os movimentos que o Esp\u00edrito Santo sugerir. H\u00e1 posi\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias que podem ser revistas em determinados aspectos sem deixar de ser o que s\u00e3o. Dentro da Igreja, temos o caso da Missa que, mantendo-se a mesma de sempre, viu alterado o modo de celebrar-se, colocando o altar mais pr\u00f3ximo e vis\u00edvel da assembleia, dando maior import\u00e2ncia \u00e0 Palavra e aos minist\u00e9rios laicais, recorrendo \u00e0s l\u00ednguas locais, factos que alguns diriam dizer oriundos da pr\u00e1tica protestante, mas que s\u00e3o rigorosamente extra\u00eddos da doutrina cat\u00f3lica sobre o baptismo. De modo semelhante, a afirma\u00e7\u00e3o de Cristo como \u00fanica fonte de Revela\u00e7\u00e3o, tendo a B\u00edblia e a Tradi\u00e7\u00e3o como meios de acesso a Cristo revelador, \u00e9 cada vez mais aceite por cat\u00f3licos e protestantes, ultrapassando querelas antigas. A pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de \u00abjustifica\u00e7\u00e3o\u00bb, o grande pomo da disc\u00f3rdia da Reforma, foi recentemente expressa num texto assinado por cat\u00f3licos e luteranos, reconhecendo que a f\u00e9 na ac\u00e7\u00e3o pessoal de Cristo \u00e9 fundamental e, ao mesmo tempo, as ac\u00e7\u00f5es da vida de cada um s\u00e3o insubstitu\u00edveis na assimila\u00e7\u00e3o da f\u00e9. Outros aspectos da doutrina e disciplina, mesmo o minist\u00e9rio do Papa, continuam a merecer o estudo de grandes te\u00f3logos, e tudo isto por fidelidade \u00e0 f\u00e9 cat\u00f3lica e n\u00e3o por calculismo ou mero desejo de simpatia.  Os grandes obst\u00e1culos ao Ecumenismo s\u00e3o, de um lado, o fanatismo e o fundamentalismo, e, do outro, a aus\u00eancia de piedade na vida de cat\u00f3licos, ortodoxos e protestantes e mais ainda o laicismo, o abandono do sentido religioso da vida.  <i>Joaquim Gon\u00e7alves, Bispo de Vila Real, in \u201cA Voz de Tr\u00e1s-os-Montes&#8221;<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Li\u00e7\u00f5es da Hist\u00f3ria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[144,167,183,192,203,238],"class_list":["post-15888","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-concilio-vaticano-ii","tag-dialogo-inter-religioso","tag-diocese-de-vila-real","tag-ecumenismo","tag-europa","tag-joao-xxiii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15888\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}